sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

VENCER A CRISE COM CONFIANÇA COLECTIVA!




Porque a Orientação somos todos, porque a soma de todos e cada um de nós, na sua diversidade e riqueza, faz do tecido associativo um bem precioso e porque 2011 está aí a um pequeno passo, o Orientovar fecha o ano recuperando uma mensagem. Chama-se “Vencer a Crise Com Confiança Colectiva” e tem a assinatura de Augusto Flor, o Presidente da Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto. Para ler, meditar e agir. Um bom ano!


Vivem-se momentos difíceis, muito difíceis
Ao terminar 2010 e entrarmos em 2011, sentimos de forma generalizada uma angústia que nos contrai o pensamento e quase nos condiciona a acção. Enquanto uns afirmam não ter qualquer responsabilidade pela actual situação e outros querem que acreditemos que é tudo obra do destino e não há nada a fazer, cá estamos nós a pagar o mal e a caramunha de uns quantos bem instalados. Pessoalmente, acredito que a solução não passa por “remediar” a actual situação mas por dizer a verdade ao povo, mobilizá-lo, dar-lhe confiança e assumir uma mudança de modelo que tenha em conta uma nova orientação política, económica, cultural e social. Mais do que nos adaptarmos a esta sociedade, deveremos mudá-la. Aliás, a história vem mostrando que as rupturas mais tarde ou mais cedo acontecem. O que varia é o grau de mudança e o sentido que tomam.

Não somos o Estado. Somos o país.
O Associativismo Popular, sendo transversal a toda a sociedade, a todos os extractos sociais, todas as etnias e culturas, todos os partidos e religiões, assume um papel fundamental na coesão social e na integração de todos, particularmente dos mais explorados, dos mais frágeis da sociedade. O papel social, a utilidade social do associativismo popular, é cada vez mais importante e por isso mesmo não podemos deixar de reflectir, decidir e agir. O país precisa de nós e, como sempre, não regatearemos esforços para o ajudar. O ano 2011, deverá ser um ano de maior intervenção social associativa. Teremos de inovar as formas de fazer associativismo, de modernizar as acções associativas e de disseminar os valores da solidariedade, da honestidade, do trabalho e acção colectivas e da democracia participada. A campanha pelos direitos associativos “Vamos fazer o que ainda não foi feito” está em marcha. A campanha de estruturação nacional associativa com a criação de colectividades Elo, Associações Concelhias e Federações Distritais é a maior de sempre. A campanha de sustentabilidade financeira de todo o associativismo popular é uma prioridade. A formação e qualificação dos dirigentes são uma realidade incontornável. A divulgação do projecto associativo nacional e a sua visibilidade são uma condição indispensável para o seu futuro.

Somos a maior rede social
O ano de 2011 será o Ano Europeu do Voluntariado. Nesse sentido, cada um de nós – Dirigentes Associativos Voluntários – perante os receios, perante as dificuldades e as adversidades, não pode deixar de pensar que, em Portugal existem mais de 29.000 associações, 435.000 dirigentes voluntários e mais de três milhões de associados. Somos a maior frente social organizada, a maior rede de voluntários e a única rede social que responde a todas as necessidades culturais, recreativas, desportivas e sociais no nosso país. Tendo consciência da enorme responsabilidade só poderemos ter êxito se tivermos confiança colectiva e essa vem de cada um de nós, transmite-se pela nossa proximidade e assume-se da mais pequena e singela colectividade até à sua Confederação. Não deixem de ser quem são - Dirigentes Associativos Voluntários. Sem nós, não existiria o associativismo popular.

Não desistam nunca de lutar pelo que acreditam!

Bem hajam pelo vosso trabalho!

Dezembro 2010

Augusto Flor



http://www.confederacaodascolectividades.com/
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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

I CORUCHE ORIENTEERING TROPHY' 11: 700 ATLETAS DE 7 PAÍSES À DESCOBERTA DA FLORESTA DE CORUCHE





A Taça de Portugal de Orientação Pedestre 2011 dará em Coruche, Capital Mundial da Cortiça, o pontapé de saída. De 7 a 9 de Janeiro, o I Coruche Orienteering Trophy’ 11 promete mapas e percursos de elevado recorte técnico, nas mais belas florestas de montado da região do Sorraia.


Prova de abertura da Taça de Portugal de Orientação Pedestre 2011, o I Coruche Orienteering Trophy’ 11 aproxima-se a passos largos. Com a assinatura do COAC - Coruche Outdoor Adventure Club, o evento representa uma estreia desta novel colectividade nas lides organizativas em provas maiores do Calendário nacional e constitui mais uma excelente oportunidade de testar as capacidades físicas e técnicas em terrenos de enorme qualidade para a prática da Orientação, agora que a nova época começa.

Ainda no início da semana, a Organização do evento emitia uma Nota de Imprensa onde dava conta de “600 atletas de 6 países à descoberta da floresta de Coruche”. Pois bem, numa consulta ao Oásis, o sistema de inscrições on-line da Federação Portuguesa de Orientação, percebe-se que o número de inscritos não pára de crescer, sendo neste momento de 690, de sete nacionalidades distintas. Aos 660 atletas portugueses inscritos, juntam-se 22 espanhóis, quatro finlandeses, um sueco, um norueguês, um letão e um lituano.


Sofia Haajanen é “cabeça de cartaz”

Quanto às figuras em prova, a finlandesa Sofia Haajanen , 35ª classificada do ‘ranking’ mundial, é a atleta mais credenciada entre todos quantos pisarão os palcos da prova ribatejana. Do país dos mil lagos marcarão igualmente presença Saila Kinni, Jussi Suna e Oskari Liukkonen, este último ocupando actualmente um lugar muito próximo do top-100 mundial e ostentando no seu palmarés, com a equipa Delta, uma vitória na Jukola (2008), a maior estafeta mundial.

Mas em Coruche irão estar, igualmente, alguns dos melhores atletas nacionais. Entre a Elite Masculina, adivinha-se intensa luta entre Tiago Romão, que se estreia com o emblema da ADFA ao peito, e Diogo Miguel (Ori-Estarreja). Saúdam-se as presenças neste escalão de Tiago Gingão Leal (GafanhOri), Nuno Pedro (CAOS) e Ricardo Vieira (Amigos da Montanha), atletas que na temporada passada se destacaram em escalões diferentes, e ainda de Joaquim Sousa (COC) e Marco Póvoa (ADFA), dois dos maiores atletas portugueses de sempre e para quem a idade parece não contar. O vencedor do 'ranking' da Taça de Portugal de Orientação Pedestre na temporada passada, Miguel Reis e Silva (CPOC), bem como Jorge Fortunato (Ori-Estarreja) e Tiago Aires (GafanhOri) – os dois primeiros fora do país em virtude da sua actividade académica, o terceiro por ser autor dos mapas – são os grandes ausentes.


Tudo por tudo no apuramento para os Mundiais ISF de Desporto Escolar

Na Elite Feminina, Maria Sá (GD4C) surge como uma das grandes pretendentes a um lugar cimeiro, ao lado de Patrícia Casalinho, Catarina Ruivo e Andreia Silva (todas do COC) e das estreantes Mariana Moreira (CPOC) e Lena Coradinho (GafanhOri). Pelos mesmos motivos de Tiago Aires, Raquel Costa (GafanhOri) é a grande ausente, bem como a vencedora do ‘ranking’ da Taça de Portugal 2009/2010 no escalão D20, Joana Costa (GD4C), neste caso por motivos que se prenderão, certamente, com a sua nova vida académica.

No tocante aos restantes escalões, merece particular atenção a acesa luta que se irá travar nos escalões H/D13 e H/D15, onde se joga uma cartada particular e da maior importância. Trata-se das decisivas provas de selecção para o Campeonato do Mundo de Orientação do Desporto Escolar ISF 2011 (Trentino, Itália), onde (quase) tudo estará em jogo. De resto, praticamente todos os vencedores do ‘ranking’ da Taça de Portugal 2009/2010 nos vários escalões estarão em Coruche a defender os respectivos títulos.


Programa recheado

O evento abrirá com a disputa de uma prova de Distância Média na Herdade da Sesmaria, seguida duma prova de Distância Longa, que decorrerá na Herdade do Cascavel. Os vencedores do Troféu serão apurados através da soma dos pontos alcançados em ambas as etapas. Além disso, será ainda disputado um Sprint Nocturno na vila de Coruche ao final do primeiro dia, percorrendo as ruas da vila e visitando o parque do Sorraia. Nos dias que antecedem as etapas pontuáveis para a Taça de Portugal de Orientação Pedestre, São José da Lamarosa recebe uma prova dedicada às escolas locais na tarde de quinta-feira e o Model Event na sexta-feira, dando a oportunidade aos atletas de partirem à descoberta da floresta de Coruche um dia antes da competição se iniciar.

Mas o I Coruche Orienteering Trophy' 11não se esgota na sua vertente competitiva. A componente social surge com enorme peso nas preocupações da Organização, estando prevista, na quinta-feira anterior ao evento, Orientação para as Escolas, em S. José da Lamarosa. O “OriKids”, um conceito de baby-sitting que vai muito ao encontro daquilo que o Clube de Orientação do Centro tão bem sabe fazer com a sua “Escolinha de Orientação”, promete manter activos e animados os mais novos. Neste momento decorre já um passatempo com prémios aliciantes às três melhores frases que incluam as palavras “desafio” e “Orientação”. E há ainda o Jantar Oficial oferecido a todos os participantes ao final do primeiro dia e também a Cerimónia de Entrega de Prémios, prevista para as 13h30 do último dia. Juntando isto às belezas destas terras do Sorraia e à atenção, simpatia e carinho no bem receber das suas gentes, o que espera para se inscrever, caso ainda não o tenha feito?


Todas as informações e acompanhamento da prova dia-a-dia em http://www.coaclub.com/cot11 ou aqui, no seu Orientovar.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...

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Deixou de ser possível continuar a fingir que não mais se ouvem as campainhas. O alerta vem do interior da própria Federação Portuguesa de Orientação, via Conselho Fiscal. Marcada para logo ao final da tarde, espera-se uma Assembleia-Geral particularmente concorrida e muitas, muitas explicações!


Subordinada ao assunto “Convocatória Assembleia Geral FPO”, a Federação Portuguesa de Orientação distribuiu a meio da manhã de ontem, por correio electrónico, uma mensagem onde se anexa um documento emitido por um dos seus Órgãos. Com data de 23 de Dezembro de 2010 e designado “Acta, parecer e recomendações do Conselho Fiscal”, o documento tem assinatura de Leandro Silva (Presidente), Fernando Feijão (Relator) e Valdemar Oliveira (Secretário) e é, em si mesmo, um texto de análise, notável no rigor e isenção, pondo a nú um vasto conjunto de situações anómalas decorrentes da actual gestão da FPO.

Agendada para mais logo, pelas 19h00, no Auditório do Centro Desportivo Nacional, no Jamor (Oeiras), a Assembleia-Geral da Federação Portuguesa de Orientação terá, pois, entre mãos, um documento incisivo e que arrasa a pretensa estratégia da recém-empossada Direcção da FPO para o que falta de mandato do Quadriénio 2008-2012. Trata-se dum documento onde o Conselho Fiscal da FPO manifesta enormes reservas em relação a um leque de matérias que estão em cima da mesa e onde sobressai a não apresentação em tempo útil, por parte da Direcção da FPO, do Plano de Actividades e Orçamento para 2011. Esta situação assume foros de enorme gravidade, sobretudo se pensarmos que a apreciação e votação do Plano de Actividades e Orçamento para 2011 é, justamente, um dos pontos fulcrais da reunião magna da FPO de mais logo, ao final da tarde.


Sugerido novo adiamento da Assembleia-Geral
 
A primeira parte do documento dá conta das aturadas diligências do Conselho Fiscal junto da Direcção da FPO, no sentido de lhe ser entregue atempadamente - para emissão de Parecer, obrigatório nos termos dos Estatutos da FPO -, o Plano de Actividades e Orçamento para 2011, “facto que não veio a acontecer”. À falta do Plano de Actividades e Orçamento para 2011, o Conselho Fiscal manifesta-se impossibilitado de “dar Parecer sobre esta matéria no sentido de permitir a sua apreciação por parte da Assembleia-Geral”. Posto isto, parece certo que o ponto três da Ordem de Trabalhos - “Apreciar e votar o Plano de Actividades e Orçamento para 2011” - irá ser retirado da Convocatória antes mesmo de se dar início aos trabalhos.

A ser assim, o Conselho Fiscal propõe que “o Plano de Actividades e Orçamento para 2011 lhe seja submetido até ao dia 14 de Janeiro de 2011” e que “a Assembleia-Geral que irá apreciar o referido Plano de Actividades e Orçamento para 2011 seja desde já convocada para o dia 29 de Janeiro de 2011, em hora e local a determinar pelo Presidente da Assembleia-Geral.” Ora, se pensarmos que a Assembleia-Geral marcada para hoje, estatutariamente, deveria ter sido realizada até ao passado dia 30 de Novembro, pergunta-se até onde irá a paciência do próprio Presidente da Assembleia-Geral da FPO.



Conselho Fiscal pede igualmente para dar Parecer sobre Plano Estratégico 2011-2016

Há ainda um outro ponto da Ordem de Trabalhos que merece sérias reservas ao Conselho Fiscal e é igualmente alvo de Parecer. Referimo-nos ao ponto dois - “Apreciar e votar o Plano Estratégico 2011-2016” - e cujo documento de base, o referido Plano Estratégico 2011-2016, não foi igualmente apresentado em tempo útil (só às 22h44 de ontem a FPO o divulgou na sua página, podendo o mesmo ser consultado AQUI). Trata-se dum documento que o Conselho Fiscal entende ser digno de apreciação e parecer, “na medida em que o mesmo possa condicionar as actividades futuras a desenvolver pela FPO e implicar a assumpção de compromissos com implicações económicas, para além do presente mandato dos actuais Órgãos Sociais.”

Voltando à análise do Parecer e Recomendações do Conselho Fiscal da FPO, percebe-se a existência dum documento de candidatura a comparticipação do Instituto do Desporto de Portugal, o qual, pretensamente, serviria de base ao Plano de Actividades e Orçamento para 2011. Pois bem, sobre esta matéria o Conselho Fiscal é demolidor: “Relativamente ao documento de candidatura a comparticipação do IDP que nos foi apresentado, o mesmo não substitui, de modo algum, o Plano de Actividades e Orçamento, para além de não constituir uma base adequada de análise decorrente do facto de não respeitar os princípios de comparabilidade entre exercícios nem permitir uma verificação do equilíbrio das contas da FPO.”


Funcionamento da FPO acautelado?


O Orientovar dispensa-se duma análise detalhada das seis alíneas que compõem a apreciação do Conselho Fiscal aos “pressupostos e alterações dos actuais procedimentos da FPO”, deixando essa tarefa aos leitores. Matérias como as “Receitas da FPO”, cuja “consolidação” das contas das provas contraria o estatutariamente estabelecido; o “irrealismo” da comparticipação solicitada ao IDP e que prevê, em ano de “apertar o cinto”, um crescimento das comparticipações na ordem dos 330% (!); ou a contratação de Recursos humanos e custos de organização e gestão da FPO que colidem com disposições sobre incompatibilidades e viola Estatutos a vários níveis, assumem uma dimensão muito preocupante e que merecerão, por certo, as atenções e explicações de Alexandre Guedes da Silva, o Presidente da Direcção da Federação Portuguesa de Orientação.

Sobretudo é preocupante pensar de que forma irá a FPO acautelar o seu funcionamento a partir do próximo dia 01 de Janeiro de 2011, se tivermos em conta que a autorização dos órgãos executivos da FPO (Presidente e Direcção) para receberem receitas e pagarem custos caduca daqui a dois dias. O Orientovar procurou um comentário do responsável máximo da FPO à actual situação, estando até ao momento a aguardar uma resposta.


"Reflexão, apreensão e muita preocupação em relação ao futuro"

O Orientovar sondou igualmente alguns dos principais agentes da modalidade, constatando uma enorme preocupação face à situação. Reacções de estupefacção - “inacreditável o histórico de promessas e incumprimentos da entrega do Plano de Actividades ao Conselho Fiscal” -, assombro - “depois de anos de gestão cuidadosa e equilibrada nunca pensei que os incumprimentos se sucedessem a uma velocidade tão alucinante para mal da FPO” -, ironia – “coerência por parte da Direcção, uma vez que mantém a mesma linha de actuação manifestada no seu Programa Eleitoral, que já era ele próprio utópico e irrealista!” – e desconfiança – “merece reflexão, apreensão e muita preocupação em relação ao futuro” – são as notas dominantes.

Como dominante é o sentimento generalizado e que vai no sentido de “enaltecer a postura e a coragem do Conselho Fiscal em não pactuar com uma situação destas”. A este propósito, saliente-se a reacção de José Carlos Pires, Presidente da Assembleia-Geral da FPO, para quem “esta posição do Conselho Fiscal reflecte, de algum modo, aquilo que se pretendeu com as recentes alterações ao Regime Jurídico das Federações Desportivas - dar independência e autonomia aos diferentes órgãos. Neste caso concreto, o âmbito e a substância das questões tratadas no documento do Conselho Fiscal, dá-nos excelentes pistas para o debate, além de nos dar algum conforto quanto à sua capacidade de fiscalização dos actos de gestão da FPO.”

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Não seja avestruz

Vale a pena voltar a José Carlos Pires, atentando num par de esclarecimentos. O Presidente da Assembleia-Geral lembra que “o Parecer do Conselho Fiscal é obrigatório, mas não é vinculativo. Ou seja, a Assembleia-Geral pode decidir sempre de forma diferente do Parecer. Pode até acontecer que perante um Parecer favorável, a Assembleia-Geral decida negativamente.” Por outro lado, “o Conselho Fiscal apresenta no seu documento várias sugestões relacionadas com o debate na especialidade, como por exemplo as despesas com odesenvolvimento da actividade desportiva. Concordo, em parte, com o Conselho Fiscal, pois poderá dar-se o caso de não haver tempo para nesta sessão se discutirem todos estes detalhes. Não invalida, por isso, que as matérias que não careçam de Convocatória especial nem sejam estranhas à Ordem de Trabalhos possam ser apreciadas nesta Assembleia-Geral.” Posto isto, José Carlos Pires afirma que “cabe agora ao Presidente e à Direcção da FPO prestarem os necessários esclarecimentos sobre os temas em debate e darem resposta cabal às questões que vão ser colocadas na Assembleia-Geral, para verem as suas propostas aprovadas.” E termina, reconhecendo que “a data não é a mais indicada” mas esperando “uma Assembleia-Geral muito concorrida, pelo que apelo à participação de todos os Delegados.”

Este momento é importante para todos e é fundamental que as ideias e opiniões de todos se façam ouvir. Não deixe de comparecer à Assembleia-Geral ao final da tarde e partilhe connosco, desde já, a sua análise da actual situação, utilizando para tal o espaço de Comentário. Não seja avestruz, todas as ideias contam!


Veja
AQUI na íntegra o documento “Acta, Parecer e Recomendações do Conselho Fiscal”.

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Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A MINHA ESCOLA: ESCOLA SECUNDÁRIA DE ERMESINDE





No passado dia 2 de Novembro, a Escola Secundária de Ermesinde festejou os seus 40 anos de actividade. No rescaldo das comemorações, o Orientovar chama hoje à rubrica “A Minha Escola” o seu Grupo-Equipa de Orientação de Desporto Escolar, aqui apresentado pelo Professor Sandro Castro.


O primeiro edifício da Escola Secundária de Ermesinde não tinha sido construído para esse fim e situava-se numa zona perigosa, tendo sido vários os alunos atropelados nessa via. Por outro lado não possuía pavilhão para a prática da disciplina de Educação Física e situava-se numa zona empestada com cheiros e fumos provenientes duma unidade industrial. Por todos estes motivos os pais, os autarcas e a população em geral, pressionaram fortemente o Governo para que se construísse uma nova Escola. A contestação acabou por surtir efeito, tendo o Ministério da Educação, a Câmara Municipal, a Junta de Freguesia, a Assembleia de Freguesia e a Escola chegado a um acordo para a construção dum novo edifício.

A actual Escola começou a funcionar em 1987 mas as polémicas não terminaram, uma vez que a construção do pavilhão Gimnodesportivo não estava incluída no projecto e algumas pessoas estavam contra o tipo de construção adoptado, considerando que a Escola era demasiado grande. Hoje a Escola tem Pavilhão e acaba por ser pequena face a uma população escolar de enorme dimensão, e nem mesmo a colocação de pavilhões pré-fabricados superou este problema.


Quem é o Professor Sandro Castro?

Alfredo Sandro Rosino Pereira de Castro nasceu em 23 de Agosto de 1972. Licenciado em Educação Física e Desporto (Instituto Superior da Maia, 13 de Dezembro de 1997), concluiu o Mestrado em Ciências do Desporto – Desporto de Recreação e Lazer, na Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física da Universidade do Porto, em 12 de Dezembro de 2000. No seu Currículo Desportivo assinala-se o facto de ser praticante federado de Futebol de Salão/Futsal, ininterruptamente, desde 1985. Na actualidade é também praticante federado de Orientação desde 2009/10, pelo Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos.

A sua actividade lectiva teve início com o Estágio Pedagógico na Escola Secundária Garcia de Orta (Porto, 1996/97), seguindo-se-lhe a Escola Secundária de Rio Tinto (1997/98), Escola Secundária de Felgueiras (1998/99 e 2000/01), EB 2,3 Nevogilde (1999/2000), Escola Secundária ES Tomaz Pelayo (Santo Tirso, 2001/02 e 2003/04 e 2005/06), Escola Secundária de Paços de Ferreira (2002/03 e 2004/05), Escola Secundária da Maia (2006/07 a 2008/09) e Escola Secundária de Ermesinde (2009/10 e 2010/11). Orienta desde 2009/10 o Grupo Desporto Escolar Orientação da Escola Secundária de Ermesinde.




“Escolhi a Orientação”

Orientovar – Como é que o Professor Sandro Castro aparece à frente do Grupo-Equipa de Orientação da Escola Secundária de Ermesinde?

Professor Sandro Castro – Talvez deva começar por referir que sou mais das modalidades desportivas colectivas. Ainda jogo Futsal, embora nos escalões de Veteranos, e essa foi sempre a minha carreira. Entretanto, no âmbito do meu Curso, no ISMAI, falámos e tivemos Orientação e eu fiquei com o “gostinho”. O problema era mesmo o Futsal, uma vez que os jogos eram ao sábado e era incompatível estar em dois lados ao mesmo tempo. Entretanto, há dois anos, fiz as provas de cidade e de parque do Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos, frequentei uma Acção de Formação do clube e tentei introduzir logo a Orientação na Escola da Maia, onde estava a dar aulas. Mas tal não foi possível por estar já a decorrer o ano lectivo, os vários Grupos-Equipa estarem definidos e ser cada vez mais complicado dar-se horas às Escolas para o Desporto Escolar. No ano passado comecei a dar aulas em Ermesinde, houve a possibilidade de ficar com um Grupo-Equipa de Desporto Escolar e escolhi a Orientação. Este é, portanto, o meu segundo ano com um Grupo-Equipa de Orientação, sempre na Secundária de Ermesinde.

Orientovar – Que balanço faz de dois anos de experiência?

Professor Sandro Castro – No ano passado não foi fácil, porque foi apenas em Novembro que fiquei com o Grupo de Desporto Escolar. A modalidade era quase uma ilustre desconhecida, não tínhamos mapa de Ermesinde e não houve grande possibilidade de divulgar a Orientação entre a comunidade escolar. A maior parte dos alunos era das minhas turmas e, do contacto com os colegas, consegui atrair para o Grupo mais uns poucos. Entretanto, este ano ficou definido que logo no início das aulas iríamos fazer uma semana de Orientação. Todas as turmas da Escola tiveram uma parte teórica e uma parte prática, na própria Escola. Esta iniciativa culminou com as comemorações dos 40 anos da Escola Secundária de Ermesinde e fizemos uma prova em redor da Escola, na qual estreámos o mapa de Ermesinde, da autoria de Carlos Lisboa.


“O grande problema são as notas escolares”

Orientovar – Como é constituído o Grupo-Equipa de Orientação?

Professor Sandro Castro – O Grupo é constituído por cerca de 20 alunos, fundamentalmente dos escalões Juvenil e Júnior. Tenho quatro Iniciados apenas e a maioria dos elementos são do sexo masculino, só tenho três raparigas.

Orientovar – Mas sente que estão motivados?

Professor Sandro Castro – Motivados estão, a disponibilidade é que nem sempre é a desejável. O grande problema são as notas escolares. Muitos pais não deixam vir os miúdos aos treinos, principalmente ao fim-de-semana, mais ou menos por castigo, esquecendo-se que aqui estariam melhor do que em casa. Depois também não é fácil pedir a miúdos que se levantam sempre muito cedo, que o façam também ao fim-de-semana. Ou seja, aos fins-de-semana consigo ter nos treinos apenas seis ou sete miúdos.


“A Escola apoia, o Director interessa-se”

Orientovar – Quer falar-me dos treinos? Como é que faz a gestão do tempo e onde decorrem habitualmente?

Professor Sandro Castro – Habitualmente marco dois treinos durante a semana. Se temos treino ao sábado, à semana faço apenas um dos treinos. O nosso horário é sempre após as 18h30, o que representa um problema, sobretudo no Inverno. Mas a Escola não nos permite treinar noutro horário. Os treinos são físicos ou então fazemos um percurso formal dentro da própria Escola. Nesse caso procuro variar, fazemos treino de “memória” ou com “loops”. Este ano já levei os miúdos a Braga, a Santo Tirso, a Ovar. Já fomos por várias vezes ao Parque da Cidade e eles mostram muito interesse. Agora vamos a ver quando surgirem as provas se essa motivação se vai manter.

Orientovar – Quem está consigo nesta "guerra"?

Professor Sandro Castro – A Escola apoia, o Director interessa-se, pergunta sempre como decorreu o treino no fim-de-semana. A ajuda fundamental, porém, é do Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos, que para além dos mapas e dos materiais, ainda facilita por vezes a disponibilização do transporte para os miúdos. Procuro cativar os meus colegas, mas também eles são pais e os filhos têm as suas próprias actividades. Em contrapartida, lá vou conseguindo que um ou outro pai dos meus alunos se mostre interessado, venha às provas e faça até um percurso formal.


“Só preciso é de cativar mais miúdos”

Orientovar – Que avaliação faz dos Quadros Competitivos de Orientação do Desporto Escolar?

Professor Sandro Castro – Penso que, duma forma geral, as escolas do Sul têm miúdos que praticam Orientação há muito mais tempo, muitos deles são federados e isso constitui uma vantagem considerável em relação às outras escolas. Têm mais mapas disponíveis, têm um apoio maior por parte dos respectivos clubes e, se calhar, até do próprio Centro da Área Educativa. O CAE Braga fez prova de abertura, mas o CAE Porto, por exemplo, não fez. A situação de crise em que vivemos também não ajuda.

Orientovar – Motivado para prosseguir com o seu projecto?

Professor Sandro Castro – Claro que sim. Só preciso é de cativar mais miúdos. Isso passa por incluir no projecto de desenvolvimento deste Grupo-Equipa de Orientação os miúdos da EB 2,3 S. Lourenço, uma Escola que fica em frente à nossa e onde se pode fazer um bom trabalho de base com alunos que depois transitarão, normalmente, para a Escola Secundária de Ermesinde. Espero que em Abril possa começar com o trabalho de sensibilização para que, no início do próximo ano lectivo, esta ideia se concretize.










Para saber mais sobre a Escola Secundária de Ermesinde consulte http://w3.secermesinde.net/.

[fotos gentilmente cedidas por Professor Sandro Castro]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...




1. A Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência e a Federação Portuguesa de Orientação acabam de firmar um Protocolo de Colaboração, assente no apoio técnico e desportivo entre as ambas as instituições. “Este protocolo celebrado entre a FPDD e a FPO repercute um entendimento de um esforço conjunto no âmbito do desporto adaptado nos diversos domínios de intervenção, que vão da Prática Desportiva à Formação”, pode ler-se no documento. Este é o “protocolo que tardou mais de uma década”, sublinham os responsáveis da Federação Portuguesa de Orientação na sua página – www.fpo.pt -, realçando a abertura de “perspectivas plenas” para o desenvolvimento da Orientação de Precisão em Portugal.

2. Prova de abertura da Taça de Portugal de Orientação Pedestre 2011, o I Coruche Orienteering Trophy aproxima-se a passos largos e as novidades não param de cair. Para além da criação dos escalões de competição H/D11, segundo as indicações do Regulamento de Competições 2011 da FPO, a organização do evento acaba de divulgar a realização do Model Event na sexta-feira, dia 7 de Janeiro, entre as 12h30 e as 16h00. A prova terá lugar num mapa novo – Lamarosa Sul –, junto ao mapa da etapa de Distância Média e as inscrições são gratuitas. Não perca esta excelente oportunidade e prepare-se para rumar a Coruche umas horas antes. Vai valer bem a pena. Informações completas em http://www.coaclub.com/cot11.

3. Também o I Meeting de Orientação de Gouveia já mexe, e de que maneira. Depois da publicação do Boletim nº 1 em três línguas (português, espanhol e inglês) a organização da prova está apostada em “passar da teoria à prática”, com a presença de alguns atletas estrangeiros. Assim, são fortes as probabilidades de vermos em acção, na Serra da Estrela, alguns dos bons valores da Orientação mundial. De acordo com Miguel Reis e Silva – no seu blog, AQUI - entre os atletas que tencionam rumar a Gouveia no primeiro fim-de-semana de Fevereiro, estão o romeno Ionut Zinca, a selecção austríaca e… o Campeão do Mundo de Distância Longa em título, o norueguês Olav Lundanes!

4. A Direcção Regional de Educação do Alentejo acaba de publicar a “Revista Alentejo Educação – Évora 2010” - http://documentos.drealentejo.pt/Revista_Alentejo_Educacao_2010.pdf – e onde um dos destaques vai para a Orientação. Apesar de ter decorrido um ano e meio sobre uma das maiores proezas da Orientação ao nível do Desporto Escolar, sabe sempre bem recordar os títulos de Vice-Campeãs do Mundo de Inês Catalão e das Juvenis Femininas da EB 2,3/S Cunha Rivara (Arraiolos), Ana Coradinho, Ana Salgado, Ana Tomás, Inês Pinto e Rita Rodrigues. Tudo para ler nas páginas 72 e 73 da publicação da DREAlentejo.



5. Diz que é “mais um mapa, mais um desterro!” Mas será que é apenas mais um blog? A fazer fé nas primeiras amostras, a resposta é, claramente, “não”. Luís Sérgio acaba de se “fazer ao mar dos blogs”, dando-nos a ver preciosos “retalhos da vida dum cartógrafo e praticante de Orientação, para memória futura”. Alojado em http://maisummapa.blogspot.com/, este diamante conta já com treze mensagens em cinco semanas de vida, nele se podendo encontrar desde as abordagens a que o cartógrafo está sujeito, aos achados tenebrosos na floresta relacionados com os rituais de magia negra ou a um genial “Orientação – Desporto com Pés e Cabeça?”. Pelo meio, entre outros, uma deliciosa reportagem fotográfica intitulada “Folgosinho on ICE”, também “cogumelos para todos os gostos”, um vídeo de “escaravelho a empurrar bosta” e a recuperação de apontamentos fotográficos do II Open ATV Óbidos – Peniche, numa montagem que é em si mesmo um desafio: “Onde está o Wally?”. Apesar da advertência – “não esperem muitos desenvolvimentos” - a coisa promete. Pela cuidado, sinceridade e sensibilidade da proposta, pela entrega e pela partilha, para o Luís Sérgio vai, com uma nota de gratidão e sincero reconhecimento, o Louvor da Semana!


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

OS VERDES ANOS: MARTA FERREIRA





Olá,

Chamo-me Marta Ferreira, tenho 17 anos e nasci em Lisboa, no dia 23 de Setembro de 1993. Durante estes anos tenho vivido em Colares, Sintra, e actualmente estudo na Escola Secundária de Santa Maria onde estou matriculada no curso de Ciências e Tecnologias, do qual gosto muito.

A minha carreira enquanto atleta começou aos 7 anos na Natação de competição e durou até aos 13 anos. Hoje em dia penso que se não tivesse abandonado a competição, poderia ter um bom futuro nesta modalidade. Mas depois descobri a Orientação que tudo mudou…

Lembro-me que uma vez, no 7º Ano, estava a ter uma aula de Educação Física na Escola da Sarrazola e dirigi-me à minha professora, Avelina Alvarez, visando dizer-lhe que tencionava entrar para o Grupo de Orientação. Devo referir que, na altura, não sabia o que estava a fazer, pois só tinha participado com o meu pai numa prova organizada pelo CAOS quando era muito pequenina. Mas a partir daí comecei a participar em algumas provas do Desporto Escolar e em OriJovens, a gostar cada vez mais de Orientação. Foi então que me federei pelo CPOC, tendo obtido excelentes resultados em Infantis e Iniciadas.

Uma experiência que eu nunca irei esquecer foi a minha participação no Mundial de Desporto Escolar ISF de Orientação em 2008, na Escócia, onde alcançámos um incrível 3º lugar por equipas, em Iniciadas. Este acontecimento deixou-me bastante orgulhosa de mim mesma, visto ter sido a segunda a contar para a nossa classificação final (a primeira foi a minha grande amiga Vera Alvarez)! É claro que devo todo o meu sucesso à professora Avelina Alvarez que me motivou e incentivou a treinar arduamente durante as horas de almoço com a Vera.

Em 2009 participei também nos mesmos Mundiais, em Madrid, mas desta vez pela Selecção, em Juvenis, pois tinha mudado para a outra Escola e não conseguimos o apuramento por Equipas. Na verdade, esta experiência não foi tão inesquecível quanto a outra, mas também já estava um pouco desmotivada nesta altura.

Decidi então fazer uma pausa na Orientação durante o ano passado devido às más classificações em Juvenis e com o objectivo de melhorar as minhas notas no 11º ano. Hoje apercebo-me que foi um erro terrível que cometi, pois a Orientação é algo que gosto de fazer, independentemente dos resultados que obtenho. Além disso, os fins-de-semana na prática deste desporto permitem-nos conviver com os amigos, contactar com o ar puro da floresta e até descontrair do stress da Escola.

Por isso, irei regressar de cabeça erguida, não para tentar chegar aos lugares de pódio (se conseguir, ainda melhor!), mas sim para fazer o que eu realmente gosto, pois é isso que interessa. Mas quem sabe… poderei voltar a ver a Orientação de uma forma mais competitiva, mas antes disso há ainda muito para aprender, pois há sempre algo que desconhecemos, quer tecnicamente quer experimentalmente.

Eu aprendi que a Orientação é um desporto espectacular e que não é digno de ser dispensável na minha vida! E na vossa?

Marta Ferreira
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domingo, 19 de dezembro de 2010

HIGINO ESTEVES: A ORIENTAÇÃO TEM TODAS AS POTENCIALIDADES PARA SE AFIRMAR COMO O DESPORTO DO SÉCULO XXI EM PORTUGAL!




No dia em que se comemora o 20º aniversário da Federação Portuguesa de Orientação, o Orientovar abre espaço a uma rubrica intitulada “FPO – 20 Anos”. Periodicamente, aqui se darão a conhecer memórias e documentos, ideias e opiniões daqueles que ajudaram a construir e a consolidar a nossa Orientação. Temos a honra de abrir esta rubrica com Higino Esteves, Presidente da Federação Portuguesa de Orientação de 1994 a 2002 e uma figura incontornável na história da modalidade em Portugal.


Orientovar - Tomou sobre os ombros os destinos da FPO entre 1994 e 2002. Nesses tempos, quais os grandes desafios que se colocavam à Orientação?

Higino Esteves - O grande desafio que se colocava era, sem dúvida, a divulgação junta da Sociedade Civil, nomeadamente nas Escolas, e a implantação da Orientação como modalidade desportiva, com eventos de qualidade e que atraíssem praticantes em todo o território nacional. Cumpre lembrar que, em 1994, apenas quatro clubes estavam filiados na FPO: ANORT, ASORT, CIMO, AA MAFRA. A Orientação estava a dar os primeiros passos a nível nacional e o esforço no âmbito da divulgação foi enorme, a maioria das vezes à custa da boa vontade e a expensas dos próprios formadores. A minha colaboração com a FPO havia começado em 1991, quando o seu primeiro presidente, Camilo Mendonça, me convidou para coordenar o Departamento de Formação. Corríamos Portugal de lés-a-lés a dar Cursos e Acções de Formação em Escolas, Colectividades, Associações de Bombeiros, etc.

Tratámos pois, a partir de Março de 1994, de dar seguimento ao trabalho que vinha sendo desenvolvido no âmbito escolar (área onde Camilo Mendonça desenvolveu, na minha opinião, um trabalho meritório na génese do desenvolvimento da modalidade) e, ao mesmo tempo, pusemos em andamento o primeiro Campeonato Nacional de Orientação (o que hoje se designa por Taça de Portugal), com um conjunto de eventos que a FPO passou a apoiar com vista a elevar a qualidade organizativa dos mesmos. Ao mesmo tempo impunha-se a congregação, em torno da FPO, do trabalho que ia sendo feito por iniciativa de alguns voluntários e clubes. Lembro-me particularmente do Ori-Estarreja, que na época já vinha fazendo um trabalho meritório, mesmo antes de qualquer ligação à Federação.


“Começámos a dar provas que foram sendo
reconhecidas pela Administração Pública”

Orientovar - Como era, nessa altura, o dia-a-dia da FPO?

Higino Esteves - Os primeiros tempos foram muito difíceis. Precisávamos de uma Sede, de um telefone, um fax, um computador, de um técnico a tempo inteiro, de um serviço administrativo, de uma viatura pintada de branco e laranja… Quanto a Sede, não só não a tínhamos como não possuíamos verbas para suportar uma renda mensal. Valeu a boa vontade da Direcção dos Amigos do Atletismo de Mafra, que nos cederam um pequeno espaço da sua Sede. Um ano depois, em Março de 1995, inaugurávamos a Sede da FPO no local onde hoje ainda funciona. Foi um momento importante, que coincidiu com a realização do Mafra O’ Meeting (que no ano seguinte passou a designar-se Portugal O’ Meeting) e que contou com a presença do então Secretário-Geral da IOF, Lennart Levin, bem como dos Dirigentes dos Clubes – que nessa altura julgo eram já 14 ! - e de vários representantes das entidades desportivas nacionais. Começámos a dar provas que foram sendo reconhecidas pela Administração Pública e que possibilitaram apoios com vista à contratação de dois técnicos e uma funcionária administrativa e a FPO passou a funcionar como uma Federação Desportiva ao serviço dos praticantes e também, e muito, dos potenciais praticantes.


“O pior… A falta de lealdade
e de honra à palavra dada”

Orientovar - Fazendo apelo às suas memórias, entre momentos seguramente muito bons e menos bons, quais aqueles que mais o marcaram?

Higino Esteves - Os bons, por ordem cronológica. Participação no Congresso da IOF, em Julho de 1996, em Jerusalém (primeira foto abaixo), para onde o Francisco Pereira, então Presidente da Mesa da Assembleia-Geral da FPO e eu fomos defender três tímidas candidaturas portuguesas: A minha candidatura a membro do Conselho da IOF (nunca um latino havia sido eleito); a candidatura para a realização, em Portugal, do Congresso da IOF comemorativo do Centenário Mundial da Orientação; e a candidatura para a realização, também naturalmente em Portugal, da Final da Taça do Mundo 2000. Apesar da elevada concorrência de algumas grandes potências mundiais da nossa modalidade, com alguma (grande!) surpresa nossa, ganhámos as três candidaturas! Portugal estava, definitivamente, no Mapa da Orientação Mundial! Depois recordo também a fundação da Confederação Brasileira de Orientação, em 11 de Janeiro de 1999 (segunda foto abaixo). Estive lá em representação da IOF, mas naturalmente também como Presidente da FPO e foi com muita satisfação e orgulho que vimos nascer uma organização que viria a permitir o melhor desenvolvimento da Orientação num País irmão e com quase 200 milhões de pessoas a falar português. Também a vitória do Joaquim Sousa na Taça dos Países Latinos, em Outubro de 1999. Foi o primeiro grande resultado internacional de Portugal na categoria Elite, numa altura em que estávamos ainda numa fase embrionária do desenvolvimento de projectos para a Alta Competição.

O pior… A falta de lealdade e de honra à palavra dada, por parte de dirigentes da Administração Pública Desportiva no apoio a conceder à FPO para a realização do Congresso da IOF comemorativo do Centenário Mundial da Orientação. Os Planos de Actividades e Orçamentos são para o ano seguinte e nós necessitávamos, em 1996, de garantias de apoio para este evento a realizar em 1998. Incentivados pela Administração Pública Desportiva, e prometido que estava o necessário apoio financeiro, avançámos com a candidatura. Ganhámos. Organizámos um Congresso memorável, em cuja Cerimónia de Encerramento esteve presente o Senhor Secretário de Estado do Desporto e, depois, o apoio financeiro não foi atribuído, o que veio a originar grandes dificuldades orçamentais à modalidade.


“Tive o privilégio de trabalhar
com uma Equipa de Gigantes”

Orientovar - Em 2002, na altura do adeus, qual era o seu estado de espírito?

Higino Esteves - O meu estado de espírito era de satisfação pelo dever cumprido e de confiança plena no futuro da Orientação. Tive o privilégio de trabalhar com uma Equipa de Gigantes. Como pessoas, como dirigentes desportivos, como atletas de Orientação.
Fui eleito Presidente da Mesa da Assembleia-Geral na mesma lista em que Augusto Almeida era eleito Presidente da FPO o que, de certa forma, significou para mim que os Dirigentes e Praticantes reconheciam o nosso trabalho. Fiz muitos amigos na Orientação e, apesar de em determinados momentos, termos tomado decisões menos “populares”, não tive nem tenho nenhum inimigo. Nem na Orientação, nem no Mundo!

Orientovar - De que forma acompanhou a evolução da Orientação em Portugal nos oito anos seguintes?

Higino Esteves - Devido à minha ausência de Portugal durante três anos, perdi a ligação ao quotidiano da modalidade. Mas sempre fui acompanhando as coisas pela internet e, claro, pelo contacto com alguns grandes amigos, principalmente a Isilda Santos e o Luís Sérgio, e foi sempre com muita alegria que vi a modalidade crescer, amadurecer e começarem a despontar novos talentos.


“Já não ouvimos tão amiúde a pergunta
‘O que isso da Orientação?’ ”

Orientovar - Comparativamente ao "seu" tempo, quais as grandes diferenças para a Orientação de hoje?

Higino Esteves - Sem dúvida, o enorme crescimento do nível competitivo nas diversas categorias e disciplinas da Orientação, com particular relevo para a Orientação em BTT. Mas também a elevada qualidade técnica dos grandes eventos organizados em Portugal e a organização e a qualidade do trabalho de diversos clubes nacionais, os quais demonstram uma maturidade e um “profissionalismo” muito elevados, não estando já dependentes dos orçamentos e apoios da FPO. Vejo com grande alegria a participação dos nossos atletas e clubes em provas por esse Mundo fora, em campos de treino, em intercâmbios com clubes de outros Países. Isto era um sonho que tínhamos desde 1994, quando dois orientistas e eu agarrámos nos equipamentos de Orientação e duas tendas de campismo e fomos participar nos 5 Dias da Suécia (terceira foto abaixo). Lembro, com alguma emoção, as conversas que tivemos na época: “Há-de chegar o tempo em que muitos portugueses participarão em eventos destes por essa Europa fora”. Estas participações não dependentes de apoios ou iniciativas da FPO e a autonomia e vontade de clubes e atletas têm um significado enorme para o crescimento da Orientação em Portugal.

Orientovar - Que avaliação faz do momento presente da Orientação em Portugal?

Higino Esteves - A modalidade está implantada em Portugal. Já não ouvimos tão amiúde a pergunta “O que isso da Orientação?” O nível competitivo dos nossos atletas nas diversas disciplinas está a crescer de forma exponencial. Os desafios para a actual Direcção são grandes, porquanto já atingimos um nível organizativo que é irreversível e que tem que continuar a evoluir positivamente. Temos que “democratizar”, dentro da FPO, a importância das diversas disciplinas da modalidade. Orientação de Precisão, Orientação Pedestre, Corridas de Aventura ou Orientação em BTT são disciplinas que merecem igual atenção para um crescimento sustentado e que nunca originem cisões no seio da Orientação Portuguesa.


"A Orientação tem todas as potencialidades
para se afirmar como
o Desporto do século XXI em Portugal!"

Orientovar - Numa altura em que a FPO comemora 20 anos, que espécie de emoção isto lhe causa, tendo em conta que foi uma peça fundamental em todo o processo evolutivo?

Higino Esteves - É um aniversário em que comemoramos o suor e as lágrimas (de alegria ou de desalento) de todos quantos dedicaram e dedicam muito do seu tempo, esforço e saber à Orientação em Portugal.

Orientovar - Que perspectivas se abrem ao futuro da Orientação em Portugal?

Higino Esteves - Temos que permitir e até incentivar a ligação Atleta/Federação, sem descurar o papel dos Clubes, mas de modo a que todos se sintam parte de um processo. Os Dirigentes da FPO não são, nem podem ser, políticos distanciados do cidadão. Temos que evitar e, quando necessário, até corrigir, palavras como “eles lá na Federação…”. A Federação Portuguesa de Orientação é uma Instituição aberta a todos os Atletas, Técnicos e Dirigentes e, como tal, é “património” de todos nós. Os índices de prática desportiva em Portugal continuam a crescer e a Orientação tem todas as potencialidades para se afirmar como o Desporto do século XXI em Portugal!






[Fotos gentilmente cedidas por Higino Esteves]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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IRONIR ALBERTO EV: "SER ORIENTISTA É SER UMA PESSOA PREOCUPADA COM O MEIO AMBIENTE"




Ironir Alberto Ev é, na actualidade, um dos nomes mais sonantes da Orientação brasileira. É ele o convidado do mês neste cantinho de mãos dadas com o Brasil.


Nascido a 10 de Julho de 1979, na cidade de Taquara, Estado do Rio Grande do Sul, Ironir Alberto Ev teve o primeiro contacto com a Orientação há quatro anos apenas. Anteriormente, a sua grande paixão eram as corridas de rua, sendo frequentador assíduo de provas longas, nomeadamente meias-maratonas e maratonas. Apesar de curta, a sua carreira na Orientação conheceu já alguns momentos altos, destacando-se a vitória nos “5 Dias do Brasil 2010” e um punhado de excelentes resultados, sobretudo nas provas de Distância Longa, onde faz valer a sua excelente condição física. Ocupa a 275ª posição no ‘ranking’ mundial da IOF, em cuja tabela é o segundo atleta brasileiro melhor cotado, imediatamente atrás do incontornável Leandro Pereira Pasturiza.

Ironir Alberto Ev reside actualmente na cidade de Santigo, é militar do Exército brasileiro e define-se a si próprio como “uma pessoa muito tranquila”. Gosta de treinar e de competir, de conversar com os amigos e de aproveitar as folgas para ficar com a família e passear na floresta, observando os animais e os pássaros. É absolutamente contra todo e qualquer tipo de caça e fica muito triste face à falta de civismo das pessoas que não têm qualquer pudor em desfazer-se do seu lixo na rua ou na floresta.


“Ser orientista é ser uma pessoa
preocupada com o meio ambiente”

Orientovar - Veio das corridas populares, mas quando “caiu” há quatro anos na Orientação nunca mais a largou. Foi amor à primeira vista?

Ironir Alberto Ev - Eu diria que sim, que foi amor à primeira vista. Eu tinha um pouco de medo de não entender os mapas, mas tive óptimos professores e iniciei a prática da Orientação em áreas conhecidas, o que serviu para ganhar confiança. Pulei algumas etapas e fui directo para a Elite, o que nem foi tão mau no início devido à minha boa condição física. Acho que aquilo que me agarrou na Orientação foi o diferencial que ela tem, ou seja, é você contra você mesmo, superando os seus limites e sem desconcentrar um só segundo. Ainda tenho um pouco de dificuldade no que respeita à concentração, mas estou buscando melhorar nesta parte para que não perca tanto tempo num único ponto.

Orientovar - O que significa para si ser orientista e qual a importância que a Orientação tem na sua vida?

Ironir Alberto Ev - Para mim, ser orientista é ser uma pessoa preocupada com o meio ambiente, preocupada em manter as nossas florestas, os nossos mananciais hídricos e as nossas cidades limpas, para que no futuro nossos filhos e netos possam praticar este desporto num ambiente limpo e despoluído. A Orientação é muito importante para mim, pois através dela aprendi que podemos viver em harmonia com a natureza. Para além disso, foi na Orientação que construí grandes amizades e que são o bem mais valioso que tenho.


“Competir com os melhores
fortalece-nos e motiva-nos sempre mais”

Orientovar - Como avalia o seu percurso na Orientação?

Ironir Alberto Ev - Como já referi anteriormente, comecei na Elite. Talvez isto possa ter-me atrapalhado um pouco, pois saltei alguns passos importantes. Mas por outro lado, julgo que não estaria ao nível a que estou hoje se não tivesse começado desta forma. Acho que uma das minhas melhores qualidades é a boa forma física e, se às vezes perco um pouco de tempo por conta da parte técnica, a preparação física compensa. A minha evolução é notável pois em 2008 disputei o meu primeiro Campeonato Brasileiro e fiquei em 18º lugar. No ano seguinte já fui o 6º classificado e este ano terminei em 4º, destacando o facto de, nas três provas de Distância Longas, ter ganho duas e ficado em 2º lugar na outra.

Orientovar - Apresenta no seu currículo alguns títulos bem saborosos e era, ainda há uns dias atrás, o atleta brasileiro melhor classificado no ‘ranking’ da IOF. Quer-me falar de alguns resultados na sua carreira que tenham um sabor especial?

Ironir Alberto Ev - Considero importantes todos os resultados que obtive até hoje, porque cada um é uma etapa diferente e, em todas as provas, dei sempre o meu máximo. Mas os resultados alcançados no O-Ringen, nos Campeonatos do Mundo de Orientação Pedestre e nos Mundiais Militares têm um diferencial, pois estão lá os melhores do Mundo e competir com os melhores fortalece-nos e motiva-nos sempre mais.


“Isto vem mostrar que uma prova
só termina quando passamos a linha de chegada”

Orientovar – Falou dos Campeonatos do Mundo e também do O-Ringen. O que retirou dessas experiências?

Ironir Alberto Ev - Foram experiências incríveis que não esquecerei jamais. Pude correr ao lado de grandes atletas. Aproveitei para observar como eles se orientam na floresta e fiquei impressionado com a facilidade como progridem naquele terreno da Suécia, que na minha opinião é o terreno mais difícil onde já corri.

Orientovar - Já conseguiu ultrapassar aquele “mp” da prova de Distância Média WRE e que lhe roubou o título de Campeão do último Sul-Americano ou ainda lhe está “atravessado na garganta”?

Ironir Alberto Ev - Procuro não pensar muito nisso, mas superado ainda não está. Acho que me vai acompanhar por um longo tempo, mas vou lembrar-me para que sirva de lição e não volte a acontecer novamente. Isto vem mostrar que uma prova só termina quando passamos a linha de chegada e naquele dia eu desliguei no penúltimo ponto. Não olhei mais para o mapa, achei que era ir só para a chegada. Na minha opinião, aquele ponto era desnecessário, pois era do lado da chegada e já tinhamos chegado duas vezes no mesmo local, na Classificatória e na Final do Sprint. Foi uma armadilha na qual vários atletas caíram.


“Acho que devíamos implementar
a Orientação nos currículos escolares”

Orientovar - Que avaliação faz do actual estado da Orientação no Brasil?

Ironir Alberto Ev - A Orientação no Brasil está a crescer a cada ano que passa. O nível dos atletas está muito melhor e só as organizações de alguns eventos ainda estão deixando a desejar. Não é certamente o caso da organização do Sul-Americano, pois essa estava óptima. Mas tivemos outras competições nacionais que teria sido melhor que não tivessem acontecido.

Orientovar - Que medidas poderiam ajudar a que a Orientação crescesse mais e se afirmasse junto das populações, tanto no seu país como a nível mundial?

Ironir Alberto Ev - Acho que devíamos implementar a Orientação nos currículos escolares, não para obrigar a prática deste desporto, mas para dar oportunidade às crianças de conhecerem uma modalidade que desenvolve vários atributos no ser humano e ensina também a respeitar a natureza e a preservá-la. No Brasil já vêm sendo desenvolvidas algumas ações nesse sentido e o município de São Gabriel, no Rio Grande do Sul, já aprovou a inclusão da Orientação nas suas escolas.


“O que está faltando são mais apoios”

Orientovar - Para quando um atleta brasileiro no top-100 mundial?

Ironir Alberto Ev - Eu diria que o Brasil já tem atletas em condições de alcançar o top- 100 mundial. O que está faltando são mais apoios, pois não competimos muito na Europa e com isso não subimos no ‘ranking’. Quando começarmos a competir mais, ganharemos mais experiência nos terrenos europeus. Este ano, com o apoio da Comissão Desportiva Militar do Brasil, conseguimos ficar um mês na Europa, a treinar e a competir. Os nossos resultados superaram as expectativas e tivemos quatro atletas classificados abaixo do 100º lugar na Geral do O-Ringen.

Orientovar - Em Julho de 2011, a cidade do Rio de Janeiro vai receber os 5º Jogos Mundiais Militares CISM, sendo a Orientação uma das 20 modalidades que compõem o programa. Vamos poder ver o Ironir e a selecção brasileira no pódio dos Jogos?

Ironir Alberto Ev - Estamos treinando forte e vamos fazer tudo para que isso aconteça. Existe em todos uma forte motivação e podem ter a certeza que daremos o máximo até ao último minuto.


“Pretendo levar a Orientação a muitas pessoas”

Orientovar - Qual o grande objectivo para a próxima temporada?

Ironir Alberto Ev - O objetivo para a próxima temporada é melhorar. Se na próxima temporada obtiver melhores resultados do que nesta, já ficarei satisfeito pois saberei que melhorei o meu rendimento.

Orientovar - Até quando vamos poder vê-lo ligado à Orientação?

Ironir Alberto Ev - Espero poder praticar este desporto por muito tempo. Ainda não pensei em parar e pretendo levar a Orientação a muitas pessoas. Gostaria apenas de agradecer a todos aqueles que me incentivaram neste desporto e que ainda continuam a incentivar-me.


  



Consulte o perfil de Ironir Alberto Ev no World of O e na página da Federação Internacional de Orientação.

[Fotos gentilmente cedidas por Ironir Alberto Ev]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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sábado, 18 de dezembro de 2010

ALEXANDRA COELHO, UMA MULHER NA PRESIDÊNCIA




Descobriu a Orientação numa conversa entre amigos, ingressou nas fileiras do CPOC em Março de 2003 e é, desde o passado dia 1 de Dezembro, Presidente da Direcção do Clube. Falamos de Alexandra Coelho, Mulher com ‘M’ grande e a nossa convidada de hoje.


Orientovar - Alguma vez tinha pensado em vir a ocupar um lugar de topo no dirigismo desportivo ao nível de clubes?

Alexandra Coelho - Não, nunca. Algumas vezes, na brincadeira, disseram-me que eu poderia assumir um cargo de dirigente. A minha resposta foi sempre uma gargalhada e a afirmação "nunca na vida"! Mas a vida é mesmo assim, prega-nos algumas partidas que levam a surpreendermo-nos.

Orientovar - Na sua opinião, porque motivo a Orientação, onde o número de praticantes do sexo feminino é bastante elevado comparativamente a outras modalidades, tem tão poucas mulheres à frente dos clubes?

Alexandra Coelho - Há quanto tempo surgiram as primeiras dirigentes femininas? O sector masculino é historicamente mais experiente nestas áreas. O dirigismo feminino, no sector desportivo, é ainda pouco representativo, mas aos poucos as senhoras têm conquistado o seu espaço e penso que num futuro próximo esse desequilibro desaparecerá.


"Senti que o clube precisava de mais dinamismo”

Orientovar - Foi "empurrada" para presidência do CPOC ou era algo que já vinha a preencher os seus horizontes há algum tempo?

Alexandra Coelho - Não sei se "empurrada" será o termo correcto, mas a resposta é sim. Não, não estava nos meus projectos, nem nunca tinha pensado nisso. Mas na sequência da Vice-Presidência, na anterior direcção, senti que o clube precisava de mais dinamismo e neste momento era a pessoa com mais disponibilidade e com maior conhecimento do funcionamento do clube, para dar continuidade.

Orientovar - Quer-me falar da equipa que tem consigo e quais as linhas mestras do vosso projecto?

Alexandra Coelho - Com esta equipa, sinto que tenho as pessoas certas nos lugares certos. É uma equipa jovem e na qual deposito a minha esperança para dar continuidade no futuro. Uma das condições que impus para avançar com este projecto foi ter o apoio dos "históricos" do clube. Garantido esse apoio, senti confiança para avançar e aos poucos ir passando os conhecimentos e experiência para os mais novos, de modo a renovar a equipa sem grandes sobressaltos. O nosso primeiro objectivo é o I Meeting de Orientação de Gouveia. Não é fácil assumir a presidência de um clube a dois meses de organizar uma prova pontuável para a Taça de Portugal, mas sinto que o trabalho está a correr muito bem e estão criadas as condições para ser um bom evento. Passada essa primeira fase, vamos apostar na formação e maior acompanhamento dos atletas, tentando dar-lhes condições para que evoluam e possam atingir os seus objectivos. Em simultâneo, estaremos a preparar mais um grande evento na vertente BTT, pois em Setembro estaremos a organizar novamente uma prova da Taça de Portugal.


“O clube tem pessoas com muito valor”

Orientovar - Qual é, do seu ponto de vista, o grande desafio deste mandato, quer em termos pessoais, quer em relação ao próprio clube?

Alexandra Coelho - Quando o Presidente-Fundador saiu da direcção do CPOC, um amigo disse: "Um clube só passa a ser realmente uma entidade estável quando as rédeas passam para outras pessoas sem que o clube sofra com isso". Esse foi o grande desafio no mandato anterior e que deverá ser consolidado neste mandato. O clube tem pessoas com muito valor e é fundamental que os mais novos renovem e substituam os mais velhos. Pretendemos dar mais apoio aos atletas, proporcionando mais oportunidades de treino e estágios, através de um acompanhamento mais directo que será feito por uma entidade agora criada no clube e que é a Coordenação Técnica de Orientação Pedestre e de Orientação em BTT. As Corridas de Aventura têm sido uma vertente pouco acompanhada no clube mas vamos inverter essa situação e aproximar do meio CPOC'ista os nossos atletas mais ligados às Corridas de Aventura. Isto sem esquecer nunca o objectivo primordial e que consiste em ir ao encontro da vontade dos sócios e proporcionar as oportunidades para que se sintam bem ao praticar Orientação no CPOC.

Orientovar - Pedia-lhe que completasse a frase: "No final do meu mandato, sairei satisfeita e com a consciência do dever cumprido se..."

Alexandra Coelho - ... o grupo estiver coeso e forte, se a qualidade dos eventos que organizamos se mantiver, ou até melhorar, se tiver havido evolução por parte dos atletas, sobretudo dos jovens e, não por último, se sentir que o CPOC continua a ser um grupo fantástico de amigos que adoram a Orientação!


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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