sábado, 22 de janeiro de 2011

FAUSTO FERREIRA, UM CARTÓGRAFO MUITO ESPECIAL





Fernanda Câncio entrevistou-o para o Diário de Notícias e chamou-lhe o “Tifoso” dos “robots”. O Orientovar foi igualmente ao encontro de Fausto Ferreira, encontrou-o perfeitamente embrenhado num trabalho que adora e procurou saber o que faz dele uma espécie de cartógrafo de improváveis terrenos: O fundo dos Oceanos!


Orientovar - Em Novembro de 2008 trocou o nosso País por Itália e mudou-se de armas e bagagens para Génova. Com que objectivos?

Fausto Ferreira – Na altura ganhei uma bolsa da Comissão Europeia, Marie Curie Early Stage Researcher, e trabalhei no projecto europeu Freesubet. Fazia (e faço) parte do Instituto de Electrónica e Engenharia da Informação e das Telecomunicações, pertencente ao Conselho Nacional de Investigação, uma estrutura investigação financiada pelo Estado italiano.

Orientovar - Dois anos volvidos, que balanço faz desta experiência?

Fausto Ferreira - O balanço é muito positivo. Gostei do que fiz e irei continuar na mesma área e no mesmo local. Ao longo destes dois anos, publiquei seis artigos científicos – o sétimo foi aceite já este mês - e participei numa série de conferências importantes, 'workshops' e reuniões internacionais em países tão diversos como a Turquia, o Brasil, a Roménia ou a Croácia.


“A Orientação em Itália está ligeiramente atrás do que temos em Portugal”

Orientovar - Julgo saber que aí em Itália dá por vezes "corda às sapatilhas" para matar saudades das provas de Orientação. Como é que está a Orientação em Itália?

Fausto Ferreira - A Orientação em Itália está ligeiramente atrás do que temos em Portugal, quer a nível competitivo quer a nível organizativo. No início participava mais em regionais e locais e pensei que a questão organizativa tivesse a ver com isso mas quando fui a provas de âmbito nacional reparei que não é assim. Por exemplo, o ano passado, no Campeonato Nacional de Sprint, em Florença, a entrega de prémios foi feita no meio da rua, com um pódio improvisado, sem medalhas especiais por ser campeonato nacional, quase às escuras e de megafone na mão a lembrar Portugal há dez anos atrás, ou até antes. A única inovação que vi foi um projector com “live results”. Banhos inexistentes no 1º dia tal como o Solo Duro e no 2º dia tinham dois chuveiros de água fria. A nível competitivo, sem grande treino, fiquei à beira do top-10 na Elite no Campeonato
Nacional de Sprint e no dia seguinte ganhei o equivalente ao H21A com um bom avanço. Por isso, também não vejo grande competitividade.

Orientovar - De que forma acompanha aquilo que se vai passando em Portugal?

Fausto Ferreira - Vou acompanhando o que posso, falando com a família, consultando o site da Federação Portuguesa de Orientação (e o Fórum) e sempre que posso fazendo provas. Fui aos últimos dois Portugal O' Meeting, não tendo falhado nenhum desde o início. Quando estou em Portugal, acompanho mais de perto, quer ajudando na organização de provas do meu clube ou, como aconteceu recentemente, participando nas Assembleias Gerais da Federação.


“Uma prova de Orientação submarina seria muito interessante”

Orientovar – Voltando à sua actividade profissional, também tem um bocadinho a ver com Orientação e com cartografia ou é só impressão minha?

Fausto Ferreira - Sim, um bocadinho. Digamos que o que faço poderia ser usado para fazer o mapa base de um mapa de Orientação submarino. Isto é, os mapas que elaboro são similares às fotografias aéreas do Google Maps. Aliás, no Google Earth já é possível ver algumas partes do fundo do mar com mapas semelhantes àqueles que produzo.

Orientovar – Pensando em mapas do fundo do mar, seria de alguma forma viável uma prova de Orientação submarina?

Fausto Ferreira - Uma prova de Orientação submarina seria muito interessante mas não viável para toda a gente. O que seria fácil de fazer, possivelmente, era uma prova de micro-orientação para quem faz 'snorkeling' (e qualquer pessoa, mesmo sem preparação física, o pode fazer). Uma prova de Orientação subaquática implica fazer mergulho e com a profundidade a capacidade de raciocínio diminui, mas acredito que fosse possível fazer desde que não se fosse para os 30 metros ou mais profundo. Aliás, um mergulhador (desportivo ou profissional) tem de aprender técnicas de Orientação e ser capaz de se orientar no fundo do mar, por isso acho que seria completamente viável (obviamente distâncias e tempos mais curtos que na Pedestre).


“Encontro sempre portugueses em provas internacionais”

Orientovar - Quando é que volta a dar-nos o prazer de o vermos entre nós a competir com aquela velhinha camisola do DAR?

Fausto Ferreira - Como disse, não tenho falhado nenhum POM e prevejo este ano também participar. Depois, talvez em Junho vá dar uma mão na organização da prova de BTT do DAR. E de qualquer das formas, encontro sempre portugueses em provas internacionais (no WMOC'2010) e espero encontrá-los de novo no Campeonato do Mundo de Orientação em BTT que se vai realizar este ano em Itália.




Leia AQUI o artigo publicado na edição de 20 de Novembro de 2010 do Diário de Notícias.


[Foto do fundo submarino gentilmente cedida por Fausto Ferreira, com copyright do CNR-IEIIT]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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