terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA DA FPO: ANATOMIA DUM PROCESSO (CONCLUSÃO)




Ao partilhar as minhas conclusões, aquilo a que decidi chamar “Anatomia dum Processo” chega agora ao fim. Virado que está mais um capítulo da vida da nossa jovem Federação, são incertas as etapas que se seguirão. Sobretudo, importa saber interpretar correctamente certos sinais e não tomar a nuvem por Juno.


1. José Carlos Costa Reis e Silva é Professor. Correndo o risco de estar a dizer uma inverdade – que ele me perdoará, certamente -, é a primeira vez que comenta no Orientovar. Ele foi uma das muitas pessoas que, para além dos quarenta e três delegados à Assembleia Geral Extraordinária do passado sábado, fez questão de marcar presença na reunião magna da FPO. Este aspecto é muito significativo. Revela a importância e o interesse que o momento presente da nossa modalidade suscita. É uma realidade da qual não nos podemos alhear. Da qual nos devemos orgulhar!

2. Nos dias que correm, os modelos de comunicação baseiam-se num vasto conjunto de ferramentas de todos conhecidas e por muitos utilizadas activamente. É hoje muito mais fácil difundir a notícia, partilhar ideias, colher opiniões, levar ao debate. O Orientovar faz precisamente da difusão da notícia, da partilha de ideias, da colheita de opiniões e da promoção do debate uma das suas bandeiras. Não existe apenas para isso, mas existe também por isso. Daí que sinta como sua uma pequenina quota parte de responsabilidade no interesse que as várias matérias suscitam e no êxito destes números de participação.

3. Não sei se alguém fez, em algum momento, o exercício de folhear, do início e até à data, as páginas do Orientovar. Não é um exercício fácil. São 1516 mensagens que cobrem um período de tempo ligeiramente superior a três anos. Num único espaço – e só aqui! - estão reunidos os últimos três anos da História da Orientação portuguesa. Com seriedade e dedicação se vai construindo um imenso livro repleto de páginas bonitas, outras nem por isso. É este esforço que me é reconhecido. É por isto que a comunidade orientista aqui vem beber diariamente algo de novo, algo de diferente.

4. Quando Jorge Baltazar, do fundo da sua cadeira, convoca uma “meia-dúzia de pseudo-jornalistas, bloggers e pretendentes a opinion makers” para lhes dizer que “têm necessidade de protagonismo, são persistentes e minam a modalidade com bastantes artigos de opinião e matérias que de construtivo pouco ou nada têm”, a debandada é geral. Eu, todavia, sou um dos poucos que permanece na sala. De certeza que Baltazar não se está a referir ao Orientovar ou à minha pessoa. A menos que ande no Mundo por ver andar os outros. Por isso me mantive impávido e sereno. Talvez só na aparência!

5. A debandada geral configura uma falta de respeito para com o órgão soberano que é a Assembleia Geral? Certamente que sim. Porque o fez então, a grande maioria das pessoas presentes na sala? Apenas e tão somente para não responder à insolência do gesto e à provocação das palavras, evitando assim que uma situação, altamente explosiva, pudesse descambar para vias de facto. O impulso foi demasiado forte – José Carlos Costa Reis e Silva usa, curiosamente, o termo “reflexo” -, mas muitas daquelas pessoas, com apenas um pé de fora da sala, já se questionavam se aquilo que faziam seria correcto ou errado. Embora compreenda – e queira ver até uma certa nobreza no gesto - foi pena o que aconteceu. Foi errado. Olhos nos olhos, Baltazar deveria ter sido confrontado. Merecia uma réplica se queria sair vencedor desta contenda. Assim, ainda que sem honra nem glória, será ele o vencedor!

6. Quando arquei sobre os ombros a responsabilidade de ser o editor da “Orientação em Revista”, na nova vida encetada em Fevereiro do ano transacto como suplemento da “Revista de Atletismo”, a primeira Entrevista publicada é com Alexandre Guedes da Silva, precisamente. Nela se dá conta de algumas agulhadas à Federação, como certamente todos estarão lembrados. Nunca, até hoje, alguém da Direcção da FPO de então contestou o facto de eu ter assumido a pessoa de Alexandre Guedes da Silva como alguém que merecia ser ouvido. Nunca a minha postura mereceu qualquer reparo!

7. Quando Guedes da Silva se perfilou como candidato à Presidência da Direcção da FPO, este órgão que é o Orientovar deu conta da bondade e do voluntarismo do seu gesto, chamou à atenção inúmeras vezes para o levantamento exaustivo que foi feito sobre os problemas da modalidade, lamentou a quase inexistência de debate de ideias, promoveu a única lista candidata às eleições, em suma, acolheu e hasteou, com vigor e valentia, a bandeira da “Orientação, o Desporto do Século XXI”. Mesmo dando voz, então, ao ainda Presidente da Direcção da FPO, António Rodrigues, o Orientovar era, para Guedes da Silva, um modelo e um exemplo.

8. É difícil para mim entender quando é que o Orientovar deixou de ser um exemplo e passou a perverter o modelo de comunicação escolhido, de acordo com a opinião de Alexandre Guedes da Silva. Talvez quando resolveu dar voz ao Parecer do Conselho Fiscal, claramente contrário aos interesses da Direcção, que não da Orientação. Não, meus amigos. Aqui procuro que as coisas sejam imparciais e transparentes. Não alinho em perversões de modelos, como se quer insinuar. Perversão do modelo de comunicação é aquilo que se faz na página da FPO quando, com menos de 24 horas de antecedência, se apresentam os “Documentos de suporte à Assembleia Geral da FPO a realizar em Gouveia a 5 de Fevereiro”. Porventura já experimentaram abrir o “Rel. e Parecer” do Conselho Fiscal? Pois experimentem [podem fazê-lo AQUI]. Não abre. “Bad request”, pode ler-se. Mas “bad request” para quem?

9. O momento é sério e requer ponderação. Alexandre Guedes da Silva lamentou não haver um rosto para a oposição. Todos lamentamos. Alexandre Guedes da Silva quer negociar o Plano. Não se sabe com quem. Isto sim, isto é que é verdadeiramente mau para a Orientação. Pois que apareça o rosto e se promova o diálogo. Se concerte uma solução consensual, se retome o bom caminho e se recupere o tempo perdido. Se dê de novo o voto de confiança a Alexandre Guedes da Silva, se for esse o caso. Mas que se faça rapidamente alguma coisa. É disto que a Orientação precisa!

10. Quanto ao Orientovar, lamento muito mas não é compatível com o défice democrático de alguns que preferem o lodaçal de água estagnada à onda viva da liberdade de opinião e de expressão. Paciência. Esqueçam que este espaço existe. Tão simples como isto. Eu também me recuso a ver um dos quatro canais generalistas da nossa televisão. E não é por isso que ele deixa de ser líder de audiências!


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

5 comentários:

Almeida disse...

Só mais um acto ditatorial:
- Colocar um link directo da página da FPO para o Orientovar.

Realmente... ditadores!

Abraço

Vitor disse...

Tomara que a maioria da nossa comunicação social tivesse a qualidade deste espaço de informação e debate de ideias.

Neste aspecto a comunidade orientista é uma privilegiada.

A Orientação pode estar a atravessar uma crise de liderança mas o Orientovar tem sido e é um espaço altamente positivo para nos ajudar a encontrar o melhor caminho, como é exemplo estes brilhantes relatos da AG da FPO.

É tão difícil manter o bom senso nestas alturas, e no entanto é disso que mais precisámos...

Almeida disse...

Uma análise à democracia e à ditadura, no fórum da FPO, mostra que:
- na democracia, em 6 meses, existem 150 intervenções (um terço da direcção e um terço sobre o RC) o que resulta numa média de 25 intervenções por mês;
- na ditadura existiram 2522 comentários directos (e outros tantos em resposta) em 53 meses, o que resulta numa média de 49 intervenções (directas) por mês.

Afinal estamos a falar de que democracia e de que ditadura????

Bem dizia a Lena d'Água: "demagogia de primeira, é como queijo numa ratoeira".
Estava eu tão sossegadinho, a saborear o meu aniversário, e os eucaliptos preocupados comigo!!!

Abraço

Rui Marques disse...

Pensei que a Orientação nunca chegasse ao nível da politica portuguesa, com as imagens que vemos na televisão de estar um politico a falar e os da oposição a rirem-se e mandarem bocas ou piadas. Esperava que isso nunca acontecesse, já que a Orientação não é um desporto profissional mas realmente aconteceu. Eu posso não concordar ou ter reservas em relação a certas ideias do orçamento e do plano apresentado mas o mais importante é procurar discuti-las e encontrar consenso.

Durante estes últimos meses e nesta assembleia houve situações que me deixaram preocupado:
- É estranho que na assembleia o presidente da FPO disse pelo menos duas vezes que tiveram que refazer as contas da FPO para escrever o orçamento a partir do zero, porque os dados da direcção anterior nunca foram passados à actual direcção. E sobre isto não houve ninguém que contradissesse, nem ninguém pôs tais afirmações em causa.
- É estranho que a pessoa da direcção anterior que tem responsabilidades nessa área, tenha sido a que mais energicamente pediu a demissão da actual direcção.
- É estranho que esta mesma pessoa tenha-se descaído na assembleia ao dizer que tinham chegado à pouco a acordo para uma futura lista. Pelos visto toda esta revolta têm afinal um objectivo, e não me parece que exista qualquer interesse em discutir soluções.
- Estou também curioso para perceber qual vai ser a futura lista e principalmente para saber qual vai ser a constituição do concelho fiscal.
- Desde do primeiro dia que esta direcção foi criticada. No entanto foi a única lista que se candidatou. Na minha opinião não faz sentido pedir a demissão passado apenas 4 meses. Será que essas pessoas pensam que a actual direcção esteve lá a brincar? Fazer um orçamento, a fazer planos estratégico em tão pouco tempo para depois abandonar a direcção? Parece-me um bocado desmotivante para alguém que pretenda fazer algo pela Orientação.

Para além disto tudo o que me realmente chocou e que nunca esperei ver foi a atitude de final da maioria da assembleia.
O Jorge Baltazar é uma das pessoas que mais deu à Orientação. Desde tecnicamente com a elaboração de mapas, como traçador de percursos com grande qualidade técnica, como supervisor, etc. Para além disso, tem sido um grande dinamizador da Orientação na Margem Sul, preterindo muitas vezes o ambiente familiar por um esforço de levar muitos jovens do concelho de Sesimbra a entrar para a orientação, conduzindo diversos treinos e organizando um grande número de provas. Tem feito um esforço notável desde à muito tempo, em prol da Orientação. Por isso não percebo porquê que os ditos "grandes senhores da Orientação" abandonam a sala quando o Jorge se encontrava a falar. Quando tiveram a criticar não vi ninguém abandonar a sala, mas quando é ao contrário, não souberam ouvir. É esta a nova Orientação que se pretende?

Acho que as provas de orientação têm cada vez mais qualidades. Exemplo foi esta prova de Gouveia que nos levou a sítios espectaculares e a um mapa de grande exigência técnica como à muito não tinha pela frente. Ou como foram as provas de inicio de época em Coruche e a ultra longa de S.Bartolomeu (que foi uma grande aposta para uma distância superior ao habitual), entre outras. Por isso pedia que acabassem com estas guerras e divisões e que se preocupassem com a Orientação em si.

Abraço

corridas disse...

Caro RMarques
Senti-me na obrigação de vir aqui repor algumas verdades nas afirmações que faz. Percebo que deve estar mandatado para o efeito, mas corre o risco de incorrer em inverdades colocando em causa até a sua idoneidade.
Vou apenas cingir-me a duas situações que peremptoriamente afirma, com desconhecimento de causa, mas que facilmente poderia evitar se consultasse até o site da FPO

1- O orçamento que diz que ninguém passou para a nova Direcção, consta do site da FPO. Estão lá desde 2006. A Direcção anterior apesar dos ataques que sofreu nos vários posts pré-eleitoriais - entendeu nunca responder - e, mesmo assim, prontificou-se a esclarecer tudo o que foi solicitado e até em reunião presencial, fazendo a passagem do testemunho. Reunião que não estive presente porque também fui ameaçado pelo Sr. actual Presidente. Não posso tornar publico, foi um mail pessoal e ainda corro o risco de ser processado também!
Se a passagem não foi mais natural, ela foi provocada pelo Sr. Presidente na tal campanha difamatória. Como pessoas de bem, e com o registo de tudo, optámos pelo silêncio. Caro RMarques, por exemplo, se se sentir difamado com este post, de certeza que amanhã não me vai cumprimentar com um sorriso nos lábios, certo? Um "tás bom" provavelmente...
Se fossemos evocar todas as inverdades que o Sr. Presidente afirma, não faríamos nós outra coisa. Fazemos valer o mais importante, o nosso historial, caro RMarques. Temos um historial e uma credibilidade de seriedade na modalidade. Provavelmente nem todos podem dizer o mesmo...

O que o Sr. Presidente quer dizer é que o novo paradigma para ele implicou um corte com os orçamentos anteriores, pois com o que existiu era impossível estas megalomanias. Se calhar não percebeu isso, fica aqui o esclarecimento. Com tanto estudo académico para gráficos, não me diga que com 5 anos de orçamentos publicados e ainda com documentos extraídos do IDP o Presidente (com o qual baseou o seu brilhante estudo - não estou a ironizar) não tem todo o histórico orçamental?

2- Não cole a situação actual ao cargo que exerci anteriormente. Ao contrário do seu clube, RMarques, o clube que represento não tem qualquer dependência de apoios da FPO, seja para provas no continente, ou nas ilhas. Isto é de alguém dum clube independente que decidiu dar voz à indignação pela estagnação da modalidade e o autismo dos actuais dirigentes.

Finalmente, estamos de acordo numa situação. Tenho grande consideração pelo Jorge Baltazar e reconheço todo o trabalho dele em prol da modalidade. Ele sabe disso também. E a maioria das pessoas que estiveram na AG também o reconhecem. Porventura, foi por isso que houve a debandada: porque não colamos o Jorge Baltazar às declarações que fez. Foram 3 intervenções lamentáveis, uma para que fosse publico o sentido de voto dos representantes de orgãos (será por isso que quase todos se abstiveram?? Pois eu acho que a maioria votaria contra), uma para achincalhar um orgão de fiscalização e depois a ultima que levou ao abandono da assembleia.
Não me parece que fossem declarações que amenizassem uma situação que já estava muito quente. Não me parece que sejam declarações sentidos pelo Jorge.

Foram encomendadas? Como o seu unico voto? Como este post? Para contar espingardas? Caro RMarques, não estamos em guerra, somos tão poucos. Agora quem devia procurar o diálogo, teve 4 meses para o fazer e parece que só se lembrou disso na campanha pré-eleitoral e no primeiro mês devia ser o Sr. Presidente...certo?

Tenho um enorme respeito pelo Jorge, pelo Azoia. Sou também dos vossos lados e dão-me o prazer de praticar este desporto na nossa zona.

Por isso não há como personalizar as coisas, ok?

Não vou voltar aqui a este forum (este post já vai longo), mesmo que evoquem novamente a minha pessoa. Espero que se sinta(m) esclarecido(s) e aguardemos então por novas notícias, pois a modalidade não pode esperar muito mais.

Pedro Dias