terça-feira, 30 de novembro de 2010

OS VERDES ANOS: DANIEL COSTA




Olá

Sou o Daniel Costa, tenho 14 anos e frequento o 8º ano da escola EB 2,3 Santa Iria de Tomar. O que eu gosto mais de fazer nos meus tempos livres é andar de bicicleta, correr e passear os meus cães com o meu pai e a minha irmã.

Entrei para a Orientação com 13 anos e o meu clube é o COA. Fiquei a conhecer esta modalidade devido ao meu pai me ter levado à Cordinha, ao Campeonato Nacional de Orientação em BTT, em 2008. Eu andava num clube de Aeromodelismo mas ao ter visto o Ori-BTT disse assim: “Isto é mais interessante que os aviões”. E ai, nas partidas, disse logo ao meu pai que queria sair do Aeromodelismo e aprender Orientação.

O meu pai fez-me um porta-mapas para a minha bicicleta e assim comecei a treinar com ele, aos domingos, no mapa da Barquinha. Em casa analisava os mapas das provas onde o meu pai participava para aprender a ler as curvas de nível e a escolher as melhores opções.

A minha primeira prova foi em Carvela, Chaves. Essa prova foi muito atribulada porque logo no sábado de manhã, quando íamos a chegar a Viseu, a carrinha do Clube avariou, com a junta da cabeça queimada. Fomos obrigados a ir a Viseu alugar outro carro para ir para a prova. Depois, nesse dia à noite, ao chegarmos ao Solo Duro que era no quartel dos Bombeiros de Chaves, verificámos que estava cheio. A solução de recurso foi ficar na torre de treinos. O que valeu é que não estava muito frio. Acabei por ficar em 3º lugar e fiquei contente porque não me perdi nem fiz “mp”.

Acho este desporto divinal porque estamos em contacto com a natureza, não é poluente e faz com que seja preciso uma boa conjugação do esforço físico com o mental para se obter uma boa classificação. Nas provas há um excelente ambiente entre todos os participantes, já tenho lá muitos amigos e até parece uma família.

O meu ídolo é o Daniel Marques.

A minha família apoia-me muito, especialmente o meu pai que me incentiva, me repara a bicicleta e me leva com ele às provas.

No próximo ano vou fazer H17 e espero continuar a evoluir, pois ainda tenho muito que aprender.

Daniel Costa
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"THE ORIENTEERING ACHIEVEMENT OF 2010": ESTÁ ABERTA A VOTAÇÃO




À semelhança dos anteriores, 2010 foi um ano recheado de grandes feitos em matéria de Orientação. Agora que a entrada num novo ano se aproxima a toda a velocidade, está na altura de escolher o maior entre os maiores. No ano passado, a vitória sorriu aos suiços Daniel Hubmann e Simone Niggli (na foto). Quem serão este ano os grandes vencedores?


Promovido conjuntamente pelo World of O e Ultimate Orienteering – duas das maiores fontes noticiosas da Orientação mundial – está aí a edição de 2010 do “The Orienteering Achievement”. Cinco grandes “experts” nomearam nove atletas masculinos e oito femininos, cabendo agora aos seguidores de ambas as páginas votarem o melhor em ambos os sectores.

Tal como aconteceu em 2009, os organizadores da votação fazem notar que está em causa a expressão dum resultado ou resultados no seu conjunto e não propriamente aquele que foi, para cada um dos votantes, o melhor orientista do ano. Quer isto dizer que não serão necessariamente as medalhas de ouro que corresponderão ao grande feito do ano.


E os nomeados são…

“The Orienteering Achievement of 2010” – Men

Daniel Hubmann (Suiça)
Fabian Hertner (Suiça)
Frederic Tranchand (França)
Carl Waaler Kaas (Noruega)
Olav Lundanes (Noruega)
Valentin Novikov (Rússia)
Matthias Müller (Suiça)
Andrey Khramov (Rússia)
Anders Nordberg (Noruega)

“The Orienteering Achievement of 2010” – Women

Simone Niggli (Suiça)
Marianne Andersen (Noruega)
Ida Bobach (Dinamarca)
Helena Jansson (Suécia)
Minna Kauppi (Finlândia)
Anni-Maija Fincke (Finlândia)
Emma Claesson (Suécia)
Vroni König-Salmi (Suiça)


Vote através do Orientovar

Agora que os nomeados acabam de ser apresentados, a votação está aberta até ao próximo dia 6 de Dezembro. Os vencedores serão revelados três dias após o fecho das votações. De referir que há prémios à espera dos “votantes sortudos”, desde material Trimtex, o principal “sponsor” da iniciativa, à oferta duma inscrição no Portugal O’ Meeting 2011.

Seguindo o apelo das entidades organizadoras, o Orientovar convida-o a aceder à página da votação a partir daqui. Para tal, basta clicar na imagem abaixo. Se o fizer – e disser aos seus amigos para o fazerem também – talvez possamos todos ter uma surpresa muito interessante no final.



Para mais notícias consulte
http://news.worldofo.com/2010/11/26/the-orienteering-achievement-of-2010/
http://news.worldofo.com/2010/11/29/win-starts-in-popular-events-and-trimtex-prizes/
http://www.ultimate-orienteering.com/?p=3844

[Fotos: Ultimate Orienteering e World of O]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

ORIENTAÇÃO DE PRECISÃO: CIRCUITO ARRANCA A NORTE E PROMETE FAZER HISTÓRIA




Nascido do querer e da bondade do Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos, está aí o I Circuito de Orientação de Precisão “Todos Diferentes, Todos Iguais”. Ao encontro do clube organizador, vamos conhecer hoje o âmbito, propostas e ambições dum evento que promete fazer história.


À semelhança do que aconteceu no ano transacto, a Escola Secundária de Baião recebe uma prova de Orientação de Precisão para assinalar o Dia Internacional da Pessoa Portadora de Deficiência. No próximo dia 03 de Dezembro, a partir das 10h00, pelos recreios, alamedas e polidesportivo da Escola, desfilarão pessoas de mapa e cartão de controlo na mão, numa grande jornada de desporto para todos.

O desafio deste “II Open de Orientação de Precisão de Baião” é simples: Procurar a correspondência entre os pontos assinalados no mapa e aqueles dispostos no terreno. Aos participante pede-se concentração na leitura do mapa e decisões acertadas nos desafios que compõem o percurso. Em troca, está prometida uma bela jornada desportiva, em ambiente fraterno e onde todos – mas mesmo todos -, ainda que diferentes, são iguais!


Entidades organizadoras

Diana Coelho, aluna do 12º Ano da Escola Secundária de Baião, foi a “alma” desta actividade em 2009 e volta a sê-lo este ano. A partir duma cadeira de rodas, a sua visão apurada do mundo que a rodeia levou-a a lançar-se nesta aventura, arrastando consigo o Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos (GD4C) e a Câmara Municipal de Baião, para além da sua própria Escola e do Agrupamento de Escolas de Vale de Ovil, na qual se insere.

Mas o “II Open de Orientação de Precisão de Baião” marca ainda o arranque do I Circuito de Orientação de Precisão “Todos Diferentes, Todos Iguais”, conjunto de provas que, até finais de Maio de 2011, promete levar a Orientação de Precisão a vários municípios do Grande Porto. A Organização do Circuito tem a assinatura do Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos, contando com os apoios das Câmaras Municipais de Baião, Matosinhos, Porto e Vila Nova de Gaia, da Federação Portuguesa de Orientação, do Instituto do Desporto de Portugal e da Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência.


“Esta é uma modalidade à qual o clube sempre procurou ter uma certa ligação”

Para saber algo mais acerca do Circuito, o Orientovar foi ao encontro do grande timoneiro do GD4C, Fernando Costa, também ele, um entusiasta da Orientação de Precisão. Nessa conversa, com tanto de cordial como de simples, ficámos a perceber que “esta é uma modalidade à qual o clube sempre procurou ter uma certa ligação”. Mas se as primeiras experiências neste âmbito, “há cerca de uma década”, acabaram por ser inconsequentes, hoje as coisas perspectivam-se duma forma diferente. As iniciativas têm-se multiplicado, há entusiasmo, os níveis de adesão são satisfatórios e muita da carga logística está ultrapassada visto serem os próprios participantes a “reclamarem” a realização de mais e mais provas.

É neste contexto que podemos enquadrar o aparecimento do I Circuito de Orientação de Precisão “Todos Diferentes, Todos Iguais”. Este resulta, segundo Fernando Costa, “do ‘feed-back’ que fomos recebendo dos participantes em actividades de Orientação de Precisão, realizadas no âmbito das nossas provas regionais e locais.” Com efeito, de acordo com o grande timoneiro do clube da Senhora da Hora, “havia pessoas muito interessadas, verificámos que fazia todo o sentido levar por diante uma actividade mais regular e daí a abraçar um projecto com uma certa dose de ambição foi apenas um pequeno passo.”


“Quisemos envolver vários Municípios na organização do Circuito”

Falando da abrangência do Circuito, o Presidente do GD4C começou por referir uma contrariedade: “Quisemos envolver vários Municípios na organização do Circuito, o que complicou em certa medida as coisas. Quando as coisas se repartem por várias entidades, infelizmente pensa-se logo que aquilo não é só deles e os problemas são maiores do que aqueles que eventualmente surgiriam se nos resumíssemos a um local único.” Mas, no caso do Circuito, “o interesse tinha também a ver com o aproveitamento dos mapas, já que as barreiras naturais ou arquitectónicas fazem com que não sejam muitos os mapas que reúnam condições para levar por diante provas desta natureza. E daí o termos de nos dispersar por vários locais”, conclui.

No ano passado, a Escola Secundária de Baião assinalou o Dia Internacional da Pessoa Portadora de Deficiência com uma actividade de Orientação de Precisão e este ano foi a própria Câmara Municipal de Baião a contactar o GD4C no sentido de ver repetida, no mesmo local, a actividade. “Como percebemos tanto interesse por parte das várias entidades envolvidas, achamos por bem avançar já em Baião com o Circuito de Orientação de Precisão - Todos Diferentes, Todos Iguais”, diz Fernando Costa a propósito da calendarização da primeira etapa já para a próxima sexta-feira, dia 3 de Dezembro.


“Quanto maior for o Calendário, melhor”

Aproveitando a realização em Matosinhos do Grande Prémio dos Reis, uma actividade que tem já muitos anos e que é organizada pela ANDDI – Associação Nacional de Desporto para a Deficiência Intelectual, o GD4C acolheu com entusiasmo a proposta da Câmara Municipal de Matosinhos de incluir no evento uma prova de Orientação de Precisão. Fernando Costa justifica: “Aproveitamos as estruturas montadas e o facto de termos o mapa no próprio local das actividades, pelo que vamos fazer no Parque Basílio Teles a segunda etapa deste Circuito.”

As etapas seguintes inserem-se, tal como aconteceu no ano transacto, nas provas organizadas pelo clube em finais de Abril e início de Maio, distribuindo-se pelos concelhos de Vila Nova de Gaia (Justlog Park Race), Porto (Troféu de Orientação do Porto) e Matosinhos (Troféu Sálvio Nora). Mas Fernando Costa faz notar que “o Calendário não está fechado e este Circuito poderá sofrer ajustamentos e ser melhorado ou ampliado com a eventual inclusão de mais uma etapa.” Para tal, diz, “bastará que haja uma entidade a contactar-nos nesse sentido e que em termos de recursos possamos estar disponíveis para que tal aconteça.” E conclui: “Quanto maior for o Calendário, melhor. Mais competitivo se tornará.”


“O objectivo seria fazer a etapa final no Hospital da Prelada”

Para a etapa final está prometida uma grande festa, embora o seu local não esteja claramente definido. O facto de ainda nos encontrarmos a uma distância considerável do evento faz com que o Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos não esteja muito preocupado com a situação, mas Fernando Costa levanta uma pontinha do véu: “O objectivo seria fazer a etapa final no Hospital da Prelada, com a inauguração dum mapa novo e com a presença de alguns convidados que seguramente poderiam abrilhantar ainda mais esta iniciativa.” Para aquele responsável, fazer recair a escolha no Hospital da Prelada tem uma explicação lógica: “Seria a melhor forma de homenagear o Serviço de Medicina Física e Reabilitação, um dos grandes impulsionadores do movimento de relançamento da Orientação de Precisão em Portugal e responsável pela mobilização da grande maioria de participantes neste tipo de actividades.”

Fazer passar a mensagem é sempre uma tarefa hercúlea, que o Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos enfrenta uma vez mais com determinação. As ferramentas já se encontram on-line, desde um ‘site’ apelativo - http://gd4caminhos.com/eventos/circuito/ - até à página no Facebook - http://www.facebook.com/#!/profile.php?id=100001891673209.


“Uma contribuição decisiva para a afirmação da modalidade no nosso País”

São também várias as parcerias entretanto estabelecidas, quer com entidades públicas como ligadas ao sector privado. Neste particular aspecto, Fernando Costa admite que “ao nível privado, poderá até ser mais fácil encontrar aqui apoios do que na Orientação Pedestre.” A explicação é simples: “O esforço de inclusão e o trabalho com as pessoas portadoras de deficiência está na ordem do dia e há uma grande sensibilidade para esta problemática. Há entidades cuja filosofia se enquadra no apoio a este tipo específico de actividades e compete-nos ir ao seu encontro. Pode não ser um apoio muito substantivo, mas tudo o que vem é bom e o futuro pode ser mais fácil. Sobretudo, cumprimos a nossa missão de dar a conhecer a Orientação de Precisão e o seu enorme potencial inclusivo enquanto modalidade desportiva.”

Numa altura em que a Federação Portuguesa de Orientação parece fortemente apostada em promover a Orientação de Precisão a vários níveis, nomeadamente através da criação da Taça de Portugal no ano de 2012, este Circuito poderá servir, segundo o Presidente do GD4C, de rampa de lançamento para essa grande competição. A sua opinião é a de que o Circuito “é realmente um teste que nos fará perceber as dinâmicas geradas, avaliar implicações aos mais variados níveis e adequar um Regulamento específico. Desta forma, poderemos partir para a criação duma Taça de Portugal com as mais variadas situações devidamente balizadas e os problemas minimizados.” A finalizar, um desejo: “Espero que o Circuito possa dar uma contribuição decisiva para a afirmação da modalidade no nosso País e que em 2012 vejamos concretizado esse enorme desafio que é o de pôr em marcha a Taça de Portugal Orientação de Precisão.”



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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sábado, 27 de novembro de 2010

A MINHA ESCOLA: ESCOLA DE REFERÊNCIA DESPORTIVA JÚLIO-SAÚL DIAS (VILA DO CONDE)




Após um longo interregno, o Orientovar volta de novo à Escola. Neste ano lectivo de 2010/2011, o regresso da rubrica “A Minha Escola” faz-se com uma visita ao Agrupamento Vertical de Escolas Júlio-Saúl Dias, sediado em Vila do Conde. Grande timoneiro do Grupo-Equipa de Orientação desta Escola de Referência Desportiva, o Professor José Mário Baptista faz as honras da casa e ajuda-nos a perceber o actual estado da Orientação na sua Escola… e não só!


Com sede em Vila do Conde, o Agrupamento Vertical de Escolas Julio-Saúl Dias, tem em Júlio Maria dos Reis Pereira o seu patrono. Aqui nascido em 01 de Novembro de 1902, já em adolescente Júlio Maria dos Reis Pereira mostrava uma clara apetência pela cultura, publicando poemas num Semanário da sua terra. Em 1919 matricula-se em Engenharia na Faculdade de Ciências do Porto, concluindo o curso em 1928. Entretanto, matricula-se também na Escola de Belas-Artes dessa cidade, já que a sua paixão eram as belas-artes. No decurso da década de 20 colabora no grafismo de obras de seu irmão, José Régio, desenha para obras deste e para a “Presença”. Pintura, desenho e poesia ocupam os seus interesses nos anos seguintes, expondo por variadíssimas vezes, algumas das quais ao lado de artistas plásticos como Almada Negreiros e Vieira da Silva.

No ano de 1953 expõe as suas obras plásticas em São Paulo, no Brasil e em 1958 vence o primeiro prémio de desenho no IV Salão de Outono do Estoril. Em 1962 é publicada a “Obra poética de Saúl Dias”. Entre 1979 e 1980, realizam-se exposições retrospectivas da sua obra em Vila do Conde, no Museu Soares dos Reis e na Fundação Gulbenkian. Faleceu na sua terra natal em 1983, com 81 anos.


Quem é o Professor José Mário Baptista?

Nascido em Vila do Conde, a 28 de Fevereiro de 1962, José Mário Laranjeira Baptista compara a sua formação – “elemento aqui, outro acolá, ainda outro além…” – a uma prova de Orientação. Possui o Curso de Mecânica (ensino básico), Engenharia Geotécnica, Curso de Qualificação em Ciências da Educação e Curso de Animação Comunitária. “Não é caso de imodéstia, é só para verem que ando aos zig-zag”, diz.

Professor desde 1987/1988, casado e pai de dois filhos, pratica Orientação desde 1993/1994. Para além do Ensino, colecciona entre os seus gostos a Pintura (principalmente bolos - http://boloscompinta.webnode.com.pt/), a Fotografia, caminhar na natureza, e “enfim, viver a vida”. Tudo isto resume aquilo que é, numa única e preciosa palavra: “Feliz”.


“Porque sim!”

Orientovar - Em vez dum professor de Educação Física, aquilo que temos na Escola de Referência Desportiva Júlio-Saúl Dias, à frente do Grupo-Equipa de Orientação, é um professor de… Matemática. Não haverá engano?

Professor José Mário Baptista - Mistério? Engano? Pode parecer, mas não. A história é simples. O meu filho Mário Baptista (alguns orientistas lembrar-se-ão dele) começou a praticar Orientação na Escola Frei João de Vila do Conde, onde eu leccionava. Dado o problema de asma que apresentava (grave na altura) não me senti descansado e comecei a acompanhar os treinos e as provas, embora apenas como espectador. Ainda pelo Desporto Escolar, pelas mãos da Prof. Belém, participou no Portugal O’ Meeting organizado pelo Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos, em Viana do Castelo. Nessa altura o Fernando Costa falou comigo no sentido de ele integrar os 4 Caminhos. Daí até eu também seguir o mesmo caminho foi um piscar de olhos. Entretanto, na Escola, o professor responsável pelo grupo de Orientação passou à reforma e a escolha para o novo professor recaiu sobre mim. A medo aceitei. Fiz a formação inicial e avançada, dada pelo Fernando Costa sob a égide da Federação Portuguesa de Orientação e cá estou. E assim acaba o mistério.

Orientovar - No âmbito do Desporto Escolar, qual o porquê da Orientação ser uma modalidade tão especial?

Professor José Mário Baptista - Apetece-me dizer como alguns alunos, utilizando a resposta padrão: Porque sim! No entanto, comparando com outras modalidades, diria que a diversidade de locais de treino e de competição é o que torna tão atractiva esta modalidade, relativamente a outras do Desporto Escolar. Nós estamos sempre a variar, enquanto um Pavilhão é, no essencial, igual a qualquer outro. Quanto à vida escolar, o desenvolvimento de competências cognitivas e de decisão (que se treinam / desenvolvem como em nenhuma outra modalidade) são uma mais-valia, pelo que recomendo vivamente esta modalidade. A fruição do meio ambiente, não sendo exclusiva da Orientação, é outro ponto importante. Saliento a possibilidade de participação dos pais, que podem fazer Orientação nas mesmas condições que os filhos. Não são assim meros participantes de “bancada”.


“Tenho conseguido motivar alguns novos alunos a integrar o grupo”

Orientação - Como é que a Orientação está de saúde na Júlio-Saul Dias?

Professor José Mário Baptista – Do meu ponto de vista, apesar de ser sempre mais simples para um professor de Educação Física, que pode começar o ano lectivo com a iniciação à modalidade e assim conseguir novas fornadas de participantes, tenho conseguido motivar alguns novos alunos a integrar o grupo, pelo que entre saídas e entradas, tenho anualmente uma média de 25 inscritos, sendo 20 regulares. Como os treinos são ao Sábado de manhã, o que traz vantagens, tem a desvantagem de não permitir a participação de muitos alunos, que já estão sobrecarregados com outras actividades, pois Vila do Conde é rica em clubes e actividades. Em termos de faixa etária, temos no Grupo contemplados todos os escalões, dos Infantis aos Juniores, sendo os Iniciados Masculinos e os Juvenis Masculinos, respectivamente com 7 e 6 elementos, os escalões mais participados. Comparativamente com o número de elementos do sexo feminino, o número de rapazes é sensivelmente o dobro.

Orientovar - Como é que se processa o recrutamento de novos elementos para o Grupo-Equipa?

Professor José Mário Baptista - No início do ano elaboro um cartaz de apresentação bem apelativo, em grande formato (que generosamente a casa de fotografia João Brites de Vila do Conde produz), de forma a poder distribuir pelas escolas do concelho. No dia de apresentação dos alunos existe uma tenda na Escola com as modalidades existentes, onde posso motivar e explicar a alunos e pais a modalidade. No entanto o passa-palavra entre os alunos é o maior veículo de divulgação (não esquecer que nesta escola já vamos em sete anos consecutivos da modalidade). Dado os alunos serem de várias Escolas (Vila do Conde e Póvoa de Varzim) a forma de comunicação que encontrei foi a criação de um espaço na Internet - http://orijsd.webnode.com/ - e assim os alunos podem ver os avisos, horários de treino, alterações de última hora, etc.


“Deveria haver maior intervenção da Federação na formação dos professores”

Orientovar - Que condições tem para desenvolver o seu trabalho?

Professor José Mário Baptista - Tenho a sorte de pertencer ao Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos e de ter mapas em Vila do Conde e no Porto que servem às mil maravilhas para iniciar e desenvolver a modalidade. Por outro lado, a Câmara Municipal tem cedido transportes (cada vez menos, dadas as circunstancias orçamentais) que permitem que, uma vez por mês, possa ir a um mapa de Orientação com os alunos. Quanto a horários, tenho atribuído no meu quatro tempos semanais de quarenta e cinco minutos cada para desenvolver as actividades. Como é necessário ir para mapas de Orientação - que não estão propriamente ao lado da escola -, utilizo o Sábado de manhã para tal. Para a componente física, há também um treino às Quintas-feiras das 18:30 às 20:00. A Direcção da Escola tem estado 100% disponível no apoio ao Desporto Escolar da Escola e à Orientação em particular. Tenho também a sorte de ter pais que ao longo dos anos me foram ajudando e acompanhando.

Orientovar - Que avaliação faz dos quadros competitivos nacionais do Desporto Escolar e como vê os resultados alcançados nos anos mais recentes?

Professor José Mário Baptista - É sempre necessária uma candeia para iluminar o caminho. E os alunos que alcançaram as posições cimeiras são essa candeia e por isso estão de parabéns. No entanto, são quase todos atletas que se desenvolveram nos Clubes. Basta ver quantos atletas de topo não são federados. Será que estariam no mesmo patamar, se assim não fosse? Falta também realizar formação de base a uma grande parte dos professores responsáveis pelos Grupo-Equipa. Muitos deles nunca realizaram uma única prova de Orientação. Penso que deveria haver maior intervenção da Federação na formação dos professores, talvez com a criação de formação certificada na área da Orientação. Vontade e entusiasmo por parte dos professores não falta.


“Uma excelente forma de desenvolver a técnica de Orientação”

Orientovar - O Regulamento de Competições 2011 defende que os resultados alcançados pelos escalões de Formação possam ser tidos em conta para o “ranking” de Clubes. Concorda com esta situação?

Professor José Mário Baptista - Falando apenas como orientador de um Grupo-Equipa, penso que é positivo, pois pode levar os clubes a apostar mais na participação de jovens destes escalões na competição federada. No entanto, como contam poucos jovens para a classificação, isso pode levar a uma aposta nestes escalões por parte dos clubes, com um grupo diminuto de “super” atletas jovens, apenas pelos pontos e não na vertente saudável de desenvolvimento e formação inerente a estes escalões.

Orientovar - Num passado recente, levou a Orientação de Precisão à Escola Júlio-Saúl Dias. Que recordação guarda dessa actividade e, já agora, está nos seus planos repeti-la?

Professor José Mário Baptista - A experiência foi a mais positiva possível, para todos os intervenientes. E já foi repetida. A Orientação de Precisão é não só uma excelente forma de desenvolver a técnica de Orientação, mas uma das poucas maneiras de integrar - no sentido mais amplo do termo, pois funciona nos dois sentidos - portadores e não portadores de deficiência.


“O Desporto Escolar é o parente pobre da modalidade”

Orientovar - Tenciona lutar para que uma ou mais equipas da Júlio-Saul Dias possa estar presente nos Mundiais ISF 2013, que terão lugar no nosso País?

Professor José Mário Baptista - Não. Os custos das deslocações para provas de observação / apuramento teriam que ser suportados pelas Escolas e os orçamentos previstos não permitem fazer face a essas despesas. Por opção prefiro apostar mais em treinos perto de portas, que sirvam todo o grupo.

Orientovar - Como corolário desta nossa conversa, deixava-lhe uma última questão: O Desporto Escolar, dum modo geral, está no bom caminho?

Professor José Mário Baptista - Depende da opção ou visão que cada um tem do Desporto Escolar. Eu vejo um Desporto Escolar ligado aos Clubes. Nesta perspectiva, a resposta só pode ser negativa. No geral está muito fechado dentro da escola. Apenas consegue dar alguns passos quando o professor responsável do Grupo-Equipa está ligado a um Clube. Por outro lado, relativamente à Orientação, a maioria dos atletas mais jovens e que passaram e passam pelas Selecções, vieram do Desporto Escolar. O grande divulgador da modalidade, em termos de participantes, é o Desporto Escolar. No entanto, o Desporto Escolar é o parente pobre da modalidade. Falta haver uma aposta clara por parte da Federação Portuguesa de Orientação que não apenas o protocolo existente com o Ministério da Educação.








[Fotos gentilmente cedidas pelo Professor José Mário Baptista]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

GRANDE ENTREVISTA: JOAQUIM MARGARIDO E O TERCEIRO ANIVERSÁRIO DO ORIENTOVAR




No dia em que comemora três anos de existência, o Orientovar foi ao encontro de Joaquim Margarido. Criatura e criador num inédito frente-a-frente, simultaneamente exercício de catarse e devaneio de criação. Que se compreenderá… e perdoará!


Orientovar – Faz hoje três anos que o Orientovar saltou cá para fora. Foi um parto normal ou veio arrancado a ferros?

Joaquim Margarido – Arrancado a ferros, definitivamente. Eu não queria isto. Na altura estava embrenhado nas Caminhadas, já tinha um blogue sobre Pedestrianismo, escrevia muito nos jornais cá da terra, mantinha as minhas habituais ligações às revistas e fóruns de Atletismo. O Orientovar era “mais sarna para me coçar”. Mas era inevitável, teve de ser. Sempre fui assim, de repentes.

Orientovar – A Orientação falou mais forte…

Joaquim Margarido – É verdade que o bichinho da Orientação começava a mexer comigo. Sobretudo depois de perceber que tínhamos mapas e florestas fantásticas em Ovar, que tínhamos uma Escola onde se fazia regularmente Orientação e que tínhamos um Clube que, embora adormecido, continuava inscrito na Federação. O conhecimento que travei com o Fernando Costa, primeiro, e depois com o António Amador, davam-me garantias de podermos arrancar com uma coisa em grande. A verdade é que o grãozinho de areia que costuma emperrar a máquina era, afinal, um enorme calhau (risos). O Orientovar foi, na exacta medida, um enorme grito de revolta. Nasceu não pelas melhores razões, nasceu torto mas… endireitou-se. Nessa medida, gosto de o ver como a excepção que confirma a regra.

Orientovar – E como é que vai de saúde?

Joaquim Margarido – Eu? Vou bem, obrigado (risos)… Bom, a verdade é que nunca estamos inteiramente de bem com aquilo que temos, mas quero crer que o blogue está de boa saúde e recomenda-se. Os indicadores analíticos dão conta duma enorme estabilidade em termos de visitantes, o que me permite afirmar que temos duzentos e tal “fiéis” em muitas partes do Mundo. Este número sofre um aumento substancial à segunda-feira, decresce ao longo da semana e atinge os valores mínimos ao sábado. É este o perfil habitual de visitas. Actualmente o Brasil contribui com quase dez por cento dos visitantes, mas tenho visitas constantes de Sheffield (Inglaterra), Tromso (Noruega), Kranj (Eslovénia), Wroclaw (Polónia), Olomouc (República Checa). Desde o início da semana, tenho todos os dias um visitante de Timor-Leste. Isto é muito engraçado… E depois há essa extensão no Facebook, há a parceria que se iniciou com o Ultimate Orienteering, há os trabalhos exclusivos para a Atletismo Magazine Modalidades Amadoras e para O Praticante, há as colaborações esporádicas com jornais regionais ou páginas de escolas e municípios, enfim, tudo motivos que reforçam a ideia duma saúde de ferro.

Orientovar – Quais os aspectos que mais o desgostam no Orientovar?

Joaquim Margarido – É sobretudo a forma. Se uma página na Internet, qualquer que ela seja, é redutora, um blogue é-o muito mais. Os conteúdos, na forma como gosto de os trabalhar, nunca são telegráficos. E depois ninguém tem pachorra para perder cinco minutos ao computador com um artigo. Nem três, nem dois… A média de permanência nas páginas do blogue é de 1:42. Pois é! Se pensar que o dispêndio de tempo e de energias tem como retorno uma permanência quase insignificante no blogue, percebe-se que ninguém pode estar muito satisfeito com isto. Mas é o que temos. E, pelo que vou vendo e ouvindo, não posso nem devo queixar-me. Se me saísse o EuroMilhões, pode crer que teríamos o Orientovar em formato papel, com oito páginas diárias e distribuição gratuita em todo o País.

Orientovar – As suas fontes, quer falar-me delas?

Joaquim Margarido – Já foi o World of O, agora cada vez mais é o OriOasis. É lá que busco informação e notícias que depois, mais ou menos trabalhadas, dão matéria informativa no Orientovar. Este é um trabalho de pesquisa diário, que deve depois ser confirmado ou complementado junto das fontes. Não é fácil. Fico muitas vezes pendurado à espera de resposta e a notícia acaba por cair. Se lhe disser que, neste momento, estou à espera de oito trabalhos de fundo para publicação, já pode perceber aquilo que representa uma luta constante.

Orientovar – Nunca tem vontade de desistir?

Joaquim Margarido – Não por este motivo que acabei de referir. Se uma notícia cai, logo outra surge que lhe toma o lugar. E depois é sempre um prazer passar por sítios como os do Nuno Pires (CP Telecom – Secção de Aveiro) ou do Diogo Miguel, beber informação directamente do Carlos Monteiro ou do Hugo Borda d’Água, aprender com o Manuel Dias ou com o Tiago Aires, ter ‘enviados-especiais’ como a Alexandra Coelho ou o Paulo Fernandes, receber dicas constantes de tantos e tantos amigos… Tivesse eu tempo, que matéria jornalística não faltava. Agora, não tenho é dons de adivinhação. Se falo de A e não falo de B é porque não sei, não fui informado e não adivinho. E depois vêm dizer-me que “infelizmente, esqueceu-se de falar…”. À conta disto, pela primeira vez na história do Orientovar, moderei anteontem um Comentário direitinho para a lixeira. As pessoas abusam e isto é que me dá vontade, por vezes, de bater com a porta.

Orientovar – Mas o blogue é visto como uma espécie de órgão oficial da FPO e, nessa medida, é natural que se exija determinado tipo de responsabilidades?

Joaquim Margarido – Permita-me que discorde. Não é natural, nem pode ser. No sentido de suprir a confrangedora falta de capacidade do sector da Comunicação e Imagem da FPO, o blogue foi uma espécie de muleta, sobretudo nestes últimos dois anos. Espero que, com esta nova Direcção, as coisas mudem. Que surja uma nova página, sempre actual, fortemente dinâmica e que liberte o Orientovar para outros voos.

Orientovar – Que seriam…

Joaquim Margarido – O lançar amarras junto de comunidades muito específicas, dando particular atenção ao Desporto Escolar e ao Desporto Adaptado e ajudando a dar a conhecer as comunidades orientistas dos países latinos, com particular destaque para a Espanha, Itália e Brasil. Sou um dialogador por excelência. Entrevistas, entrevistas, entrevistas… É o que eu gosto de fazer. Há na entrevista uma interacção muito grande, aprendemos imenso quando entrevistamos alguém. Isso ajuda-nos a ter uma concepção mais abrangente e adequada do Mundo que nos rodeia.

Orientovar – Afirma-se um dialogador, mas uma das críticas que mais lhe fazem é a de não procurar no contraditório – em si mesmo uma forma de diálogo – um meio privilegiado de promover a verdade…

Joaquim Margarido – Eu aceito essa crítica. Na verdade, muitas vezes transmito o testemunho dando a ver apenas uma parte da questão. Mas é humanamente impossível fazer doutra forma, pelo menos com os meios de que disponho. Não gostava muito de entrar por aí, mas as pessoas conhecem o meu endereço de e-mail (está no perfil, à disposição de todos), devem perceber que o Orientovar pode ser um bom auxiliar na promoção e divulgação da modalidade e, nessa medida, aproveitá-lo para estender um pouco mais o leque de receptadores da mensagem. Recebo constantemente mails dos Trampolins de Santo Tirso, do COALA, do CLAC, da Escola Conde de Ourém, eu sei lá… Mas depois, faço a minha habitual “ronda” pelas páginas dos outros clubes e, algumas delas, estão desactualizadas há meses. E é daí, geralmente, que vêm as críticas. Tenham dó!…

Orientovar – No início de mais um ano de vida, quais as suas preocupações actuais?

Joaquim Margarido – Neste momento, a minha preocupação é terminar o terceiro volume das Crónicas do NAOM. Não está a ser fácil e vai-me obrigar a reduzir um pouco a actividade no blogue. Mas espero que em Janeiro tudo tenha voltado à normalidade. Depois há a questão da Orientação de Precisão. Acabo de aceitar o convite para voltar a integrar a Comissão de Orientação de Precisão da Federação Portuguesa de Orientação e isso também vai exigir um pouco de disponibilidade acrescida da minha parte. Finalmente, há a Orientação em Revista que tem sido uma dor de cabeça nos últimos dois números por causa da história dos editoriais. Lancei a Federação Portuguesa de Orientação para este projecto e estou, em certa medida, arrependido. Não tenho nem nunca tive qualquer tipo de ‘feed-back’ acerca da forma e conteúdos da Revista, não sei que caminhos deva trilhar, estou desmotivado e já não me revejo nela. Penso que a minha carreira de Editor está a chegar ao fim (risos).

Orientovar – Quer deixar uma palavra para os próximos doze meses?

Joaquim Margarido – Espero dentro de um ano fazer um balanço sempre e cada vez mais positivo da actividade do Orientovar. Vem aí um ano difícil para todos e o Orientovar não é excepção. Não sei que alterações o blogue poderá sofrer, mas não prevejo grandes mudanças. Gostaria de repetir com a campanha dos Mundiais de Desporto Escolar em Itália, a jornada informativa histórica de 2009, em Alcalá de Henares. Esse foi, do meu ponto de vista, o momento mais alto de todos na história do blogue. Gostaria também de ter condições para fazer um grande acompanhamento dum grande Portugal O’ Meeting, gostaria que o blogue continuasse a ser uma importante fonte de disseminação da Orientação de Precisão sobretudo nas Escolas. E gostaria de poder dizer, de hoje a um ano, que a Orientação continua a dar passos de gigante no sentido de se afirmar como o Desporto do Século XXI. A ver vamos!


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

"5 DIAS DE ORIENTAÇÃO DO BRASIL 2010": FEDERAÇÃO DE ORIENTAÇÃO DO RIO DE JANEIRO EMITE NOTA OFICIAL





Ainda os “5 Dias de Orientação do Brasil 2010”. Da parte de José Luís Pinheiro Gomes, Presidente da Federação de Orientação do Rio de Janeiro, recebemos a Nota Oficial nº 01/2010 da FORJ. Assinado conjuntamente por oito pessoas, o importante documento dá conta da demarcação daquela Federação Estadual em relação ao evento e aos problemas nele sentidos e que aqui demos conta em nota anterior.


Com pedido de publicação, José Luís Pinheiro Gomes fez chegar à redacção do Orientovar a Nota Oficial nº 01/2010 da Federação de Orientação do Rio de Janeiro. Procurando repor a verdade relativamente ao facto de a Federação à qual preside nada ter a ver com a Organização dos "5 Dias de Orientação do Brasil 2010", José Luís Pinheiro Gomes pretende deixar claro que a Orientação que é administrada no Rio de Janeiro “é bastante similar ao que fora indicado como de excelência e que se pratica na região Sul do Brasil.”

“Os problemas ocorridos no evento não são de ordem geográfica e são passíveis de ocorrer em qualquer parte do Brasil, como o próprio '5 Dias do Brasil de 2009' que fora realizado no Rio Grande do Sul e apresentou diversos problemas similares a até maiores que os apresentados no Rio de Janeiro em 2010”, afirma José Luís Pinheiro Gomes, acrescentando que “a verdadeira raiz do problema passa bem longe da questão geográfica e seria merecedora de outras discussões mais aprofundadas”.

Dissociando-se duma eventual má imagem deixada por estes “5 Dias de Orientação do Brasil 2010”, o Presidente da FORJ adianta: “Gostaríamos de passar a impressão que no Rio de Janeiro se pratica Orientação de excelente qualidade, pois aqui praticam o desporto muitos atletas experientes, árbitros internacionais e atletas de nível internacional.” E vai mais longe nos seus esclarecimentos: “O Rio de Janeiro possui a única Universidade Pública do Brasil que tem a Orientação na sua grelha curricular do Curso de Graduação em Educação Física, o Rio de Janeiro possui a única Federação Estadual que gere a modalidade através de sistema informatizado desenvolvido especialmente para o efeito e o Rio de Janeiro possui o Campeonato Estadual de Orientação mais antigo do Brasil, o COERJ, que teve sua primeira edição em 1986.” Tudo isto numa cidade que será palco de grandes eventos desportivos internacionais nos próximos anos, casos dos V Jogos Mundiais Militares em 2011, a final do Campeonato do Mundo de Futebol de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

O Orientovar gostaria de manifestar publicamente a José Luís Pinheiro Gomes e à Federação de Orientação do Rio de Janeiro, o seu sentimento de compreensão face ao sucedido, salientando todavia que, tanto a página oficial do evento - www.5diasdobrasil.com.br/ -, como os Boletins emitidos, referirem sempre a Confederação Brasileira de Orientação, a Federação de Orientação do Rio de Janeiro e a Federação Internacional de Orientação como as entidades organizadoras. Se, induzidos em erro, provocámos involuntariamente qualquer tipo de desconforto junto da FORJ, não era essa, naturalmente, a nossa intenção.

A Nota Oficial nº 01/2010 da Federação de Orientação do Rio de Janeiro pode ser lida AQUI.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ORIENTAÇÃO ADMITIDA NO SEIO DO COMITÉ PARALÍMPICO DE PORTUGAL




O Comité Paralímpico de Portugal acaba de admitir no seu seio, a título de Membro Ordinário, a Federação Portuguesa de Orientação. À medida do filme “Casablanca”, este é, seguramente, o princípio duma bela amizade.


Reunido em Assembleia Plenária na noite do passado dia 22 de Novembro, o Comité Paralímpico de Portugal votou a integração no seu seio da Federação Portuguesa de Orientação, Federação Portuguesa de Canoagem, Federação Portuguesa de Tiro e Federação Portuguesa de Golf, como Membros Ordinários do Comité.

Estas quatro novas Federações juntam-se agora às restantes Federações da modalidade que já integram o Comité - Federação Portuguesa de Vela (FPV), Federação Equestre Portuguesa (FEP), Federação Portuguesa de Remo (FPR), Federação Portuguesa de Judo (FPJ), Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC), Federação de Andebol de Portugal (FAP) e Federação Nacional de Karaté (FNK) -, bem como às Federações Multidesportivas, casos da Federação Académica de Desporto Universitário (FADU) e Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência (FPDD).

Igualdade, Inclusão e Excelência Desportiva

A integração destas novas Federações cumpre um dos objectivos que o Comité Paralímpico de Portugal estabeleceu para a sua actividade no quadriénio 2009/2012, visando a inclusão e aumento do número de praticantes nas estruturas regulares do desporto, com a consequente diversificação em relação à oferta de modalidades com acessibilidade a praticantes com deficiência.

Neste contexto, o Comité Paralímpico de Portugal vê assim quadruplicar o número de Federações, o que expressa bem o esforço desenvolvido nesta área de intervenção. Para Humberto Santos, Presidente do Comité Paralímpico de Portugal, “promover o desporto adaptado e criar uma dinâmica de desenvolvimento do sistema desportivo para praticantes com deficiência, através do aumento da diversidade de modalidades e do número de atletas são objectivos do projecto ‘Igualdade, Inclusão e Excelência Desportiva’ em desenvolvimento pelo Comité Paralímpico de Portugal”. Segundo aquele dirigente, este “é um projecto que se insere nas grandes preocupações mundiais, pelo que a sua Visão e a sua Missão devem estar para além da exclusiva dimensão desportiva, e considerarem como fim último a inclusão das pessoas com deficiência”.

“Uma associação de sucesso”

Em carta enviada à Federação Portuguesa de Orientação [reproduzida na foto acima], Humberto Santos agradece “o interesse e o empenho demonstrado pela Federação Portuguesa de Orientação em participar na construção e participação do Projecto Paralímpico em Portugal”. Humberto Santos termina com a convicção de “ser esta uma associação de sucesso, com um longo e frutuoso caminho a percorrer em conjunto.”

Alexandre Guedes da Silva, Presidente da Federação Portuguesa de Orientação, espera que “seja este um incentivo adicional para as Organizações e Clubes que têm apostado na divulgação e promoção da Orientação de Precisão”, pode ler-se no site da FPO, em http://www.fpo.pt/

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...




1. Decorreu no passado fim-de-semana a quarta edição do “Troféu Internacional Ciutat de Barcelona”. Distribuída por uma prova de Sprint, em Barceloneta, na frente marítima da cidade condal, e por uma prova de Distância Longa na envolvência do Castelo de Montjuïc e Estádio Olímpico, o evento teve no norueguês Oystein Kvaal Osterbo e na espanhola Ona Rafols os grandes vencedores no escalão de Elite. Ona Rafols, atleta que em Portugal veste a camisola do Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos, referiu ao Orientovar que “foi muito emocionante correr na montanha de Montjuïc e no estádio Olímpico rodeada de toda a ‘aficion’ catalã.” “Ter aqui estrangeiros de tanta categoria”, prosseguiu a atleta, “é excelente para dar a conhecer a Orientação catalã e para podermos também aprender com eles.” A finalizar, Ona Rafols espera, “em futuras ocasiões desfrutar também da presença dos atletas Ibéricos”, numa clara alusão aos orientistas portugueses.

2. As provas locais estão de regresso no próximo sábado. Em Bugalhos, Alcanena, a partir das 10h00 prossegue a III Taça CLAC 2010, com a realização da segunda prova. Três níveis de classificação, dois sectores, e o prazer de desfrutar do contacto com a natureza a fazer Orientação é aquilo que espera os participantes. Toda a informação em http://www.clac.pt/.

3. Também no sábado, em Barcelos, na floresta envolvente à Igreja de Nossa Senhora do Facho (indicações a partir da EN 205, em Galegos S. Martinho), tem lugar a partir das 10h00 uma prova local de Orientação. Com a assinatura dos Amigos da Montanha, num mapa novo elaborado especialmente para esta prova, são propostos aos participantes três percursos com diferentes graus de dificuldade técnica e física. O sistema de controlo será por cartão e picotador. Informações e inscrições em http://www.amigosdamontanha.com/_prova_local_de_orientacao_7

4. Enquanto se aguarda a divulgação da “Corrida do Ano”, o site World of O vem de anunciar as corridas mais votadas que se posicionaram nos lugares imediatos. Assim, com um total de 8370 votos, a prova de Distância Longa da Taça do Mundo, disputada no início de Outubro em Annecy (França) classificou-se na terceira posição. No segundo lugar, com 8920 votos, ficou a prova de Distância Longa dos Nacionais da Noruega, disputados em Monsteret, a sudeste de Oslo. Falta saber apenas quem é o grande vencedor. Tudo para conferir em http://worldofo.com/.

5. Decorreu no passado sábado a 5ª Gala do Desporto do Alentejo Central, uma iniciativa do CIMAC (Comissão Intermunicipal do Alentejo Central), com o apoio de diversas entidades, entre elas o município de Reguengos de Monsaraz, local que emprestou o seu Pavilhão Multiusos para acolher esta Gala. No ano passado, no belo e vasto Terreiro do Paço Ducal de Vila Viçosa, foram dez os atletas do GafanhOri homenageados. Este ano, contudo, o número disparou de forma fantástica, tendo sido vinte e um o número de “gafanhotos” a subir ao palco a fim de receberem a merecida distinção. Para que conste, aqui ficam os nomes dos atletas que viram valorizadas as suas prestações desportivas, perante a enorme plateia que esteve presente em Reguengos: Ana Anjos, Inês Catalão, Teresa Maneta, Ana Salgado, Rita Rodrigues, Inês Pinto, Ana Coradinho, Isabel Salgado, Lena Coradinho, Raquel Costa, Maria Bolas, Luis Tomé, João Cascalho, João Pedro, Jorge Coelho, Luis Salgado, Manuel Horta, Tiago Aires, António Aires, Norman Jones e Amilcar Roberto. Pelo exemplo de vitalidade e dinamismo, que não se confina à sua região geográfica e se estende a todo o País, para toda a vasta família do Clube de Orientação da Gafanhoeira – Arraiolos vai, com enorme apreço, o Louvor da Semana.


[foto de Carles Loré, extraída da página oficial do “IV Troféu Internacional Ciutat de Barcelona”, em http://www.clubcoc.cat/index.php?page=ticbcn10-lore]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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terça-feira, 23 de novembro de 2010

RAID TRANSPENINSULAR: PRAÇAS DA ARMADA ARRASAM CONCORRÊNCIA




Ao vencer no passado sábado o Raid Transpeninsular, a equipa do Clube Praças da Armada confirma liderança no panorama nacional das corridas de aventura.


Com tempo ameno, 56 equipas de aventureiros partiram pelas 9:00 horas do parque Catarina Eufémia no Barreiro para um desafio de 150 km, rumo ao Parque Natural da Arrábida.

A primeira etapa urbana, constituída por sucessivos obstáculos e exigências técnicas em actividades verticais e Canoagem, manteve acesa a disputa pelos lugares cimeiros, com praticamente todas as equipas de Elite e o primeiro terço de equipas de Aventura empatadas.

Nas duas etapas seguintes - Orientação Pedestre na Mata Nacional da Machada e 40 km de BTT em estradas de terra -, as equipas mais fortes não descolaram. A ligeira vantagem do Clube de Praças da Armada sobre as equipas de Elite do Exército, Ferrovias e Millennium BCP, mantinha tudo em aberto na frente da competição. As equipas da Globaz e Desnível, a primeira com problemas mecânicos numa bicicleta, seguiam igualmente em bom ritmo.

Se na etapa anterior a Serra da Arrábida fez o pano de fundo, a 4ª etapa foi a “rainha” da prova, toda ela disputada entre os montes de S. Filipe e Comenda a sul, as serras do Louro e S. Francisco a norte e um CP no vértice geodésico de S. Luís a valer por dois. Com a noite e a temperatura a baixar muito, a “armada” passeou a sua supremacia, ao controlar 17 dos 19 CP’s em disputa, partindo para o Score100 da última etapa com 3 CP’s de vantagem, relegando a disputa pelos restantes lugares do pódio para o Exército 1 e Ferrovias Elite Team, ambos com 14 CP’s nesta etapa da serra.

A 5ª e última etapa da prova, constituiu o derradeiro sprint. Disputada à noite no centro histórico de Palmela, em sistema de score 100, impôs ao atletas o stress das contas ao tempo e pontos, já que para totalizar os 3 CP’s em disputa seria necessário decidir sobre a melhor estratégia para realizar 100 pontos em 18 controlos no terreno.

Aqui a experiência e a gestão do esforço ditou a sua lei implacável. Os Praças da Armada concretizaram de forma contundente os 3 CP’s em 27 minutos e a chegar a 30 segundos do fecho, a Desnível em 26 minutos e o Exército 2 em 34 minutos. A equipa do Exército 1 perde, por desclassificação, os 3 CP’s ao exceder em cerca de 20 segundos o tempo limite para chegar, logrando-se aí a possibilidade de entrar nos três primeiros lugares.

No final a classificação em Elite ordenou-se com o Clube de Praças da Armada em 1º com 47 CP’s, seguida da equipa Ferrovias Elite Team em 2º com 42 CP’s e o Exército 2 em 3º em igualdade de CP’s mas com mais seis minutos. Duas equipas a destacar: a equipa do Exército 1 em primeiro de Elite Mista (com dois elementos femininos), relegada para 5º da geral, fruto da desclassificação na última etapa, em luta pela classificação até ao fim da prova; e a equipa da ADA Desnível em 2º na Elite Mista com um corajoso 4º na geral, mesmo depois de se terem “esquecido” de um CP de azimute na 3ª etapa.

No escalão secundário – Aventura - destaca-se a excelente prestação da equipa da Escola Naval ao vencer com 44 CP’s, seguida dos experientes da IPPON Team/Triple x com 42 CP’s e da ATV Aventura com 41 CP’s.

O escalão de Promoção, que tal como o nome refere, tem como objectivo proporcionar o primeiro contacto com as corridas de aventura, foi “poupado” das 2ª e 3ª etapas. A equipa Serviços Sociais do Montepio levou a melhor sobre as restantes, com 21 CP’s em 33 possíveis e 34 minutos de vantagem sobre a segunda classificada ATV-Aldeias de Xisto.

Finalmente uma palavra para o Barreiro Urban Challenge com dois escalões: Pedestre e BTT e 20 equipas participantes, onde todos tiveram uma manhã de desporto aventura e descoberta do património barreirense. Venceu o BUC-Pedestre a equipa “Os Desorientados” e o BUC-BTT a equipa Fly.com.

Agradecimento especial para todos os patrocinadores deste evento, sem os quais seria impossível a sua concretização. Um apreço especial à Câmara Municipal do Barreiro que não poupou esforços, contribuindo decisivamente para o sucesso do 2º Raid Transpeninsular e 3º Barreiro Urban Challenge.

Para o ano o CAB e o GDU Azóia dão novamente as mãos para organizar o IV Campeonato Nacional de Corridas de Aventura em Junho de 2011 no Faial, Açores. http://www.raidilhaazul.com/

António Neves


Mais informações em http://www.raidtranspeninsular.pt.vu/

[Foto gentilmente cedida por Paulo Fernandes]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

"5 DIAS DE ORIENTAÇÃO DO BRASIL 2010": MONTES DE PROBLEMAS




Seguindo um modelo que tem no O-Ringen o seu expoente máximo, a Confederação Brasileira de Orientação levou a efeito, no Estado do Rio de Janeiro, os “5 Dias de Orientação do Brasil”.


O Inverno no Velho Continente traz com ele o defeso de muitas modalidades, entre as quais a Orientação Pedestre. No outro lado do hemisfério, todavia, a história é bem diferente. Hoje viajamos até ao Brasil, ao encontro da 4ª edição dos “5 Dias de Orientação do Brasil”, um evento internacional que juntou nos municípios de Nova Friburgo e de Cachoeiras de Macacu toda a fina-flor da Orientação brasileira e ainda três portugueses e um belga, num total aproximado de trezentos participantes.

Com a chancela da Confederação Brasileira de Orientação, Federação de Orientação do Rio de Janeiro e Federação Internacional de Orientação, o evento estendeu-se entre os dias 14 e 20 de Novembro, ao longo de cinco etapas de Distância Média. Com uma fórmula simples de apuramento do vencedor em cada categoria - aquele que alcançasse o menor tempo no somatório dos cinco dias de competição -, o evento encerrou ainda dois particulares despiques. Num deles, esteve em causa a definição do “melhor sprinter” (sem distinção de categorias, através do cômputo de tempos da última pernada); houve ainda a possibilidade de coroar o “Rei e Rainha da Floresta” (disputado apenas pelas categorias H21E e D21E, através do cômputo de tempos numa pernada variável no coração da floresta, em cada um dos cinco dias). Duas ideias muito interessantes, cuja implementação acarretou uma dose extra de interesse a estes “5 Dias de Orientação do Brasil”.


“Por que razão vim ao Brasil, andar para trás 15 anos na Orientação?”

Procurando acompanhar o evento à distância, o Orientovar pesquisou ao longo da semana, vezes sem conta, a página da prova - http://www.5diasdobrasil.com.br/. Custa a crer que alguém, na sua bondade imensa, tenha dedicado preciosas horas do seu tempo a construir um “site” para que a última actualização se reporte ao dia 1 de Novembro (!), dando conta da prorrogação do prazo das inscrições, “por causa do Feriadão e das eleições”. De então para cá, nada... zero... o deserto! É claro que a partir daqui tudo são dificuldades em termos de comunicação. Os principais blogs de Orientação do país irmão terão esbarrado nas mesmas dificuldades que nós e nada publicaram. Nem sequer foi possível encontrar uma notícia que fosse na imprensa local, reportando algo sobre a prova. Mas…

Pois é, nestas histórias há sempre um mas… E aqui o “mas” chama-se Joaquim Sousa. Depois duma viagem recheada de peripécias várias que pudemos acompanhar na sua página pessoal - http://www.joaquimsousa.com/ - o atleta português assentou arraiais nos palcos da prova donde nos deu conta de um sem número de problemas organizativos que o levaram a interrogar-se, a determinada altura: “Por que razão vim ao Brasil, andar para trás 15 anos na Orientação?”


“As anulações dos percursos ocorreram por preciosidade de alguns atletas”

Num breve exercício de análise às questões levantadas por Joaquim Sousa, ressaltam o recorrente atraso nas partidas, os pontos mal marcados, os percursos desinteressantes do ponto de vista da Orientação, as etapas anuladas e, não menos gravoso, o facto de se terem repetido os mesmos “erros crassos” todos os santos dias. Para agravar a situação “muitos atletas estavam a pensar nos seus benefícios e não numa resolução” dos problemas. Independentemente da forma como quis expressar aquilo que lhe foi afundando a alma, Joaquim Sousa tem o mérito de ter sido o único (!) a falar de algo que merecia ser falado por todos. E depois, é como ele diz: “Ofuscar o que se passou aqui era dar o voto de confiança à Organização e eles não estiveram a altura”.

O Orientovar procurou junto de Bruno Brantes, o Director Geral dos “5 Dias de Orientação do Brasil 2010” uma reacção às várias situações levantadas, tendo recebido uma resposta que demonstra, acima de tudo, frontalidade. “Realmente tivemos alguns problemas na realização da prova, principalmente por dificuldades com o sector público regional”, começou por afirmar Bruno Brantes. Sem querer fugir às suas responsabilidades, aquele responsável passa ao ataque para afirmar que, "na minha opinião, as anulações dos percursos ocorreram por preciosidade de alguns atletas. A competição foi determinada pela Comissão Desportiva Militar do Brasil como selectiva para a equipa nacional que irá ao Mundial, sem que eu tivesse sido pelo menos consultado. Isto fez com que os atletas que não obtiveram um resultado satisfatório se apegassem a falhas pequenas para justificar o seu resultado e anular o percurso. Infelizmente nosso Júri Técnico fraquejou e aceitou a alegação de alguns, tanto que os únicos percursos anulados foram da categoria H21E.” Saindo em defesa do cartógrafo – “muito experiente e foi responsável por três mapas de competições nacionais no último ano” – Bruno Brantes lamenta que “os resultados não pudessem ser divulgados pois não havia conexão com a Internet nos locais de prova, nem mesmo próximo.” Uma última palavra dirigida em particular a Joaquim Sousa: “Decepciona-me muito a atitude do atleta Joaquim Sousa, pois quando precisou de minha ajuda com relação a sua acomodação, disponibilizei tudo o que podia, tanto para ele quanto para José e Vanessa, inclusive algo que me fez falta durante a competição. Sei que problemas houveram mas a Orientação é feita por pessoas e todos nós estamos sujeitos a falhas.”


Vanessa Jorge vence escalão

Quanto aos resultados (parciais), podem ser consultados em http://helga-o.hock.be/webres. Todavia, acabam por ser inconclusivos no que à Elite Masculina diz respeito, uma vez que assumem como válidos todos percursos e, ao que julgamos saber, três ou quatro percursos acabaram por ser anulados. Ao vencer quatro dos cinco percursos, Tânia Maria Jesus de Carvalho (Associação de Orientação dos Alunos da Universidade Federal do Rio de Janeiro) levou de vencida o escalão de Elite Feminina. Na Elite Masculina, o Campeão CamBOr 2010, Vanderlei José Bortoli (Clube de Orientação de Santiago) venceu a primeira etapa, Cleber Baratto Vidal (NATURA CO) triunfou na segunda, Ironir Alberto Ev (Clube de Orientação de Santiago) foi o mais forte na terceira, Juscelino Alencar Karnikowski (Clube de Orientação Gralha Azul) triunfou na quarta e Ironir Alberto Ev “bisou” na derradeira etapa.

Quanto a Joaquim Sousa, conseguiu na quarta etapa a sua melhor posição ao terminar no terceiro lugar. A este, devem acrescentar-se o quarto lugar na terceira etapa, o quinto lugar na primeira etapa, o oitavo lugar na quinta etapa e o décimo primeiro lugar na segunda etapa. Face aos resultados alcançados, concluiu-se facilmente que a prestação do nosso atleta foi de bom nível. Em Nova Friburgo e Cachoeiras de Macacu estiveram igualmente presentes Vanessa Jorge e José Pires, ambos do CPOC. Competindo no escalão D35B, Vanessa Jorge foi a única atleta a completar os cinco percursos, o que lhe valeu a vitória. Quanto a José Pires, mediu forças no escalão H M A com 17 adversários – entre os quais José Otávio Franco Dornelles, o Presidente da Confederação Brasileira de Orientação – tendo sido sétimo classificado na primeira etapa, décimo segundo na segunda, décimo primeiro na terceira, oitavo na quarta e décimo quinto na quinta e última etapa.


[Foto extraída da página de Joaquim Sousa, em http://www.joaquimsousa.com/]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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sábado, 20 de novembro de 2010

O GRUPO DESPORTIVO DOS QUATRO CAMINHOS E A VITÓRIA NO RANKING DE CLUBES DE ORIENTAÇÃO PEDESTRE 2009/2010




Lançado na época de 1997/1998, o “ranking” nacional de Clubes de Orientação Pedestre conheceu um domínio do Ori-Estarreja nos primeiros quatro anos. Seguiu-se o “reinado” COC com seis vitórias em oito temporadas, apenas interrompidas em 2005/2006 e em 2006/2007 pelo CPOC. Na época que agora chega ao fim, porém, há um novo nome que se impõe nesta restrita lista de vencedores: Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos. A colectividade da Senhora da Hora é a nossa convidada de hoje no Orientovar e as despesas da conversa ficam por conta de Fernando Costa.


Orientovar - Que significado tem para o Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos esta primeira vitória no ‘ranking’ nacional de clubes?

Fernando Costa - Não consigo perceber muito bem o peso que esta vitória terá na concepção das pessoas. Não se fala muito nisto… A maior parte das pessoas nem sabe quem venceu o ‘ranking’, até porque este ano não houve sequer a possibilidade de o publicar. Os títulos nacionais são, seguramente, muito mais importantes. Os campeões são conhecidos no imediato e são festejados, os títulos têm outro impacto. Nesse particular aspecto, este foi um ano muito rico para o clube, já que tivemos a felicidade de garantir vários títulos, quer individuais, quer colectivos. Quanto à vitória no ‘ranking’ de clubes, claro que é sempre um motivo de orgulho, sobretudo para aqueles que trabalham ao longo do ano inteiro e acabam por ver reconhecido todo o seu empenho e esforço. Mas esta satisfação acaba por ser meramente interna, não tem qualquer projecção para o exterior nem ninguém reconhece o clube por causa disso.

Orientovar - Houve algum segredo na base desta vitória?

Fernando Costa - Penso que o factor mais importante residiu no equilíbrio entre o número de jovens, seniores e veteranos, por um lado e também no número idêntico de homens e mulheres. A percentagem de mulheres no nosso clube é, relativamente à generalidade dos clubes, muito elevada. Reconhecemos que há sempre um grande coeficiente de atrito, há atletas que entram e outros que saem, mas temos conseguido manter um número de atletas praticamente constante ao longo destes anos.


“As coisas estão muitas vezes ancoradas em duas ou três pessoas”

Orientovar - Quais as grandes áreas de actuação do Clube?

Fernando Costa - Como se deve imaginar, os clubes de Orientação não têm uma estrutura profissional e as coisas estão muitas vezes ancoradas em duas ou três pessoas. Mesmo que o queiramos, não temos a disponibilidade de tempo e de recursos humanos para avançarmos com os projectos duma forma sólida e consistente. Mas respondendo directamente à questão, em termos do clube, nos últimos anos, houve um grande desenvolvimento na área do Treino, graças sobretudo ao trabalho do António Marcolino, uma peça fundamental na actual dinâmica do Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos. A motivação para o treino diário tem produzido um acréscimo de qualidade enorme e os resultados estão à vista. Temos também a parte da Organização de eventos, uma área vital para a sobrevivência do clube, que nos ocupa uma grande parte do tempo e dos recursos, mas que não podemos perder. E há ainda uma área que nos tem sido muito grata e que está ligada à Comunicação, onde temos feito um trabalho que ultrapassa em muito as fronteiras do clube e tem visado a divulgação e promoção da própria modalidade.

Orientovar - De que forma a crise económica que o nosso País atravessa se reflecte na organização de eventos e na afectação de recursos?

Fernando Costa - As organizações de provas têm vivido quase exclusivamente dos apoios dos Municípios e esses estão a começar a escassear. Até agora, esta realidade não tem tido grande impacto nas organizações, visto as coisas já virem de trás e estarem asseguradas na generalidade. Mas os apoios para a próxima época poderão estar em risco. Cada vez mais, as organizações vivem das inscrições e essas, como é sabido, têm um valor muito baixo. São, pois, de imaginar as dificuldades que os clubes irão ter para garantir a realização dos seus eventos. Em relação ao Portugal O’ Meeting 2011, posso dizer que só conseguimos garantir dois ‘sponsors’ que dessem apoio financeiro para o evento. E estamos a falar do evento que mais estrangeiros traz a Portugal e que é acompanhado à escala planetária.


“Quando é para organizar não é para competir”

Orientovar - Isto traz um natural desgaste ao próprio grupo…

Fernando Costa - Provoca imenso desgaste e é por isso que há elementos que saem e há outros que entram. Não é fácil acompanhar esta máquina organizativa durante tantos anos. São já mais de quarenta os eventos organizados pelo clube e, para nós, tanto faz que sejam locais como de nível internacional. Colocamos em todos eles o nosso empenho e a nossa chancela de qualidade. Quando é para organizar não é para competir. O clube coloca todos os seus elementos na Organização já que entendemos ser esta a melhor forma de promover a modalidade. E isso reflecte-se na conquista de novos praticantes. Quem vem pela primeira vez tem de sentir que valeu a pena ter vindo e vai querer continuar. Mas para isso, todos os meios são poucos. Acho estranho, por exemplo, que alguns clubes organizem provas e metade dos seus elementos estejam a participar.

Orientovar - No futuro, a realização do Norte Alentejano O’ Meeting poderá estar em risco?

Fernando Costa - Penso que não. Se continuar a haver municípios que deitem a mão a esta prova, julgo que não correremos esse risco. Mas a situação não é fácil e terá que haver um esforço de inovação da nossa parte no sentido de encontrar novas formas de atrair apoios. No caso do Norte Alentejano O’ Meeting, o facto de termos o evento implantado numa região relativamente pobre, despovoada e onde há muito pouco associativismo, condiciona o enraizamento da modalidade e isso também complica a nossa tarefa. Mas a capacidade de adaptação e o optimismo são características dos orientistas e é desta forma que encaramos os nossos projectos. É adaptando-nos que conseguiremos sobreviver.


“Posso dizer que gostei de todas as provas que organizámos”

Orientovar - Se lhe pedisse para eleger uma prova em 2010, qual escolheria?

Fernando Costa - Quando partimos para um projecto, independentemente da sua dimensão, procuramos sempre que ele seja melhor que o anterior. Daí que seja muito difícil eleger a prova de que mais gostei. Claro que o Norte Alentejano O’ Meeting 2010 teve um sabor muito especial, visto ser uma prova pontuável para o ‘ranking’ mundial e ter contado com a participação de alguns dos melhores atletas do Mundo. Mas depois começo a pensar nas provas regionais que fizemos, no Parque do Covêlo, no Parque da Lavandeira, em Manteigas, com mapas novos e em sítios tão bonitos, enfim… Foram provas que nos deram também um grande contentamento. Aliás, este ano posso dizer que gostei de todas as provas que organizámos, sem excepção.

Orientovar - E qual o momento alto de 2010?

Fernando Costa - Aí elegia a apresentação do livro “Crónicas Norte Alentejano O’ Meeting 2009 | Alter do Chão”, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Matosinhos. Tivemos a honra de poder contar com a presença do Mário Zambujal na apresentação do livro e esse foi, para mim, um momento especial. As palavras por ele proferidas fizeram-me recuar uns largos anos, ao tempo em que comecei a praticar desporto. Julgo que ninguém como ele soube exprimir por palavras a pureza da modalidade, projectando-a nos nossos ideais enquanto desportistas. Esse momento, recordo-o com particular emoção.


“É por vezes mais fácil restringir do que abrir”

Orientovar - O Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos tem tido um papel fundamental no movimento de relançamento da Orientação de Precisão no nosso País. Que avaliação faz do trabalho desenvolvido até ao momento?

Fernando Costa - Os clubes não se devem limitar apenas à questão da competição pura e simples e devem ter bem vincada a parte social. Uma associação como a nossa, que não abdica da sua componente social, entende que todas as pessoas, por maior ou menor deficit físico que possuam, têm direito à prática desportiva. Assim, é com determinação e muita satisfação que emprestamos o nosso contributo para a melhoria da sua qualidade de vida através da promoção de actividades de Orientação de Precisão em todas as nossas provas. Este é um projecto que já teve, no passado, algum envolvimento da parte do nosso clube e que, actualmente, tem vindo a crescer graças ao empenho do Núcleo de Desporto Adaptado do Serviço de Medicina Física e de Reabilitação do Hospital da Prelada. Os resultados são muito gratificantes, temos sentido o entusiasmo daquelas pessoas e são elas mesmas que pedem para que haja mais provas, para que se dê continuidade ao projecto.

Orientovar - O Regulamento de Competições para 2011 impede os estrangeiros do Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos de pontuarem para o clube. Que avaliação faz desta restrição?

Fernando Costa - É negativo criarmos um regulamento restritivo e contrário àquilo que se passa no resto da Europa. Penso que quem trabalhou a nova versão do Regulamento de Competições, nesta particular vertente, o fez sem conhecimento de causa. O facto de o Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos ser praticamente o único clube a promover o intercâmbio com atletas e clubes estrangeiros faz com que esta situação não seja muito bem vista pelos outros clubes. As pessoas ainda não estão muito habituadas a estas coisas e é por vezes mais fácil restringir do que abrir. A mim custa-me um bocado entender esta mentalidade e sou de opinião que, se continuasse a ser permitido aos atletas estrangeiros federados noutras Federações pontuarem para os clubes, todos sairíamos a ganhar. Não nos podemos esquecer que somos um destino de Inverno e que há muitos atletas que poderão socorrer-se da abertura dos clubes para permanecerem mais algum tempo em Portugal nesta altura do ano. Os estrangeiros que têm vindo competir pelo nosso clube – e estou a falar de alguns atletas de craveira mundial –, fazem-no porque têm gosto nisso. São os próprios atletas que nos procuram, e que poderiam procurar qualquer clube, que fazem depois lá fora publicidade ao nosso clube, à nossa Orientação e ao nosso País. Durante vários dias vivem connosco, conhecem a nossa realidade. São eles que ajudam a levar para todo o Mundo a qualidade dos nossos mapas e terrenos, das nossas organizações, o nosso bem receber. A partir deste momento inverte-se completamente a situação e pode haver uma publicidade muito negativa.


“Dificuldades sempre temos tido”

Orientovar - De que forma perspectiva o ano que se avizinha?

Fernando Costa - Isto para nós não é novidade e dificuldades sempre temos tido. Julgo até que estaremos mais preparados do que muitas Federações para contornarmos os obstáculos. Toda a gente sabe que vai ser um ano difícil, mas todos vamos ter de fazer um esforço de adaptação às novas realidades, à actual situação económica, ao novo Regulamento de Competições. A paixão à modalidade é um factor comum a todos nós e estou confiante que saberemos encontrar formas de nos mantermos unidos e de ultrapassarmos as contrariedades.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

VENHA CONHECER: JORGE SILVA




Chamo-me… JORGE Martins da SILVA
Nasci no dia… 21 de Agosto de 1960, em Barcelos
Vivo em… Barcelos
A minha profissão é… Militar
O meu clube… Amigos da Montanha
Pratico Orientação desde… 1999

Na Orientação…

A Orientação é… a minha paixão!
Para praticá-la basta… um mapa e um bom terreno!
A dificuldade maior… andar rápido e não se enganar!
A minha estreia foi… algures perto de Ovar!
A maior alegria… quando fiquei à frente do Albano João!
A tremenda desilusão… não saber onde estou e ter de pedir ajuda!
Um grande receio… um buraco que o cartógrafo não tenha visto!
O meu clube… é uma segunda família!
Competir é… ficar contente com o resultado, independentemente da classificação!
A minha maior ambição… não tenho!

… como na Vida!

Dizem que sou… o TC [Tank Charlie]!
O meu grande defeito… pensar que faço mais coisas do que realmente sou capaz de fazer!
A minha maior virtude… a honestidade!
Como vejo o mundo… uma coisa muito bonita!
O grande problema social… a fome!
Um sonho… que o Mundo fique mais natural!
Um pesadelo… a artificialidade do Mundo!
Um livro… “O Amor Nos Tempos de Cólera”!
Um filme… “Hair”!
Na ilha deserta não dispensava… a minha viola!

No próximo episódio venha conhecer Cristina Marques.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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