quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

DESPORTO ESCOLAR NO FIO DA NAVALHA: IMPRESSÕES (I)





Retomando a análise do Projecto de Despacho de organização do trabalho nos Agrupamentos ou Escolas não agrupadas, suas implicações no Desporto Escolar e mais concretamente no trabalho ao nível dos Grupos-Equipa de Orientação, o Orientovar foi ao encontro das impressões de alguns responsáveis nesta área. Começamos por Filipe Marques e Maria de Belém Magalhães, os grandes dinamizadores da Escola Secundária de Maximinos e Escola Básica Integrada da Apúlia, respectivamente. Em ambos uma importante e preocupante decisão: Deixar cair a Orientação!


Orientovar - Caso venham a ser implementadas, que reflexo poderão ter estas medidas no desenvolvimento do trabalho com o seu Grupo-Equipa de Orientação?

Professor Filipe Marques - Caso as horas do Desporto Escolar passem para a componente não lectiva, como tem vindo a ser noticiado, na minha Escola o mais provável é acabar com os Grupos-Equipa, incluindo o Grupo-Equipa de Orientação. Já não basta o dinheiro que gasto com o meu transporte pessoal em levar os alunos aos treinos durante a semana e as horas que trabalho aos fins-de-semana em prol do Desporto Escolar e agora por cima de isto tudo, ter o mesmo trabalho sem contar como componente lectiva. A gente diz basta! Em mais lado nenhum se vê isso, nem sequer em empresas. Da minha parte, recuso-me em continuar com o Desporto Escolar, venham mas é mais turmas para eu leccionar. Passarei a ter mais fins-de-semana livres como os restantes professores das restantes disciplinas. Vamos aguardar serenamente, mas atentos, ao desenrolar da situação para nos pronunciarmos sobre este tema.

Orientovar - Quais as consequências desta situação para o futuro da modalidade?

Professor Filipe Marques - No que se refere à Orientação, é claro que seria regredir e perder-se todo o trabalho de crescimento que se tem vindo a fazer nestes últimos dez anos. Basta ver, hoje, quem são os melhores atletas nacionais que correm em Elite. São todos atletas provenientes do Desporto Escolar e isto já diz muita coisa. Os clubes não têm a capacidade de chegar e captar jovens como tem o Desporto Escolar. Isto poderá ser catastrófico para a Orientação e muitas outras modalidades amadoras. Na minha opinião, penso que este assunto deveria ser discutido entre todos os parceiros, tais como Ministério da Educação, Federações, IDP, Comité Olímpico de Portugal e outros.


“A modalidade infelizmente sentirá o meu abandono e o de muitos colegas”

Orientovar - Caso venham a ser implementadas, que reflexo poderão ter estas medidas no desenvolvimento do trabalho com o seu Grupo-Equipa de Orientação?

Professora Maria de Belém Magalhães - Como é do conhecimento do Margarido, para além da Orientação, sou responsável pela dinamização do Gira-Volei nas escolas do meu Agrupamento, trabalhando com alunos dos 8 aos 15 anos. Estabelecemos um protocolo com a Federação Portuguesa de Voleibol e fomos apoiados com o material necessário para desenvolver este projecto. A minha Directora desde logo me apoiou, deixando-me utilizar as 4 horas da componente não lectiva para o fazer. Fiquei muito feliz porque é um trabalho que me dá muito gozo e deixa a miudagem contagiada. A outra minha paixão, o Desporto Escolar – Orientação, também foi bem acolhida em Apúlia, ao ponto de preencher dois grupos-equipa. Com a nova proposta, em que lamentavelmente querem passar o Desporto Escolar para as referidas horas de componente não lectiva, confesso que se tiver que fazer uma opção... mais uma vez vou chorar por ver acabar um projecto que iniciei com tanta paixão. Contudo, jamais deixarei de abordar este valioso desporto nas minhas aulas e eventualmente participar em algumas provas, mas não como responsável pelo Grupo-Equipa de Orientação, pois tendo que escolher ficarei somente com o Gira-Volei.

Orientovar - Quais as consequências desta situação para o futuro da modalidade?

Professora Maria de Belém Magalhães - As Escolas, através da Educação Física e do Desporto Escolar, são por excelência, fundamentais na divulgação, formação e motivação para a prática do Desporto em geral e no caso da Orientação em particular, pois apesar dos protocolos estabelecidos com a RTP, ainda há muita gente que desconhece este desporto. Com as novas medidas, a modalidade infelizmente sentirá o meu abandono e o de muitos colegas que estiveram desde sempre ligados a esta modalidade. Se deixarmos de alimentar o viveiro (Desporto Escolar), o Desporto Federado também vai sofrer as consequências.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

Sem comentários: