terça-feira, 18 de janeiro de 2011

BAIXA NA FPO: MARGARIDA GONÇALVES NOVO DEMITE-SE





É a primeira baixa no actual elenco federativo. Margarida Gonçalves Novo acaba de romper com a Direcção da FPO, indisponível que está para validar, com a sua presença, a forma como Alexandre Guedes da Silva vem conduzindo os destinos da Orientação. Ao Orientovar, Margarida Gonçalves Novo dá uma Grande Entrevista onde fala de si, desta curta passagem pelas lides federativas e do futuro da modalidade. Fá-lo, porque deve explicações a quem em si votou!


Orientovar - O que a levou a aceitar o desafio para presidir ao Conselho Disciplinar da Federação Portuguesa de Orientação?

Margarida Gonçalves Novo - Não estava realmente nos meus planos, mas fi-lo para viabilizar as eleições e evitar um impasse na FPO. Fi-lo também com o objectivo, acordado com o Alexandre [Guedes da Silva], de rever toda a regulamentação da FPO, que estava e continua a estar muito precisada duma revisão geral para corrigir erros, alguns muito relevantes. Note-se que estou a falar de erros técnicos porque nunca tive qualquer pretensão de impor a minha visão “política” das coisas. Por fim, também aceitei esse desafio porque achei que algumas coisas (de que eu não gostava e continuo a não gostar) iam mudar.

Orientovar - A partir de dada altura, começou a perceber-se que a Margarida era a “mãe” do novo Regulamento de Competições 2011, que tanta polémica deu. A verdade é que, de corte em corte, o Regulamento foi sendo “aligeirado” até tomar a forma que conhecemos hoje e que foi aprovada pela Direcção. Foi este o principal motivo que a levou a "bater com a porta"?

Margarida Gonçalves Novo - Bom, mais do que uma “mãe”, acho que fui uma “mecânica”. Peguei na máquina antiga, desmontei-a e voltei a montá-la de modo a que as peças encaixassem e a máquina funcionasse. A máquina foi montada de acordo com as “especificações” que foram sendo objecto de algum consenso entre os “clientes” para quem eu estava a trabalhar. A um dado momento, entreguei essa máquina à “Direcção de Clientes”, para que esta tomasse as últimas decisões quanto às especificações e me desse instruções quanto às eventuais alterações a fazer, antes dos acertos finais. A “Direcção de Clientes” entendeu, no entanto, ser ela própria a fazer as alterações na máquina. Por isso, quando a máquina foi apresentada aos “clientes finais”, não a pude reconhecer como minha porque tinha várias peças que não encaixavam, o que comprometia o seu bom funcionamento. Nesse momento, desliguei-me do processo porque não tenho vocação nenhuma para trabalhar nestes termos.

Para além das questões técnicas, como se sabe, acabaram também por se verificar importantes inflexões de política na Direcção, em que foi difícil identificar um fio condutor. Assim, naturalmente, todo este processo do Regulamento de Competições deixou-me muito desgastada e frustrada, principalmente porque significava o fim de um dos objectivos a que me tinha proposto – rever a regulamentação da FPO. É que este tipo de projecto só se pode levar a bom porto com uma liderança muito forte dos processos que lhe estão subjacentes. Quando essa liderança não existe, não vale sequer a pena começar. Se não há força que chegue para fazer as pessoas entenderem que estamos a falar de documentos jurídicos e que não é qualquer um que pode mexer neles, como é que haveria força para rever os estatutos e os restantes regulamentos em condições?

Dito isto, o principal motivo que me levou a desistir foi não ser capaz de continuar a validar com a minha presença um determinado rumo da FPO com o qual não concordo, nem nunca concordei. A um dado momento, tive também de reconhecer perante mim mesma, que toda a minha frustração acumulada estava a começar a ser “descarregada” em terceiros inocentes. Quando chegamos a este ponto, mais vale fazer as malas e ir embora.


O que está em causa é a sobrevivência da FPO, pura e simplesmente”

Orientovar - Quando lançou o seu blog - http://oribttrosachoque.blogspot.com/ - prometeu falar de tudo o que diz respeito à modalidade, “de forma aberta e sem preconceitos”. E cumpriu! Alguma vez sentiu que este instrumento nada “rosa” e muito “choque” fosse entendido pela FPO como uma eventual ameaça?

Margarida Gonçalves Novo - Não, nunca. Pelo menos o Alexandre (e julgo que os outros membros da Direcção) sabem perfeitamente que não sou uma ameaça. Só o seria se estivesse a pensar candidatar-me a algum cargo executivo, o que não é de todo o caso. Se fosse, não me teria demitido e teria aproveitado a visibilidade que este cargo me dá para ir conquistando “simpatizantes”. O objectivo declarado do blogue é verdadeiro: suscitar o debate de ideias.

Orientovar - De que forma viveu e sentiu o primeiro grande “abanão” desta Direcção, com o valente “puxão de orelhas” dado pelo Conselho Fiscal a propósito da ausência de Plano de Actividades e Orçamento para 2011?

Margarida Gonçalves Novo - Este é um processo que me deixa muito apreensiva. O que está em causa é a sobrevivência da FPO, pura e simplesmente. Se não se conseguir aprovar um orçamento e um plano de actividades credíveis com urgência, em breve deixará de haver dinheiro do IDP, a menos que esta Direcção tenha um poder de persuasão que reputaria de mágico. Tendo em conta que o grosso do dinheiro da FPO vem do IDP, acho que está tudo dito.


As pessoas preferem ouvir a canção do bandido a ouvir a canção do urubu”

Orientovar - Para onde caminha esta Direcção e, por inerência, a modalidade?

Margarida Gonçalves Novo - Apreciei a coragem de quem se dispôs a candidatar-se à Direcção da FPO, num momento em que havia muito poucas pessoas disponíveis a fazê-lo. No entanto, isso não significa carta branca para ir tomando decisões avulsas e ao sabor dos acontecimentos. É preciso perceber que há regras a cumprir, há contas a prestar e há autorizações a pedir. Se isso não for assumido rapidamente, julgo que será dramático, tanto para esta Direcção, como para a modalidade e que rapidamente se chegará “ao fim da linha”.Em termos mais gerais, já disse muitas vezes que acho que este ano e os próximos vão ser tremendamente difíceis em termos económicos e que isso nos deveria ter levado a adoptar medidas de contingência, o que não fizemos nem vejo muita gente com vontade de fazer. Mas não estou particularmente surpreendida; em geral, as pessoas preferem ouvir a canção do bandido a ouvir a canção do urubu.

Orientovar - A Direcção da FPO tem embandeirado em arco com a questão do Alto Rendimento e dos “mundos e fundos” que isso irá trazer à modalidade. Não lhe parece que há muito de populismo e muito pouco de realismo nesta questão?

Margarida Gonçalves Novo - Dei por mim a pensar que algumas pessoas não devem saber o que é o Alto Rendimento... De facto, o Alto Rendimento pressupõe um nível de exigência extraordinário, tanto a nível físico como psicológico, inatingível para a esmagadora maioria das pessoas. Além disso, pressupõe uma dedicação quase exclusiva à actividade desportiva, uma opção que muitas pessoas não estão (legitimamente) dispostas a fazer. Em termos sumários, implica passar os estudos (ou uma actividade profissional) para segundo plano, deixar praticamente de sair à noite, levantar-se de madrugada, passar a fazer a sesta, comer só o que lhe mandam e ter um regime de treino bi-diário ou mesmo tri-diário, isto já para não falar também no trabalho psicológico...

Por isso, que ninguém julgue que o estatuto de Alto Rendimento é assim uma espécie de medalha de reconhecimento do mérito desportivo: não é. É muito mais um passaporte para uma vida duríssima do que outra coisa qualquer. É que o Estado não dá dinheiro pelos atletas serem os melhores cá do burgo, mas sim para que tragam resultados de nível mundial. E resultados de nível mundial, não é propriamente uma coisa que esteja ali ao virar da esquina! Assim, é difícil acreditar que vai haver uma “chuva” de atletas de Alto Rendimento na Orientação. Primeiro, é preciso encontrar atletas que preencham os critérios de base previstos na lei, o que só por si deixa de fora quase toda a gente. Depois, é preciso perguntar-lhes se querem ir por aí (e pedir a correspondente autorização dos pais, no caso dos menores). Por fim, é cruzar os dedos e esperar que o IDP aprove as propostas que foram feitas. Com quantas pessoas vamos ficar no Alto Rendimento depois disto tudo? Não é seguramente com estes hipotéticos fundos que a FPO pode contar para financiar o seu ambiciosíssimo programa das selecções! Aliás, no actual estádio de desenvolvimento da modalidade, julgo que as duas coisas (alto rendimento e selecções) não deveriam sequer ser misturadas.


“Acho que preciso dum bom intervalo da vida federativa”

Orientovar - Recusando-me a admitir que o “Ori-BTT de Rosa Choque” tenha chegado ao fim, "agarro-me" a essa outra possibilidade, ainda que o blog possa não voltar a ser o que era. Sabendo todos nós que não é pessoa para pactuar com o conformismo e com a mediocridade, que "Ori-BTT de Rosa Choque" nos promete?

Margarida Gonçalves Novo - Para já, acho que preciso dum bom intervalo da vida federativa! Julgo que as pessoas entendem que preciso de me afastar e ganhar algum distanciamento, até porque estou ligada por relações de amizade a algumas pessoas da Orientação e se trata de relações que gostaria de ser capaz de preservar, se é que ainda o vou conseguir nalguns casos. Preciso de algum tempo para deixar esgotar a frustração que acumulei e que me levou a fazer coisas de que me arrependo amargamente. Só quando achar que não vou voltar a cair nas mesmas armadilhas é que me atreverei a voltar a pegar no blogue para escrever sobre temas críticos ou mesmo sobre temas “lúdicos”. É uma decisão que preciso de amadurecer.

Acerca deste assunto, leia também a Crónica de Margarida Gonçalves Novo no seu Ori-BTT de Rosa Choque.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

7 comentários:

Ana disse...

Muito preocupante!

Bruno disse...

Cara Margarida,
Não querendo estar a puxar a brasa à minha sardinha, mas, para que de uma vez por todas as pessoas percebam os atletas que temos, garanto-lhe que todos os atletas que eu treino "passam os estudos (ou uma actividade profissional) para segundo plano, deixaram praticamente de sair à noite, levantam-se de madrugada, comem só o que lhes mando e têm um regime de treino bi-diário".
A única coisa que lhes falta para serem de "Alto Rendimento" é que a FPO tenha um investimento mínimo nas suas capacidades, para que possam preparar os campeonatos do mundo de forma condigna!
Ninguém se prepara para um WOC em França (nos Alpes) a treinar nas dunas de Mira ou nas Pedras do Alentejo.
Agora se ninguém acredita nem quer acreditar, então que se tenha a coragem de dizer isso aos atletas, para que eles possam dormir até horas normais e coloquem as suas actividades profissionais em primeiro plano.
O que se passa neste momento é uma total falta de respeito por todos os atletas, que continuam com regimes de treino muito rigorosos, sem certeza do que se passará este ano em termos de competições internacionais e da sua preparação.
Tudo isto me deixa desgostoso, pois quando nem os próprios pares (restantes atletas do pelotão da orientação nacional)acreditam nos nossos melhores atletas, como é que algum dia irá o IDP acreditar...

Ori-BTT de Rosa Choque disse...

Caro Bruno,
Eu não conheço suficientemente os atletas que treina, nem poderia... Por isso, os meus comentários são absolutamente genéricos. Quando digo que duvido da "chuva" de atletas de alto rendimento é porque sei como é difícil entrar nesses programas e como é ainda mais difícil manterem-se lá. Não duvido de forma nenhuma do esforço dos atletas que treina. Duvido isso sim que consigamos vir a ter 10 ou mais atletas em regime de alto rendimento, pelos motivos que apontei. Nalguns casos, vai ser por falta de condições de base; noutros, por opção própria (ou dos pais); e noutros ainda porque o IDP não vai aprovar. Na minha opinião, é preciso que as pessoas estejam conscientes disso e levá-las a acreditar o contrário é uma irresponsabilidade. A quantos atletas da Orientação se pode dizer com honestidade para não investirem numa carreira profissional porque vão poder viver duma carreira desportiva? É isso que está em causa quando se fala de alto rendimento!
Eu também acredito que existem atletas na Orientação com condições de alcançarem resultados de nível mundial e acredito que é neles (e só neles) que se deve investir neste contexto. Por mim, acharia preferível investir a sério em 2 ou 3 atletas do que dispersar dinheiro por grupos de selecção que rondam os 60 atletas ou a pagar deslocações ao estrangeiro, estágios e treinadores a atletas que têm muito mérito, mas não têm condições para competir a nível internacional, como tem sucedido na FPO. Naturalmente, isto depende de decisões tomadas pela Direcção e a minha opinião vale o que vale. Não julgue que eu sou contra a alta competição, o alto rendimento ou as selecções no seio da Orientação, muito pelo contrário. Só acho que temos de ser mais realistas, principalmente ter em conta os fundos disponíveis.
Para terminar, prefiro claramente estar enganada nesta minha análise, do que ter razão.

Miguel Reis e Silva disse...

Cara Margarida,
Dedici intervir (e raramente o faço) uma vez que acho que tem uma visão um pouco distorcida do assunto.

Analisarei de acordo com expressões suas:
1. "investir mais em juniores e juvenis com boas características desportivas, já a pensar no futuro, do que continuar a investir tanto em atletas seniores que objectivamente não têm condições para alcançar resultados com expressão" - Esta foi a aposta da Federação Portuguesa de Triatlo de há uns tempos que se concluiu ser errada. Apostar tudo em atletas jovens em deterimento dos seniores é arriscado. Quantos grandes talentos não se perdem ao longo do trajecto (todos nos conhecemos inumeros casos). E o melhor orientista português de todos os tempos começou a praticar orientação com que idade? Não estamos falar de natação ou de sprinters. Estamos a falar de uma modalidade em que o pico se atinge tardiamente (27anos?). Verifique se a FPA anda a apostar em Maratonistas (que atingem o pico pela mesma altura) aos 15 anos.

2. "só acho razoável pedirem-me dinheiro para subsidiar os grupos de selecção e as selecções quando os atletas que as integram (...) alcançarem resultados com alguma expressão". - Isto, parecendo que as selecções têm grandes orçamentos. A época passada treinei como nunca, preenchendo os seus "critérios" de desporto de alto-rendimento. Objectivamente, qual foi o apoio que recebi da FPO na época transacta? Um estágio e uma participação na World Cup em França. Repare que não me queixo, é a situação que temos, agora...querem retirar também isto? A Margarida aparenta querer fazer omeletes sem ovos. Lanço-lhe o desafio: mencione-me um unico atleta de topo mundial que tenha chegado onde chegou sem apoio do seu país enquanto "não tinha resultados". Ainda bem que a França não deixou de apostar no Thierry Gueorgiou quando ele perdeu na TPL com o Joaquim Sousa.

3. "basta ser o melhor a nível nacional para ter um lugar nos grupos de selecção e, em última análise, na selecção, acabando esta por ser encarada como um “prémio de mérito”." - Como é possivel alguém pensar isto, sobretudo, um ex-elemento da FPO? Esta afirmação revela um profundo desconhecimento do que envolve o planeamento de uma época. Não me vou sequer alongar.

4. "implica passar os estudos (ou uma actividade profissional) para segundo plano, deixar praticamente de sair à noite, levantar-se de madrugada, passar a fazer a sesta, comer só o que lhe mandam e ter um regime de treino bi-diário ou mesmo tri-diário, isto já para não falar também no trabalho psicológico..." - Parece-me uma visão tão simplista das coisas.

5. "quantos atletas da Orientação se pode dizer com honestidade para não investirem numa carreira profissional porque vão poder viver duma carreira desportiva" - Mas em que modalidades, à excepção do futebol, é possivel viver exclusivamente da carreira desportiva em Portugal? É preciso descer a terra! Acho que este é o principal problema desta mentalidade. O esterotipo do atleta não-formado já é dos anos 80. Treino diariamente com um atleta (Campeão da Europa)profissional de Duatlo que esta a fazer o Doutoramento! A Helena Jansson e as irmãs Brozkova são médicas! O David Schneider, trabalha das 8h as 19h!Porque é que a FPO exige tanto se tão pouco dá? Toda esta discussão nem sequer deveria existir.

Os atletas e voluntários não pedem muito (diga-me que federações têm estágios da selecção com os atletas a dormir no chão - e todos estão motivados!). Ninguém está a pedir dinheiro. Apenas pedimos que não nos tirem o que nos faz andar para a frente: a dignidade (que é estilhaçada com expressões como as referidas).

Luís Sérgio disse...

Olá a todos.

Antes de mais pedia aos comentadores para se identificarem, pois dessa forma podemos assimilar melhor o alcance das suas palavras.

O comentário do Bruno(?) acabou por desviar a atenção para uma questão secundária (embora de grande relevancia) neste contexto.

O que está aqui verdadeiramente em causa é como é possivel que uma das "ideologas" e uma das poucas pessoas a dar a cara neste elenco directivo, tenha chegado tão depressa a um ponto de ruptura. Acresce que a Margarida teve manifestações publicas de apoio por parte do Presidente da FPO, mesmo quando abordava questões delicadas.

Tenho que referir que discordei de várias vezes das posições da Margarida, muitas vezes por achar que fazia uma leitura parcial das questões, mas não posso deixar de reconhecer e admirar a sua paixão e frontalidade.

É uma grande perca para a FPO mas espero que não o seja para a Orientação. Quero continuar a cruzar-me nas florestas com essa familia da Orientação (não obstantes as tareias que levo do Leandro na BTT).

Todos, ainda somos poucos!

Um abraço

Luis Sergio

Ori-BTT de Rosa Choque disse...

Por partes:
1) A minha opinião sobre a questão das selecções e do alto rendimento é apenas a minha opinião, mais nada. Se alguns conseguem conciliar estudos e alto-rendimento, a esmagadora maioria não consegue. Não estou a falar de cor porque conheço dois dos nossos atletas olímpicos desde "pequenos" e sei como foi, sendo que nenhum deles tem falta de inteligência, bem pelo contrário. Simplesmente, houve um momento em que tiveram de mandar os estudos às malvas para poderem ambicionar a medalhas olímpicas ou a serem campeões do mundo. Conheço também alguns atletas dotadíssimos que não tiveram qualquer possibilidade de enveredar por esse caminho e uma delas está hoje precisamente na Orientação. Por outro lado, há que encarar a realidade: a maior parte das pessoas, nem que treine de manhã à noite, não vai chegar lá. É claro que temos sempre tendência a pensar o contrário e a julgar que se tivermos os "apoios necessários" vamos conseguir mundos e fundos. Infelizmente, não é assim e os atletas de excepção (alto rendimento) são isso mesmo - a excepção.
O problema aqui também é que se parte dum grupo alargado de atletas (60) para enfrentar um cenário muito provável de redução drástica e isso é muito difícil de encarar. Parte-se também de 0 (zero) atletas inscritos no alto-rendimento aparentemente para uma perspectiva de 10 (!). Eu percebo perfeitamente o que está na cabeça de cada uma destas 60 pessoas e ainda mais dos potenciais 10 candidatos ao alto rendimento, mas não é por isso que lhes vou dizer coisas em que não acredito.
2) A minha perspectiva é claramente enviesada e sempre foi. Faço realmente Orientação há 15 anos, mas só nos últimos 3 anos é que me meti no "sistema", muito por culpa do que me fizeram passar com os percursos de D45 em Ori-BTT e do tratamento "gentil" que o meu clube mereceu na questão dos exames médicos, bem como em termos de Campeonato Ibérico, em que várias medalhinhas teriam sido nossas se essa prova respeitasse regras mínimas de verdade desportiva. É a visão enviesada de quem vê as coisas de fora e não faz parte do sistema. O que vale é que esta minha visão parcial teve sempre o contraponto (no fórum, nos blogues, etc.)da visão (também parcial, mas doutra perspectiva) de pessoas que vêm as coisas de forma diferente de mim, o que acho salutar.
3) Já repararam que é precisamente a questão do alto rendimento e das selecções que parece apaixonar mais a comunidade orientista? Sem querer retirar importância ao tema (que a tem e muita), diria que isto é sintomático.
4)Por fim, Luís Sérgio, lamento dar-te um desgosto, mas acho que não te vais ver livre do Leandro com essa facilidade... Apesar de sermos casados, ainda não nos demitimos por simpatia... O Leandro tem uma missão a cumprir e se o conheces (como acho que conheces) sabes que mais depressa morre do que desiste. O meu caso é diferente: deixei de ter "missão" a cumprir.

corridas disse...

Seria interessante quem se sente visado vir aqui dizer quais são as verdadeiras motivações (legítimas, pois noutras modalidades não olímpicas passa-se o mesmo) para o acesso ao Alto Rendimento. E acredito que salvo alguma excepção não passam por questões de apoio monetário. Precisamente para evitar situações que se passavam no passado, a lei foi alterada. Houve alguns que dela beneficiaram (e ainda foram alguns) com classificações que dispenso de comentar mas que deixo para os historiadores ou analistas, e que foram negociadas casuisticamente com o IDP, provavelmente beneficiando da imagem que a própria modalidade construiu junto das entidades publicas.
Como em tudo, a malha apertou e é dificil agora entrar. Na viragem apanhou desprevenidos alguns que tinham como certo o enquadramento. No entanto na actual lei, quem a leu, sabe que há lacunas (propositadas?) que deixam portas abertas a excepções.
Cabe agora aos negociadores terem arte para o fazer junto do IDP.
Lamento que seja assim, pois os atletas e orientadores do grupo de selecção fizeram muito com tão pouco e em condições que noutras modalidades seriam inconcebíveis. E merecem todo o respeito. Mas daí a obter o estatuto...
Eu próprio fiz parte do antigo regime de Alta Competição, sei do que falo, e reconheço que neste grupo há matéria-prima para metermos a "lança em africa".
A política de investimento é que tem que pesar os dois pratos da balança e decidir.
Quanto à demissão da Presidente do Conselho Disciplinar, é um assunto que deveria preocupar os vários agentes da modalidade.
Isso e questionar onde andam os restantes elementos, directora-executiva (que aguarda sancionamento da AG para entrar nos quadros da FPO) inclusivé.