terça-feira, 11 de janeiro de 2011

MUNDIAIS DE ORIENTAÇÃO DE DESPORTO ESCOLAR ISF 2011: PONTO DA SITUAÇÃO




Integradas no I Coruche Orienteering Trophy' 11, cumpriram-se este fim-de-semana as 3ª e 4ª etapas do processo de apuramento das equipas de Escola para o Campeonato do Mundo ISF de Orientação. Sempre prestável, o Professor Ricardo Chumbinho faz, em exclusivo para o Orientovar, o ponto da situação nesta emocionante caminhada rumo a Trentino.


Orientovar – O processo de apuramento para os Mundiais ISF 2011 conheceu este fim-de-semana o seu epílogo. Quer traçar-nos, duma forma genérica, em que consistiu?

Professor Ricardo Chumbinho - Conforme plano oportunamente divulgado pelas escolas, este processo de apuramento foi constituído por quatro etapas, das quais pontuavam apenas as três melhores para cada equipa. Lembro que esta é uma competição destinada a atletas dos escalões Iniciados e Juvenis em ambos os sexos, sendo as equipas constituídas por cinco alunos do mesmo Grupo/Equipa. Todas as etapas estiveram integradas em provas do calendário oficial FPO, tendo a articulação entre os dois sistemas sido irrepreensível a todos os níveis.

Orientovar – Que balanço faz desta fase de apuramento?

Professor Ricardo Chumbinho - A competitividade do apuramento foi claramente prejudicada pelo facto de as duas primeiras etapas terem tido lugar na prova do Grupo de Selecção que se disputou em Brasfemes, em 30 de Outubro passado, data em que mais de metade do país – com particular destaque para a zona centro onde se disputou a competição – esteve sob alerta laranja em função da intempérie que se abateu sobre o território naquela data, conforme puderam ver e sentir todos quantos estiveram presentes. Provavelmente fruto dessa circunstância, verificou-se que muitas das equipas não conseguiram pontuar enquanto tal, pelo facto de não terem apresentado as suas equipas completas, devido a faltas de última hora de alguns atletas. Como consequência, a disputa em Coruche ficou praticamente limitada às equipas que haviam pontuado em Brasfemes, uma vez que desportivamente e do ponto de vista do apuramento, para as restantes, a participação no COT’11 seria infrutífera. Sublinhe-se que este comentário se refere apenas à competitividade do processo de apuramento e não ao mérito das equipas classificadas em primeiro lugar.


Equipas apuradas

Orientovar – Mas em Coruche as coisas correram de forma diferente...

Professor Ricardo Chumbinho – Após duas etapas com muita chuva, vento e lama, a acrescentar à reconhecida dureza dos percursos que puseram à prova não apenas as competências técnicas mas também e de forma vincada as físicas e psicológicas dos atletas, este fim-de-semana em Coruche viajámos para o pólo oposto. Condições atmosféricas francamente agradáveis, terrenos rápidos e traçados de percurso a tirarem excelente partido dos mesmos, tiveram como resultado um conjunto de prestações com tempos muito bons entre os atletas que disputavam o apuramento. Em termos de resultados as escolas EB 2,3 D. Afonso IV (Ourém) em Iniciados Masculinos, Secundária de Pinhal Novo em Juvenis Masculinos e EB 2,3 Cunha Rivara (Arraiolos) em Juvenis Femininos, limitaram-se a pouco mais do que confirmar o pé no lugar de apuramento com que já vinham de Brasfemes.

Orientovar – E quanto ao escalão de Iniciados Femininos?

Professor Ricardo Chumbinho - Aí a competição fez-se sentir de forma mais viva, já que a EB 2,3 Cunha Rivara e EB 2,3 da Sarrazola (Colares) vinham separadas por apenas 10 escassos pontos, com cada escola a conseguir uma vitória em cada uma das anteriores etapas. Contudo, eventualmente fruto também de um intenso trabalho específico realizado no período de interrupção lectiva do Natal, as meninas de Colares apresentaram-se fortíssimas em Coruche e fizeram questão de vincar, desde o primeiro momento, a sua intenção de cedo garantir o lugar da frente nesta fase de apuramento. E assim aconteceu já que a terceira atleta da EB 2,3 Sarrazola fechou a equipa na 7ª posição, com as suas colegas a ocuparem os dois primeiros lugares da classificação, de pouco valendo assim a também muito boa prestação da equipa adversária que fechou na 8ª posição. Na Distância Longa escreveu-se definitivamente a história do apuramento neste escalão, já que as vencedoras acabariam por fechar na 6ª posição e aumentaram um pouco a distância pontual acumulada, que nunca foi muito confortável.


Muito trabalho pela frente

Orientovar – O que poderemos esperar de cada uma destas equipas?

Professor Ricardo Chumbinho - Não seria justo para estas equipas nem para as que as antecederam no Mundial de Madrid estabelecerem-se comparações nem perspectivar classificações concretas. Poderá apenas dizer-se - e aqui sem medo de errar - que as equipas que forem a Itália terão quatro meses pela frente para intensificarem a sua preparação num processo que é da responsabilidade de cada escola mas que terá o apoio da FPO e da DGIDC, sendo certo que todas elas se apresentarão na melhor condição possível. No entanto, pessoalmente e sempre sem perspectivar classificações concretas, penso que pelo trabalho que tem vindo a fazer, a equipa de Iniciados Femininos será talvez das que terá melhores possibilidades de obter uma boa classificação em Itália, fruto não só da qualidade das suas atletas mas também do facto de ser uma equipa muito equilibrada e com várias soluções, conforme se verificou ao longo deste apuramento. Trata-se no entanto de um escalão em que as análises se tornam ainda mais falíveis. Também a ES Pinhal Novo, que vai no seu 5º mundial consecutivo (!) e onde pontifica Luís Silva à frente de outros atletas de boa valia, bem como a Cunha Rivara, que conta com algumas atletas que já estiveram no Mundial de 2009, poderão ter uma palavra a dizer na luta por lugares que dignifiquem desportivamente o país.


Indefinição quanto às Selecções

Orientovar – E como é que estamos no tocante às Selecções?

Professor Ricardo Chumbinho - No que às selecções diz respeito, o plano previa que em Coruche se cumprisse o sexto momento de observação de atletas seleccionáveis. A base de recrutamento, limitada a atletas que integram projectos de Desporto Escolar nas respectivas escolas, foi constituída no final do ano lectivo passado com base nas classificações obtidas nos Campeonatos Nacionais e Regionais de Desporto Escolar bem como da posição ocupada no 'ranking' da Taça de Portugal FPO. A esta lista, oportunamente divulgada, foram entretanto acrescentados outros nomes por indicação das escolas. De Setembro até domingo passado a lista foi-se estreitando, não só pela não confirmação de condições por parte de alguns atletas, como pelo facto de serem retirados da mesma todos aqueles que integram as equipas de escola entretanto classificadas à frente no respectivo apuramento.

Orientovar – Mas Portugal irá mesmo levar Selecções aos Mundiais de Trentino?

Professor Ricardo Chumbinho - Neste momento está constituída uma lista provisória de atletas a convocar para as selecções que não pode, contudo, ser ainda divulgada, uma vez que os próprios atletas e respectivas escolas ainda não têm da mesma conhecimento. Mas principalmente – e para responder concretamente à sua questão - porque não estão ainda tomadas decisões quanto aos escalões em que Portugal participará ao nível de selecção nem quanto ao número de atletas em cada equipa (três a cinco). Estas decisões estão, antes de tudo, dependentes do entendimento que se vai estabelecer entre a DGIDC e a FPO nesta matéria, uma vez que existe um acordo de princípio entre os dois sistemas no sentido de que a FPO integre o esforço de participação das selecções no Mundial. Em função das características deste entendimento (cuja conclusão estará para breve) e da qualidade/profundidade que se verifica em cada um dos escalões, assim se decidirá quais os escalões de participação e com quantos atletas em cada equipa. Qualquer que seja a decisão, o trabalho está feito e os nomes prontos a serem apontados, reservando-se comentários mais alargados e circunstanciados para um momento em que as decisões estejam tomadas e os interessados já tenham tomado conhecimento.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

3 comentários:

José disse...

É uma pena que o desporto escolar ano após ano continue a funcionar sem critérios claros.
O porquê desta minha afirmação prende-se com o facto de nesta entrevista se proferir que o periodo de observação para a formação das selecções terminava em Coruche.
No plano inicialmente alaborado e publicado já depois da realização de duas provas de observação, Pedrógão e Córdoba (pasme-se), o período de observação estendia-se a todas as provas da Taça de Portugal até à realizada pelo CPOC, que inicialmente estava programada para o concelho de Mora e as provas de Março ainda poderiam servir para diluir alguma dúvida que persistisse.
É portanto com muita surpresa que eu e muitos outros concerteza recebemos a noticia de que o processo está fechado.
Perdoem-me, mas é caso para se dizer que estamos perante pessoas que adivinham ou então já têm o trabalho praticamente concluído antes mesmo de o começar.
José Fernandes

Ricardo Chumbinho disse...

Caro José (seria mais delicado da minha parte tratá-lo pelo nome completo e também gostaria de saber a quem me dirijo, mas o nome "José" pelo qual se identifica no blog, por si só, não mo permite...). Eu chamo-me Ricardo Chumbinho, sou o responsável pelo processo de selecção dos alunos para o ISF e posso ser contactado pelo endereço profissional: ricardom.chumbinho@espalmela.net

Sabemos que o Desporto gera paixões, ainda mais quando estamos de alguma forma envolvidos enquanto agentes, espectadores ou até pais/familiares de atletas. Não sei qual dos casos será o seu. O Desporto Escolar não foge a esta regra. Infelizmente nem sempre esta paixão permite que sejamos suficientemente clarividentes na observação e análise das situações com que nos deparamos ou que nos expressemos da melhor forma quanto às mesmas, caindo então em comentário e afirmações infelizes.

Infelizmente (porque parto sempre do principio que é involuntário), este seu comentário encaixa de forma perfeita no perfil que descrevo no parágrafo anterior. Desconhece a realidade, “leu” no Orientovar coisas que não estão escritas, tirou conclusões precipitadas, não teve o cuidado de procurar algum esclarecimento no sítio certo e termina com afirmações lamentáveis que em nada abonam a seu favor.

Mas vamos por partes:

1. “É uma pena que o desporto escolar ano após ano continue a funcionar sem critérios claros”. Para além de calunioso é falso e coloca em cheque um vasto conjunto de Profissionais! No que se refere ao ISF’11 os critérios são absolutamente claros e constam do documento que é publico e ao qual certamente teve acesso, segundo depreendo de posteriores passagens do seu post.

2. "(...) nesta entrevista se proferir que o periodo de observação para a formação das selecções terminava em Coruche." É falso! Está escrito no Orientovar que em Coruche se cumpriu o sexto momento de observação, que a lista inicial se foi estreitando e que neste momento já há uma lista de nomes a indicar à DGIDC. Acontece que, tal como aconteceu relativamente ao Mundial de 2009, esta lista integrará mais elementos do que aqueles que constarão na convocatória final (os que irão a Itália), ou seja, são alunos que integrarão o projecto ISF'11, embora alguns na qualidade de suplentes. O processo não está pois fechado nem acabado e nem terminou em Coruche, conforme afirma ter lido na minha entrevista em palavras que lá não se encontram.

(coninua noutro post)

Ricardo Chumbinho disse...

(continuação)

3. "(...) plano inicialmente alaborado e publicado já depois da realização de duas provas de observação, Pedrógão e Córdoba (pasme-se)". Novamente é falso! O plano foi comunicado às Direcções Regionais de Educação em 17Set2010 e a primeira prova de observação aconteceu em 25Set2010. Por outro lado, se por acaso é um dos “Josés” que está no moodle ISF’11, sabe que tem este mesmo plano disponível para todos desde o dia 21Set2010. Ou seja, por diversas vias este plano foi dado a conhecer a quem devido antes da prova do Pedrógão, ao contrário do que afirma no seu post.

4. “(...) é caso para se dizer que estamos perante pessoas que adivinham ou então já têm o trabalho praticamente concluído antes mesmo de o começar.”. Absolutamente lamentável e inqualificável que quem não conhece as pessoas nem a realidade, se permita a liberdade de intentar contra a honra e seriedade de terceiros, como acontece neste caso em relação a mim próprio, insinuando (ou mais ainda do que isso...) que o processo de selecção se encontra viciado. Sem mais palavras...

Termino dizendo que, embora cada um seja responsável pelos seus actos, este é o tipo de atitude irresponsável que em nada contribui para a dignificação da modalidade ou do Desporto Escolar, sendo certamente uma boa ajuda para todos quantos pretendem acabar ou reduzir drasticamente o desporto escolar, conforme é público e consta na ordem do dia, algo de que muito se ressentirá a nossa modalidade.

A todos peço desculpa pela extensão do texto... e eu próprio fico com a sensação de que já gastei com este post mais tempo do que gostaria.

Cumprimentos,
Ricardo Chumbinho

Nota: Esta é a segunda vez que me sinto na obrigação de vir “contra-comentar” um post no blog. Da vez anterior a situação era igualmente caluniosa e igualmente falsa. A conversa continuou por e-mail e terminou com a seguinte afirmação por parte do meu interlocutor: “A informação que recebi foi a que transmiti, se a mesma não responde a realidade, então agradecia o esclarecimento da situação e serei o primeiro a enviar o meu pedido de desculpas se for caso disso”. Esclareci a situação, que de facto estava absolutamente distorcida e longe da realidade. Oito meses depois continuo a aguardar o prometido pedido de desculpas. De facto, cada um com os seus actos...