domingo, 23 de janeiro de 2011

JUSCELINO ALENCAR KARNIKOWSKI: "TEMOS CONDIÇÕES DE COMPETIR COM OS MELHORES DO MUNDO"




O nosso primeiro convidado em 2011 neste “Espaço Brasil” chama-se Juscelino Alencar Karnikowski. Nascido em 25 de Junho de 1977 em Santa Rosa, no Estado do Rio Grande do Sul, vive actualmente na localidade paranaense de Rio Negro e é Militar. Gosta de viajar e de conhecer lugares novos, fazer amigos e comer um bom churrasco no final da semana. E gosta de Orientação, pois claro!


Orientovar - Como foi o seu primeiro contacto com a Orientação e que recordações guarda das primeiras provas?

Juscelino Alencar Karnikowski – Conheci a Orientação no período em que estava ao serviço do Exército na cidade de Santa Rosa, em 1999. O COSaM - Clube de Orientação San Martin, estava a estruturar-se e promoveu alguns encontros de Orientação durante o ano. Fui convidado por alguns amigos a participar nesses encontros e logo na primeira prova fiquei em segundo lugar. A partir daqui não mais parei de praticar este desporto fantástico.

Orientovar - De então para cá, que evolução nota nas suas performances enquanto orientista?

Juscelino Alencar Karnikowski - No ano de 2004 consegui ascender ao escalão de Elite e a partir de 2005 comecei a integrar as equipas da CDE - Comissão Desportiva do Exército e da CDMB - Comissão Desportiva Militar do Brasil. Em 2009 alcancei o primeiro lugar nas provas de selecção para o 42º Campeonato Mundial Militar de Orientação que teve lugar na Estónia. O ano de 2010 foi especial, não só devido aos bons resultados obtidos como também pela experiência de passar mais de um mês competindo na Suécia e na Noruega. Apesar de ter iniciado ano a recuperar de uma lesão no tendão de Aquiles, consegui um satisfatório terceiro lugar geral no CamBOr – Campeonato Brasileiro de Orientação. No Campeonato Sul-Americano, apesar de ter cometido um grave erro na prova de Distância Média, conquistei um óptimo quarto lugar geral depois de uma recuperação excelente na prova de Distância Longa. No 43º Campeonato Mundial Militar de Orientação, na prova de Distância Longa, obtive o melhor resultado de todos os Mundiais em que participei.


“20 a 30% do meu treino semanal é técnico”

Orientovar - Em termos genéricos, como é a sua semana-tipo de treinos?

Juscelino Alencar Karnikowski – O meu plano de treino é elaborado pelo Técnico da equipa da CDMB, é feito de acordo com a fase de preparação, mas compreende, intervalados, ‘fartlek’ na floresta, trabalho de força, corridas longas e trabalho técnico. Acredito que 20 a 30% do meu treino semanal é técnico.

Orientovar - O nome do seu clube - Clube de Orientação Gralha Azul – é particularmente bonito e apelativo. Quer falar-nos um bocadinho do CO Gralha Azul?

Juscelino Alencar Karnikowski - O COGA foi fundado em 2007 por Gelson Zago Togni e é um dos clubes que mais tem crescido no Brasil, desenvolvendo desde projectos escolares até treinos para os seus sócios. Já é tricampeão Paranaense e Brasileiro no triénio 2008, 2009 e 2010 e bicampeão Sul-Americano em 2008 e 2009. Fazem parte do COGA alguns atletas de renome, casos de Carlos Alberto de Araújo e Cláudio Luiz Tokarski, com oito e quatro participações em Mundiais Militares, respectivamente.


“Foi uma sensação muito estranha correr uma prova de Orientação com um revólver apontado às costas”

Orientovar - Ao longo da sua carreira de orientista, há algum episódio caricato que o tenha marcado e que ainda hoje o faça rir às gargalhadas?

Juscelino Alencar Karnikowski - Sim, foi na última etapa do Campeonato Metropolitano de Orientação de Curitiba, em 2010. Um senhor do escalão H45, ao realizar o seu percurso, entrou numa área privada saltando um muro. Nesta área tinha um guarda de segurança que, alheio à competição, prendeu o senhor e chamou a polícia que veio a escoltá-lo até ao local da concentração, onde foi esclarecida a situação. Após ter sido libertado, o homem voltou para o terreno, completando o seu percurso com mais de três horas. Depois do sucedido fomos conversar com este herói e ele contou que foi uma sensação muito estranha correr uma prova de Orientação com um revólver apontado às costas. Foi um facto muito engraçado, não tem como não rir ao lembrar isso.

Orientovar - Por diversas vezes teve oportunidade de competir na Europa e de ter por adversários nos Mundiais Militares alguns dos melhores orientistas do Mundo. Dessas experiências, há alguma prova, algum mapa ou algum atleta que o tenham marcado em particular?

Juscelino Alencar Karnikowski - Aquilo que mais me marcou foi a prova de Distância Longa do último Mundial Militar. Depois de um mês a treinar e a competir na Europa, consegui fazer um percurso quase perfeito e pude perceber que, com o treino apropriado, temos condições de competir com os melhores do Mundo.


“O Brasil evoluiu muito nos últimos anos”

Orientovar - Faz parte das suas preocupações saber o que vai acontecendo no mundo da Orientação?

Juscelino Alencar Karnikowski - Com certeza, procuro estar sempre actualizado através de alguns sites e isso, inclusive, tem-me ajudado bastante na minha evolução no desporto. Nos sites dos melhores orientistas do mundo, após cada competição importante, podemos encontrar os seus percursos e respectiva análise, quais os acidentes do terreno que observaram durante uma pernada e outros detalhes que auxiliam grandemente o nosso aperfeiçoamento dentro da Orientação.

Orientovar - Que avaliação faz do crescimento da Orientação no Brasil nestes últimos seis anos?

Juscelino Alencar Karnikowski - A meu ver o Brasil evoluiu muito nos últimos anos. Ainda estamos pecando nalguns pontos, nomeadamente ao nível da organização de alguns eventos e traçado de percursos, mas já estão sendo corrigidos e tenho a certeza que, nos próximos anos, estes erros não ocorrerão.


“Que o Brasil consiga manter o padrão daquilo que foi o Campeonato Sul-Americano de 2010”

Orientovar - Olhando para os atletas brasileiros de topo, verifica-se que são, na sua esmagadora maioria, militares. Uma “desmilitarização” da Orientação no Brasil não seria mais vantajosa em termos da popularidade do nosso desporto?

Juscelino Alencar Karnikowski - Para uma maior popularização com certeza seria, pois no meio civil fala-se sobre Orientação e as pessoas acham que é um desporto exclusivamente militar. O problema é que os Clubes estão ainda muito dependentes da estrutura que os quartéis disponibilizam para a montagem de sedes e eventos.

Orientovar - Agora que estamos no início duma nova época, quais os seus grandes objectivos para 2011?

Juscelino Alencar Karnikowski - Em 2011 estou a preparar-me para ser Campeão Brasileiro e Sul-Americano e também ajudar o Brasil a alcançar a melhor posição possível nos 5º Jogos Mundiais Militares.
Orientovar - A terminar, pedia-lhe que partilhasse connosco o seu maior desejo, no que à Orientação diz respeito.

Juscelino Alencar Karnikowski – O meu desejo é que o Brasil consiga manter o padrão daquilo que foi o Campeonato Sul-Americano de 2010, e que isso seja patente em todas as etapas dos Campeonatos Nacionais e Internacionais realizadas no país, melhorando sempre no que for preciso.






[Fotos gentilmente cedidas por Juscelino Alencar Karnikowski]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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