quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

MEETING DE ORIENTAÇÃO DE GOUVEIA: AS OPINIÕES DE LUÍS SÉRGIO




No primeiro fim-de-semana de Fevereiro, as atenções irão centrar-se por inteiro na Serra da Estrela. Com os trabalhos preparativos do I Meeting de Orientação de Gouveia a chegarem ao fim, o Orientovar dá hoje a conhecer as impressões de Luís Sérgio, autor dos mapas e elemento-chave em toda esta dinâmica.


Orientovar - Ao aceitar o desafio do CPOC para a elaboração dos mapas do I Meeting de Orientação de Gouveia, com que espírito fez as malas e rumou à Serra da Estrela para novo desterro?

Luís Sérgio - Acima de tudo, curiosidade! Normalmente faço questão de visitar os terrenos com antecedência, mas neste caso confiei nas escolhas do CPOC. Sou selectivo nos projectos que assumo, já que não gosto de cartografar áreas simples e pouco desafiantes. Neste caso prometeram-me desafios e cumpriram de facto!

Orientovar - Como decorreu o seu trabalho?

Luís Sérgio - Por diversas razões comecei este trabalho mais tarde do que seria desejável e as coisas acabaram por se complicar ainda mais pelo facto de estarmos a ter um Inverno muito chuvoso e frio! Tratam-se de duas áreas muito distintas, desde logo pelas diferenças de altitude. O terreno de Folgosinho é mais fácil de cartografar, embora seja quase todo coberto de pinhal adulto. Aqui o maior problema foi mesmo as condições atmosféricas, por vezes extremas. O terreno de Arcozelo é precioso! Um verdadeiro deleite para um amante da natureza e o sonho de qualquer praticante de Orientação - ou seja, um pesadelo para o Cartógrafo. Foi um trabalho muito desafiante, mas confesso que por vezes também conseguiu ser desanimante, por demorar tanto tempo a cartografar.


Mantenho sempre uma constante ligação com os meus “patrões”

Orientovar - O produto final corresponde às suas expectativas?

Luís Sérgio - Sim, mas claro que ainda falta o "test-drive" dos atletas. Como já referi são duas áreas diferentes, mas o mapa de Arcozelo está claramente a disputar o primeiro lugar no meu coração com Campo de Anta!

Orientovar - Durante a elaboração dos mapas foi dando conta dos progressos e trocando impressões com a Organização da prova ou, ao invés, trata de tudo de forma solitária, apresenta o produto final, recebe aquilo que lhe é devido e parte para novo desterro?

Luís Sérgio - Porque sou também organizador de provas, estou muito atento às várias questões que rodeiam os eventos, pelo que mantenho sempre uma constante ligação com os meus "patrões", fazendo sugestões sobre o "desenho" da prova, estabelecendo contactos com os locais, etc. Principalmente nos casos em que o clube está longe dos terrenos, sinto-me na obrigação de ajudar em tudo que posso.


Estou certo que será uma jornada memorável de Orientação

Orientovar - Que expectativas tem relativamente aos dois dias de provas que se avizinham?

Luís Sérgio - Fico sempre muito expectante (sim... também sinto uma pontinha de ansiedade) sobre o que os atletas vão achar do meu trabalho. Estou certo que será uma jornada memorável de Orientação e é com muita pena minha que não poderei estar presente no primeiro dia. Iria adorar ficar no alto dum penedo (e há alguns de onde dá para ver grande parte da prova) a vê-los usufruir do meu trabalho. Teria seguramente muitos "tesourinhos" fotográficos para o meu blog (as fotos de atletas em cima pedras a perscrutar o horizonte são sempre interessantes :o)!

Orientovar - Após a elaboração do mapa, nunca é tomado duma certa frustração por não poder competir nele?

Luís Sérgio - Por vezes sim, mas é-me sempre muito complicado usar um mapa feito por mim. Não consigo abster-me desse facto, o que condiciona a minha leitura do mapa. Na verdade essa é uma maldição dos cartógrafos, já que esse tipo de pensamentos (cartográficos) estão sempre presentes quando usamos um mapa, mesmo que não tenha sido feito por nós (deve ser por isso que os meus resultados desportivos têm sido maus...)

Orientovar - Qual o seu próximo projecto?

Luís Sérgio - Neste momento estou a trabalhar nos mapas que o ATV irá usar nos Campeonatos Nacionais de Ori-BTT e nos Campeonatos Nacionais de Distância Média e Sprint, pelo que é um desterro mais caseiro.


Toda a informação sobre o I Meeting de Orientação de Gouveia em http://www.cpoc.pt/eventos.php?ev=19Trofeu.

[Imagem gentilmente cedida por Luís Sérgio e captada numa altura em que, uma vez mais, se preparava para cartografar em Folgosinho]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

3 comentários:

Ori-BTT de Rosa Choque disse...

O Luís Sérgio nesta foto parece-me um híbrido de ceifeira alentejana e Professor Pardal...

José disse...

«O terreno de Arcozelo... é um verdadeiro deleite... para qualquer praticante de orientação».
E coloca este mapa ao nível do Campo da Anta, pelo que deve ser de grande qualidade.
O Luis Sérgio é um dos meus cartógrafos preferidos,procuro sempre os seus mapas.
Mas permitam-me, aquele vocábulo "degredo", é feio, soa mal. Sempre pensei que cartografar era coisa que se fazia com prazer, mesmo tendo em consideração a solidão e as condições atmosféricas, por vezes adversas por que passa um cartógrafo.

Luís Sérgio disse...

Olá José!

Obrigado pelas referencias elogiosas.

O tal vocábulo é "desterro", não "degredo" e é usado apenas no sentido de afastamento geográfico da minha família e amigos.

Cartografar é de facto um prazer para mim... e se não houvesse a pressão do tempo (neste caso no sentido de prazos) e do tempo (no sentido de condições atmosféricas adversas) sentir-me-ia um verdadeiro privilegiado!

Quanto à comparação da Margarida, acho que só faltou a suave planície, o dourado das cearas e o sol...

Luís Sérgio