domingo, 2 de janeiro de 2011

À RODA DOS BLOGS: QUO VADIS, ORIENTAÇÃO?




Dúvidas, interrogações, preocupações! Contestação! As vozes fazem-se ouvir, de forma cada vez mais declarada e evidente. Quem viaja pela nossa blogosfera, cedo percebe uma realidade: O actual estado de coisas é tudo menos pacífico. Quo vadis, Orientação?


Quem faz da consulta diária à blogosfera um dos seus exercícios obrigatórios, percebe facilmente que o estado de graça da actual Direcção da FPO está a chegar ao fim. Com efeito, são poucos aqueles que deixaram de achar graça à forma como as coisas vêm sendo tratadas, exprimindo de forma aberta as suas dúvidas, interrogações e preocupações. A sua contestação!

Prestes a sair novamente para Olomouc, na República Checa, Jorge Fortunato faz um balanço marcado por "altos e baixos" e confessa-se desmotivado face ao futuro que se avizinha. Um dos factores dessa desmotivação está expresso no final da sua mensagem: “Na República Checa a equipa nacional já reúne, mas em Portugal ainda nem existe um plano para as Selecções!” Oito meses volvidos, também Tiago Romão regressa à blogosfera para assumir o seu ponto de vista em relação ao actual estado de coisas. “É pena que até agora nada se saiba sobre como funcionarão as selecções no próximo ano, o que é bastante vergonhoso e uma enorme falta de respeito pelo atletas”, afirma, resumindo desta forma o seu mal-estar face à situação.


“Tell me quando quando quando”

À semelhança dos dois atletas anteriores, Diogo Miguel mostra-se preocupado com o facto de termos uma época desportiva a começar dentro de alguns dias e continuarmos sem saber o que esperar. E deixa uma série de interrogações: “Vão ser organizados estágios ao longo da época? Quais vão ser as provas de selecção para as competições internacionais? Em que competições internacionais vão competir as selecções? Portugal vai pelo menos estar representado em alguma dessas competições???” Mas o grande atleta vai mais longe, objectivando de forma contundente o seu ponto de vista: “Eu considero que nós trabalhamos e treinamos muito mais do que a Federação nos pode exigir, dadas as escassas condições que por ela nos são proporcionadas. Por isso mesmo é que acho que o mínimo que a FPO tem de fazer é respeitar-nos, como não nos tem respeitado até agora!”

Outra voz que se ergue é a de Maria Sá, naquele que é um dos blogs portugueses mais visitados no mundo da Orientação. Intitulado, bem a propósito, “Tell me quando quando quando”, o artigo que abre o novo ano refere “o momento triste que os orientistas portugueses vivem”, o que a leva a afirmar que “neste momento, a Orientação em Portugal “encontra-se perdida”! Os orientistas não sabem quando ou onde (ou SE) participarão em provas internacionais, provas de selecção e assim por diante.” E termina com uma palavra de esperança: “Mesmo com todas estas nuvens negras, continuo a cruzar os dedos por um sol radioso para a Orientação portuguesa… porque TODOS NÓS merecemos isso.”


O estatuto de Alta Competição “não dá pão”!

Também na Orientação em BTT, o panorama parece algo desanimador. Depois de Paulo Alípio se ter “retirado” após os Campeonatos do Mundo de Montalegre, é agora a vez de Daniel Marques mostrar “dificuldades em arranjar motivação para recomeçar os treinos de modo a preparar o ano de 2011”. Mas vai mais longe naquilo que designa por “desabafo”: “Sinto que a minha carreira desportiva está num ponto crítico, gostava de continuar a praticar este desporto ao mais alto nível, mas não me sinto em condições para assumir esse compromisso. O estatuto de Alta Competição "não dá pão"!”

Viajando ao encontro dos novos projectos, encontramos no extraordinário “Mais um mapa, mais um desterro!” novos sinais de preocupação. Nele, Luís Sérgio não resiste à tentação de incluir no teor das mensagens aquilo que designa por “actualidades” e começa por lançar a seguinte interrogação: “Onde raio pára a nossa Directora Executiva?”


“Veremos se o barco ainda pode ser remendado”

Propositadamente, deixamos para o fim aquela que consideramos uma das mais importantes peças produzidas em 2010 e que nos é trazida por Margarida Gonçalves Novo. No seu “Ori-BTT de Rosa Choque”, a Presidente do Conselho Disciplinar da Federação Portuguesa de Orientação constata que o ano que terminou trouxe “muitas incertezas, também para a Comunidade Orientista” e afirma não estarmos preparados para responder a um cenário muito provável de grande contenção económica. Para Margarida Gonçalves Novo, “estivemos entretidos a tentar não abanar o barco (barco esse já um bocado furado, diga-se de passagem), a tentar manter um status quo que provavelmente tem os dias contados. Veremos se o barco ainda pode ser remendado e conseguimos salvar algumas das muitas medalhinhas que distribuímos ou se a única alternativa vai ser atirarmo-nos à água e nadar só com a roupinha que temos no corpo.”

E o mais que aí virá!...


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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8 comentários:

Mário Santos disse...

Diz-se que o estado de graça está a chegar ao fim... ainda as eleições não tinham ocorrido e era visível, pelas conversas "paralelas" de bastidores (mas bem audíveis) nas provas, que esse estado de graça nem sequer iria começar... esperemos que isto não seja o prenúncio do fim da modalidade Orientação tal como a conhecíamos.

Realmente, com Assembleias "Gerais" onde 76% dos delegados estão ausentes (e que por isso mais parecem Assembleias "Particulares"), parece ser claro que não existe mobilização sequer daqueles que são os representantes das largas centenas que estão, de uma maneira ou outra, ligados à Orientação.

Espero que a época desportiva possa superar estas dificuldades e que estes incidentes de percurso sejam apenas isso e nada mais.

Até Coruche!

Ori-BTT de Rosa Choque disse...

Vamos a ver se nos entendemos... Não se deve condenar ninguém à partida; isso é puro preconceito. Por isso, acho demais dizer que as coisas já estavam mal mesmo antes de terem começado!
É verdade que vamos começar a época no próximo fim-de-semana com muitos "pendentes", mas também não temos nada a ganhar em sermos destrutivos em vez de construtivos.
Principalmente, não podemos perder de vista o nosso objectivo comum enquanto Orientistas. É isso que nos deve guiar! Um bom 2011 para todos!

Mário Santos disse...

Para nos entendermos, primeiro temos de ler bem o que está escrito... e não mais, nem além do que lá está...

Eu não disse nada... mas ouvi... e contra isso não posso fazer nada... só se tapasse os ouvidos... e perante esta avalanche de novidades, limitei-me a relacionar as "coisas"...

Mas, estou certo, que não é nada de que a Direcção da FPO não tenha a noção e até maior conhecimento que o meu, de algo que ouvi por mero acaso, enquanto cruzava a arena duma prova...

De qualquer modo, mesmo que a afirmação fosse minha, não vejo em que é que dizer que a actual Direcção nunca esteve em estado de graça é um comentário destrutivo... é uma mera opinião.

As pessoas não têm de estar em estado de graça para fazer um bom trabalho. Ainda não houve tempo para fazer uma avaliação, por isso há que aguardar com tranquilidade e foi por isso que (construtivamente) afirmei que espero que estes sejam apenas "incidentes de percurso e nada mais".

Saudações,

Mário

Ori-BTT de Rosa Choque disse...

Mário Santos,
O meu comentário era genérico sobre o tema em geral e não sobre o seu comentário em particular. Lamento o mal-entendido!
Margarida Novo

Luis Marques disse...

"Estado de graça" foi de certeza um estado em que esta direcção nunca esteve, porque desde da apresentação da lista, que a direcção foi criticada. Desde esse dia até hoje ainda não consegui responder à seguinte questão:
"Porque razão, os que criticaram (duvidaram) esta lista desde dos primeiros dias, não se candidataram contra esta lista?"
Este comentário não significa que eu concorde contudo o que esta direcção está a fazer e como está a fazer, mas prefiro dar o beneficio da duvida a quem se ofereceu para ajudar a Orientação do que a apoiar aqueles que ficaram na sombra à espera dos primeiros erros.

Luis Marques
CDAMS

Bruno disse...

Polémicas à parte, apraz-me verificar que finalmente os atletas estão a expressar o seu estado de espírito. Espero é que, após uma iniciativa ténue aquando da questão do EOC 2010, os atletas se consigam unir e criar uma “Comissão de Atletas” que tenha voz junto da FPO.

Luís Sérgio disse...

Olá Luís!

Claro que entendo o que queres dizer, mas chamo a atenção que o facto de não podermos ou não querermos dar "esse" contributo à nossa modalidade, não nos tira o direito de questionar o que se passa na nossa modalidade a esse nível.

Seria o mesmo que dizer que não podemos questionar os nossos autarcas ou governantes porque não estávamos disponíveis para formar governo.

Acrescento que há muitas formas de dar o nosso contributo e que todas elas são válidas e necessárias.

Eu fui um dos que questionei a constituição da lista e passado este tempo também me acho no direito de questionar outras acções ou omissões, sem que isso me obrigue a apresentar-me como alternativa para o que quer que seja.

Luís Sérgio

Luis Marques disse...

Boas Luis Sérgio,
Na minha opinião todos os praticantes de orientação (estive quase a escrever orientistas) não só tem o direito como o dever de questionar, sempre que acharem necessário, os actos da direcção assim como dos outros órgãos da FPO.
Mas a minha pergunta tem uma preocupação maior por detrás, se alguns dos clubes e dos atletas não se via representado na linha orientadora desta direcção e não foram capazes de organizar uma lista de 10 praticantes de orientação para ir a eleições juntamente com esta direcção, então temos um grande problema para o futuro próximo da orientação que é a falta de dirigentes, e isso é preocupante!
Luis Marques.
CDAMS