quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

"UMA ESPÉCIE DE ORIENTISTA": CRÓNICAS DE LUÍS PEREIRA COMPILADAS




“Berdadeiro” para alguns, “espécie” para sempre, Luís Pereira pegou em 109 textos seus, acrescentou-lhes mais de uma centena de fotos devidamente legendadas, organizou o todo sob a forma de livro digital e vem de o publicar. Convidado de honra do Orientovar, aqui nos fala de si, das suas crónicas e dos seus projectos de futuro.


Orientovar – Como surgiu esta ideia?

Luís Pereira – Era uma situação que não estava nos meus horizontes à partida. Mas ao ir conversando com alguns companheiros da Orientação, as ideias começaram a ganhar forma e acabou por chegar a altura em que achei por bem avançar com o projecto. As crónicas do “espécie” tinham chegado ao fim e, talvez por isso, proporcionou-se pensar no assunto mais a sério. Mas confesso que a título pessoal, ou seja, quando comecei a organizar os textos, não tinha ainda esta ideia. Seria mais uma recordação do género “álbum de fotografias”, algo que ficasse para mais tarde recordar. É que isto deu-me algum gozo a escrever.

Orientovar – De que forma está estruturado o livro?

Luís Pereira – Eu não lhe chamaria livro, enfim… Os textos estão organizados em três capítulos. Existe aquela primeira fase, a fase da emoção, correspondente aos primeiros contactos com a Orientação, onde tudo é novidade e entusiasmo. Depois começa a “istória”, - assim mesmo, com “i”, para ser diferente - e termina com “momentos” que não têm propriamente a ver com a Orientação e na qual se integram o Atletismo, o Pedestrianismo e algumas situações que, embora girando em torno da Orientação, são diversos.


“As coisas foram simples, nasceram assim e vão morrer assim”

Orientovar – Satisfeito com o resultado?

Luís Pereira – O resultado é satisfatório. Gostaria de ter revisto com mais tempo os textos e tenho pena de não ter fotografias para cada um deles, mas acabei por achar que não valeria a pena incomodar as pessoas, acabando por me socorrer daquilo que tinha à mão. Faltou-me escrever um glossário com alguns termos técnicos da Orientação, sobretudo para aquelas pessoas menos familiarizadas com a modalidade, e também o “glossário do espécie”, onde caberia por exemplo o termo “pedrolas” e que só por si o justificava. As coisas foram simples, nasceram assim e vão morrer assim.

Orientovar – Este trabalho de organização implicou, suponho eu, uma revisitação aos seus textos. Há algum deles que, a esta distância, lhe provoque ainda hoje uma especial emoção?

Luís Pereira – Sim. O primeiro texto que escrevi sobre Pavia é um texto do qual gosto muito, um texto que brotou naturalmente. De tal maneira que, quando comecei a escrevê-lo e dei por ela, tinha já não sei quantas folhas, acabando por me ver obrigado a dividi-lo em três partes. Há depois dois outros textos dos quais gosto também muito e que não têm propriamente a ver com uma prova específica, antes são “momentos”. São eles “Uma Carta do Espécie ao Pai-Natal” e “Saudade”. Este último é, por incrível que pareça, um texto com o qual me emociono sempre que falo dele. Aquele texto foi mesmo muito sentido… Dentro da minha sensibilidade de escrita, entenda-se, nada de elaborado, mas foi realmente um texto muito sentido.


“Vou continuar a ser sempre uma espécie de orientista”

Orientovar – No orientista que todos conhecemos e estimamos e que é o Luís Pereira, quanto há de “espécie” e quanto há de “verdadeiro”?

Luís Pereira – Vou continuar a ser sempre uma espécie de orientista. O “berdadeiro” foi uma fuga para a frente. Nunca serei um verdadeiro orientista porque nunca terei qualidades, nem físicas nem técnicas, para ser um orientista a sério. Sou assim um “artista de segunda” que anda nisto com o objectivo de fazer o seu melhor. E porque nunca serei um verdadeiro orientista, encontrei no “berdadeiro” uma forma de afirmação disso mesmo. Mais do que marcar as minhas origens nortenhas ao assinar “berdadeiro” com “b”, estão lá as aspas como que a dizer que de verdadeiro não tenho nada. Não fujo disso.

Orientovar – Está pensado um volume de crónicas também para o “berdadeiro”?

Luís Pereira – Francamente não pensei nisso. Se um dia, porventura, colocar um ponto final nas crónicas do “berdadeiro” – e tive vontade de o fazer no final da temporada passada, a seguir à prova de Brasfemes -, quem sabe não voltarei a organizar essa colecção de textos num novo projecto do género.


Para aceder à compilação clique AQUI.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

2 comentários:

antunes disse...

Boa Tarde;

Ora aqui está uma das formas mágicas para nos fazer acreditar que é possível continuar a praticar este desporto maravilhoso na sua forma mais pura.
Dei apenas uma vista sobre a obra, porque para a ler toda e irei fazê-lo, é preciso acima de tudo tempo, porque vontade há e muita.
No entanto já deu para ter uma ideia da beleza e da riqueza da narração que aqui é feita.
Parabéns ao meu Grande Amigo Luís Pereira com quem me tenho encontrado e cruzado em variadíssimas provas na floresta e nos cafés das redondezas!
E deixa-te lá de me tentar desconcentrar sempre que nos cruzamos.E no final, por favor, não me faças esse ar como que a repreenderes-me por apenas conseguir andar (às vezes!!!) um pouquito mais do que tu.Pelo pouco que li aqui, só falta lá colocares também que a velhice ainda é um posto.Vale? mesmo a brincar!
Espero que continues a presentear-nos com a tua presença e mais narrações como estas e que nos trazem á memória recordações incríveis.
Um grande Abraço para ti e para o Joaquim Margarido.

Rui antunes

fernando disse...

Parabéns ao Luís Pereira por divulgar a modalidade através da escrita. Uma escrita diferente, que vai à procura do mais puro e verdadeiro que existe dentro de cada orientista.
De certeza que a Cláudia também tem uma mãozinha nesta inspiração !!!
Que não percas a vontade

Fernando