quarta-feira, 31 de março de 2010

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...

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1. PARA MAIS TARDE RECORDAR
Perdoar-me-ão este devaneio, este momento de vaidade pura, mas não é todos os dias que temos o privilégio de posar para a fotografia ao lado de três campeãs do Mundo. Foi em Palmaz (Oliveira de Azeméis), à beirinha do fim dos Campeonatos Nacionais de Orientação em BTT 2009/2010, lado a lado com Sonja Zinkl, Michaela Gigon e Christine Schaffner. Uma foto que figurará sempre em lugar de destaque no meu álbum de recordações.

2. PODERIA A LESÃO DO DANIEL TER SIDO EVITADA?
A 12ª edição dos Campeonatos Nacionais de Orientação em BTT fica indelevelmente marcada pela grave lesão que vitimou Daniel Marques, o afastou da disputa dos títulos nacionais 2009/2010 e o obriga a uma forçada e (sempre) longa paragem em vésperas da prova WRE de Pataias, das provas da Taça do Mundo (Hungria e Polónia) e a menos de quatro meses dos Mundiais de Montalegre. Mas poderia a lesão de Daniel Marques ter sido evitada? Bruno Oliveira, um dos responsáveis máximos por esta organização, garante que na quinta-feira passada o arame não estava lá e nós só temos que acreditar nele. Todavia, em plena prova e antes da lesão sofrida por Daniel Marques, já alguns atletas por lá tinham passado e detectado a gravidade e o risco implícito da situação. O Orientovar falou com três deles, um que se baixou e raspou no arame apenas com o capacete e outros dois que ainda conseguiram desviar-se a tempo. Um outro atleta terá sofrido mesmo um golpe na face. E então, o que fizeram? Tentaram remover ou simplesmente sinalizar o obstáculo? Não vou especular, não vou sequer invocar deveres de cidadania consignados na própria Constituição da República. Deixo apenas à consideração de todos se a única prioridade, neste caso e noutros, é ditada pela tirania do cronómetro ou se, como pessoas, devemos ir um pouco mais além, em nome da nossa própria moral e consciência?

3. ATROPELOS À VERDADE DESPORTIVA
A afirmação envolve o seu quê de polémico e, por isso mesmo, o assunto será tratado à parte, num artigo que trarei para a “Ordem do Dia”. Mas levanto já uma pontinha do véu, atrevendo-me a afirmar que foram em número demasiadamente elevado os participantes nas provas de Sprint e Distância Média que, fazendo tábua rasa dos Regulamentos, transitaram fora de caminhos em cima da bicicleta ou invadiram terrenos privados. Atropelo à verdade desportiva? Claro que sim! Sei que não fui o único a ficar chocado com a situação, dando inclusive de barato que há muita gente nova que tão pouco tem consciência das infracções cometidas. Mas que para os estrangeiros presentes – alguns dos melhores do mundo, acrescente-se -, em vésperas de Mundial no nosso país, a imagem que ficou é a pior possível, lá disso ninguém tenha dúvidas!

4. NOTA DE DESAGRAVO
“Disputada por 252 atletas (226 nos escalões de competição e 26 nos escalões abertos), a prova ficou marcada por uma falha da Organização que resultou na falta de mapas para os escalões H17 e H21A e determinou que, face aos enormes atrasos, quinze atletas no conjunto dos dois escalões decidissem não partir, abandonando a competição.” Este texto pode ler-se na apreciação que fiz na passada segunda-feira à prova de Distância Longa dos Nacionais de Ori-BTT e contém, em si mesmo, incorrecções. A dificuldade em confirmar números junto da Organização levou-me a fazer a afirmação que, em si mesma, não é muito “simpática” para a Organização. Em nome da verdade, a situação da falta de mapas existiu, é verdade que é uma falha da Organização, mas mesmo assim foi possível dar a partida a todos os atletas pelas 12h50 e atrasar apenas 15 a 20 minutos a Cerimónia de Entrega de Prémios. Lamento a afirmação, que poderá ser considerada muito penalizadora e não verdadeira para a Organização e acima de tudo para a modalidade. Daí esta nota de desagravo, à qual acrescento um pedido de desculpas.

5. O LOUVOR DA SEMANA
Passou por mim a pedalar descontraidamente e disse, com o mais belo sorriso: “Se isto é para brincar, aproveito e dou um passeio.” A frase tem a ver com o que ficou dito anteriormente no ponto 3 e vem da boca de alguém que não consegue pactuar com este tipo de atitudes e prefere desistir a ser apelidada de “ingénua” ou de “estúpida”. Para ela e para aqueles que, como ela, souberam manter a coragem e a firmeza até ao fim vai, com todo o respeito e a mais profunda admiração, o Louvor da Semana!

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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terça-feira, 30 de março de 2010

OS VERDES ANOS: FÁBIO SILVA

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Olá a todos

O meu nome é Fábio Silva, tenho 16 anos e vivo numa terrinha chamada Lagameças. Frequento o 11º ano na Escola Secundária de Pinhal Novo, onde treino à guarda do Professor Daniel Pó.

Há cerca de 10 anos que pratico desporto, 7 dos quais dedicados ao Taekwondo, sendo que apenas há mais ou menos 2 anos e 7 meses comecei a treinar direccionado para Orientação.

O meu primeiro contacto foi quando andava no 7º ano na Escola Secundária de Pinhal Novo pelas aulas de Educação Física e pela prova que se realiza todos os anos a nível escolar. Admito que, apesar de “achar piada à coisa”, não me dava muito bem. Foi só em Outubro de 2007 que o meu professor de Educação Física de então, o Professor Paulo Pereira, me informou dos objectivos da Escola em participar nos Campeonatos do Mundo do Desporto Escolar e que precisavam de alunos para “encher” a equipa. Achei a ideia um tanto fora do meu alcance mas lá aceitei a proposta e não podia ter feito outra escolha melhor.

Ter a possibilidade de correr lado a lado com a natureza, ver o mapa materializar-se diante dos meus olhos, sentir as curvas de nível nos pés, acabar o percurso com a certeza de que dei tudo o que tinha e no fim poder divertir-me com os meus amigos é algo que nenhum outro desporto oferece e é o que torna a Orientação especial. Alegra-me quando, a meio do percurso, vejo um professor a ensinar os alunos a ler um mapa ou quando uma família se junta e simplesmente dá um passeio pela floresta de mapa em punho - são momentos únicos e dignos de recordar.

Tenho imensos desejos para o futuro mas aquele que se sobrepõe a todos é mesmo a vontade de treinar cada vez mais a sério para poder evoluir e estar à altura dos desafios que se avizinham (Campeonato Mundial de Corta-Mato Escolar) e contribuir para que esta modalidade se eleve.

Gostaria, por fim, de agradecer ao Professor Daniel Pó, o meu treinador. É graças a ele e aos treinos que por vezes nos deixam a morrer que eu e o restante grupo pudemos atingir os nossos objectivos até agora. Agradeço também aos amigos que me acompanham nesta jornada. A todos eles os meus sinceros agradecimentos.

Quem tiver curiosidade de experimentar a Orientação não tema. É uma daquelas coisas que nunca saberemos se não experimentarmos e ainda com uma certeza: Não se arrependerão de tentar e quererão sempre mais.

Fábio Silva

[foto gentilmente cedida por Paulo Fernandes]
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segunda-feira, 29 de março de 2010

NACIONAIS ORI-BTT 09/10: O "TRI" DE PAULO ALÍPIO

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Rita Madaleno e Paulo Alípio conquistaram o título nacional de Distância Longa de Orientação em BTT e tornaram-se nas grandes figuras destes Nacionais 2009/2010.


À medida que os ponteiros do relógio na Igreja Matriz se aproximam das nove, a fresca e enevoada manhã de domingo vai acordando de forma estremunhada depois dos sessenta minutos roubados à noite por caprichos da chamada Hora de Verão. A pequena freguesia de Palmaz, no extremo sudeste do concelho de Oliveira de Azeméis, toma-se subitamente duma animação inusitada. Fatos domingueiros dos palmacenses e vistosos equipamentos de corrida rivalizam ao longo das empinadas ruas da aldeia. Está prestes a dar-se início à derradeira etapa dos Campeonatos Nacionais de Orientação em BTT 2009/2010, com a disputa do último e mais aguardado título nacional, o de Distância Longa.

Abrindo-se em cima para depois afunilar à medida que caminhamos para o sul, a configuração do mapa faz lembrar grosso modo o Brasil. Esse mesmo Brasil que, há cem anos atrás, foi ponto de acolhimento e porto de abrigo de tantos e tantos oliveirenses, em epopeias de desgraça ou fortuna que Ferreira de Castro – também ele um oliveirense da vizinha freguesia de Ossela – tão bem soube descrever. A serpenteante linha azul do Rio Caima impõe-se ao longo dum mapa marcado pelo relevo, com encostas abruptas de floresta de eucalipto a ladearem as margens do cavado vale. Numa paisagem de imensa beleza, adivinham-se as dificuldades duma agricultura de sustento que terão determinado essa terrível sangria para o país irmão.

Aspectos menos positivos

Disputada por 252 atletas (226 nos escalões de competição e 26 nos escalões abertos), a prova ficou marcada por uma falha da Organização que resultou na falta de mapas para o escalão H17 e levou a alguns atrasos nas partidas. Com trabalho de campo e desenho de João Amorim (Janeiro de 2010), percursos de João Amorim, Fernando Silva e Bruno Oliveira e homologação de Alexandre Reis, o mapa viria a revelar-se bem mais rápido do que seria suposto face aos enormes desníveis (800 metros de desnível acumulado na Elite masculina, a título de exemplo), acabando os tempos por se quedarem bastante próximos dos alcançados na prova de Distância Média. Também as partidas se encontravam a uma distância bem superior à anunciada, com a agravante de terem um desvio deficientemente sinalizado o que levou a que vários atletas se vissem obrigados a fazer uns bons pares de quilómetros a mais do que os 1,6 km generosamente prometidos.

Falhas a mais para uns, falhas de somenos para outros, ainda assim falhas que merecerão, a par de outras tantas verificadas no primeiro dia, a devida atenção por parte duma organização, como ela própria assevera, empenhada em “proporcionar a esta modalidade que todos adoramos um bom cenário de competição, convívio e diversão.” E aqui cabe uma palavra de apreço para com o pronto assumir de responsabilidades por parte da equipa organizativa do Clube Ori-Estarreja, na pessoa do seu Director de Prova, Fernando Silva. Um gesto bem revelador da riqueza de carácter de toda uma equipa e que, infelizmente, vai sendo cada vez menos usual nos tempos que correm.




O “bis” de Rita Madaleno

Ao encontro da competição, viramos a nossa atenção para o escalão de Elite masculina onde Paulo Alípio (COC) fez jus ao ditado de que “não há duas sem três”. Com efeito, aos títulos nacionais de Distância Média e de Sprint, o atleta juntou também o de Distância Longa, cumprindo os 23,0 km em 1.44.21. Na segunda posição, com mais 6.39 que o vencedor, classificou-se Davide Machado (.COM), justificando as atenções que sobre ele recaem e que lhe valeram a recente convocação para representar Portugal nas duas próximas provas da Taça do Mundo, na Hungria (22 a 25 de Abril) e na Polónia (3 a 6 de Junho). O terceiro lugar foi parar às mãos de Luís Barreiro (NADA), com o tempo de 1.56.08. Para Paulo Alípio, "a prova foi bastante exigente, fisicamente pelo enorme desnível e tecnicamente pela difícil leitura que a escala do mapa (1/20000 - 10 m) originava, atendendo às características do terreno. Um erro de leitura ou de opção levava-nos a perder muito tempo.” Em termos de balanço deste Campeonato Nacional de Orientação em BTT 2009/2010, a apreciação do atleta do COC “passa inevitavelmente pelo acidente do Daniel Marques. A sua ausência forçada alterou obrigatoriamente a atribuição dos títulos. Por vezes, é com momentos maus que conseguimos ganhar mais força e determinação para vencermos e eu espero, naturalmente, que o Daniel possa regressar ainda mais forte e que continue a ser uma referência para todos nós."

Se é verdade que “não há duas sem três”, será igualmente verdade que “não há uma sem duas”. E esta observação vai inteirinha para Rita Madaleno (ADFA) que, após o título nacional de Sprint na tarde de sábado, alcançou com inteiro mérito o título nacional de Distância Longa. A atleta gastou 1.50.35 para 20,6 km de prova, batendo Maria Amador por escassos 1.22. Na terceira posição viria a classificar-se Susana Pontes (CPOC / Loja das Bicicletas), a distantes 9.33 da vencedora. Apesar do cansaço e da ardência provocada pela água num número infindável de escoriações, a atleta não escondia a sua satisfação: “Foi ouro sobre azul e vai-me dar muito alento para as próximas provas.” Quanto ao segredo da vitória, uma resposta no mínimo desconcertante: “Uma noite em que dormi, como todos, menos uma hora e em que se calhar não me preocupei muito com o que comi nem com o que bebi. O resto é força de vontade quando se vê uma subida, não é mais nada. Num mapa como o de hoje isto então tem um significado maior ainda. É muito complicado, a transitabilidade de caminhos é muito difícil, há muitos paus cortados, zonas muito escorregadias, o mato esconde caminhos e obriga a muita atenção, sofre-se muito. Mas valeu a pena porque a zona é espectacular.” Quanto ao futuro: “Faço sempre o meu melhor. Prova a prova vamos aproveitando e desde que me continue a divertir, isso é o mais importante.”

Mac-Mahon Moreira, um nome a reter

Mas nem só Paulo Alípio regressou a casa com três medalhas no bolso. O mesmo aconteceu com mais quatro atletas, com particular destaque para Mac-Mahon Moreira (BTT Loulé), que desponta nestes Nacionais com apenas 16 anos de idade e obriga a lançar sobre si uma particular atenção. Do mesmo clube, Ana Gomes chamou a si os três títulos nacionais, repetindo a jornada dourada dos Nacionais de Ourém, em Maio do ano passado. Alice Silva (GDU Azóia) e Luís Sousa (Clube TAP), dois “históricos” da modalidade, fizeram igualmente o pleno nos escalões de D45 e H50, respectivamente.

Quanto aos restantes vencedores, Margarida Colares (CAOS) e Armando Santos (Clube EDP) “bisaram”, repetindo os triunfos na prova de Distância Média no que aos escalões de D20 e H55 diz respeito. Os três restantes títulos conheceram rostos novos e, ainda por cima, de estreantes nestas andanças: Tiago Silva (ATV) soube aproveitar o ‘mp’ de João Mega Figueiredo (CN Alvito) para levar de vencida o título em H20, António Costa (GDU Azóia) fez o mesmo em relação a Leandro Silva (CN Alvito) e sagrou-se Campeão Nacional no escalão H40 e Filipe Silva (Millennium BCP) foi o mais forte em H45. Uma última referência para os clubes que se sagraram vencedores na prova de Distância Longa e aqui o destaque vai para a ADFA que, aos títulos femininos de Elite nas três provas em disputa, juntou também o título masculino de Elite na Distância Longa, batendo de forma absolutamente inesperada o COC. O BTT Loulé voltou a vencer em Juvenis Masculinos, ao passo que GDU Azóia triunfou em Veteranos Masculinos I e o COC acabou por se redimir em Veteranos Masculinos II, chegando finalmente à vitória com atletas todos eles do escalão H50.

Resultados e outras informações na página oficial do evento

AQUI.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

[texto editado em 31.03 às 6h38]
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NACIONAIS ORI-BTT 09/10: PAULO ALÍPIO E RITA MADALENO SÃO OS NOVOS CAMPEÕES NACIONAIS DE SPRINT

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Os Campeonatos Nacionais de Orientação em BTT prosseguiram na tarde de sábado com a prova de Sprint. No escalão de Elite masculino, Paulo Alípio voltaria a ser o mais forte enquanto no sector feminino Rita Madaleno chegava ao título nacional pela primeira vez na sua carreira.


A improvisada esplanada em pleno Campo de Jogos de S. Martinho da Gândara, com vista para as Chegadas, mantinha um movimento constante de idas e vindas. “Recupere do esforço no Bar do Ori-Estarreja, aberto 24 horas por dia”, anunciava alto e bom som o ‘speaker’ de serviço nestes Nacionais, Jorge Fortunato. Com efeito, a retemperadora pausa entre as provas de Distância Média e de Sprint serviu para a lavagem e afinação das máquinas, um período de repouso ainda que curto e a degustação de uma excelente Sopa de Legumes e um bom prato de Esparguete à Bolonhesa.

Pouco passaria das 14h30 quando chegava a notícia de que Daniel Marques acabava de deixar o Hospital e, felizmente, as lesões sofridas não inspiravam cuidados de maior. A este propósito, o atleta – a quem desejamos rápidas melhoras – escreveria no seu blogue: “Se o arame estivesse colocado uns centímetros mais alto, corria o risco de ter danos irreversíveis nos braços com hemorragias brutais e provavelmente a estrutura óssea gravemente danificada. Se tivesse sido ao nível do pescoço era morte certa!” [leia a mensagem completa
AQUI].

“Não está cá o Daniel e isso faz a diferença”

Os ponteiros assinalam as 15h00 quando os primeiros atletas regressam ao terreno para a disputa do título nacional de Sprint. Um mapa similar - com trabalho de campo e desenho de Bruno Oliveira (Janeiro de 2010) -, as mesmas dificuldades, um número de participantes inferior ao da manhã (251 atletas, dos quais 235 nos escalões de competição e os restantes 16 nos escalões abertos) e, como veremos adiante, praticamente os mesmos vencedores. Em Elite Masculina, Paulo Alípio (COC) repetiu a vitória da prova de Distância Média, concluindo o seu percurso em 38.03. Joel Morgado e Luís Pires, também eles atletas do COC, alcançaram as segunda e terceira posições com os tempos de, respectivamente, 40.19 e 41.19. Paulo Alípio falava assim deste segundo título alcançado num tão curto espaço de tempo: “Tal como na prova da manhã, a questão aqui que marca a diferença são as condições do terreno. É um bom mapa, tem muitos caminhos mas o terreno lamacento introduz sempre uma dificuldade muito grande, tanto do ponto de vista físico como também técnico porque acabamos por ter uma dificuldade muito grande em ler o mapa em andamento. E depois a lama não está no mapa.” Quanto ao título propriamente dito, Paulo Alípio sente-o na mesma linha de pensamento da prova da manhã: “Não está cá o Daniel e isso faz a diferença. Ele é muito forte em todas as distâncias, mas em particular nas distâncias curtas. Sem ele aqui, o sabor de mais um título é igualmente estranho e não é a mesma felicidade.”


No sector feminino Rita Madaleno (ADFA) foi a grande vencedora, alcançando o primeiro título nacional da sua carreira. A atleta fez o tempo de 42.46, deixando atrás de si Susana Pontes (CPOC / Loja das Bicicletas) e Maria Amador (ATV), a respectivamente 2.55 e 7.46 de diferença. A propósito da vitória de Rita Madaleno, registe-se a emoção com que a atleta recebeu a notícia dada em primeira-mão pelo Orientovar e as suas declarações, ainda a quente: “É muito bom – obrigada pela notícia! – e vai-me dar algum alento. Pessoalmente, encaro isto como diversão e como desporto, muito mais do que propriamente como competição. Ao contrário da prova da manhã, em que parti o suporte do mapa, perdi a bússola e fiquei sem mudanças, esta prova correu-me bem. Não falhei nenhuma opção - ainda caí!... – e pronto, estou muito contente por este meu primeiro título nacional.” Quisemos saber se o facto de a atleta estar este ano muito mais voltada para a Pedestre terá tido alguma influência neste título. A resposta não se fez esperar: “Eu creio que sim. O tipo de Orientação é completamente diferente mas acaba por me fazer adquirir noções técnicas dos verdes e outras que me auxiliam muito na BTT quando estou completamente perdida. Mas faço Pedestre mesmo só por desporto. Tenho muitas dificuldades de ordem técnica e algumas limitações físicas e faço-o porque estou a gostar muito da modalidade. Mas é verdade que acaba por me ajudar na BTT.”

O primeiro título de Fernando Henrique

Quanto aos restantes dez títulos atribuídos, sete foram uma repetição da prova da manhã. Começando pelos escalões mais jovens, Mac-Mahon Moreira (BTT Loulé) e João Mega Figueiredo (CN Alvito) foram dois dos atletas que bisaram, respectivamente nos escalões H17 e H20. Em D20, Ana Filipa Silva (CPOC / Loja das Bicicletas) renovou o título nacional, o 10º da sua ainda curta carreira. Nos escalões de Veteranos, as novidades vêm da parte de Fernando Henrique (GDU Azóia) e Joaquim Patrício (CN Alvito), nos escalões de H35 e H55, respectivamente. Nos restantes escalões, cinco atletas a bisar: Ana Gomes (BTT Loulé) em D35, Leandro Silva (CN Alvito) em H40, José Silva (ATV) em H45, Alice Silva (GDU Azóia) em D45 e Luís Sousa (Clube TAP) em H50.

Por clubes, realce para a repetição das vitórias de COC e ADFA nos escalões de Elite masculino e feminino, respectivamente. Nos restantes três escalões em competição, três novos clubes a vencer: Em Juvenis Masculinos o triunfo coube à turma do BTT Loulé, enquanto em Veteranos Masculinos I venceu o DA Recardães e em Veteranos Masculinos II a turma da ADFA foi a mais forte.

Toda a informação relativa aos Nacionais de Ori-BTT 2009/2010 na página oficial do evento,
AQUI.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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domingo, 28 de março de 2010

NACIONAIS ORI-BTT 09/10: TÍTULOS DE DISTÂNCIA MÉDIA PARA PAULO ALÍPIO E SUSANA PONTES

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Estão atribuídos os primeiros títulos nacionais da presente temporada. Foi este fim-de-semana, em Oliveira de Azeméis, com a disputa do Campeonato Nacional de Orientação em BTT 2009/2010.

Disputaram-se este fim-de-semana os Campeonatos Nacionais de Orientação em BTT 2009/2010. No dia de ontem, S. Martinho da Gândara assistiu à consagração de dois estreantes nestas andanças: Paulo Alípio (COC) e Rita Madaleno (ADFA). Com efeito, Paulo Alípio não fez por menos e conquistou os dois títulos em disputa no escalão de Elite – Distância Média e Sprint – enquanto Rita Madaleno venceu a prova de Sprint. O restante título de Elite Feminina na Distância Média foi parar às mãos de Susana Pontes (CPOC / Loja das Bicicletas), pela quarta vez consecutiva. Já hoje, em Palmaz, Paulo Alípio e Rita Madaleno chegaram de novo ao lugar mais alto do pódio, desta feita na prova de Distância Longa.

Estes Nacionais ficam igualmente marcados pela lesão de Daniel Marques no primeiro dia de provas. O melhor atleta português de sempre, nº 19 do ‘ranking’ mundial e vencedor da Taça de Portugal por seis vezes nos últimos sete anos no escalão de Elite, viu-se afastado de forma bem precoce destes Nacionais e impedido de defender os seus títulos de Distância Longa e Distância Média e de alcançar, pela primeira vez na sua carreira, o título nacional de Sprint. Com ele, por inerência, abandonaram também a competição o irmão Guilherme Marques e os pais, Pedro Serralheiro e Luísa Mateus, eles que também aqui defendiam títulos nacionais.

Lama, a dura realidade

A jornada dupla de ontem abriu com a prova de Distância Média, disputada por 278 atletas, dos quais 257 distribuídos por 16 escalões de competição, 3 nos escalões de Formação e 18 nos escalões abertos. Extra-competição participaram alguns nomes sonantes da modalidade a nível mundial, casos das austríacas Michaela Gigon (1ª classificada do ‘ranking’ mundial) e Sonja Zinkl (4ª), das suíças Christine Schaffner (3ª), Ursina Jäggi (19ª) e Maja Rothweiler (22ª), da lituana Karolina Mickeviciuté (19ª) ou da britânica Emily Benham (24ª), no sector feminino. Quanto ao sector masculino, o russo Ruslan Gritsan (2º do ‘ranking’ mundial) foi a presença mais marcante em prova, devidamente secundado pelos suíços Beat Oklé (7º), Beat Schaffner (8ª) e Simon Seger (22º) e pelo austríaco Tobias Breitschädel (12º). O mapa utilizado contou com trabalho de campo e desenho de Bruno Oliveira (Maio de 2009), percursos de Bruno Oliveira, Fernando Silva e João Amorim e homologação de Alexandre Reis, o Supervisor da Prova.

A pacata localidade de S. Martinho da Gândara acordou com uma animação pouco habitual junto ao Parque de Jogos, com a enorme azáfama nos preparativos, o cuidado e atenção postos na afinação das máquinas e o salutar convívio entre todos na expectativa duma jornada inesquecível. Já no terreno e em pleno triângulo, porém, a dura realidade da lama apanhou de surpresa a generalidade dos participantes. Face às chuvadas que se abateram no Norte do País ao longo dos últimos dias, ninguém duvidava que ela estaria algures para criar problemas acrescidos à progressão. Do que não se estava à espera era de tamanha abundância. Bastava descer a um ponto mais baixo e os caminhos transformavam-se imediatamente em autênticos lamaçais ou pequenos ribeiros, pondo à prova as mais valias físicas de todos e de cada um.


Vencedores de Elite

Foi neste cenário que Paulo Alípio soube impor-se à concorrência. Com o tempo de 1.30.23, o atleta do COC alcança, como já referimos, o seu primeiro título de Campeão Nacional, batendo Mário Guterres (ADFA) por um minuto exacto e deixando José Marques, também da ADFA, a 3.18. Para Paulo Alípio este é um título que provoca “um sentimento um bocado estranho”. Concretizando: “Obviamente que é bom ganhar, mas nestas circunstância o sabor é amargo. O Daniel Marques está uns pontos acima de nós e, em circunstâncias normais, ganhava. Assim, a vitória não tem o mesmo sabor, ainda para mais sabendo que se trata dum amigo que se aleijou com alguma gravidade. Gostaria de ganhar em situação normal e com o Daniel em prova. Isso sim, seria certamente uma grande vitória.”

Quanto à Elite feminina, a prova foi dominada de forma absolutamente esmagadora por Susana Pontes que concluiu o seu percurso em 1.28.38. Só 13.53 mais tarde chegaria Joana Frazão (ADFA) enquanto Rita Madaleno (ADFA) fecharia o pódio com o tempo de 1.44.19. No final, Susana Pontes estava naturalmente satisfeita com mais um título no seu já vasto pecúlio: “Sinceramente não estava à espera, depois duma semana em que estive adoentada, a tomar antibióticos e em que ponderei mesmo não vir. A verdade é que não consigo ficar em casa sem fazer nada, vim tentar, doeram-me muito as pernas e sofri neste terreno cheio de lama. Mas claro, depois do que aconteceu, é muito bom ter ganho.”

Restantes escalões

Nos restantes escalões, realce para os primeiros títulos nacionais de Mac-Mahon Moreira (BTT Loulé) em Juvenis Masculinos e Margarida Colares (CAOS) em Juniores Femininos, enquanto João Mega Figueiredo (CN Alvito), em Juniores Masculinos, alcançou o primeiro título da sua carreira neste escalão, depois dos quatro títulos alcançados como Juvenil nas duas temporadas passadas.

Quanto aos escalões de Veteranos, sete atletas de clubes diferentes para sete títulos. Destaque para as vitórias de Carlos Simões (COALA) em H35, Ana Gomes (BTT Loulé) em D35, Leandro Silva (CN Alvito) em H40, José Silva (ATV) em H45, Alice Silva (GDU Azóia) em D45, Luís Sousa (Clube TAP) em H50 e Armando Santos (Clube EDP) em H55. Refira-se ainda que todas as vitórias terão tido um sabor especial, naturalmente, mas com diferentes nuances. As de Carlos Simões, Leandro Silva e José Silva, por terem sido alcançadas pela primeira vez; a de Ana Gomes, porque vem na sequência do seu domínio esmagador na última edição da prova; e as de Alice Silva, Luís Santos e Armando Santos, por constituírem a reafirmação da vitalidade de três atletas que no seu conjunto, são possuidores de 16 títulos nacionais e, no caso concreto de Armando Santos, por ser um título atribuído pela primeira vez com a contemplação do escalão H55 para efeitos da própria competição.

Os títulos de clubes apenas foram atribuídos em cinco escalões, com natural destaque para as vitórias de COC e ADFA nos escalões de Elite masculino e feminino, respectivamente. Em Juvenis Masculinos triunfou o CN Alvito, enquanto o CLAC venceu em Veteranos I e o Milennium BCP levou a melhor em Veteranos II.

Toda a informação sobre os Campeonatos na página oficial do evento
AQUI.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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sábado, 27 de março de 2010

O MEU MAPA: MANUEL DIAS, O MONTE PENEGAL NORD E 48 MINUTOS PARA 700 METROS

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A minha primeira tentação foi escrever sobre o mapa de Guardamar, Alicante, onde, no dia 26 de Fevereiro de 2005, participei, com a Raquel, o Tiago, o Alvarez e o Ladeira, na vertiginosa aventura de correr 21 km com 150 pontos de controlo, o recorde mundial da altura. O terreno é simplesmente fabuloso, não admirando, por isso, que tenha sido uma das primeiras propostas para os “101 mapas que você devia correr antes de morrer” (ver Orientovar de 27 de Janeiro).

Mas essa meia maratona foi cumprida sem especiais percalços. Foram 2h52 num ritmo surpreendentemente confortável. Ora, para mim, as memórias mais fortes da Orientação estão associadas a grandes erros, a mapas aonde fico com terríveis ganas de voltar. Desse ponto de vista, Guardamar é um leão adormecido.

A escolha recaiu, então, num mapa do Norte de Itália, entre Trento e Bolzano, na zona dos Dolomitas, Alpes. Chama-se “Monte Penegal Nord” e, no dia 10 de Julho de 1998, foi palco da 4ª etapa dos 5 Giorni della Valle di Non, que teve nesse ano a sua primeira edição. Demorei 48 minutos e 37 segundos para descobrir o ponto 5, situado a 700 metros do ponto 4. A página da prova ainda se pode consultar em
http://www.oripredaia.it/italiano/avviso.html.

A segunda edição destes 5 Giorni teve lugar sete anos mais tarde, em 2005, e voltei a estar presente. Ao invés de fazer as pazes com o mapa, reforcei o meu conflito com ele. A etapa 3 decorreu num mapa com nome ligeiramente diferente – “Penegal (Il Falchetto)” – mas aproveitando cerca de 80 por cento do mapa anterior. O ponto 3, situado a 250 metros do ponto 2, custou-me 17 minutos e 44 segundos. E querem saber? O ponto 2 da prova de 2005 distava 65 metros do ponto 4 da prova de 1998. Mas disso só tomei consciência já em Portugal, ao trocar impressões com a Raquel e o Tiago sobre os excelentes mapas que eu tivera oportunidade de correr nesse Verão.

E essa é também uma das razões para escolher este mapa do Trentino. É que esse Verão de 2005 foi o meu primeiro grande banho estival de Orientação. Fiz 18 provas em 33 dias, incluindo a estreia na Eslovénia. Só para fazer inveja, deixo aqui em traços rápidos o guião desse périplo: Montei a minha base de campanha num modesto hotel de Milão, onde dormi a primeira noite e deixei ficar uma mochila enorme, levando para Coredo apenas a roupa indispensável para os 5 Dias della Valle di Non. Uma semana depois, voltei ao mesmo hotel de Milão para renovar a mochila pequena antes de partir para o Centro Desportivo de Tenero, que foi nesse ano o Event Centre dos 5 Dias da Suíça, disputados em simultâneo com o Mundial de Juniores (JWOC), onde fui o único português a aplaudir os nossos representantes: Alexandre Alvarez, André Ramos, Marco Martins e Pedro Duarte, enquadrados pelo técnico Rui Ferreira.

Mais uma semana e dormia de novo no tal hotel de Milão, desta vez já com a Rosário que, finalmente de férias, fora na véspera ter comigo à Suíça. Desmontámos a base de campanha, alugámos um carro e rumámos à Eslovénia, gastando três ou quatro dias maravilhosos nos Dolomitas (impossível esquecer o lago Misurina e os Três Picos de Lavaredo) e, depois, no Parque Nacional do Triglav e em Logarska Dolina antes de chegarmos a Ljubljana e Mozjrie. Fiquei deslumbrado com os mapas da Eslovénia. Esses 3 Dias souberam-me a pouco. A versão dos 5 Dias só começaria em 2007, ano em que o Norman Jones aproveitou a minha inscrição, depois de eu ter regressado gravemente lesionado do WMOC na Finlândia. Voltei à Eslovénia em 2008 e estou inscrito para a próxima edição (24-28 Julho de 2010), em cuja lista vejo, com muita alegria, que figuram também os nomes de José Bernardo, Sílvia Delgado, Armando Santos, Guida Santos, Catarina Santos e Carlos Lobo.

Feito este aparte, volto ao périplo para dizer que, da Eslovénia, regressei com a Rosário a Trento, onde trocámos o carro pelo comboio para uma viagem de 18 horas (incluindo dormida) até Praga. Os 5 Dias da Boémia disputavam-se em Novy Bor, onde, além da família Ferreira (Carlos, Fernanda, João e Fausto – que belo jantar de aniversário), que já nos fizera companhia na Eslovénia, fomos encontrar uma numerosa representação portuguesa, maioritariamente composta por atletas do COC.



Fecho o círculo e volto ao mapa do Monte Penegal. É que, em 1998, viajei para os 5 Giorni della Valle di Non (7-11 Jul) exactamente a partir de Novy Bor, onde fui o único português a participar no WMOC desse ano (1-5 Jul), com o feliz resultado de ter pela primeira vez atingido a Final A. Voei de Praga para Milão e segui daqui em comboio para Trento.

Quem conhece o mapa de Itália sabe que a linha de comboio que vai de Milão para Veneza e Udine, acompanhando em largos trechos a auto-estrada A4, separa o norte montanhoso da grande planície dominada pelo rio Pó. Já preciso dos dedos das duas mãos para contar as vezes que fiz essa linha de comboio. O momento mais mágico é quando, na estação de Verona Puorta Nuova, se troca essa linha (W-E) pela que segue para Trento e Bolzano (S-N). A viagem de Verona para Trento dura cerca de uma hora, mas é um deslumbramento para quem, como eu, não está habituado à paisagem de montanha. A primeira vez que viajei nesse comboio, em 1998, saltava da janela da direita para a janela da esquerda tentando guardar na película fotográfica o registo desses instantes que cortavam a respiração. Minuto a minuto, a carga mítica dos Alpes pesava na memória e dava asas ao coração, mergulhando todo o corpo numa euforia inebriante que não sei mais descrever.

Depois, em Trento, nova emoção ao tomar o comboiinho de via estreita para Dermulo e, aqui, esperar por um autocarro até Ronzone, onde funcionava “il centro gare”. Esse autocarro deve existir, mas nunca o vi. Em 1998, depois de uma longa espera, já noite cerrada, apanhei boleia num luxuoso autocarro nórdico, que andava por ali em excursão com uns jovens estudantes escandinavos. Em 2005, já mais precavido, telefonei à Stefania que mandou uma carrinha buscar-me a mim e a mais uns quantos desafortunados, que tinham caído ali ao desamparo, como me sucedera sete anos atrás. A Stefania era uma das simpáticas e eficientes raparigas da organização, com quem eu trocara vários e-mails antes de sair de Lisboa. Devo-lhe a reserva do hotel Miravalle onde, depois do jantar, ficava todos os dias à conversa com Mats Eriksson, um sueco do meu escalão, que jantava na mesa ao lado com a esposa e dois filhos.

O Mats, que em corpo fazia dois de mim, não parecendo muito talhado para a corrida, era senhor de uma técnica muito superior à minha. Aprendi alguma coisa nessas sessões de cavaqueira. Nesses 5 dias, entre 63 concorrentes de H50, as suas classificações foram 10-13-3-5-11, enquanto eu não fui além de 15-23-35-19-16. A grande nódoa foi o tal ponto 3 da 3ª etapa. Nesse dia perdi para dois adversários a quem ganhei nos outros quatro dias. Não os conhecia na altura e hoje são dois bons amigos: Martin Checkley e Giovanni Visetti. Foi uma surpresa encontrar os seus nomes quando, agora, revisitei a página da prova para escrever estas linhas. Os resultados estão aqui:
http://www.oripredaia.it/v2/en/risultati.asp.

Uma das referências que todos os portugueses do meu escalão tinham na altura era o britânico Vincent Joyce, que vencera o POM desse ano em Chaves. Pois também o Vincent claudicou nessa 3ª etapa do 5 Giorni, classificando-se no 32º lugar, que rectificou no dia seguinte com a 2ª posição da tabela. O vencedor da prova foi o campeoníssimo Pekka Marti, cujo nome finalmente liguei a um rosto. É um dos meus ídolos e orgulho-me da forma afável como hoje nos cumprimentamos.

Volto ao mapa de 1998 para dizer que foi nestes 5 Dias que pela primeira vez usei o SI-Card, depois de, na semana anterior, ter controlado com o Emit no Mundial da República Checa. Senti-me, por isso, algo credenciado para responder à consulta que, pouco tempo depois, a FPO promoveu no sentido de apurar qual dos dois sistemas mais agradaria aos praticantes portugueses. Não tive dúvidas em apontar o SI e fiquei muito satisfeito quando a Federação optou por esse modelo, que, se a minha fonte não falha, foi estreado na final da World Cup que se disputou na Marinha Grande, a 12 de Outubro de 2000.

Olhando para o mapa do “Monte Penegal Nord”, à distância de quase 12 anos, continuo a não perceber como pude queimar tanto tempo num ponto aparentemente tão simples (do 4 para o 5). Lembro-me de iniciar a pernada tendo como primeiro objectivo o posto de abastecimento; depois, era só seguir o caminho e tinha excelentes pontos de ataque: a zona alagadiça, o limite do amarelo, uma árvore especial à beira do caminho.

Simplesmente não encontrei o abastecimento que, conforme verifiquei mais de meia hora depois, eram umas pequenas garrafas deixadas no solo e não a aparatosa banqueta a que estamos habituados. Desorganizei-me de tal modo que ainda hoje não imagino por onde andei. Com tanta volta e reviravolta, devo ter saído do mapa para sul. Durante muito tempo não vi ninguém, deixei de correr, não valia a pena pensar em desistir porque não tinha onde me apresentar. Então, apontei a bússola a norte, tentando voltar para trás até descobrir no terreno alguma referência facilmente identificável no mapa. Não sei quanto tempo durou essa fase até que, finalmente, me achei à beira de um enorme precipício. Dezenas, centenas de metros abaixo daquelas falésias rochosas, branquejavam ao longe, no meio do verde, as casinhas de uma aldeia. Olhem para o mapa e vejam aquela barra preta no limite leste. São dezenas de curvas de nível impossíveis de representar. Ah, então estava ali! Estava, de facto. E, atingido o controlo 5, demorei daí até ao 12º exactamente 48m56s, ou seja, apenas mais 19 segundos do que o tempo gasto só nesse ponto.

A escolha do Penegal para “o meu mapa” tem também a ver com a região onde se integra, o Trentino, conhecido em todo o mundo pela qualidade das suas maçãs. O símbolo do Orienteering Club Predaia, como podem ver na página da prova, é uma maçã transformada em atleta de orientação. É uma das minhas áreas favoritas para a prática desta modalidade.

Além destas duas provas (1998 e 2005), participei, não muito longe da zona, em dois outros importantes eventos: o WMOC de 2004 (precedido de três etapas do Euregio e do Highlands Open), em Asiago, onde tive um extraordinário companheiro no Dionísio Estróia, e, no Verão passado, os 5 Dias dos Dolomitas, em Fiera di Primiero. Este último evento decorreu em simultâneo com o JWOC onde brilharam tão alto os nomes de Tiago Romão e Diogo Miguel. O Orientovar fez desse campeonato uma tal cobertura que seria estultícia minha acrescentar o que quer que fosse.

Um derradeiro parágrafo para dizer que conto voltar ao Trentino no final de Junho, para participar nos 6 Days of North and South Tyrol (27 Jun – 4 Jul). Os três primeiros dias disputam-se em Itália, a 30 km de Bolzano, os últimos três, na Áustria, perto de Innsbruck. Na altura de redigir esta nota, sou o único português entre os 739 inscritos, mas as inscrições mantêm-se abertas até 31 de Maio. O preço mais favorável termina a 31 de Março. Informem-se aqui:
http://www.tyrol2010.com/cms/

Manuel Dias

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sexta-feira, 26 de março de 2010

CONCURSO DE FOTOGRAFIA NAOM 2010: RESULTADOS SÃO JÁ CONHECIDOS

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O Orientovar tem o prazer de divulgar os resultados do Concurso de Fotografia NAOM 2010, que teve em “Picotando”, de Fernando Batista, o grande vencedor.

Fomentar, reconhecer, premiar e difundir a criatividade na arte da fotografia, mostrar novos olhares sobre as gentes e o património do Crato e apresentar outros pontos de vista sobre o NAOM 2010, tais foram os objectivos do Concurso de Fotografia NAOM 2010. Promovido pelo Grupo Desportivo 4 Caminhos, no âmbito do evento levado a cabo no Crato, de 19 a 21 de Fevereiro passados, o Concurso teve o apoio de João Brites – Estúdio de Fotografia (
http://www.joaobrites.pt/) e do blogue Orientovar.

Apesar dos méritos da proposta, a ideia não “colheu” junto dos potenciais participantes e tamanho desinteresse fez com que esta primeira edição do certame contasse apenas com 15 fotografias a concurso, o que é manifestamente pouco e se lamenta. O júri, constituído por Céu Costa, João Alves e Joaquim Margarido, deliberou atribuir os seguintes prémios:


1º Prémio
“Picotando”, de Fernando Batista
- Estadia em Hotel (2 noites, quarto duplo) durante o POM 2011, Livro Crónicas Norte Alentejano "O" Meeting 2010 e Inscrição no POM 2011


2º Prémio
“Concentração ao Infinito”, de Paulo Fernandes
- Livro Crónicas Norte Alentejano "O" Meeting 2010 e Inscrição no POM 2011


3º Prémio
“A Idade do Esforço”, de Fernando Batista
- Inscrição no POM 2011

O Orientovar endereça aos premiados os sinceros parabéns, incentivando-os a que continuem, por via desta arte, a promover e a divulgar a Orientação.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

VENHA CONHECER... JOÃO SANTOS

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Chamo-me… JOÃO Carlos Assunção dos SANTOS
Nasci no dia… 04 de Novembro de 1971, em Mira
Vivo em… Mira
A minha profissão é… Militar
O meu clube… Ginásio Clube Figueirense
Pratico Orientação desde… 2000

Na Orientação…

A Orientação é… o desporto da floresta!
Para praticá-la basta… gostar do contacto com a natureza e de novos desafios sempre diferentes!
A dificuldade maior… saber associar os factores físico e técnico, o cansaço e as tomadas de decisões!
A minha estreia foi em… Mira!
A maior alegria… terminar a prova com o menor número de erros!
A tremenda desilusão… os mal-amados ‘mp’!
Um grande receio… perder a capacidade física que me impeça de continuar a fazer Orientação!
O meu clube é… um grupo de amigos!
Competir é… desafiar-me!
A minha maior ambição… continuar à procura de novos desafios neste âmbito!

… como na Vida!

Dizem que sou… um bocado doido mas, no fundo, um bom amigo!
O meu grande defeito… a teimosia!
A minha maior virtude… a persistência!
Como vejo o mundo… a caminhar para um lado negativo, mas sou optimista e sei que isto vai mudar!
O grande problema social… a face má do capitalismo, a pobreza!
Um sonho… menos competitividade negativa entre as pessoas!
Um pesadelo… ignorarmo-nos uns aos outros!
Um livro… “Crime e Castigo”!
Um filme… “Forrest Gump”!
Na ilha deserta não dispensava… o meu filho… a minha família… o meu grupo de amigos!

Na próxima semana venha conhecer Lucília Esteves.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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quinta-feira, 25 de março de 2010

PELO BURACO DA FECHADURA: CAMPEONATOS NACIONAIS DE ORIENTAÇÃO EM BTT 2009 / 2010

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É já no próximo fim-de-semana que em Oliveira de Azeméis se jogam os títulos nacionais de Orientação em BTT nas vertentes de Distância Média, Sprint e Distância Longa. Um evento que hoje espreitamos, com a ajuda do seu Director da Prova, Fernando Silva, pelo buraco da fechadura.

S. Martinho da Gândara e Palmaz, no concelho de Oliveira de Azeméis, são os palcos da 12ª edição do Campeonato Nacional de Orientação em BTT. O evento tem lugar já nos próximos sábado e domingo e será disputado nas vertentes de Distância Média, Sprint e Distância Longa. Recupera-se assim o figurino de 2006/2007, prescindindo-se das Estafetas. A razão parece clara, prendendo-se com os baixos índices de participação na generalidade dos escalões, no que às Estafetas diz respeito. E se é verdade que esta é uma vertente que cativa pela sua espectacularidade, não é menos verdade que sem participantes não há espectáculo.

Face à demora na publicação das listas de partidas, socorremo-nos do Oásis para adiantar que o número de atletas que irão disputar os títulos nacionais, ao que tudo indica, se queda pelos 270. A estes juntam-se 26 atletas oriundos da Áustria, Suiça, Espanha, Alemanha, Grã-Bretanha, Lituânia e Rússia, na sua grande maioria aproveitando a competição como parte integrante do plano de treinos com vista aos Campeonatos do Mundo do próximo mês de Julho, em Montalegre. Deste lote de atletas fazem parte vários nomes com assento no top-25 do ‘ranking’ mundial, casos das austríacas Michaela Gigon (1ª) e Sonja Zinkl (4ª), das suíças Christine Schaffner (3ª), Ursina Jäggi (19ª) e Maja Rothweiler (22ª), da lituana Karolina Mickeviciuté (19ª) ou da britânica Emily Benham (24ª), no sector feminino. Quanto ao sector masculino, o nome mais sonante é o do russo Ruslan Gritsan (2º), devidamente secundado pelos suíços Beat Oklé (7º), Beat Schaffner (8ª) e Simon Seger (22º) e pelo austríaco Tobias Breitschädel (12º). Mas para nos falar disto e muito mais ouçamos Fernando Silva, o Director da Prova.

“Já perdemos a conta ao número de horas investidas”

Orientovar - A fechar um mês particularmente significativo para o Clube Ori-Estarreja, como é encarado o desafio de organizar estes Campeonatos Nacionais de Ori-BTT 2010?

Fernando Silva - Sem duvida que se trata de um grande desafio. É com muita satisfação que tanto eu como toda a equipa do Ori-Estarreja tem estado a trabalhar no sentido de criar um evento à altura do desafio que temos pela frente. A expectativa é muito grande e a ansiedade tem vindo a crescer com a aproximação da prova. O nosso trabalho teve início em Setembro de 2009 e desde essa altura já perdemos a conta ao número de horas investidas essencialmente no trabalho de campo e noutras áreas imprescindíveis para este tipo de eventos. Sendo uma modalidade relativamente recente no clube esta também tem sido uma forma de aumentarmos não só a nossa capacidade como a aposta nesta vertente da Orientação. Seguramente iremos conseguir cativar e aumentar o número de atletas nesta modalidade dentro do nosso clube, o Ori-Estarreja.

Orientovar - Quais os principais passos ao longo do processo de implementação da prova e as dificuldades sentidas?

Fernando Silva - Se puder de alguma forma sistematizar a organização deste evento creio existirem alguns pontos chave nomeadamente:
- O trabalho de campo para a elaboração dos mapas de prova, pois são a peça mais importante do puzzle e ao mesmo tempo a que mais trabalho dá.
- O Apoio de entidades públicas e privadas de forma a poderem ajudar na implementação da prova. De referir que sem o apoio de algumas entidades como a Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis e as respectivas freguesias onde decorrerá a prova não seria possível por em prática estes eventos.
- Coordenação e gestão de tudo o que envolve a organização desta prova. A título de exemplo o trabalho iniciou em Setembro de 2009 com a intervenção de cerca de cinco elementos e no fim-de-semana da prova seremos cerca de 34 elementos associados a diversas tarefas imprescindíveis para o bom funcionamento da prova.

Sendo o Ori-Estarreja um clube com grande historial na modalidade de Orientação Pedestre e sendo poucos os atletas que de momento praticam a modalidade de Orientação em BTT dentro do clube, uma das dificuldades iniciais foi o número de elementos disponíveis com experiência nesta vertente. Acho difícil na organização deste tipo de eventos não existirem dificuldades mesmo quando a experiência é elevada; mas é superando estas dificuldades que conseguimos aprender e evoluir.

“Estamos a preparar uma festa”

Orientovar - Porquê a escolha do município de Azeméis para palco da prova?

Fernando Silva - Para começar, sou natural de Oliveira de Azeméis e o gosto pelo BTT e pela Orientação nasceu há alguns anos atrás. Como é compreensível o “campo de treinos” sempre foi Oliveira de Azeméis e arredores e, na verdade, é um local com excelentes condições para a prática desta modalidade. O BTT evoluiu muito nestes últimos anos a nível geral e na cidade de Oliveira de Azeméis também. Quando no clube se decidiu elaborar a candidatura para a organização deste evento, o local que foi de imediato sugerido foi Oliveira de Azeméis. Obviamente a proximidade em relação a Estarreja é um importante factor, mas as características variadas do tipo de terreno certamente irá agradar a todos os participantes deste Campeonato Nacional de Orientação em BTT em Oliveira de Azeméis.

Orientovar - Prova a prova, o que podemos esperar dos Nacionais?

Fernando Silva - Acredito que esta será uma prova bem disputada, não só pelo Campeonato Nacional como também pelo ranking de Ori-BTT. O elevado número de inscritos é a prova disso mesmo. Estamos a preparar uma festa, não só de Orientação como de convívio entre todos os participantes.

“É muito satisfatório poder acompanhar a evolução desta prova e ver as coisas a crescer”


Orientovar - Como é encarada a presença nesta prova de alguns dos melhores atletas mundiais da especialidade?

Fernando Silva - Sem dúvida que é um aliciante receber na nossa prova alguns nomes do top do ranking mundial de Ori-BTT. Acreditávamos que isto seria possível dado o estágio de algumas selecções no nosso país tendo em vista a preparação para o Campeonato do Mundo a realizar em Montalegre, no próximo mês de Julho. Esperamos também que esta seja uma prova que permita o treino e a evolução para os atletas presentes no WOC/JWOC 2010. Aproveito desde já para incentivar os atletas nacionais presentes no Mundial para a evolução técnica e física de forma a prestarem o melhor desempenho nesta prova. Temos grandes atletas a nível nacional nesta modalidade e acredito ser possível a presença de alguns destes nomes entre os melhores do Mundo.

Orientovar - A título pessoal e no papel de Director da Prova, como tem vivido esta experiência?

Fernando Silva - Tem levado a muito trabalho… e nem sempre as coisas correm na direcção ideal. Mas na verdade o balanço é muito positivo. É muito satisfatório poder acompanhar a evolução desta prova e ver as coisas a crescer. Tem sido gratificante ver o empenho e vontade dos elementos do Ori-Estarreja (especialmente os que praticam esta modalidade de Ori-BTT) como o de outras pessoas (apoiantes e patrocinadores) em fazer deste evento algo de memorável. Sem dúvida que o meu papel é importante mas sou apenas uma das várias peças deste conjunto que torna tudo isto possível.

Orientovar - Quer deixar uma mensagem a todos quantos irão fazer destes Nacionais, seguramente, uma grande festa?

Fernando Silva - Desde já o nosso agradecimento a todos os participantes pela sua presença neste Campeonato Nacional e estou seguro que, em conjunto, faremos com que este fim-de-semana perdure na memória de todos.

Mais informações sobre o Campeonato Nacional de Orientação em BTT 2009/2010 AQUI.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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quarta-feira, 24 de março de 2010

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...

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1. ORIJOVEM E ORIJUNIOR
Aproximam-se as férias da Páscoa e com elas as primeiras iniciativas OriJovem e OriJunior de 2010, numa organização da Federação Portuguesa de Orientação. De 5 a 8 de Abril, Vieira de Leiria será o palco do 13º OriJovem, dirigido a uma população dos 8 aos 16 anos, com ou sem experiência na modalidade. Planificado por Hélder Ferreira e coordenado por António Aires, o estágio conta com os apoios do Clube de Orientação do Centro, Agrupamento de Escolas de Vieira de Leiria e Câmara Municipal da Marinha Grande. Dada a heterogeneidade de jovens presentes no estágio, vão existir três grupos-base que variam em nível de dificuldade técnica e física: Laranjinhas (iniciação), Verdes (formação) e Azulados (formação mais avançada). É condição para participar no estágio ser Federado (a filiação de jovens até aos 20 anos é gratuita). Resta acrescentar que as inscrições têm um valor de € 24,00 e decorrem até ao dia 30 de Março (limite máximo de 80 participantes). Uns dias antes, de 29 de Março a 01 de Abril, será a vez de Mira receber o 2º OriJunior. Estágio destinado a uma população-alvo dos 14 aos 20 anos, com experiência na modalidade, o OriJunior tem planificação de Bruno Nazário, coordenação de António Aires e apoios do Clube Ori-Estarreja e Escola Sec / 3 Drª Maria Cândida (Mira). No estágio existirão dois grupos de treino, Azul (aperfeiçoamento) e Magenta (competição). As inscrições têm igualmente um custo de € 24,00 e o prazo limite é já amanhã, dia 25 de Março (limite máximo de 70 participantes). Toda a informação em
www.fpo.pt, no Menu “Formação”.

2. NOVO BLOG
Praticante de Orientação desde Março de 2005, Nuno Pires criou uma página sobre Orientação ligada à Secção Local de Aveiro do Clube Portugal Telecom, cuja principal motivação para a sua existência consistia na divulgação da modalidade aos sócios do Clube. A verdade é que rapidamente o conceito extravasou para um site de divulgação mais alargado, muito pelo feedback recebido de pessoas fora do clube. Infelizmente, o tempo livre tornou-se escasso e o site parou de ser actualizado ao final de ano e meio. Mas a motivação para voltar a escrever está de regresso e Nuno Pires acaba de lançar o Novo Blog de Orientação. Mas deixemos que seja ele a explicar: “É com bastante alegria que vejo o recente aumento de sites de clubes, na divulgação de provas, e de blogs ou sites pessoais, fazendo o resumo das suas idas ao mato e das suas aventuras. Penso que ainda há espaço para mais um… Tecnicamente não era viável reactivar o site antigo e resolvi repensar a minha estratégia. Este novo blog é o local onde espero ter novamente motivação para voltar a escrever sobre Orientação e continuar com o mesmo objectivo inicial: Promover e divulgar a modalidade de forma despreocupada, dentro e fora do Clube Portugal Telecom.” A ideia firme do atleta e blogger prende-se com três ou quatro aspectos-chave: “Quero contribuir com algo diferente. Terei um cuidado especial em colocar informação para quem não conhece a Orientação de todo e precisa de indicações que facilitem a sua primeira participação. Procurarei ser inovador no que toca aos conteúdos que aqui coloco. Espero que este blog seja apelativo a todos os níveis, com o propósito de merecer a vossa atenção e visita de vez em quando.” A finalizar, um apelo: “Venham a
http://ori-cptelecom-aveiro.nunopires.name e se quiserem deixem um comentário... O blog ainda está a ser alinhavado no que toca à sua estrutura pelo todas as contribuições são bem-vindas.”

3. ESTÁGIO DE INVERNO
Teve lugar no passado fim-de-semana o estágio de Inverno para o Grupo de Alto Rendimento do Clube de Orientação do Centro na vertente de Orientação Pedestre. Os objectivos do estágio prenderam-se com o aperfeiçoamento técnico dos atletas, a criação do espírito de grupo e a preparação dos Campeonatos Nacionais que se avizinham. Este foi o quarto de seis estágios previstos para a presente temporada, teve Direcção Técnica do Professor Hélder Ferreira e contou com a parceria do CPOC – Clube Português de Orientação e Corrida e a presença do Ori-Estarreja e GafanhOri a título de clubes convidados. os mapas de Quiaios, Cidade de Leiria e Praia da Leirosa viram evoluir um total de 32 atletas e o resultado final foi do agrado da maioria dos participantes, tendo contribuído para isso os excelentes terrenos utilizados. Também o planeamento das actividades foi bem conseguido, pois no sábado de manhã foi utilizada uma Orientação com ênfase na precisão, enquanto à tarde e à noite tivemos já uma Orientação de alta intensidade. O treino de domingo foi também de alta intensidade, tendo sido aplicado o sistema de estafetas, que é muito bem aceite pelos atletas. Os mais curiosos podem consultar os resultados AQUI
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4. SPRING CUP
No próximo fim-de-semana, todos os caminhos vão dar a Gribskov, na Dinamarca. Primeira grande competição internacional da temporada de Orientação Pedestre, a Spring Cup reúne a fina flor da Orientação mundial para um primeiro confronto que se espera verdadeiramente intenso e emocionante. O escalão principal de Elite – E1 –receberá apenas um máximo de 100 atletas, cujo assento tem por base o ‘ranking’ mundial, o ‘ranking’ nacional, os resultados no JWOC (para os nascidos em 1989 ou depois) e uma avaliação pessoal dos atletas a título individual. Entre as curiosidades desta 20ª edição, conta-se o facto de, pela primeira vez na história duma competição tutelada pela IOF – Federação Internacional de Orientação, marcar presença um atleta da Islândia. Rakel Eva Gunnardóttir (Odin Orienteering Club) competirá no sábado no escalão D21K. Juntamos a nossa voz à da organização nas boas vindas calorosas a uma nova nação ao grandioso mundo da Orientação.

5. MÃOS À OBRA! LIMPAR PORTUGAL

“A todos aqueles que suportaram o mau tempo e a chuva e ajudaram a tornar o nosso país um pouco mais limpo, o nosso MUITO OBRIGADO!!! Não teríamos conseguido sem a vossa participação.” Estas palavras podem ser lidas na página do movimento Limpar Portugal, no rescaldo da grande acção cívica que juntou no passado sábado cerca de 100.000 voluntários e resultou na recolha de mais de 70.000 toneladas de lixo por todo o País. Nuno Mendes, Paulo Pimentel Torres e Rui Marinho lançaram a ideia. O resto é o que se sabe: Um movimento imparável que juntou os esforços tanto do cidadão anónimo como do próprio Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva. Com a mais profunda admiração é para todos eles que vai, inequivocamente, o Louvor da Semana!

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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terça-feira, 23 de março de 2010

GLOBAZ.PT - BOXIT: CORRER E SOFRER EM NOME DA AMIZADE

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O Orientovar mergulhou nos meandros das Corridas de Aventura. Nesse sentido fomos ao encontro da Globaz.pt – Boxit, uma equipa que milita no escalão de Elite desta emotiva e espectacular disciplina da Orientação. Aqui trazemos o resultado duma longa conversa onde amizade e espírito de grupo passeiam de mãos dadas com sacrifício e sofrimento.


Jorge Xará não praticava qualquer tipo de desporto até ao dia em que, na Faculdade, o convidaram para integrar a Liga Universitária. Corria o ano de 2000 quando fez uma primeira prova de Corridas de Aventura. O contacto com a natureza, as etapas nocturnas, o andar de canoa e pelo meio do mato tornaram a experiência inesquecível. Uma ligação apaixonada, interrompida subitamente pelo final dum curso trabalhoso e por preocupações de ordem vária. Retomaria mais tarde o contacto com as Corridas de Aventura, o vício entranhou-se e é hoje um atleta completo, fazendo igualmente provas de Orientação em BTT e Pedestre, embora estas últimas de forma pontual.

Já o percurso de Hugo Evaristo é algo diferente. Praticante de Basquetebol ao longo de 17 anos, em 2004 trocou os pavilhões e as tabelas pela bicicleta. Amigos comuns levaram-no a conhecer Jorge Xará e daí às Corridas de Aventura foi um pequenino passo, firmado em Idanha-a-Nova com uma experiência marcada… pela inexperiência. E com muito sofrimento à mistura. A verdade é que gostou. E tanto gostou que não mais parou. Entretanto fez também um pouco de Orientação em BTT mas, como o próprio afirma, “o fim-de-semana não dá para tudo” e hoje dedica-se em exclusivo às Corridas de Aventura.

Praticante de Hóquei em Patins, Adelino Silva conheceu em primeiro lugar as Corridas de Aventura e, em segundo lugar… as Corridas de Aventura. O próprio admite que se sente pouco à vontade com a Orientação. Jorge Xará, ainda e sempre, foi a força motriz que conseguiu convencer Adelino Silva a integrar o grupo. Aquilo que começou por ser um ‘hobby’ e uma forma diferente de convívio entre os elementos do grupo foi evoluindo e a superação dos próprios limites acaba por ser a motivação maior para, no presente, ter um pouco mais de disciplina.


Orientovar – Como é que surge a Globaz.pt – Boxit?

Jorge Xará – A Globaz.pt surge com este nome apenas há dois anos e esta época tem pela primeira vez a Boxit associada ao nome da equipa. Na verdade já corremos com outros nomes e isto tem a ver com os apoios e os patrocínios. Já fomos “Azeméis é Vida”, quando tivemos o apoio do município de Oliveira de Azeméis; também já fomos “FreitaOutdoor.com”, quando organizámos uma prova na Serra da Freita e achámos que esta seria uma boa forma de promover a prova. Mas apesar do nome ir variando, a base da equipa – eu, o Adelino, o Fernando e agora o Hugo – já está junta há cinco anos. Antes de sermos uma equipa, somos um grupo de amigos cujo objectivo é ir às provas para nos divertirmos, passar um bom bocado juntos e fazermos algo de que gostamos. Nunca houve a intenção de quebrarmos esta união pelo facto de um estar a andar melhor ou pior que os outros. Se não pudermos lutar pelos primeiros lugares, o que importante é que consigamos divertir-nos. Ou seja, somos um grupo que fazemos Corridas de Aventura regularmente, que treinamos regularmente e que gostamos no final de ir fazer uma almoçarada. O espírito é o do convívio e da amizade, ao qual juntamos a competição, que é outro aspecto que também nos dá gozo.

Orientovar - Que aspectos conferem às Corridas de Aventura esta atracção tão especial?

Jorge Xará – A Orientação Pedestre ou em BTT são disciplinas mais individualistas. Eu fiz uma má prova, a culpa é minha e as consequências recaem sobre mim. Quanto às Corridas de Aventura, trata-se dum desporto de equipa. Não interessa que um atleta seja mais rápido, interessa é que a equipa, no seu todo, seja mais rápida. Isto implica uma grande solidariedade, muita cumplicidade, muito espírito de grupo. É normal o que está em melhor forma carregar com o equipamento do elemento que pontualmente possa estar mais debilitado, é normal montar uma corda na bicicleta e puxar aquele que está um pouco mais lento. Para além disto, há essa particularidade de haver uma pessoa que leva o mapa, ela é que vai a navegar, a orientar. É importante que a pessoa vá concentrada, mas quando se cometem erros de orientação é mais importante ainda que a equipa saiba conter-se e manter uma atitude positiva. A equipa deve manter-se coesa e estabelecer um elevado grau de confiança entre si para evitar problemas que possam comprometer a sua prestação.

Orientovar – Sendo as Corridas de Aventura uma disciplina que inclui um conjunto de actividades tão diversificadas, que tipo de treino específico é feito?

Hugo Evaristo – Nas Corridas de Aventura as modalidades nobres são a BTT e a corrida, propriamente dita, normalmente em montanha, o ‘trekking’ ou ‘trail-running’. É isso, basicamente, que treinamos. Nesta altura do ano, em que anoitece cedo, então o treino é sobretudo corrida ou ginásio. São quatro ou cinco sessões semanais, sendo que uma é sempre mais longa, aproveitando o fim-de-semana.

Jorge Xará – O “rappel”, a escalada e as actividades de cordas não se treinam. Aprendemos esse género de actividades, no fundo, é nas provas. Mas antes de irmos a uma prova tentamos saber um pouco daquilo em que nos vamos meter. No Estoril Portugal XPD Race, por exemplo, sabíamos que íamos ter patins em linha. Ora, tanto eu como o Evaristo não sabíamos andar de patins, uns meses antes comprámos uns patins e começámos a treinar. Num caso correu bem, noutro nem por isso… Voltando às actividades de cordas, isso é uma coisa que se aprende nas próprias provas porque não chegamos lá e não fazemos sozinhos. Tem lá sempre um instrutor, alguém que garanta a necessária segurança. Com o tempo fomos aprendendo e agora já temos à vontade suficiente para nos metermos ravina abaixo sem quaisquer problemas.

Orientovar – Que percepção têm da evolução das Corridas de Aventura em Portugal?

Jorge Xará – Há uns tempos atrás estava a remexer nuns mapas antigos das primeiras Corridas de Aventura que fiz e o nível dessas provas de então não se compara com o que temos hoje. Tanto em termos físicos como técnicos, a exigência é agora muito maior. As provas são mais duras, mais longas, tecnicamente mais difíceis. Esse foi um processo gradativo cuja percepção ao longo do tempo nem sempre foi muito evidente mas que se revela agora, sobretudo quando faço este tipo de comparação. Ao nível dos equipamentos as coisas também evoluíram. Lembro-me, quando começámos, que íamos de fato de treino e bicicletas do Continente ou do Feira Nova e via-se muita gente assim e todos se divertiam. Hoje em dia já não se vê ninguém assim nas Corridas de Aventura. São pessoas que praticam desporto, que têm bicicletas boas, que têm disponibilidade financeira e de tempo para treinar. Nisto tudo, a única nota dissonante tem a ver com o passo atrás dado há três anos ao estabelecer-se um escalão de Elite com três elementos sempre em prova e assistência exclusiva de alguém externo à prova. Isso levou à desmotivação e à desistência de muitas equipas no escalão de Elite. Nós próprios atravessámos um período difícil, tínhamos que chatear a esposa ou a namorada apesar de elas próprias não saberem arranjar as bicicletas e acabámos por ir a muitas provas sem assistência.

Adelino Silva – É importante contextualizar esta situação já que nas Corridas de Aventura há uma equipa mas não é como no Ciclismo, onde há toda uma série de recursos e de apoios que estendem o conceito de equipa muito para além dos próprios ciclistas, por exemplo. Felizmente que esta situação foi ultrapassada e voltámos ao cenário de quatro elementos, três sempre em prova e um a prestar assistência, mas que se vão revezando entre si. Faz parte da estratégia definir quem fica de fora e quem não fica, de acordo com as exigências da prova e as capacidades de cada um. No figurino anterior, não havia estratégia. Iam todos, as etapas todas.

Orientovar – Com este crescimento e com este grau de exigência crescente, como é que se atraem novos praticantes para as Corridas de Aventura?

Hugo Evaristo – Vão como eu, vão enganados (risos)!... Eu não sabia minimamente para aquilo que ia. Só andava de bicicleta, nem corria muito, mas convenceram-me que era muito giro, que era no mato e mais não sei quantas e pronto, vamos lá. Agora é importante que a pessoa que vai pela primeira vez perceba que se vai divertir mas que vai também sofrer. Porque isso sofre-se sempre. Seja qual for o grau de preparação da pessoa, é sempre para sofrer. Resta saber, depois de terminada a prova, se gostou daquilo que fez e daquilo que sofreu.

Adelino Silva – As coisas também não são assim tão dramáticas. As provas são feitas por etapas. Uma equipa com limitações físicas, do escalão de Promoção, por exemplo, pode optar por fazer apenas as etapas que lhe são mais adequadas. Se calhar a prova tem dez ‘Check Points’ (CP’s) e ela define apenas dois. Consegue-se gerir muito bem isto e daqui advém muito do encanto das Corridas de Aventura. Podem estar todos no seu limite, mas uns fazerem dez e outros fazerem dois. Claro que saltar uma etapa no escalão de Elite não faz sentido, mas já no escalão de Promoção faz. E também o nível de exigência e o número de CP’s neste escalão é menor.

Orientovar – Estratégia é uma palavra-chave nas Corridas de Aventura. Acham que este particular aspecto tem sido devidamente acautelado pelas organizações das provas em Portugal?

Jorge Xará – Desenhar uma prova de Corridas de Aventura – e nós temos essa experiência porque já organizámos uma – não é fácil. Acima de tudo, as etapas devem ser homogéneas em termos daquilo que se exige aos atletas e dos CP’s que valem. Ou seja, não faz sentido ter uma etapa de três horas Pedestre a valer dez CP’s e outra também de três horas de BTT a valer quinze. Isto significa que se está a beneficiar as equipas que andam melhor de bicicleta. Há também os factores adicionais que não têm a ver com a estratégia, mas antes com a perícia, casos do Tiro com Arco ou da Escalada. Mas acho que estes pontos acabam por não pesar muito no resultado final até porque as nossas provas, dum modo geral, exigem que se saltem pontos. Não é possível fazer o percurso total duma prova pelo que as equipas têm de saber fazer uma gestão de saltar pontos. Se eu sei à priori que vou ter de saltar pontos, se calhar salto os pontos que têm actividades que eu não consigo fazer. Há, claramente, decisões estratégicas que é preciso saber tomar.

Adelino Silva – Talvez valha a pena acrescentar que nas provas que temos feito do Campeonato do Mundo a estratégia é zero. A estratégia é fazer todos os pontos em menos tempo possível. Em Espanha, por exemplo, traçam um percurso com um determinado número de CP’s e toda a gente tem de ir aos pontos todos. Não há cá decisões do género “vamos deixar este ou vamos deixar aquele” e ganha a equipa que fizer tudo em menos tempo. Ao contrário, em Portugal estabelece-se uma janela de tempo igual para todas as equipas e ganha aquela que, no final, tiver controlado mais CP’s. Uma vez mais, a questão da estratégia a ter uma importância crucial.

Hugo Evaristo – Lá fora, uma equipa que tenha dois bons orientistas e seja forte fisicamente ganha. Em Portugal já não é exactamente assim. Sabemos ver os nossos limites, o ponto é longe e não vale a pena, outros arriscam e rebentam a etapa… Temos a noção que a capacidade física da nossa equipa não é directamente proporcional aos resultados que obtemos, isto quando a comparamos com equipas mais fortes. Penso que aqui tem tudo a ver com estratégia e nisso somos bons. Honras sejam feitas ao Jorge, é ele o navegador e o estratega da equipa.

Orientovar – Já aqui falaram em sofrimento e também já falaram em Espanha. Querem recordar essa aventura falhada do Bimbache Extrem do ano passado?

Hugo Evaristo – Fui eu que rebentei, ainda nem tínhamos feito 24 horas de prova. Ressenti-me duma mazela contraída no Basquetebol, uma rotura na região posterior da coxa. Estava muito frio, tínhamos acabado de dormir uma meia hora e mal começámos a caminhar – era uma etapa de BTT mas que de BTT tinha muito pouco – senti uma picada na coxa. A partir daí as dores começaram a aumentar, não conseguia caminhar nem pedalar, tão pouco conseguia descer, vinha a arrastar-me, já só pensava “eles vão-me bater” (risos) e pronto… acabou-se!

Orientovar – Depois de tanto tempo a pensar na prova e a prepará-la, como é que se lida com a frustração?

Adelino Silva – Essa é a parte mais simples. Somos três amigos que fazem provas, não somos três atletas que estão numa equipa e que fazem provas. Aconteceu ao Hugo, foi com ele mas podia ter sido com qualquer um de nós. Foi uma facada para todos, ficámos todos muito frustrados mas quem sofreu mais, de certeza, foi ele. Para além do sofrimento da lesão teve esse sofrimento maior de deixar ficar mal a equipa.

Orientovar – E como é que foi no Estoril Portugal XPD Race 2009?

Jorge Xará – Também se sofreu um bocado. Mas, do ponto de vista físico, como são provas muito mais longas, há uma maior gestão do esforço. Às vezes sofre-se mais numa prova de um dia, porque somos obrigados a dar o máximo, do que numa prova de uma semana, onde sabemos que temos de gerir muito bem o andamento. A parte maior do sofrimento prende-se com o não dormir. Tínhamos janelas de tempo muito apertadas, pensávamos poder dormir uma hora ou duas neste ou naquele ponto mas a verdade é que, quando lá chegávamos, percebíamos que já não tínhamos esse tempo. Se falarmos que em seis dias dormimos umas cinco horas, já se percebe a razão de ser do sofrimento que falo. É muito duro apanharmos noites de treze ou catorze horas e não conseguirmos dormir. Adormecemos a caminhar, adormecemos em cima da bicicleta. Quando o dia nasce, de repente ficamos despertos e parece que dormimos a noite inteira. Mas as noites, no período entre a meia-noite e as seis da manhã, são muito complicadas.

Adelino Silva – No contexto pessoal, quando falo com amigos, não digo sequer aquilo que se passa na realidade porque é difícil de acreditar. Eu e o Jorge seguramos o Hugo de lado e ele adormece e continua a caminhar, literalmente. As descidas de bicicleta longas são ainda mais complicadas porque se adormece em cima da bicicleta. Há um ‘site’ que é a referência mundial das Corridas de Aventura e que se chama “Sleep Monsters”. Ora nós, que nunca tínhamos percebido o porquê do nome do ‘site’, percebemos nestas provas. Os “monstros do sono” aparecem mesmo. Somos capazes de olhar para o que quer que seja e o nosso cérebro criar aquilo que vai na nossa imaginação. Estamos no meio do mato mas estamos a ver uma padaria e só quando lá chegamos é que percebemos que não há padaria nenhuma, é apenas uma árvore ou um muro. Nesta prova do XPD Race, estávamos na zona de Nisa e a caminhar já há algumas horas quando vimos uma casa e pensámos logo em ir dormir lá. Pois quando lá chegámos, foi preciso senti-la bem com as mãos para percebermos que não se tratava duma alucinação.

Orientovar – Desafiar os próprios limites, é disso que estamos a falar. Mas em nome de quê?

Jorge Xará – Em nome de cumprir a janela de tempo e continuar em prova (risos).

Adelino Silva – Isto continua a ser um ‘hobby’, apesar de termos uma equipa e de termos alguma disciplina. Cumprimos o nosso plano de treino, fazemos um investimento grande e, basicamente, ganhamos uma t-shirt. O que temos aqui é mesmo o gozo de chegar ao fim, sentarmo-nos e dizermos: Conseguimos!

Jorge Xará – A vitória na prova é secundária. Obviamente que nos deu gozo no ano passado ganhar algumas provas. E ganhámos porque, de facto, nos últimos dois anos houve algum decréscimo de qualidade nas Corridas de Aventura, houve muito bons atletas que praticavam Corridas de Aventura que se retiraram – não sei se temporariamente, se para sempre – e nós beneficiámos um bocado com isso. Mas temos a noção que não somos os melhores. Queremos ir lá e sabermos que fizemos a melhor prova possível. Se a melhor prova possível foi um primeiro lugar, óptimo. Se foi um terceiro, ou um quarto lugar, também ficamos contentes.

Orientovar – Já aqui falámos de quatro elementos e recordo-me que no Estoril Portugal XPD Race havia inclusivamente uma atleta da Estónia que fazia parte da equipa. Querem falar-me disso?

Jorge Xará - Até ao ano passado, como já referido, corríamos nós os três em Elite e formato non-stop e o nosso assistente era flutuante. Este ano, com o novo Regulamento - à excepção do Campeonato Ibérico e do Campeonato Nacional, em que o formato se mantém o do ano passado -, temos um quarto elemento em prova. Na prova da Arrábida e na desta semana, em Idanha-a-Nova, o nosso quarto elemento é um amigo da zona de Lisboa, o Filipe Marques, que já tinha corrido connosco em 2006 e é um excelente companheiro e atleta. Nas provas internacionais em que temos participado, o formato é equipa de quatro elementos todos em prova non-stop, em que um dos elementos tem que ser feminino. Em 2008, quando participámos no Estoril Portugal XPD Race, andávamos à procura de um elemento feminino e estávamos com dificuldades em arranjar uma atleta nacional visto haverem poucas e já não estarem disponíveis. A organização da prova pôs-nos em contacto com algumas atletas internacionais que se tinham disponibilizado para participar mas que também não tinham equipa e, após algumas trocas de e-mails e pedidos de informação, decidimos fazer equipa com a Elo Saue. As coisas funcionaram bem nesse ano e, em 2009, fizemos o Bimbache Extrem em Espanha e o ARWC Portugal 09 com ela. A Elo vem da Orientação Pedestre, tem 37 anos e foi da selecção da Estónia de Orientação durante alguns anos. Quando deixou a alta competição começou a fazer provas mais longas e menos intensas como as Corridas de Aventura e o Rogaining. Ela adora mapas e costuma ser navegadora da nossa equipa nas etapas pedestres. Tem um filho e uma filha adolescentes que também praticam Orientação e fazem parte das selecções jovens da Estónia. A filha até esteve recentemente no POM. No ARWC 09, o Hugo não pôde vir connosco à prova por motivos profissionais e veio o Nuno Renato, um amigo nosso também da zona de Lisboa já com muitos anos e experiência neste tipo de provas.

Orientovar – Corridas de Aventura e Orientação. Notam nisto alguma contradição ou, posto doutra forma, as Corridas de Aventura não beneficiariam se tivessem o seu espaço próprio, fora da Federação Portuguesa de Orientação?

Jorge Xará – Em certa medida concordo com essa ideia. É dito que nas Corridas de Aventura as pessoas podem praticar sem se saber orientar, o que é verdade. Basta haver uma ou duas pessoas a navegar na equipa para haver logo uma ou mais a “fazer Orientação” sem se saberem orientar. É disso que se trata. Mas também acho que não vale a pena agora estarmos a andar para trás em passos que já foram dados. Ou seja, as Corridas de Aventura fazem parte da FPO – e este passo foi um acto corajoso -, as Corridas de Aventura têm a ganhar com isso, é um facto, mas a FPO também não tem nada a perder. Eu dou o nosso exemplo já que todos nós praticamos, em maior ou menor grau, Orientação, mas começámos pelas Corridas de Aventura.

Adelino Silva – Aquilo que está mal é a FPO não apoiar como devia as Corridas de Aventura. Mas também vejo pessoas que praticam Orientação Pedestre e Orientação em BTT a queixarem-se. Uns mais, outros menos; uns com razão, outros, se calhar, sem razão…

Orientovar – Mas há, pelo menos ao nível da promoção televisiva, um Magazine OTV que dedica um espaço interessante às Corridas de Aventura. Concordam?

Hugo Evaristo – Sim. Nesse aspecto, a exposição mediática que acabamos por ter é importante e fruto do empenho da Federação Portuguesa de Orientação que nos abre ali uma janela. Sou, contudo, da opinião que há muito por onde melhorar. É bom termos as Corridas de Aventura na TV mas as reportagens podiam ser muito mais apelativas. Geralmente baseiam-se numa ou duas entrevistas da praxe, dois ou três planos fixos em zonas de assistências, partidas ou chegadas. As reportagens mostram muito pouco daquilo que são as Corridas de Aventura, nomeadamente uma equipa a progredir em autonomia longas horas no meio da Natureza. Raramente vemos uma câmara nos locais mais inóspitos e bonitos - e difíceis! - por onde passamos, as equipas não são acompanhadas pelos repórteres nos locais mais marcantes das provas e as entrevistas no final da prova nunca mostram as emoções que se podem viver ao longo de uma prova. Por outro lado, as etapas de multiactividades urbanas, que geralmente duram aproximadamente 5% da prova, têm grande peso na reportagem e mostram os atletas em jogos tradicionais e gincanas. Isto não são as Corridas de Aventura, este tipo de reportagem passa uma ideia errada da modalidade e presta um mau serviço. Os telespectadores poderão pensar que as Corridas de Aventura são uma espécie de 'rally-paper' e não uma prova onde se exige espírito de sacrifício, de equipa e onde se vai sofrer. Neste aspecto gostaria de destacar os trabalhos notáveis feitos no ARWC 09, com excelentes reportagens televisivas e câmaras a gravar nos locais certos.

Orientovar – Sai muito caro praticar Corridas de Aventura?

Jorge Xará – É difícil contabilizar os gastos porque há material que fomos adquirindo ao longo dos anos. Comprando uma coisa de cada vez não custa mas se fossemos a somar tudo para trás, obviamente que nem quero pensar nos milhares de euros que já gastámos todos. Em média, uma prova da Taça de Portugal ronda os 250 ou 300 euros, a dividir por três ou quatro elementos, enquanto as provas do Campeonato do Mundo têm uma inscrição que ascende aos 2.500 ou 3.000 euros. Participarmos em provas do Campeonato do Mundo só é possível graças aos apoios que vamos tendo.

Adelino Silva – O nosso refúgio é pensarmos que isto é uma despesa que faríamos como se de uma viagem de férias se tratasse. E já agora, falando de apoios e porque estamos na Garagem Paciência, o Fernando Paciência tem-nos ajudado de forma incansável, apoiando-nos na manutenção das bicicletas, algo que também é caro.

Orientovar – Quanto mais tempo vamos vê-los juntos a fazer Corridas de Aventura?

Jorge Xará – Vamos continuar juntos, isso é um facto. Se a fazer Corridas de Aventura ou não, não sabemos. Talvez a fazer Orientação Pedestre ou em BTT de forma mais frequente… Este ano queremos pôr em prática um projecto que é o de angariarmos os pontos necessários para, no próximo ano, nos candidatarmos à inscrição no Ultra Trail do Mont Blanc. Ou seja, vamos arranjando outros projectos paralelos às Corridas de Aventura, exigindo igualmente, esforço, treino e sofrimento, mas que nos vão mantendo juntos. Em nome da natureza, em nome do desporto, em nome da amizade.

[Uma nota de agradecimento para Fernando Paciência pela cedência do espaço onde decorreu esta entrevista]

Para saber mais sobre a Globaz.pt – Boxit e Corridas de Aventura visite a página da equipa em
http://raids-aventura.blogspot.com/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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segunda-feira, 22 de março de 2010

"ONDE O TEMPO NOS LEVAR": LIVRO DE VERA SOUSA É APRESENTADO ESTE SÁBADO

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Não é um livro sobre Orientação mas é um livro que, entre muitas outras coisas, tem pedacinhos preciosos que remetem para o desporto da floresta. Da autoria de Vera Sousa, “Onde o Tempo nos Levar” tem a apresentação pública marcada já para o próximo sábado.

“Acordo cedinho, com o clarão emitido pelo foco do pavilhão e pelo burburinho dos adeptos da prática de Orientação, que se preparam para uma manhã de atletismo no centro histórico de Toledo. Vestimo-nos através de uma ginástica matinal dentro do saco cama. Minutos depois, magicamente, aparecemos trajados com os equipamentos para a prova. Toda a gente se despacha num corrupio de arrasto de colchões, de som de fechos de mochilas e do roçar da colocação às costas do material. Rapidamente, o pavilhão ganha o vazio e o cenário de um chão marcado com os tracejados de jogos, os estandartes pregados na parede e o silêncio. Tomamos o pequeno-almoço numa das grandes avenidas, encostados ao muro do pavilhão desportivo, de carrinha de mantimentos aberta e com tudo o que é necessário para uma mini refeição que permita reforçar a nossa energia. Certificamo-nos da hora de começo da prova de cada um e direccionamos os nossos passos para o centro. Outras centenas de pessoas colorem o largo onde se encontram montadas as tendas do clube de Orientação de Toledo, a entidade organizadora do torneio ibérico. Acabamos por apreciar o cenário da bela cidade banhada pelo rio Tejo, que navega e pinta um dos terrenos esverdeados da ala oeste do local onde nos encontramos.
- Então? Já tens a bússola? Agora é só direccionar o mapa consoante o norte!”
(…)

“Acabo por me surpreender também com o entusiasmo que os outros membros revelam por participarem em actividades deste tipo:
- Em que medida a orientação mudou a tua vida? Como a descobriste?
- Assim, de repente, até posso pensar que não mudou muito, mas analisando bem, vejo que me tornou uma pessoa ainda mais feliz. Finalmente, encontrei a actividade desportiva de que gosto mesmo.
Todos os orientistas, na minha opinião, acabam por partilhar, sem saberem, os mesmos princípios que os druidas. Consideram a natureza a expressão máxima e entendem que a terra se comporta como um autêntico ser vivo. Tanto nos celtas, como nos druidas, havia uma comunhão muito grande entre o Homem e a natureza. Os druidas tinham em mente que cada homem ou mulher levava no seu interior uma árvore, pela qual alimentava o desejo de crescer da melhor maneira. Na realidade, a árvore articula toda a ideia de cosmos ao viver numa contínua regeneração.”
(…)


“Escrever um livro não é uma tarefa propriamente fácil”

Em ante-estreia aqui no Orientovar, as duas passagens anteriores do livro de Vera Sousa remetem para um universo povoado de vivências pessoais e marcado pela descoberta recente deste mundo mágico e, na concepção da autora, místico da Orientação. Prima de Tiago Aires e Raquel Costa, Vera Sousa confessa que “escrever um livro não é uma tarefa propriamente fácil. Para além de exigir vontade, amor, carinho e dedicação, uma obra requer passar por várias fases: a da escrita, a da análise, a do recorte, a da releitura, a da repetida montagem de texto, a da correcção. É como se o nosso próprio livro fosse também ele uma molécula e necessitasse de ser analisado microscopicamente.” E prossegue: “Há quem pense que escrever uma obra se cinja unicamente à inspiração, ou à imaginação e não compreenda que, afinal, a base de tudo passa pela leitura de muitos livros e pela observação atenta do mundo que nos rodeia.”

Referindo-se a esta primeira obra, Vera Sousa explica: “Onde o Tempo nos Levar” é um livro que pretende mostrar, sobretudo àqueles leitores que pensam que a vida pode estar programada e ser previsível todos os dias, que as situações ocasionais podem alterar a linha que traçámos e proporcionar diversas aprendizagens, sobretudo quando julgamos que o tempo é igual para todos. Há quem partilhe do mesmo tempo, há quem tenha deixado fugir o seu tempo. Embora o título que atribuí a este meu livro nos leve também a pensar que o tempo atmosférico é que nos condiciona a escolha dos locais para onde podemos viajar, o tempo psicológico também se responsabiliza pela continuação das nossas viagens pela Vida. Há quem decida colocar um ponto final no tempo, há quem viva o tempo da forma mais feliz possível; contudo, o que é necessário compreender é que, apesar das vicissitudes da vida, alguém é responsável pela escolha do nosso tempo e do nosso caminho. Afinal quem? Nós ou os outros?”

A incontornável leveza da Orientação

“Onde o Tempo nos Levar” é um livro escrito nos tempos actuais e que nos remete para as vivências de uma professora que se encontra a leccionar longe de casa. È um livro que conduz o leitor a reflectir acerca do verdadeiro sentido da vida, até mesmo quando nada parece fazer sentido e o mundo parece desmoronar-se. Aliando temas relacionados com a Psicologia, a História, a Filosofia e a importância das novas tecnologias de comunicação na actualidade, o rio Tejo assume-se como o cenário que acompanha o romance. É a prática desportiva Orientação que desencadeia o renascer de um grande amor dos tempos de faculdade. Amada pelo seu amigo psicólogo, mas apaixonada, desde sempre, por Duarte, assistimos a uma viagem romântica pelo mundo das Letras, através do desejo de publicar um livro a dois. Será que a protagonista concretizará esse seu sonho, depois de conhecer a palavra traição?

Através de várias linhas redigidas que buscam o prazer da escrita, e incidindo na problemática que existe na escrita de qualquer tipo de texto, seja ele poesia ou prosa, assistimos a uma viagem pelas Letras. A palavra ‘Orientação’ surge-nos, frequentemente, com vários sentidos: Ora demonstrando a dificuldade que existe em encontrar os caminhos e as estradas que atravessamos diariamente até chegar a um local, ora remetendo-nos para a dificuldade em encontrar o Caminho em direcção à felicidade ou para a escrita de um texto que se deseja belo.

Duas notas complementares

Nascida em pleno Verão na bela vila de Sintra, Vera Sousa escreve desde criança e sempre teve o desejo de publicar um livro. Convicta de que a sua carreira deveria enveredar na área das Letras, licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas pela Universidade Nova de Lisboa, profissionalizando-se pouco depois como professora do 2º e 3º Ciclo do Ensino Básico e Secundário.

Editado pela Chiado Editora, “Onde o Tempo nos Levar” tem o seu lançamento agendado para o próximo sábado, dia 27 de Março, na Biblioteca Municipal de Sintra – Casa Mantero. A apresentação estará a cargo de Paulo Cristóvão. O Orientovar deseja à jovem escritora o maior sucesso e deixa aqui um apelo: Não falte!
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Saiba mais sobre o livro e a sua autora em http://ondeotemponoslevar.blogspot.com/

Saudações orientistas.


JOAQUIM MARGARIDO
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