domingo, 28 de fevereiro de 2010

XIV MEETING "ÉVORA PATRIMÓNIO MUNDIAL" MARCADO PELA INTEMPÉRIE

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Debaixo da forte intempérie que assolou o Continente ao longo do dia de ontem, teve lugar o XIV Meeting “Évora Património Mundial”. Mikko Hölli e Marianne Andersen foram os grandes vencedores, numa edição que registou um bom nível de participações.

A Associação dos Deficientes das Forças Armadas, com a colaboração da Câmara Municipal de Évora, da Junta de Freguesia de S. Bento do Mato (Azaruja) e da Federação Portuguesa de Orientação, levou a efeito na manhã de ontem a 14ª edição do Meeting “Évora Património Mundial”. O evento, pontuável para a Taça FPO Continente e para a Taça de Portugal de Clubes época 2009/2010, contou com a participação de 236 atletas de 5 países, com destaque para a presença de 30 atletas da Noruega e 8 da Finlândia.

A prova teve lugar no Mapa de Azaruja (revisto por Tiago Aires em 2007, percursos traçados por Jacinto Eleutério), à escala 1:15 000 e 1:10 000, com os participantes a distribuírem-se por 15 escalões de competição, 4 escalões de Formação e 4 escalões Abertos (OPT’s). O mau tempo acabou por ser o grande protagonista da jornada. Tendas rasgadas, material informático destruído e atrasos consideráveis nas partidas são aspectos que deixaram de pé os cabelos duma Organização que se viu envolvida numa luta desigual contra a violência do vento e da chuva. A verdade é que a prova lá acabou por se fazer e os resultados situaram-se à altura das expectativas.

Marianne Andersen “esmagadora”

No sector masculino, a primeira referência vai para Luís Silva (ADFA), atleta ainda Juvenil e que, competindo no escalão Sénior, se bateu de igual para igual com os seus adversários, logrando alcançar um brilhante terceiro lugar, a 3.34 do vencedor, o finlandês Mikko Hölli (SunO / Kangasala SK). Após a lesão no Tendão de Aquiles que o obrigou a uma paragem prolongada, foi bom ver Tiago Romão (COC) de regresso à competição. Rolando em ritmo de treino, o o bi-campeão nacional absoluto concluiu na oitava posição com o tempo de 1.05.40.

Quanto às senhoras, o destaque vai para a vitória da norueguesa Marianne Andersen (SunO / Konnerud), que “esmagou” a concorrência. Ausente nas grandes provas portuguesas deste início de ano (Arraiolos, Figueira da Foz e Crato), actual número 2 do ‘ranking’ mundial feminino, grande figura dos últimos Mundiais WOC Miskolc 2009 (campeã do Mundo de Estafetas e Vice-Campeã do Mundo de Distância Média e Distância Longa) e atleta do ano na Gala da Federação Norueguesa, Marianne Andersen mostrou todas as suas qualidades e venceu com o tempo de 42.55, deixando a finlandesa Ojanen Outi (SunO / Kangasala SK), segunda classificada, a 10.19 de diferença. Lena Coradinho (GafanhOri) foi a melhor portuguesa, concluindo no quarto lugar com o tempo de 1.02.06.

Resultados

Seniores M A - 1º Mikko Hölli (SunO / Kangasala SK) 55.26; 2º Ahonen Jere (SunO / Kangasala SK) 56.53; 3º Luís Silva (ADFA) 59.00; 4º Sören Lösch (SunO / Kangasala SK) 1.00.32; 5º Manuel Horta (GafanhOri) 1.02.14; 6º Tiago Gingão Leal (GafanhOri) 1.04.46; 7º Oleksandr Rybakov (SunO / Kiev) 1.05.31; 8º Tiago Romão (COC) 1.05.40; 9º Antonio Garcia Guerrero (CODAN Extrem) 1.05.43; 10º Samu Lehtola (SunO / Kangasala SK) 1.05.45. Seniores F A - 1º Marianne Andersen (SunO / Konnerud) 42.55; 2º Ojanen Outi (SunO / Kangasala SK) 53.14; 3º Palm Laura (SunO / Kangasala SK) 59.12; 4º Lena Coradinho (GafanhOri) 1.02.06; 5º Papinsaari Heini (SunO / Kangasala SK) 1.02.26; 6º Ana Coradinho (GafanhOri) 1.08.39; 7º Inês Pinto (GafanhOri) 1.09.24; 8º Rita Madaleno (ADFA) 1.16.33; 9º Suati Almeida (GNR) 1.23.57; 10º Aldina Pires (COA) 1.26.48.

Vencedores Outros Escalões - Infantis M – Gabriel Brasileiro (COAC); Infantis F – Sofia Conceição (GD Reguengo); Iniciados M – Oleksandr Zaikin (ES Palmela); Iniciados F – Joana Palhinha (GafanhOri); Juvenis M – Miguel Ferreira (CPOC); Juvenis F – Live Bredholt Jorgensen (SunO / Norway); Juniores M - Kristian Lindalen Stenerud (SunO / Norway); Juniores F – Maren Haverstad (SunO / Konnerud); Seniores M B – Fidel Conde (COC); Seniores F B – Filipa Neves (COAC); Veteranos I M – Jorge Correia (ADFA); Veteranos I F – Isa Heggedal (SunO / Konnerud); Veteranos II M – Mário Duarte (ADFA); Veteranos II F – Assunção Almeida (GafanhOri); Veteranos III M – Manuel Dias (Individual); Veteranos M B – Sérgio Mónica (CIMO); Veteranos F B – Paula Ferreira (COA); OPT 1 – Carla Marques (GNR); OPT 2 – José S. + Rita A. (Individual); OPT 3 – Cláudia Cunha (Individual); OPT 4 – Francisco S. + Pedro (Individual). Colectivamente – 1º ADFA, 989,5 pontos; 2º GafanhOri, 971,0 pontos; 3º SunO / Konnerud, 630,3 pontos; 4º SunO / Norway, 479,9 pontos; 5º SunO / Kangasala SK, 454,0 pontos. (resultados completos em
http://oriadfa.no.sapo.pt/)

“Gostaria que houvesse mais provas assim”

No final, Luís Silva deixou-nos a sua opinião em relação ao evento: “O mapa tinha uma boa qualidade técnica, numa escala diferente da que estou habituado e ideal para o trabalho da curva de nível, mas o terreno era também muito sujo e as chuvas que se verificaram na última semana enlamearam a zona. No geral considerei um bom treino e só foi pena alguns incidentes terem levado ao atraso das partidas. Mas também tirando isso, para uma prova Regional, esteve dentro dos possíveis. Foi excelente a participação de muitos atletas estrangeiros que abriram um pouco a competição e gostaria que houvesse mais provas assim.”

Manuel Horta (GafanhOri), 5º classificado na Geral e o segundo melhor português, mostrava no final alguma frustração: “Este mapa é-me mais que conhecido, já lá tive alguns treinos e provas não sei quantas, apenas sei que esta não foi a primeira. Ainda assim continuo a fazer erros naquele mapa, erros estes não muito grandes mas sim de alguns segundos; a verdade é que neste mapa apenas consigo chegar à zona do ponto mas não consigo encontrar precisamente o ponto à primeira, tendo que optar por uma técnica designada “bater terreno”. O percurso teve algumas pernadas interessantes, pois neste mapa o desnível é bastante acentuado, mais no terreno do que parece no mapa, dai que fazer boas opções que evitem o desnível compensa bastante. Julgo que neste terreno, um mapa feito com mais atenção aos pormenores seria um mapa muito bom.”

“Quem não se lembra do WRE de Mora?”

As últimas impressões recolhidas são de Jacinto Eleutério. Algo desmoralizado com as partidas pregadas pelo tempo, o Director da Prova fazia menção disso mesmo: “Uma manhã bem adversa para qualquer modalidade ao ar livre com muita chuva e acompanhada de fortes rajadas de vento que derrubaram tudo o que encontraram pela frente. A tenda e a impressora foram as primeiras “vítimas”, facto que obrigou à utilização de guarda-chuvas para proteger o material informático e impediu a publicação das listagens de resultados.” Prosseguindo: “Quem não se lembra do WRE de Mora? Pequenas linhas de água transformaram-se de repente em autênticos rios, qualquer vale escondia armadilhas que enterravam até ao joelho e para terminar em beleza houve um apagão na zona.” A finalizar, e referindo-se à prova em si, aquele responsável adiantou que “tivemos o agradável número de 307 inscritos, embora alguns faltassem à chamada. Mas os aventureiros que desafiaram a intempérie saíram satisfeitos, tanto com o mapa como com os percursos. Apesar da idade, o mapa é bem desafiante o que, aliado à dureza dos percursos foi, na opinião de alguns participantes, um excelente teste à capacidade de recuperação física, na sua grande maioria vindos de dois eventos bem durinhos, o Portugal O’ Meeting e o Norte Alentejano O’ Meeting”.

A Taça FPO Continente prossegue já no próximo sábado com a realização, na Tocha (Cantanhede), do XVIII Troféu Ori-Estarreja [saiba mais AQUI
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Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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sábado, 27 de fevereiro de 2010

O MEU MAPA: ALICE SILVA, NIKLASDAMM E O O-RINGEN 96

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Depois de, no passado mês de Janeiro, Luís Santos nos ter levado às neves de Las Mimbres, viajamos hoje até aos pântanos da Suécia. Alice Silva partilha connosco essa experiência inesquecível e esse misto de sensações do mapa de Niklasdamm, no primeiro dia do O-Ringen 1996.

Esta tarefa de escolha de um mapa que pudesse contar uma história tornou-se muito difícil para mim. Cada mapa meu tem sempre algo para contar, sejam histórias de sofrimento ou de alegrias, desde grandes enganos a sucessos, desclassificações, lesões físicas e vitórias, quer a nível nacional, quer internacional.

O mapa escolhido faz parte de uma competição bastante conhecida, os “5 Dias da Suécia”, em Julho de 1996, onde tive um misto de sensações: Satisfação / Insatisfação / Admiração.

Satisfação associada ao facto de ter andado de avião pela primeira vez, dos locais de prova e os mapas serem espectaculares e bastante diferentes daquilo a que estava habituada, da rede de transportes ser de tal forma organizada que permitia sair e voltar dos locais onde estávamos instalados para as zonas de competição durante 2/3 horas em autocarros com intervalos de tempo que variavam entre os 10 e os 15 minutos e finalmente grande satisfação/gratidão por, no Hospital da zona onde estávamos, terem atendido e tratado o meu filho (porque caiu e abriu um golpe no queixo) sem solicitarem a sua identificação.

Insatisfação por ter passado muito frioooooooo (!) na primeira noite, uma vez que decidimos ficar numa tenda militar onde éramos os únicos e toda a roupa de Verão que levávamos teve de ser para aquecer o nosso filho de 16 meses (Tiago). Claro que na manhã seguinte mudámos para instalações com melhores condições. Outro facto que criou também alguma insatisfação/receio que me apoquentou durante todo o período que estivemos na Suécia e Noruega foi a hipótese de o meu filho desaparecer e nós não termos um documento que justificasse que ele era nosso. À saída de Portugal, não nos foi pedida documentação relativa ao Tiago e, como tal, não tínhamos nada; mas quando essa questão foi colocada num transbordo, fiquei preocupadíssima tendo feito logo o pedido que só chegou no último dia.

Admiração ao chegar à arena e ver uma imensa multidão onde predominava a variedade de cores (16.034 participantes), os locais de banho e WC. Nunca tinha imaginado tal situação, que me fazia lembrar cenas de campos de concentração com muitos chuveiros/sanitas ao ar livre vedados com madeiras ou toldos e muita gente toda junta. Para nos deslocarmos da arena/chegada chegávamos a percorrer entre 3000 a 4000 metros, encontrando ao longo do percurso diferentes zonas de partida consoante o escalão. Tal como nas chegadas, aliás, onde existiam vários corredores, também distribuídos por escalões.

Bom, todas estas situações podem parecer normais hoje em dia, mas naquela altura em Portugal as organizações ficavam muito aquém daquilo que se faz actualmente e que já se aproxima de toda a situação relatada.



Voltando então ao mapa «Azul», eu escolhi o da primeira etapa (Niklasdamm), que se realizou em Kristinehamn. A escala do mapa era 1/10000, equidistância de 5 m, sendo tão grande que houve necessidade de fazer uma montagem uma vez que o mesmo mede 40x45cm, representando uma área 12,6 km2 e 14,5km2 de perímetro. Optei por este mapa porque, apesar de ter participado no Campeonato do Mundo em 1995, Campeonatos Ibéricos e Provas Nacionais, nunca tinha tido a oportunidade de fazer percursos em zonas ou mapas completamente alagados. Inscrevi-me num escalão que pensei estar de acordo com o meu nível técnico (enganei-me!), mas não me arrependo do que fiz porque contribuiu para a minha formação como atleta. Após ter percorrido cerca de 3000 m, cheguei às partidas e iniciei o meu percurso com o dorsal mais elevado que alguma vez tive (13910), tentando percorrer a distância de 4600m. Assim que peguei no mapa, interroguei-me como conseguiria distinguir as diferentes zonas de água; no entanto parti à descoberta, até porque teria de realizar o percurso o mais rápido possível para que o meu marido pudesse realizar o seu, uma vez que ele só poderia partir quando eu chegasse, por causa do bebé. Do triângulo de partida para o primeiro ponto cometi logo um erro, até porque a minha leitura de relevo não era nada famosa (hoje em dia ainda não melhorou muito) e tal como pode ser visto no mapa, o que está a tracejado foram as opções por mim realizadas. Os pontos 2 e 3 foram realizados sem grandes dificuldades, para o ponto 4 decidi jogar pelo seguro indo pelo caminho, mas a determinada altura, decidi sair do caminho sem confirmar o local exacto onde estava, voltando novamente a fazer asneira. Para o ponto 5 penso que até consegui tomar uma opção aceitável, tentando seguir pelos limites de vegetação e das zonas com água.

Mas como não há bela sem senão eis que voltava novamente à situação de não perceber onde estava, principalmente quando cheguei à zona de falésias. Aí olhei para o relógio e pensei, “já está na hora do Jorge sair e ainda me falta tanto,” e ao fim de algumas tentativas lá dei com o ponto 6. Se até aqui as coisas não iam bem, com a preocupação de querer acabar rápido, no ponto 7 foi o descalabro porque eu percorri quase todas as falésias da zona até encontrar o meu ponto. Para o ponto 8, como se pode verificar, penso não ter tomado a melhor opção, depois de tudo o que já tinha feito penso que teria sido mais seguro ir por caminhos até à zona da falésia, aí deveria contornar a mesma a sul passando pelo objecto especial e assim encontrando o ponto. Deste saí rapidamente e sem dificuldade para o ponto 9 e daí para o fim. Terminei com o tempo de 1.49.56, a 1.12.30 da vencedora, tendo sido a 216ª classificada do meu escalão (D21 2). Senti-me mais realizada no dias seguintes porque o sucesso com mapas de água foi aumentando, eu fui subindo na classificação geral e terminei no 175º lugar.

No que diz respeito ao meu marido, a história não foi tão feliz porque saiu sempre atrasado para o seu percurso. Inclusive, num dos dias já estavam a desmontar as partidas quando ele lá chegou, foi explicada a situação e deixaram-no partir. Qual não foi o seu espanto quando no final se apercebeu que lhe tinham atribuído novo tempo de partida e é de valorizar uma organização deste tipo que, com tantos participantes, ainda teve uma atenção especial para o nosso caso.

Alice Silva
Fed 1092
Grupo Desportivo União da Azóia

[fotos e mapas gentilmente cedidos por Alice Silva]

Artigo relacionado
LUIS SANTOS NAS NEVES DE LAS MIMBRES


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

VENHA CONHECER... PEDRO BATISTA

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Chamo-me… PEDRO Rodolfo Leandro BATISTA
Nasci no dia… 25 de Maio de 1976, em Alenquer
Vivo em… Alenquer
A minha profissão é… Professor de Educação Física
O meu clube… CAOS – Clube de Aventura e Orientação de Sintra
Pratico Orientação desde… 2009

Na Orientação…

A Orientação é… uma forma de me fazer correr!
Para praticá-la basta… espírito de aventura, querer descobrir e aprender!
A dificuldade maior… olhar para o mapa e pôr o cérebro a funcionar!
A minha estreia foi em… Ourém!
A maior alegria… chegar ao fim, depois de andar uma hora perdido!
A tremenda desilusão… por enquanto ainda não tive!
Um grande receio… não tenho!
O meu clube é… um grupo de amigos!
Competir é… divertir-me!
A minha maior ambição… continuar a fazer Orientação!

… como na Vida!

Dizem que sou… meio-maluco, aventureiro!
O meu grande defeito… tentar fazer a sério aquilo que faço!
A minha maior virtude… a amizade e o companheirismo!
Como vejo o mundo… uma escola para crescermos!
O grande problema social… a desresponsabilização na forma como estamos a formar os nossos jovens!
Um sonho… muitos. É ir vivendo-os, concretizá-los!
Um pesadelo… não tenho pesadelos; tenho desafios!
Um livro… nosso, de ecologia, “Como Cagar Num Bosque”!
Um filme… “Braveheart”!
Na ilha deserta não dispensava… a minha namorada!

Na próxima semana venha conhecer Adelindina Lopes.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

NAOM CRATO 2010: HOJE FALO EU!

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1. “As coisas vulgares que há na vida não deixam saudade”. O Banquete – repito, Banquete! – do Norte Alentejano O’ Meeting 2010 ficará como um dos momentos altos do evento. Àquele espaço mágico, àquelas salas apinhadas de gente, ao convívio e à cordialidade entre todos, à satisfação com que se degustaram iguarias mil, à emoção e orgulho estampados no rosto dos anfitriões, juntou-se esse brinco da nossa cultura, esse toque mágico do Fado, numa voz que o soube cantar e encantar. Alexandra Martins foi o final perfeito dum dia mais que perfeito!

2. Todos compreenderão que o particular aspecto da Comunicação e Imagem dum evento, dum Clube ou duma Federação é algo que me diz muito e ao qual não fico nunca indiferente. E neste ponto, a organização do Norte Alentejano O’ Meeting deu uma vez mais um exemplo único de qualidade e capacidade de trabalho. A cobertura mediática, antes, durante e depois do evento esteve muito acima da média. O cuidado em nomear um “public relations”, a capacidade e entusiasmo da Isabel Sá no papel de ‘speaker’, a presença dos embaixadores do evento – Mário Zambujal e Fernanda Ribeiro – nos locais de prova e o trabalho da Diana Magalhães e do Pedro Silva a debitar informação contínua, cuidada e pertinente para o Facebook –
espreitem em
http://www.facebook.com/group.php?gid=304850509255 e saberão do que estou a falar – deram uma imagem notável do evento neste particular aspecto. Uma referência muito especial para o cuidado em convidar um jornalista do suplemento Fugas do jornal Público. Foi meu companheiro e "confidente" nestas lides da Orientação e uma companhia excelente ao longo dos dois dias do evento. Para o Tiago, um grande e forte abraço!

3. Fernando Gorgulho, Francisco Amieiro, Maria Luísa Bello de Morais. Três presenças constantes ao longo do evento, três pessoas que, nesta atitude tão simples, revelaram o enorme amor que devotam ao Crato. Foi tão bonito perceber a sua atenção, o interesse com que acompanharam o desenrolar dos acontecimentos, a forma como interpretaram a importância do que ali estava em causa, a disponibilidade para ajudar e apoiar naquilo que fosse preciso, o saber estar ao lado duma organização, esbatendo diferenças, encurtando distâncias. Que grande exemplo de solidariedade e de cumplicidade!

4. “Esse está aí há mais de quarenta anos. E trabalha bem.” O homem saiu da penumbra e vi o rosto daquela voz. Referia-se ao velho termómetro da Singer, na parede da loja voltada para a rua. Aceitei o convite e entrei. Vincada nas paredes sujas e gastas das ruas que percorrera, a desertificação do nosso interior espalhava-se agora pelo espaço triste e atingia, nas palavras resignadas daquele “resistente”, uma dimensão brutal. Há um par de décadas, por detrás do longo balcão corrido, eram seis pessoas a atender a freguesia e não tinham mãos a medir. Agora… “Quando fechar, fechou. Tenho pena, porque isto foi a minha vida toda. Mas pelo menos é bom saber que os filhos estão bem, não precisam disto para nada.” Neste País, cada vez somos menos pessoas. Neste País, cada vez mais somos mais um número. Apenas e só um número!

5. A Cerimónia de Entrega de Prémios chegara ao fim. Dava o meu trabalho por terminado e tratava apenas de acertar pormenores com a Fernanda Ribeiro quanto à boleia até Pombal. Foi então que o vi aproximar-se timidamente. Olhei para ele e devo ter sorrido. Então, estendeu-me duas peças muito bonitas e, na sua vozita sumida, disse: “Os meus pais pediram-me para lhe dar isto por tudo quanto tem feito pela Orientação.” Fiquei sem palavras. A emoção apoderou-se de mim, selei a minha gratidão com dois beijinhos e vi-o partir a correr, dentro do seu macacão verde-cinza. E ali fiquei, menino também, a olhar para os pequeninos losangos cor-de-laranja a brilhar na minha mão. Só bem mais tarde vim a saber o seu nome. André. André Sérgio. Obrigado!

[foto gentilmente cedida por Luís Sérgio]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

NAOM CRATO 2010: A EQUIPA

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Foi em Nisa, fez precisamente ontem três anos, que conheci a Orientação e me habituei a ver esta equipa trabalhar. Timidamente fui tomando contacto com as suas tarefas e percebendo o potencial organizativo do grupo. Não é por acaso que muitos são professores e aliam o gosto de ensinar a todo um trabalho metódico que pouco a pouco vai dando os seus frutos.

Com orgulho me tornei atleta federada do Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos mas depressa compreendi que os meus feitos na Orientação dificilmente seriam evocados por um particular cronista que bem conheço.

O convite para integrar a equipa médica do Norte Alentejano O’ Meeting 2010 surgiu e aceitei-o com agrado. E foi realmente neste evento que os compreendi “a sério”. Dos mais jovens, empenhados nas suas tarefas – uma referência especial para a ‘speaker’ Isabel Sá, cujo futuro neste campo é deveras promissor -, ao pessoal da Informática, todos me impressionaram pelo seu enorme profissionalismo. Mas não seria justa se não destacasse a equipa “Comezainas”. Eles foram incansáveis, provavelmente dos últimos a deitarem-se e os primeiros a saltar fora da cama para cozinhar alimentos frescos, saudáveis e saborosos para o grupo. Aqui reinam a Céu Costa, a Beatriz Leite, a Margarida e a Jerónima Rocha, os manos Martins, a Isabel Menezes e todos quantos vão dando uma “mãozinha” nos momentos de maior aperto.

Este testemunho ficaria incompleto se não mencionasse a “minha” equipa. O grupo de elementos da Cruz Vermelha Portuguesa – Delegação de Portalegre, coordenado pela Enfermeira Sofia Roque, foi inexcedível na missão de cuidar do próximo. Pelo espírito de camaradagem, boa disposição e elevado profissionalismo, quero citá-los individualmente: André Morais, António Gaio, Fábio Batista, Luís Mourato, Miguel Sabino, Ricardo Mourato, Rosália, Rosária de Jesus e Rui Pedro Morgado. Por último, um especial agradecimento à minha colega e atleta de Elite do clube, Maria Sá, a quem desejo desde já os maiores sucessos, tanto no desporto como na vida profissional.

Permitam-me uma reflexão final. É de equipas como esta que Portugal necessita. Aqui não interessa o bem pessoal mas sim o fim a que nos propomos: Elevar bem alto o nome dum clube e dar o melhor de nós, sejam quais forem as adversidades. Bem hajam Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos e todos os demais clubes de Orientação onde a máxima é fazer cada vez mais e melhor. Faço votos para que, todos em conjunto, saibamos também orientar este País no melhor caminho.

GRAÇA CARRAPATOSO

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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

NAOM CRATO 2010: BALANÇO DA ORGANIZAÇÃO

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A maratona jornalística em torno desta quarta edição do Norte Alentejano O’ Meeting aproxima-se rapidamente do seu final. Mas não nos podemos despedir sem tornar público o testemunho de três personagens fundamentais na dinâmica organizativa deste grande evento: O Vice-Presidente da Câmara Municipal do Crato, um dos proprietários dos terrenos e o Director da Prova.

Um evento desta natureza e com esta envolvência apanhou de surpresa Fernando Gorgulho, Vice-Presidente da Câmara Municipal do Crato: “Sinceramente não estava à espera. Pelas conversas que fomos estabelecendo desde a primeira hora – e devo acrescentar que a primeira hora foi precisamente no dia 24 de Outubro de 2009, após a tomada de posse deste novo executivo, quando aceitei participar numa Acção de Formação promovida em Flor da Rosa pelo Grupo Desportivo dos 4 Caminhos -, fiquei sensibilizado e comecei a acreditar que era possível. Percebi que, essencialmente, estava perante pessoas com uma grande cultura desportiva e uma elevada estatura cívica. A partir daí, o número de 1200 atletas, que começou por ser um número mágico, deixou de meter medo. Pelo contrário, é muito gratificante trabalhar com pessoas assim e que dão um excelente exemplo à nossa Sociedade.”
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Para o Crato, esta foi uma aposta ganha: “Estes eventos são muito importantes para o Crato porque o conjunto de atletas internacionais aqui presentes, o conjunto de equipas de 27 países participantes, vão seguramente querer voltar, não apenas numa perspectiva de lazer mas também para treinar e competir. Essa foi a nossa aposta.” Pessoalmente, o Vice-Presidente não esconde uma enorme emoção: “Sinto-me orgulhoso por todos os atletas, pelo Município do Crato que represento e devo apenas reforçar a ideia que valeu a pena a aposta.”

“Pareciam formigas”

Peça-chave em qualquer evento, os proprietários dos terrenos não foram esquecidos pela Organização que fez questão de os agraciar com uma peça belíssima em estanho, representando São Nun’Álvares Pereira. Para Francisco Amieiro, homem franco, sincero e com quem o Orientovar teve o privilégio de privar em diversas ocasiões durante os três dias de estadia no Crato e em Alter do Chão, “não é nada complicado prestar apoio a uma Organização destas. Tem que haver é boa-vontade da parte dos proprietários, como deve calcular. Há muitos proprietários que não gostam que se entre nos seus terrenos. Mas eu, felizmente, tenho este feitio e gosto de colaborar em tudo o que pode ser para o bem da nossa terra.”

De seguida quisemos saber que impacto negativo é que uma prova destas pode ter sobre uma propriedade. A resposta não se fez esperar: “Pode haver uma cerca danificada, meia dúzia de pedras dum muro derrubadas, mas isso não é nada. O problema é que há muita gente esquisita. Eu não! Já colaborei o ano passado, colaborei este ano e, sempre que for preciso, cá estarei para colaborar novamente.” Uma última impressão: “É uma emoção muito grande ver tanta gente feliz às voltas e a correr na minha propriedade. Isso foi o mais importante, pareciam formigas, uns para um lado, outros para o outro, tudo a correr… foi fantástico!”

“A Missão era servir!”

Por último, auscultámos as opiniões do Director da Prova, Fernando Costa, que nos traçou um balanço muito positivo do evento: “A Missão era servir! Servir, de forma a manter o nível de uma prova Internacional em Portugal. Servir para dignificar o clube e a modalidade. Penso que conseguimos cumprir a missão com grande nível e valeu a pena o esforço dispendido.” Concretizando: “Foi o evento em que conseguimos uma maior cobertura dos Órgãos de Comunicação Social, através de várias cerimónias que foram sendo desenvolvidas nas semanas e dias anteriores ao evento. O Jornal Público, através do suplemento FUGAS, fez a cobertura na íntegra do evento. Fizemos história com a colocação on-line de noticias e utilização das redes sociais. A presença dos embaixadores no local da prova é também de realçar. Este foi ainda o nosso evento com maior apoio médico e talvez dos maiores de sempre em Portugal. O Jantar na noite de sábado deu um toque de classe ao NAOM. E, finalmente, aquele que considero o ponto mais alto de todos, os mapas e os terrenos que foram do agrado geral. Aspecto menos positivo, no Sprint Nocturno, a forma como foram feitas as partidas e que criaram uma concentração na Arena durante demasiado tempo. Foi este o aspecto onde ouvimos mais críticas. Mas foi um evento de bom nível e sinto que uma vez mais contribuímos para que a imagem da Orientação portuguesa além-fronteiras saísse fortalecida.”

Quanto aos apoios, o Director da Prova destaca “a excepcional presença e disponibilidade da Câmara Municipal do Crato. Já trabalhámos com muitas autarquias por este país fora e, realmente, este evento foi de longe aquele onde houve maior interesse e envolvimento da Câmara. É uma Câmara habituada a organizar eventos – fazem anualmente um festival, no final do Verão, com uma dimensão brutal – e isso facilitou tudo. Têm a máquina bem oleada, pessoas com muita capacidade de trabalho e é um prazer trabalhar com eles. Aliás, vamos manter esta colaboração visto terem-nos já solicitado apoio no sentido de tornarmos o Crato uma referência na modalidade.” Mas há outros apoios que não podem ficar esquecidos: “Cruz Vermelha Portuguesa – Delegação de Portalegre, Guarda Nacional Republicana, Bombeiros Voluntários do Crato, Junta de Freguesia de Aldeia da Mata, patrocinadores vários (Almojanda, Carne Alentejana, Ramirez, Justlog, Sotinco, Sportzone, Caixa Agricola, Joi, Terra de Jans, Ach Brito), Hotelaria (Casa do Largo, Hotel Convento D'Alter, Hotel Rural da Lameira, Congress Hotel and Spa, Hotel Candelária, Hotel Sol Serra, Hotel Castelo de Vide) e Órgãos de Comunicação Social (Orientovar, O Praticante, Portal Aventura, Rádio Álamo, Rádio S. Mamede, Rádio Portalegre e O Mundo da Corrida).”

O Portugal O’ Meeting do próximo ano, programado para Portalegre e Alter do Chão, acarreta enormes responsabilidades e há muito trabalho pela frente. Todavia, isto não parece assustar Fernando Costa: “Há já trabalho feito em termos das áreas onde vão decorrer os eventos e, quanto àquilo que nos poderia assustar, um número de atletas de Elite tão grande ou maior que aquele registado este ano na Figueira da Foz, penso que felizmente a Federação Internacional de Orientação tem mecanismos criados para contornarmos o problema. Conjuntamente com a organização do II Meeting Internacional de Arraiolos vamos certamente encontrar uma solução que nos permita não prolongar as provas em demasia e evitar que se criem resultados que possam vir a falsear a verdade desportiva. Esperamos que o Portugal O’ Meeting constitua um enorme sucesso para a modalidade.”

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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ORIENTOVAR ATINGE UM NOVO MÁXIMO: 402 VISITANTES PASSARAM POR AQUI NAS ÚLTIMAS 24 HORAS

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O dia 22 de Fevereiro de 2010 fica para a história do Orientovar por ter sido aquele em que foi estabelecido um novo record de visitantes. Pela primeira vez a fasquia das quatro centenas foi ultrapassada – precisamente às 23h49 - e isso constitui para mim um enorme motivo de satisfação e orgulho.

Perceber que mais de 25% dos visitantes são estrangeiros e que, cada vez mais, esta plataforma de convergência da Orientação nacional vai ganhando visibilidade além fronteiras constitui igualmente um tónico importante para prosseguir com o enorme esforço de divulgação da modalidade que tanto vivo e sinto.

Para a história, aqui ficam os números totais deste dia memorável: Portugal 298 (Lisboa 83, Porto 19, Évora 13, Leiria 10, Aveiro 8, Coimbra 8, ...), Itália 26, Brasil 17, Espanha 10, Suécia 8, Suiça 6, Grã-Bretanha 5, França 4, Noruega 4, Áustria 3, Rússia 3, Estados Unidos 2, Finlândia 2, Alemanha 2, Ucrânia 1, Japão 1, Bulgária 1, Dinamarca 1, Equador 1, Uruguai 1, Roménia 1, Sérvia 1, Holanda 1, Estónia 1, Croácia 1 e Austrália 1.

A todos aqueles que têm contribuído para manter vivo e dinâmico este projecto, o meu muito obrigado.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

NAOM CRATO 2010: A PALAVRA AOS GRANDES VENCEDORES

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Que o Norte Alentejano O’ Meeting foi uma bonita festa, já se percebeu por tudo quanto anteriormente foi descrito. Mas porque a história da competição se faz de vencedores e vencidos, cedemos o protagonismo precisamente aos vencedores.

Esteve presente na edição inaugural do Norte Alentejano O’ Meeting, onde foi cabeça de cartaz. Ocupava na altura o número 9 do ‘ranking’ mundial e as suas crónicas frequentes, acompanhadas de fotos belíssimas, faziam dele um dos mais lidos e procurados do World Of O. Hoje, Øystein Kvall Østerbø
continua a ser um dos nomes mais estimados da Orientação mundial. O 24º lugar que actualmente ocupa no ‘ranking’ provam que o norueguês ainda se mantém em excelente forma, o mesmo se podendo dizer no que à escrita diz respeito. O artigo que publicou hoje, intitulado NAOM em Portugalé até ao momento o mais visitado do World Of O e um excelente cartaz de propaganda da prova organizada pelo Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos. Mas antes de ver o artigo, propomos que escute as palavras do atleta ao Orientovar.

Enquanto decorria a Cerimónia de Entrega de Prémios e aguardava a sua vez de ser chamado, Øystein Kvall Østerbø
aceitou falar para o Orientovar. E foi sentados na primeira fila das bancadas do Pavilhão Gimnodesportivo do Crato que escutámos as impressões do atleta. “Foi um enorme prazer para mim voltar ao Norte Alentejano O’ Meeting. Gostei imenso dos mapas e dos terrenos quando cá estive em 2007, tencionava ter voltado entretanto mas só este ano se proporcionou. Estou realmente muito contente por ter vindo.” Foram estas as primeiras palavras do atleta que, de seguida, se debruçou sobre as três provas que constituiram o evento: “As coisas correram dentro das expectativas. Fiz alguns pequenos erros em todas as provas mas sem comprometer em nenhuma delas. Foi uma bela competição e que juntou excelentes atletas. A luta foi dura, foi bonito e acabei por vencer no cômputo geral.” Recordando a sua presença em Nisa há três anos atrás, Øystein Kvall Østerbø não tem dúvidas: “As provas têm crescido muito. Já no ano passado, quando estive em Mora [POM 2009], tinha percebido essa evolução. Quanto ao NAOM 2007 e o deste ano, não há comparação possível.” A terminar: “Está nos meus planos regressar ao Norte Alentejo para o Portugal O’ Meeting do próximo ano. E para ganhar!”

"Tenho apreciado a forma como a Orientação tem crescido em Portugal nos últimos anos"

Eva Jureniková competiu pela primeira vez no Norte Alentejano O’ Meeting em finais de Janeiro do ano transacto. Não pontuável para o ‘ranking’ mundial, a prova atraiu apenas um pequeno número de atletas estrangeiros, entre os quais Eva Jureniková, cujo 19º lugar no ‘ranking’ mundial de então fazia dela a grande estrela do NAOM 2009. Sem deixar os seus créditos por mãos alheias, a atleta chegou, viu e venceu. Pelos elogios tecidos à prova no seu excelente blogue, percebia-se que Jureniková só não regressaria este ano se de todo não pudesse. Pois voltou e para subir novamente ao lugar mais alto do pódio, sendo até ao momento a única atleta a “bisar” na prova norte-alentejana. Ostentando o 17º lugar do ‘ranking’ mundial, a atleta checa bateu-se na primeira etapa WRE com as suecas Helena Jansson e Linnea Gustavsson e… perdeu. As suecas abandonaram o NAOM precocemente e Jureniková não se fez rogada, repetindo a vitória de Alter do Chão. Com inteiro mérito, acrescente-se.

Foi por aí que começámos a nossa conversa com Eva Jureniková, uma atleta franzina, extremamente tímida, mas com um coração e uma humildade enormes: “Com a Helena Jansson e a Linnea Gustavsson a disputarem o NAOM até ao fim as coisas teriam sido diferentes. Ontem na Longa Distância fiz uma prova muito boa e mesmo assim fiquei atrás delas e hoje tive um dia menos bom, cometi três erros duma assentada. Seguramente que com elas cá eu não teria ganho o Norte Alentejano O’ Meeting.” A verdade, porém, é que ganhou: “Tinha um excelente pressentimento acerca deste regresso ao Norte Alentejano O’ Meeting. Gosto imenso destes mapas e destes terrenos, comparativamente aos terrenos de areia e às dunas do litoral prefiro estes e as próprias condições de estadia são melhores. Na Suécia temos dois metros de neve de altura, estão quinze graus negativos e é impossível treinar na floresta. Por isso é muito bom vir aqui e para mim este é um momento muito importante para preparar a época, numa altura em que já vou focando as atenções nos Mundiais e na Taça do Mundo.” Referindo-se a Portugal e à Orientação portuguesa, a atleta não podia ser mais elogiosa: “Adoro Portugal, definitivamente. Tenho apreciado a forma como a Orientação tem crescido em Portugal nos últimos anos e a cada ano que passa este é um ponto de encontro dos melhores orientistas mundiais. Estive cá pela primeira vez em 2000, num Campo de Treino, e posso perceber bem o quanto têm evoluído. Há muito mais mapas, os clubes cresceram, as organizações são fantásticas. Se compararmos com a Suécia, onde acontece exactamente o contrário, é caso para dizer que estão de parabéns. Tanto o Portugal O’ Meeting como agora o Norte Alentejano O’ Meeting conseguiram reunir um conjunto notável de atletas e cada vez há mais gente a perceber que Portugal é um local privilegiado para treinar e competir nesta altura do ano.” O Portugal O’ Meeting do próximo ano vai trazer precisamente ao Norte Alentejo a fina-flor da Orientação mundial. Irá Eva Jureniková vencer pelo terceiro ano consecutivo nesta região: “Não consigo fazer planos a tão longo prazo, peço desculpa.”

Vencedores para todos os gostos

Porque todos foram vencedores e porque no Orientovar não é possível mencionarmos os nomes dos 1114 atletas contabilizados por nós (atenção, não são números oficiais!), aqui ficam, pelo menos, os dos vencedores nos vários escalões. Talvez deva acrescentar, para serenar algumas vozes, “velhinhos incluídos”.

H/D13 – António Ferreira (COC) e Tuva Bjerketvedt (Naz OK Moss); H/D15 – Mark Otto (TOLF Berlin) e Teresa Maneta (GafanhOri); H/D17 – Marek Minar (Magnus Orienteering) e Vendula Horcickova (Magnus Orienteering); H/D20 – João Mega Figueiredo (CN Alvito) e Adela Indrakova (Magnus Orienteering); H/D21A – Alexander Simanov (Legenda) e Pernille Brunstedt (JDNS Toluca L); H/D21B – Aidas Barkauskas (OK Fortuna) e Isabel Salgado (GafanhOri); H/D35 – Michael Granacher (Swiss Mixt) e Paula Nóbrega (OriMarão); H/D40 – Santos Sousa (ADFA) e Michela Conti (Swiss Mixt); Vet M/F B – Harild Heggeset (Freidig Spk) e Sónia Saramago (ATV); H/D45 – Mário Duarte (ADFA) e Lotti Spalinger (Swiss Mixt); H/D50 – Kestutis Abramikas (Saule) e Cejka Kati (OLC SKOG); H/D55 – Jean Dermine (Dauph-O) e Egle Krasuckiene(Labirintas OK); H/D60 – Bousser Etienne (CS EIS) e Elisabeth Borschorst (SunO / MFJOK); H/D65 – Inge Persson (Sun FK Boken) e Torid Kvaal (Freidig); H/D70 – Eric Boucher (Swiss Mixt) e Gudrun Broman (Sun GMOK); H/D75 – Peter Seward (SBOC) e Colette Lagoidet (BROS); H80 – Birger Garberg (TT-Tur Ringerike). Colectivamente, a classificação foi a seguinte; 1º ADFA, 4599,6 pontos; 2º COC, 4358,2 p; 3º Ori-Estarreja, 4239,6 p; 4º GafanhOri, 3910,4 p; 5º CPOC, 3900,2 p.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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NAOM CRATO 2010: AS REACÇÕES DE ALGUNS ATLETAS

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De regresso ao Norte Alentejano O’ Meeting e à grande prova que reuniu no Crato perto de 1200 participantes, passamos agora em revista alguns dos intervenientes no evento.

Ao longo dos dois dias de prova, o Orientovar teve a oportunidade de auscultar uma série de impressões. Da prova-rainha de sábado e da opinião dos grandes vencedores – Olav Lundanes e Helena Jansson -, aqui demos conta na devida altura.
Ouçamos mais um punhado de atletas.
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Começando pela sueca Liis Johanson (Naz MS Parma), a 6ª classificada deste NAOM Crato 2010 adiantou: “Foi uma excelente competição. Penso que os terrenos são excelentes e as corridas foram muito boas. Embora não tivesse criado grandes expectativas em relação às minhas provas, fico com a sensação que podia ter feito melhor. Cometi alguns erros muito grandes e assim não foi possível um resultado melhor. Mas estou muito contente pelo facto de ter estado aqui.”

“São tão bonitos estes terrenos com este sol”

O suíço Sebastian Hägler (Sun-O / A-Team) mostrava-se igualmente satisfeito com a sua prestação. “Alguns pequenos erros, mas duas boas provas. Estive no Portugal O’ Meeting há uns dias atrás e fiquei surpreendido com estes terrenos tão diferentes. Penso que aqui são mais rápidos embora não tão técnicos, apesar de algumas zonas verdes exigirem uma orientação muito atenta. É um terreno muito agradável. Apenas as minhas pernas… sinto-me um pouco cansado. Tentei dar o meu melhor. Estou contente.”

Também Wojciech Kowalski, o atleta que representa o Grupo Desportivo dos 4 Caminhos e que terminou no 6º lugar da Geral, falou para o Orientovar: “A primeira boa impressão tem a ver com o sol do primeiro dia. São tão bonitos estes terrenos com este sol, tão diferentes daquilo que temos na Polónia nesta altura do ano.” Recordámos-lhe a sua vitória no XI MOC de Pataias, a prova WRE imediatamente a seguir ao POM 2009, e o atleta polaco respondeu desta forma: “Infelizmente não consegui vencer desta vez, mas gostava de ter podido dedicar um resultado melhor ao GD4C. É um clube admirável, é uma autêntica família. Apesar de ser de fora, sou sempre tão bem recebido e fico muito feliz por poder representar este clube.”

“Da forma como está é que não pode ser”

A ausência no Sprint Nocturno, explica o 94º lugar na Geral de Tiago Aires (GafanhOri). No final da prova WRE falámos com ele de forma circunstanciada e recolhemos um punhado de impressões bem interessantes: “A prova correu bem. Cometi logo um grande erro para o primeiro ponto, o que não é normal, mas são coisas que não se podem levar muito a sério e têm de ser encaradas a pensar no futuro. Nestas situações custa um bocado aguentar uma prova de 15 km mas ainda me senti forte nos dez pontos seguintes e depois foi razoável até ao fim, apenas com uma má opção.” O I Meeting Internacional de Arraiolos iniciou um ciclo que prosseguiu com o Portugal O’ Meeting e termina neste Norte Alentejano O’ Meeting. Em jeito de balanço, Tiago Aires é peremptório: “Isto é muito importante para a Orientação portuguesa. Eventos como o Portugal O’Meeting, com mais de 1200 atletas estrangeiros, é algo que está farto de ser falado por nós. Tem de ser falado é lá fora, tem de passar para a Comunicação Social, para os Governantes, para as Empresas de Turismo, para tudo. Nós organizadores e nós atletas temos de aproveitar a vinda dos melhores do Mundo a Portugal para todos evoluirmos, para a Orientação portuguesa, no fundo, evoluir.”

No próximo ano, cabe ao Clube de Orientação da Gafanhoeira – Arraiolos organizar um evento WRE imediatamente após o Portugal O’ Meeting. E o trabalho já começou: “Estamos a trabalhar em coisas simples, os primeiros mapas, as escolhas exactas, esse tipo de coisas. Vamos ter de dar uma pausa de três meses antes de pôr o resto do pessoal a trabalhar porque, se queremos ter o mesmo envolvimento por parte das pessoas, o importante agora é que descansem. Foi muito duro, houve muitas famílias envolvidas, muita gente a ficar doente na semana seguinte e as pessoas precisam agora de pensar é noutras coisas. Daí esta pausa ser propositada.” Quanto à fórmula destes ciclos de provas e à necessidade de serem repensados nalguns aspectos, Tiago Aires não tem dúvidas: “No que toca à quantidade, quantos mais melhor. Só há uma coisa que tem de ser repensada e que é o escalão de Elite. É impensável e incomportável termos quase trezentos atletas no POM e duzentos atletas aqui, a competirem no mesmo escalão. Na realidade há soluções para isso, como se faz noutros países. Dou como exemplo a Spring Cup na qual, tendo por base o ‘ranking’ internacional, se dividem os atletas em Super-Elite, Elite A, Elite B, Elite C... o que for preciso. Penso que nas grandes provas do próximo ano certamente terá de ser decidido algo do género. Da forma como está é que não pode ser. Isto pode, ao contrário do que seria suposto, afastar os melhores atletas que não estão para se expor dessa forma. Resta às entidades competentes analisar a situação e encontrar a melhor solução.”

“Há sempre um mas…”

Partiu para a etapa decisiva na primeira posição, fez uma prova de Distância Média abaixo das expectativas e acabou por cair para o 4º lugar. Falo de Ionut Zinca (GD4C), que nos deixou também as suas impressões, a última das quais bem curiosa, por sinal: “É natural que estivesse à espera de ganhar o NAOM. O que acontece é que, após duas semanas de treino intenso, sem dar tréguas, a prova de Distância Longa de ontem foi muito dura e fiquei muito castigado. Mas não foi a questão física, apenas. Fiz um erro muito grande no ponto 15, perdi cerca de 40 segundos, desconcentrei-me e foi tudo por água abaixo. Depois fui o primeiro a partir, não sei se teria sido melhor partir mais tarde, mas não vale a pena encontrar agora desculpas, o único responsável sou eu.”

Presença assíduo nas principais provas portuguesas – e um pouco por todo o Mundo – Ionut Zinca é um espectador atento e interessado daquilo que por cá vai ocorrendo e adianta o seguinte: “A Orientação em Portugal está a evoluir muitíssimo. Gosto muito de Portugal, das organizações, sempre mapas muito bons, corridas muito boas. Se olharmos para o Portugal O’ Meeting, percebemos que vai na direcção certa e que os clubes portugueses têm feito um excelente trabalho ao longo dos anos. Se compararmos com aquilo que acontece em Espanha, podemos encontrar lá algumas corridas boas mas em Portugal as corridas em que tenho participado são sempre muito boas. O nível é muito bom e por isso volto sempre que me é possível.” Mas, há sempre um mas…: “É uma pena esta alteração das regras impostas pela Federação Portuguesa de Orientação no que diz respeito aos Campeonatos Nacionais de Estafetas. Sempre pode correr um estrangeiro por equipa e, este ano, isso não vai poder acontecer. Se outros países dão passos em frente, neste particular aspecto Portugal dá um passo atrás. Restringir a entrada de bons atletas doutros países, atletas que podem trazer um valor acrescentado a uma prova com estas características, é algo que não passa pela cabeça de ninguém. Basta atentarmos naquilo que acontece com o Futebol. Creio que o Futebol Clube do Porto só tem 4 jogadores portugueses. Não compreendo.”

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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domingo, 21 de fevereiro de 2010

NAOM CRATO 2010: TRIUNFOS DE ØYSTEIN KVAAL ØSTERBØ E EVA JURENIKOVÁ

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Øystein Kvaal Østerbø e Eva Jureniková foram os vencedores da quarta edição do Norte Alentejano O’ Meeting.

A história quase se ia repetindo. Tal como no ano transacto, o dia amanheceu envolto na maior das invernias, com muita chuva, vento forte e trovoada. A Arena bem cuidada acabara de sofrer um forte “abanão” quando começaram a chegar os participantes. Sinais de apreensão, apenas no rosto de alguns elementos da organização. Quanto aos atletas… vamos a isto que se faz tarde.

O mapa da Herdade da Lage do Meio-Dia foi um digno palco de encerramento duma edição que marcou encontro no Município com História. A Vila do Crato foi uma notável anfitriã do evento, fazendo da disponibilidade, atenção e bem receber das suas gentes um ponto de honra. O resto foi uma manhã – como o tinham sido a tarde e noite de ontem– de excelente Orientação, emoção a rodos e, no final, um balanço mais que positivo duma organização inexcedível de entrega e coragem.

O “bis” de Jureniková

Cabeça de cartaz da primeira edição da prova (Nisa, 1997) o norueguês Øystein Kvaal Østerbø (Wing OK) regressou ao Norte Alentejano para levar com ele um merecido triunfo. Um 4º lugar na primeira etapa manteve as aspirações do atleta intactas, mas o 8º lugar no Sprint parecia tê-lo afastado em definitivo do primeiro lugar. Apesar dalgumas pequenas desatenções, a prova de hoje correu de feição ao norueguês, o qual acabou por beneficiar dum acumular de erros do romeno Ionut Zinca (GD4C) e concluir a jornada tripla do Crato no primeiro lugar do pódio. Emil Lauri (IFK Lidingö SOK) e Olle Boström (COC Järla) secundaram Øystein Kvaal Østerbø enquanto Ionut Zinca cairia para a 4ª posição. Diogo Miguel, na 27ª posição, voltou a ser o melhor português.

No sector feminino, Eva Jureniková (Domnarvets GoIF) voltou a marcar presença no Norte Alentejano O’ Meeting para repetir a vitória alcançada em Alter do Chão no ano transacto. Tal como tínhamos previsto, após o abandono precoce das suecas Helena Jansson e Linnea Gustavsson, as portas da vitória abriram-se à grande atleta checa que não enjeitou a hipótese. Elise Egseth e Sara Lüscher, ambas da turma norueguesa do Wing OK ocuparam respectivamente as 2ª e 3ª posições. Quanto a Raquel Costa (GafanhOri), foi a melhor portuguesa, alcançando um notável 9º lugar entre atletas de tanta valia.

Resultados
Homens Elite
1º Øystein Kvaal Østerbø (Wing OK) 2891.7

2º Emil Lauri (IFK Lidingö SOK) 2872.7
3º Olle Boström (COC Järla) 2866.6
4º Ionut Zinca (GD4C) 2863.1
5º Chris Forne (Wing OK) 2846.9
6º Wojciech Kowalski (GD4C) 2794.8
7º Stefan Lombriser (SunO / A-Team) 2788.2
8º Sebastian Hägler (SunO / A-Team) 2783.2
9º Christian Hjalmarsson (IFK Lidingö) 2777.8
10º Rasmus Søes (IFK Lidingö) 2775.0
(…)
27º Diogo Miguel (Ori-Estarreja) 2552.8
37º Paulo Franco (COC) 2438.7
42º Pedro Nogueira (ADFA) 2350.4
51º Davide Machado (.COM) 2213.2
58º Filipe Dias (CPOC) 2121.7

Damas Elite
1º Eva Jurenikova (Domnarvets GoIF) 2809.9

2º Elise Egseth (Wing OK) 2735.3
3º Sara Lüscher (Wing OK) 2710.2
4º Hanna Wisniewska (WKS Slask) 2565.8
5º Tatyana Rozova (SneGoVik O-Team) 2444.7
6º Liis Johanson (Naz MS Parma) 2429.2
7º Sanna Andelin (MK Lahden Taimi) 2423.6
8º Helen Palmer (Wing OK) 2419.8
9º Raquel Costa (GafanhOri) 2378.3
10º Michela Guizzardi (ITA) 2330.1
(…)
25º Débora Silva (CMO Funchal) 1661.4
28º Albertina Sá (ADFA) 1524.4
29º Andreia Silva (COC) 1376.5
30º Patrícia Casalinho (COC) 1356.7

Encerrado o ciclo “internacional” de Orientação Pedestre, e antes de virarmos as nossas atenções para os Nacionais de Orientação em BTT (Oliveira de Azeméis, 27 e 28 de Março) e para os Nacionais de Distância Média e de Sprint (10 e 11 de Abril de 2010), fica a promessa de que voltaremos ao NAOM Crato 2010 com mais apontamentos e um belo punhado de entrevistas. Não serão ainda as Crónicas mas... sempre é melhor que nada!

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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sábado, 20 de fevereiro de 2010

NAOM CRATO 2010: OLAV LUNDANES E HELENA JANSSON VENCEM PROVA-RAINHA

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Teve lugar na manhã de hoje a etapa inaugural do NAOM Crato 2010. Com a competição ao rubro, Olav Lundanes e Helena Jansson foram os grandes vencedores.

Sol radioso num céu azul, um mar de verde pontuado de pequeninas flores de cores mil, blocos cinzentos graníticos a imporem a sua presença na paisagem, enorme animação, uma alegria contagiante e muita e boa Orientação marcaram a etapa inaugural do Norte Alentejano O’ Meeting 2010. Prova de Distância Longa pontuável para o ‘ranking’ mundial, a etapa-rainha do evento teve lugar no mapa da Aldeia da Mata e teve a participação de 1200 atletas de 27 países.

A competição esteve ao rubro e contou com a presença de alguns dos melhores atletas mundiais. Ausência notada apenas a do sueco Emil Wingstedt, o atleta com melhor cotação inscrito na prova (é 6º do ‘ranking’ mundial). No sector masculino, o norueguês Olav Lundanes (LF Halden SK) foi o grande vencedor, logo seguido do finlandês Tero Föhr (Vehkalahden Veikot) e do romeno Ionut Zinca (GD4C). Nas senhoras, vitória esperada da sueca Helena Jansson (COC IF Hagen), 4ª atleta do ‘ranking’ mundial, seguida da sua compatriota Linnea Gustavsson (COC OK Halden) e da checa Eva Jureniková (Domnarvets GoIF), a grande vencedora da última edição do NAOM (Alter do Chão, 2009).

Resultados
Homens Elite
1º Olav Lundanes (LF Halden SK) 1.10.54

2º Tero Föhr (Vehkalahden Veikot) 1.14.01
3º Ionut Zinca (GD4C) 1.15.04
4º Øystein Kvaal Østerbø (Wing OK) 1.15.13
5º Carl Waaler Kaas (SunO / Bækkelagets) 1.15.30
6º Wojciech Kowalski (GD4C) 1.16.17
7º Christian Christensen (IFK Göteborg) 1.16.32
8º Sebastian Hägler (SunO / A-Team) 1.16.33
9º Matthew Speake (Tume) 1.16.46
10º Rasmus Søes (IFK Lidingö) 1.16.50

Damas Elite
1º Helena Jansson (COC IF Hagen) 1:03:40

2º Linnea Gustavsson (COC OK Halden) 1:05:17
3º Eva Jurenikova (Domnarvets GoIF) 1:07:19
4º Ida Bobach (SunO / Denmark Team) 1:10:24
5º Sara Lüscher (Wing OK) 1:12:00
6º Elise Egseth (Wing OK) 1:14:08
7º Malin Sand (IFK Lidingö SOK) 1:15:09
8º Hanna Wisniewska (WKS Slask) 1:17:26
9º Emma Klingenberg (SunO / Denmark Team) 1:18:55
10º Signe Klinting (SunO / Denmark Team) 1:19:00

“Estou muito contente com esta vitória”

“Estou muito contente com esta vitória. Estou numa boa forma, este é um bom começo de temporada e faz-me sentir confiante após uma época de Inverno de treino intenso.” Foram estas as primeiras palavras do vencedor, Olav Lundanes (LF Halden SK), ao Orientovar. Falando da sua prova de hoje, o jovem norueguês confessou que esta “foi uma prova muito dura e estive muito bem tecnicamente. Os terrenos são muito diferentes daqueles que encontrámos no Portugal O’ Meeting, são ainda mais rápidos e devo dizer que não estava à espera.” Quanto a uma vitória no Norte Alentejano O’ Meeting, Olav Lundanes não enjeita a possibilidade mas vai admitindo que “é ainda muito cedo para adiantar o que quer que seja. Devo ter algum cuidado porque a época ainda vai começar e logo veremos. Mas seria agradável uma vitória, claro.”

Segunda classificada no recente Portugal O’ Meeting, Helena Jansson (COC IF Hagen) foi a grande vencedora da prova de hoje e também ele falou para o Orientovar: “Foi uma prova muito boa, apesar de me sentir bastante cansada depois de tanta competição e com treinos duas vezes por dia. Procurei concentrar-me apenas na minha Orientação, esquecer todo o cansaço acumulado em cima das pernas e estou muito feliz com a minha prova.” Desconhecedora da realidade destes mapas e destes terrenos, a grande atleta sueca ficou particularmente agradada com o potencial desta região para a prática da Orientação. Quanto ao que falta do NAOM Crato 2010, percebe-se alguma mágoa nas suas palavras quando confessa: “Partimos amanhã cedo para mais uma semana de treino em Itália e, para mim, o NAOM acabou. Espero poder regressar para o ano a esta região para o Portugal O’ Meeting.”

Está a chegar a hora do Sprint Nocturno

Dentro de um par de horas, aproximadamente, terá lugar a segunda das três provas que compõem o evento. As ruas, praças e jardins do Crato recebem o Sprint Nocturno, o qual tem essa particularidade de ser pontuável para a classificação final. Com Helena Jansson, Tero Föhr e Linnea Gustafsson – "fora de combate" pelas mesmas razões (partida antecipada), a cheva Eva Jureniková (Domnarvets GoIF) tem as portas escancaradas para repetir a vitória alcançada no ano transacto enquanto nos homens o romeno Ionut Zinca (GD4C) vai querer repetir a vitória da edição inaugural do NAOM e certamente não irá dar tréguas a Olav Lundanes (LF Halden SK).

Tudo para continuar a acompanhar em http://www.gd4caminhos.com/naom/2010/ ou aqui, no seu Orientovar.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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NAOM CRATO 2010: O DIA MAIS ESPERADO CHEGOU

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O Norte Alentejano O’ Meeting 2010 vai começar. Nos rostos transparece a responsabilidade e a emoção do maior e melhor NAOM de sempre. Homens e mulheres dessa grande família que é o Grupo Desportivo 4 Caminhos cerram fileiras. A nau é grande, a tormenta aproxima-se!

As horas escoam-se rapidamente e o trabalho organizativo atinge agora o pico. O Orientovar andou pelos bastidores, visitou o Secretariado, falou com muitos dos grandes obreiros deste enorme trabalho, passeou-se pelo Crato e Flor da Rosa e, no final dum dia longo, juntamente com a “embaixatriz” Fernanda Ribeiro, jantou no Quartel-General da Organização.

Ao longo do dia, foram muitas as dezenas de estrangeiros – e alguns portugueses – que passaram pelo Mosteiro da Flor da Rosa, sede do Secretariado deste Norte Alentejano O’ Meeting 2010. O “model event” levou alguns deles até ao Vale da Silvana, no vizinho concelho de Castelo de Vide mas a maioria preferiu passear pelas ruas do Município com História.

Antas, Museus, a Casa do Largo e um Herdade do Gamito de se lhe tirar o chapéu

Esquecida na sua pacatez, a Vila do Crato abre-se em recantos mil que provocam surpresa e estupefacção. Visitar a Casa do Largo na companhia da sua proprietária foi um desses gratos momentos. A D. Maria Luísa Bello Morais foi uma anfitriã duma delicadeza inexcedível mas a descrição de tanto bom gosto e requinte vai ter de ficar para um momento muito especial (há aqui material que dava, por si só, para fazer um volume extra das Crónicas do Norte Alentejano O’ Meeting, isso vos posso garantir).

Quase ali em frente, em pleno Centro Histórico da Vila, encontramos o Museu Municipal do Crato, outro ponto incontornável e de visita obrigatória, ao encontro do passado histórico do Município, num percurso que tem início nos vestígios das primeiras ocupações pré-históricas e termina numa abordagem da vida económica e social do Crato, em meados do século passado. Pelo meio ficam as visitas às Antas do Tapadão e da Herdade dos Andreiros e o merecido afago duma refeição na Adega – surpreendente de personalidade aquele Herdade do Gamito Tinto 2006 – ou dum chá (da Gorreana!) no Cantinho da Dona Margarida.

“O Fernando Costa é um organizador nato”

Noite fora, trabalha-se para que tudo possa estar afinado. Fernando Costa, Presidente da entidade organizadora, Director da Prova e um dos homens que mais continua a fazer pela Orientação em Portugal traçava-nos o ponto da situação: “Há algumas coordenações em termos de equipas no terreno que é preciso ainda acertar e afinar a máquina para que às 10h00 se possam dar as partidas sem sobressaltos.” Quanto à quarta edição do NAOM, Fernando Costa é peremptório: “A qualidade dos participantes é enorme, o que nos acrescenta também uma responsabilidade muito grande. Esperamos estar à altura deste grande evento porque esta é uma equipa que trabalhou para isso e que o merece.” Descansar? “Só lá para amanhã, talvez aí pelas três da tarde, depois de tudo isto passar, é que poderei descansar.”

Também o Supervisor da Prova, Joaquim Patrício, se disponibilizou a falar para o Orientovar: “A minha função como Supervisor numa organização do GD4C é facilitada porque tudo está bem ordenado, aquilo que é importante está bem feito, as coisas surgem na hora certa, os prazos são respeitados. E depois o Fernando Costa é um organizador nato.” Quanto à prova em si, Joaquim Patrício acredita que vai ser uma grande festa: “Os terrenos em ambos os dias são bastante favoráveis para uma Orientação de qualidade e as pessoas vão sair daqui satisfeitas. Depois dum Portugal O’ Meeting bastante positivo, mais um fim-de-semana com esta qualidade vai ser muito importante para a Orientação portuguesa.

“Vai ser mais uma coisa gira que vou aprender”

Por último ouvimos a campeoníssima Fernanda Ribeiro, “embaixatriz” do evento, ainda a refazer-se duma recepção tão calorosa no seio da família dos Quatro Caminhos: “É uma coisa totalmente diferente. Não esperava este ambiente nem tão pouco imaginava que a organização duma prova de Orientação dava todo este trabalho. É admirável o espírito de entreajuda das pessoas que aqui estão, há uma união muito grande, é diferente de outros desportos que eu conheço.” Por último, deixa-nos com aquilo que espera encontrar quando, daqui a pouco, fizer pela primeira vez uma prova de Orientação: “Estou essencialmente à espera de me divertir. Acho que este é um desporto para toda a família e a primeira coisa é divertir-me. Da competição já estou eu habituada no Atletismo. Depois estive aqui a ver o mapa e estou muito curiosa para ver como que funcionam os pontos. Tenho a certeza que vai ser mais uma coisa gira que vou aprender.”

Hoje é dia de prova de Distância Longa WRE, no mapa de Aldeia da Mata, com as partidas a terem o seu início às 10h00. Mais tarde, pelas 19h00, tem lugar o sempre aguardado Sprint Nocturno e o dia encerrará com uma Ceia no Mosteiro da Flor da Rosa, numa gentileza da Câmara Municipal do Crato. Não perca as emoções do Norte Alentejano O’ Meeting 2010 em
http://www.gd4caminhos.com/naom/2010/ ou aqui, no seu Orientovar.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

NAOM CRATO 2010: A ORIENTAÇÃO DE REGRESSO AO NORTE-ALENTEJANO

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Depois de Arraiolos e da Figueira da Foz, cabe ao Crato, Município com História, fechar a “trilogia” de eventos maiores de Orientação Pedestre neste início de 2010. É o ponto final num ciclo que, uma vez mais, transformou Portugal na Capital Mundial da Orientação. Chegou a hora do Norte Alentejano O’ Meeting.

Herança da Ordem de Malta, antigos Hospitalários, a vila do Crato é uma pacata terra alentejana onde permanecem traços do passado. Ao caminharmos pelas ruas da calçada, a cruz de oito pontas surge aqui e ali, mostrando a importância que esta ordem militar teve na sua História. Terra de moradias barrocas, com portas medievais ou enormes chaminés a apontarem para o céu, Crato é terra hospitaleira. E tal como no centro da vila, também nas terras em seu redor se respira a História. O tempo não destruiu as antas e menires e deixou também intacta a ponte romana da Ribeira da Seda.

É neste ambiente campestre que se erguem povoações como Gáfete, Vale do Peso, Monte da Pedra e Aldeia da Mata. Será precisamente nesta última que terão lugar as provas-rainha do Norte Alentejano O’ Meeting 2010, primeiro no sábado com a prova de Distância Longa WRE e depois com a prova de Distância Média de domingo, a encerrar o evento. Às duas etapas referidas, junta-se o sempre aguardado Sprint Nocturno que promete transformar a vila do Crato, ao final da tarde e princípio da noite de sábado, num imenso corropio de pontos luminosos, um mar de correrias em todas as direcções. O Secretariado estará instalado no Mosteiro da Flor da Rosa, um dos mais belos exemplares do nosso vasto património edificado, antiga capital do Priorado.

Mais de mil e cem inscritos

Depois de Nisa, Castelo de Vide e Alter do Chão, a quarta edição do Norte Alentejano O’ Meeting prepara-se para bater todos os records. O número de inscritos ascende a 1112, dos quais 580 estrangeiros, em representação de 27 países. Depois de Portugal, a representação mais numerosa é a da Suécia, com 121 atletas, logo seguida da Noruega (79), Finlândia (78), Suiça (65), Dinamarca (46) e França (44). Pela positiva registe-se essa novidade de podermos ver 6 atletas quenianos a competir no Crato – se lhes dá para serem bons na Orientação como o são no Atletismo, Hubmann e companhia que se cuidem… Pela negativa, lamenta-se uma vez mais a escassa presença de atletas do País vizinho, com 7 participantes apenas a atravessar a fronteira e a virem até ao Norte Alentejano.

A Direcção da prova está cargo de Fernando Costa e foi ele quem assumiu o traçado de todos os percursos. Joaquim Patrício é o Supervisor e os mapas são da responsabilidade de Armando Rodrigues, um dos quais (Aldeia da Mata, já no dia de amanhã) em parceria com José Baptista. Os atletas encontram-se distribuídos por 38 escalões de competição e 4 escalões abertos, para um total de 72 percursos diferentes e 166 pontos espalhados pelo terreno, no conjunto dos três dias de provas.

Qualidade e competitividade prometidas

No que ao escalão de Elite diz respeito, não será propriamente o Portugal O’ Meeting de há uns dias atrás, mas 188 atletas inscritos no sector masculino e 59 no feminino são números fantásticos para um evento desta natureza. Nomes como os do sueco Emil Wingstedt (6º classificado do ‘ranking’ mundial), dos russos Valentin Novikov (8º) e Leonid Novikov (34º), dos finlandeses Tero Föhr (14º) e Jarkko Huovila (43º), dos noruegueses Carl Waaler Kaas (11º), Olav Lundanes (13º) e Øystein Kvaal Østerbø (24º), do suíço Baptiste Rollier (18º), do romeno Ionut Zinca (29º), do búlgaro Kiril Nikolov (38º), do neo-zelandês Chris Forne (46º), dos polacos Wojciech Kowalski (47º) e Wojciech Dwojak (67º), do letão Martins Sirmais (51º) ou dos britânicos Graham Gristwood (25º) e Scott Fraser (71º), este último 2º classificado do recente Portugal O’Meeting, constituem o garante da enorme qualidade e competitividade que o evento encerra no quadro masculino.

Menos numeroso mas não menos valioso, o quadro feminino encerra, também ele, grandes valores da Orientação mundial, a começar desde logo pelas 2ª e 3ª classificadas do Portugal O’ Meeting 2010, a sueca Helena Jansson, número 4 do ‘ranking’ mundial e a russa Julia Novikova (19ª). Mas marcarão igualmente presença na grande prova do Crato a dinamarquesa Signe Soes (7ª), a sueca Linnea Gustafsson (10ª), a norueguesa Heidi Ostlid Bagstevold (31ª), as suíças Sara Lüscher (49ª) e Seline Stalder (56ª) e ainda a grande vencedora do NAOM 2009, a checa Eva Jureniková (17ª). Perante isto, mais palavras para quê?

Amanhã é a doer

Bom será recordar que este Norte Alentejano O’ Meeting deu o pontapé de saída oficial no dia 10 de Fevereiro, com a Conferência de Imprensa no Salão Nobre da Câmara Municipal de Matosinhos, como aqui reportámos na altura. Prosseguiu ao final da manhã da passada quarta-feira, com a Apresentação do evento no Auditório Municipal do Crato. Nesse mesmo dia, à noite, Fernando Costa e Tiago Aires foram convidados de honra de Fernando Correia no programa “Lugar Cativo” da TVI 24, cuja entrevista pode ser recordada em http://nzalmeida.orienta-te.com/?p=167, desde já com um forte abraço de agradecimento ao Nuno José de Almeida pelo seu trabalho e empenho na divulgação da Orientação.

Ontem o dia foi dedicado às Escolas, com cinco estabelecimentos de ensino a movimentarem mais duma centena de crianças que, de mapa na mão, esquadrinharam ruas, praças e jardins da bela Vila do Crato. Também ontem, mais ao final da tarde, o Castelo de Alter recebeu a Apresentação do Livro Crónicas Norte Alentejano O’ Meeting 2009 e a inauguração da respectiva Exposição, ambos da autoria de Joaquim Margarido. Presentes, para além do autor, Jaime Estorninho, Governador Civil de Portalegre, Joviano Vitorino, Presidente da Câmara Municipal de Alter do Chão, Fernando Costa, Presidente do Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos, ante uma vasta plateia onde pontificou um conjunto muito interessante de representantes dos Órgãos de Comunicação Social locais e regionais. As reportagens fotográficas completas destes três últimos eventos podem ser vistas na Galeria do NAOM da autoria de Paulo Fernandes – obrigado, Paulo! – em http://picasaweb.google.pt/paulojjf2.

Hoje, o mapa do Vale da Silvana (Castelo de Vide), palco magnífico da derradeira etapa do Norte Alentejano O’ Meeting 2008, recebe a prova de Treino e amanhã, a partir das 09h30, então vai ser mesmo “a doer”. Tudo para acompanhar em http://www.gd4caminhos.com/naom/2010/ ou aqui, no seu Orientovar.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

PORTUGAL O'MEETING 2010: HOJE FALO EU!

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Mil histórias ficarão por contar, mil imagens por mostrar, mil emoções por descrever. Ao colocar um ponto final no Portugal O’ Meeting 2010, o Orientovar reserva uma mão cheia delas para esta última crónica. É isto que lhe propomos, caso não tenha esgotado ainda a sua paciência.

Festa é a palavra que encontro para descrever este grande encontro mundial da Orientação que foi o POM 2010. Mas não é isso que se espera e exige dum Portugal O’ Meeting? A companhia da minha filha nos três primeiros dias de prova tornou esta festa ainda mais alegre e valiosa, ela que sentiu pela primeira vez a competição numa festa realmente grande, ela que trouxe, igualmente, mil histórias, mil imagens e emoções que – acredito! – um dia irá mostrar.

O Portugal O’ Meeting foi também uma enorme maratona jornalística que, em rigor, começou no Orientovar a 16 de Maio de 2009, no preciso momento em que era inaugurada a página oficial do evento. Ao longo de dez crónicas, aqui apresentámos o evento e os grandes nomes presentes na Figueira, aqui traçámos o dia-a-dia da prova, aqui publicámos as elogiosas impressões de quase quatro dezenas de atletas presentes – de Simone Niggli a Thierry Gueorgiou, de Helena Jansson a Scott Fraser, de Yulia Novikova a Fabien Hertner, de Maria Sá a Mikhail Mamleev - aqui fizemos o balanço dos seus Directores. Agora, chega a vez de fazermos o nosso próprio balanço. Positivo, muito positivo, adianto já!

O bom e… o mau

Para ser imaculado, este POM não podia ter tido a tremenda ‘gaffe’ de levar ao lugar mais alto do pódio e mostrar ao mundo um vencedor que, afinal… foi “apenas” segundo. A história foi já contada mas dessa marca este POM não se livra. Como não se livra das condições sanitárias oferecidas nos três últimos dias. Aquelas valas a céu aberto, sem condições de privacidade, de dignidade até, são inenarráveis. Da (quase) ausência de ‘speaker’ na prova do terceiro dia e da falta que isso fez para aquecer um pouco mais a manhã terrivelmente húmida e fria também já aqui se falou, mas por sinal “supervisor não pode ser pau para toda a colher”. E só podemos estar de acordo com isso.

No resto, simpatia e disponibilidade a rodos, um ‘team’ na cozinha que merece um Voto de Louvor pelo bem que me fez (pelo bem que me soube!), uma Direcção da Prova sempre atenta, preocupada, disponível, um “staff” incansável e pleno de compreensão para quem, na ânsia de informar, nem sempre surgia na melhor altura. E depois aquela cumplicidade com o Jorge Dias e o Nuno Neves, fotógrafos perdidos e logo encontrados no coração da floresta, aquele olhar nostálgico do Rui Antunes, recordando os dias e dias ali passados a esquadrinhar cada palmo de terreno e a desenhar esse valiosíssimo património que são os mapas deste POM, aquela passagem dos melhores do mundo pelo ponto de espectadores na prova WRE, aquelas dezenas ou centenas de fotos "queimadas" porque os pinheiros teimavam em correr ao lado dos atletas, aquela atenção do Paulo Franco em colocar na página oficial do evento os ‘links’ para as notícias aqui publicadas, aquela surpresa de reencontrar amigos numa roda que aumenta a cada dia que passa. Tudo isto, tintado com as mimosas em flor, o azul do céu e o espelho de água em que se transformou a Lagoa da Vela na cálida tarde de terça-feira, compõe um dos mais belos quadros que tive a felicidade de contemplar.


Ideia mais fixe!

Não poderia colocar um ponto-final nesta crónica e no próprio Portugal O’ Meeting 2010 sem mencionar três eventos paralelos que merecem, também eles, figurar entre as melhores coisas que este POM nos ofereceu. Refiro-me, naturalmente, ao Sprint Nocturno, à Estafeta da Amizade e à Prova de Orientação de Precisão. Falando do Sprint Nocturno, começo por recordar um pôr-do-sol daqueles de cortar a respiração e a pedir que lhe descarregam em cima o rolo inteiro da máquina. E depois 800 atletas às voltas por ruas e ruelas, becos e recantos, gavetos e passadiços, numa miríade de pontos luminosos duma beleza ímpar, foram qualquer coisa de inesquecível. Ponto de espectadores e ‘finish’ em pleno areal deram um toque de charme à prova e, na realidade, só ficou a perder quem lá não esteve. De parabéns está o Grupo de Elite do Clube de Orientação do Centro, com Tiago Romão à cabeça, pela forma empenhada como soube organizar um evento de superior dimensão e pelo espectáculo oferecido, um verdadeiro regalo que fez as delícias de todos.

A Estafeta da Amizade ocupou parte do início da tarde do segundo dia de provas e foi o momento alto dum “cantinho” que não passou despercebido a ninguém: A Escolinha de Orientação do COC, um espaço particularmente procurado pela criançada desde bem cedo. Foram três dias intensos que viram passar pela Escola mais de uma centena de crianças (38 no primeiro dia, 50 no segundo e 27 no último), que ali brincaram e se divertiram, que ali fizeram questão de levar os pais e os avós para, também eles, brincarem e se divertirem. A introdução da Estafeta da Amizade conferiu, nas palavras do seu mentor, Hélder Ferreira, “um ar profissional” ao conjunto de iniciativas da Escolinha e contou com a participação de 5 equipas. Para a história ficam os nomes dos participantes: André Sérgio - André Ferreira - Gonçalo Pardal (5º), Ana Macedo - Bruno Lima - Sara Barros (4º), Pedro Roberto - Carlos Carlota - Miguel Baltazar (3º), João Pedro Casal - Gabriel Brás - Alexandre Rodrigues (2º) e António Ferreira -Vasco Duarte - Diogo Delgado (1º). Diplomas e guloseimas para todos e, em especial para os primeiros, a honra de entregar um ramo de flores aos pódios masculino e feminino da prova WRE. Ideia mais fixe!

Afinal, o POM não nos disse nada… ou será que disse?

Finalmente a Orientação de Precisão, no magnífico espaço verde do Parque de Campismo da Figueira da Foz, um verdadeiro desafio aos cerca de oitenta participantes e mais um exemplo do primado da Orientação para Todos. Foi tocante ver Joaquim Sousa, Celso Moiteiro e Albano João, três nomes maiores da Orientação portuguesa, a empurrar as cadeiras de rodas dos quatro atletas com incapacidade motora presentes, todos eles pertencentes ao Núcleo de Desporto Adaptado do Serviço de Medicina Física e Reabilitação do Hospital da Prelada. Uma vez mais, uma palavra de apreço pelo trabalho desenvolvido por Tiago Romão, um homem que agarrou a iniciativa desde a primeira hora e, com enorme coragem, a soube levar até ao fim, dando mais um contributo precioso para a afirmação da Orientação de Precisão em Portugal.

De malas aviadas para o Crato, não posso partir sem me perguntar se este POM existiu mesmo ou foi apenas fruto dum sonho de quem vive e sente intensamente a Orientação. Na Comunicação Social não existiu, tenho a certeza - e aquilo de que não se fala, não existe. Nos Comentários dos visitantes do Orientovar – salvo duas ou três honrosas excepções – tão pouco. Afinal, este foi um POM apenas virtual? Este POM não nos trouxe nada, não nos disse nada?… Ou será que disse?

[Fotos da Estafeta da Amizade gentilmente cedidas por Hélder Ferreira]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

PORTUGAL O'MEETING 2010: O BALANÇO DE DUARTE SANTO E VÍTOR RODRIGUES

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Terminado o Portugal O’ Meeting 2010, é tempo de balanço. Muito cansaço acumulado a transparecer nos rostos de Duarte Santo (Clube de Orientação do Centro) e Vítor Rodrigues (Secção de Orientação do Ginásio Clube Figueirense) mas, ainda e sempre, a falar mais alto a simpatia e a disponibilidade com que receberam e acarinharam todos os presentes ao longo destes quatro dias do POM. Foram eles os naturais interlocutores duma última conversa, fazendo o balanço daquilo que o evento representou para ambos, enquanto Directores de Prova.


Orientovar – Que balanço deste Portugal O’ Meeting?

Duarte Santo – Conseguimos fazer um evento de categoria internacional, um bocado na linha daquilo que foi realizado no WMOC [Campeonato do Mundo de Veteranos]. Estou certo que o sucesso que tivemos não foi cem por cento perfeito mas, nas actuais condições, acho que melhor era impossível.

Orientovar – Que significado teve esta parceria organizativa entre o Clube de Orientação do Centro e a Secção de Orientação do Ginásio Clube Figueirense?

Vítor Rodrigues – Quando se mistura uma Secção de Orientação como a do Ginásio, com apenas cinco anos de existência, com muito querer mas também, obviamente, com muita juventude, e um clube como o Clube de Orientação do Centro, naturalmente já com uma tradição e com um saber fazer de muitos anos, é óbvio que há condições para que as coisas possam dar certo. E aqui, foi exactamente isso que aconteceu. O resultado traduz-se no reforço da amizade, nos laços que aqui se criaram, numa organização fantástica de gente fantástica, de gente de entrega total, que mesmo exausta manteve sempre um sorriso no rosto e soube tocar a barca para a frente.

Orientovar – Quando falamos de quatro dias do POM, estamos a esquecer os muitos outros dias e noites que ficaram para trás nos necessários preparativos. Onde é que se vai buscar energias para isto?

Duarte Santo – De facto o que se vê são quatro dias mas estamos a falar de quase dois anos de trabalho, de dia e de noite. Todos nós temos a nossa vida profissional, todos nós temos a nossa vida familiar e, durante estes dois anos, abdicámos de muito desse privilégio que é ter uma vida profissional e uma família para desfrutar. Mas isto vem tudo do gosto pela natureza, pelo convívio, pelo desporto, pela Orientação… É tudo isso que nos move. No fim disto tudo, ver a satisfação com que as pessoas saem daqui é o justo prémio do nosso trabalho e do nosso esforço e aquilo que nos dá a motivação necessária para continuarmos a dar o nosso melhor.

Orientovar – Quando começaram a chover as inscrições e a chegarem nomes com tanta qualidade, isso assustou-vos?

Vítor Rodrigues – Agora que o evento terminou, podemos falar abertamente. Há dois anos atrás, quase por brincadeira, colocámos a fasquia nos 2010 atletas, porque este era o POM do ano 2010. De brincadeira em brincadeira, mas sempre com os pés bem assentes na terra, estávamos à espera de mil quinhentos atletas ou coisa assim. Quando começam a chegar as inscrições, na quantidade e depois na qualidade, eu, como provavelmente o mais inexperiente, a dado passo, não digo que tenha tido medo porque medo é um sentimento que muito poucas vezes me assalta, mas tive alguma preocupação, efectivamente. Depois, à medida que o tempo foi passando, que o trabalho se foi desenvolvendo, que as coisas se foram desenrolando e olhando para esta malta toda, eu fui dizendo de mim para mim: “Se calhar isto vai correr bem.” E não é que correu?

Orientovar – Além da vertente competitiva destes quatro dias de provas, tivemos ainda alguns eventos paralelos com muito interesse. Refiro-me, naturalmente, ao Sprint Nocturno, à Estafeta da Amizade e à Orientação de Precisão. Que mais-valias é que isto acrescentou ao Portugal O’ Meeting 2010?

Duarte Santo – Mais do que ao POM em si, são iniciativas que trazem mais-valias à própria Orientação, julgo eu. Primeiro, porque demonstram claramente que a Orientação é um desporto para todos e não apenas para alguns. E depois, porque até mesmo os mais pequenininhos a conseguem praticar, a conseguem viver, a conseguem sentir. Gostaria de abrir um parêntesis para destacar a importância do trabalho e do envolvimento do Tiago Romão, sobretudo na prova de Orientação de Precisão, e também do Hélder Ferreira, que teve a brilhante ideia de fazer pela primeira vez a Estafeta da Amizade, uma forma de educar as crianças para o desporto e de as motivar para a prática da Orientação.

Orientovar – Mesmo com dois clubes a assumir os encargos organizativos, há num evento com esta dimensão toda uma logística demasiado pesada. As coisas estão bem como estão ou está na altura de repensar o modelo organizativo do Portugal O’ Meeting?

Vítor Rodrigues – Parece-me sinceramente que sim. Cada vez mais é difícil organizar, mas é destas organizações que os clubes tiram, de algum modo, o seu sustento. Sustento na medida em que é com estes valores realizados que se conseguem depois pôr os atletas a treinar e a competir e, com isso, os clubes conseguem cumprir a sua missão cívica. Se os apoios começam a escassear, se as organizações começam a ter cada vez mais dificuldades, cada vez mais difícil se torna cumprir essa missão cívica que é pôr os jovens a praticar desporto. No que à Figueira da Foz diz respeito, entre outras coisas, este Portugal O’ Meeting foi importante para a sensibilização das autoridades para uma modalidade que não é uma brincadeira. Estas organizações não são brincadeira. Tivemos aqui o ‘top’ do Mundo. É claro que não é futebol, é claro que não é Cristiano Ronaldo, mas tivemos aqui 1800 atletas a competir e a movimentar 2600 pessoas. Isto é significativo. Então quando organizações destas não têm apoios, começa a ser complicado. Começam a sobrar dificuldades e a escassear vontades. Queria registar uma coisa que aconteceu hoje e que, para mim, foi fantástica. Dois homens do Ginásio perderam hoje um ente muito querido e continuaram aqui a trabalhar…

Orientovar – Uma última questão a ambos, na certeza de que vão daqui conscientes do dever cumprido: O que de melhor fica deste Portugal O’ Meeting 2010?

Duarte Santo – A satisfação com que os atletas saíram daqui.

Vítor Rodrigues – A união e o espírito.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

PORTUGAL O' MEETING 2010: MIKHAIL MAMLEEV E SIMONE NIGGLI, OS ÚLTIMOS A RIR!

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Mikhail Mamleev e Simone Niggli foram os grandes vencedores do Portugal O’ Meeting 2010. Uma edição que ficará para a história como a mais participada e de melhor nível em quinze anos do evento.

A Cerimónia de Entrega de Prémios terminara há escassos segundos e Paulo Franco, o ‘speaker’ de serviço, chamava para a foto da praxe todos quantos puseram de pé este Portugal O’Meeting 2010. Eis que alguém me toca no ombro, viro-me e era Alessio Tenani, com o olhar atónito: “Joaquim, conheces toda a gente, vê lá quem é que pode resolver isto, mas foi aqui o Mikhail que ganhou o Portugal O’ Meeting”. Nem queria acreditar… Uma assistência numerosa ovacionara com entusiasmo a suiça Simone Niggli e o britânico Scott Fraser, lado a lado no lugar mais alto do pódio. Mas isso tinha sido há minutos atrás. Agora que toda a gente partira e só o ‘staff’ ainda se mantinha por ali, num raro momento de descompressão antes de levantar a trouxa e zarpar, eis que aquele italiano franzino, de olhar vivo, aparentemente divertido com a situação, reclamava para si os louros da vitória. O homem tinha razão, o caldo estava entornado.
Com mil pedidos de desculpa à mistura, a Organização lá arranjou forma de remediar a situação. Mikhail Mamleev demonstrou um notável ‘fair-play’, aceitou ir ao pódio, falou com naturalidade sobre o assunto, mas…

Vou confessar que é por estas e por outras que sei que não sou jornalista. Vivo de mais a Orientação para manter o distanciamento necessário nestas alturas. Depois de tudo o que de bom se passou ao longo destes quatro dias, aquele olhar incrédulo de Vítor Rodrigues, Carlos Monteiro, Duarte Santo, Tiago Romão, José Jordão e todos quantos perceberam de imediato a gravidade da situação mexeu demasiado comigo. Mas será que este Portugal O’ Meeting foi pior por isso? Claro que não. Foi fantástico! E por isso mesmo é que o digo, com toda a clareza e frontalidade: Esta gente não merecia isto!
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Partir em último e chegar em primeiro
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Os ponteiros marcavam as 13h14 quando partiu o último atleta do escalão de Elite Masculina. O seu nome: Mikhail Mamleev (ITA). De origem russa mas naturalizado italiano, Mamleev não é um ilustre desconhecido. A atestar isso mesmo, entre um conjunto de resultados de grande valor, estão duas vitórias em provas da Taça do Mundo, a medalha de bronze na prova de Distância Longa do mais recente Campeonato do Mundo (Miskolc2009, Hungria) e o número 12 do ‘ranking’ mundial que ocupa actualmente. Pois bem, foi precisamente ele que acabou por levar a melhor sobre os seus mais directos adversários, recuperando a desvantagem para o britânico Scott Fraser (Tume) e arrecadando uma tão saborosa quanto merecida vitória. Para tanto bastou um 10º lugar na decisiva etapa, uma prova de Distância Média disputada junto à idílica Lagoa da Vela num dia absolutamente fantástico para a prática da modalidade.

Scott Fraser não conseguiria melhor que a 24ª posição na etapa de hoje, o que acabou por se revelar fatal para as suas legítimas aspirações a uma vitória no Portugal O’ Meeting. Quanto ao suíço Fabian Hertner (O-POR Swiss O-Team), manteve-se na senda dos excelentes resultados dos segundo e terceiro dias e foi 5º classificado na prova de hoje, ainda assim apenas suficiente para segurar o terceiro lugar no pódio. Rasmus Soes (IFK Lidingö), o dinamarquês que venceu no ano transacto o Portugal O’ Meeting, quedou-se este ano pelo 15º lugar. Ligeiramente melhor esteve o nosso bem conhecido Ionut Zinca (GD4C), segundo em 2009 e apenas 13º este ano.

Diogo Miguel, o melhor português

Quanto aos portugueses, Diogo Miguel (Ori-Estarreja) não esteve definitivamente no seu melhor dia. Terminou no 66º lugar, caiu 4 lugares na classificação final e terminou num, apesar de tudo, bastante honroso 22º lugar, o que fez dele o melhor português. Tiago Aires (GafanhOri), no 43º lugar da geral e Joaquim Sousa (COC), no 55º lugar, foram os portugueses classificados imediatamente atrás de Diogo Miguel. Finalmente, uma referência para Daniel Hubmann (O-POR Swiss O-Team), “apenas” o líder do ‘ranking’ mundial. O suíço terminou a sua participação no Portugal O’ Meeting tal como começou, ou seja, com nova vitória. Pelo meio ficou esse “mp” da prova WRE do segundo dia, como estarão recordados.

Resultados
Homens Elite
1º Daniel Hubmann (O-POR KOK) 33:53

2º Jerker Lysell (Rehns BK) 35:10
3º Baptiste Rollier (O-POR KOK) 35:13
4º Matthias Kiburz (Swiss Mixt) 35:29
5º Fabian Hertner ( O-POR SWISS OT) 35:32
6º Emil Wingstedt (COC TC Halden SK) 35:32
7º Martins Sirmais (Tume) 35:34
8º Tero Föhr (Vehkalahden Veikot) 35:38
9º Olav Lundanes (COC TC Halden SK) 35:53
10º Mikhail Mamleev (ITA ) 36:02

Resultados Gerais
PORTUGAL O' MEETING 2010
1º Mikhail Mamleev (ITA) 3805.88

2º Scott Fraser (Tume) 3772.81
3º Fabian Hertner (O-POR Swiss O-Team) 3697.35
4º Matthias Kiburz (Swiss Mixt) 3675.83
5º Gernot Kerschbaumer (HSVPIN) 3673.34
6º Jonas Vytautas Gvildys (IGTISA – LTU) 3670.38
7º Leonid Novikov (Delta RUS) 3652.85
8º Jerker Lysell (Rehns BK) 3644.35
9º Simonas Krepsta (IGTISA – LTU) 3618.23
10º Christian Bobach (IFK Göteborg) 3617.16
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Luta até ao fim

No que às Damas Elite diz respeito, a última prova deste Portugal O’ Meeting reeditou os duelos dos três dias anteriores, com Simone Niggli (O-POR Swiss O-Team) e Helena Jansson (COC TC IF Hagen) a empatarem no número de vitórias em etapas, duas para cada lado. A grande diferença reside no facto de a atleta suiça ter feito hoje uma prova do outro mundo, ter vencido a decisiva etapa por uma margem que não deixa lugar a qualquer tipo de dúvidas e isso lhe ter valido a subida ao lugar mais alto do pódio deste Portugal O’ Meeting. O Clube de Orientação do Centro à frente duma Organização do Portugal O’ Meeting (desta feita em parceria com a Secção de Orientação do Ginásio Clube Figuirense) parece constituir um talismã para a actual número um do ‘ranking’ mundial já que este é o seu segundo triunfo na prova, reeditando o resultado de há oito anos atrás, na Praia da Vieira e Marinha Grande, num POM curiosamente também organizado pelo COC.

Terceira classificada na etapa, a russa Yulia Novikova (Delta RUS) fez um excelente POM e acabou por ganhar um lugar na geral, concluindo na terceira posição. É claro que, tendo pela frente as duas atletas anteriormente referidas, melhor era impossível. Pena foi que a sueca Lina Persson (O-POR KOK) tenha prescindido de correr hoje - ela que partia para a etapa derradeira na terceira posição – deixando as portas do pódio escancaradas para a russa. A espanhola Ona Rafols (GD4C) alcançou um excelente 12º lugar e foi uma das grandes surpresas deste POM 2010. Ao invés, a dinamarquesa Signe Soes, vencedora em Mora do ano transacto, passou praticamente à margem deste POM 2010, tendo alcançado hoje o 20º lugar (fez ‘mp’ na prova WRE e não participou na prova do terceiro dia). “Ausentes” deste grande evento estiveram também a norueguesa Anne Margrethe Hausken (COC TC Halden SK) ou a checa Eva Jurenikova (Domnarvets Go IF) que aproveitaram apenas para preparar a longa e desgastante época que se avizinha.

A relativa regularidade que manteve ao longo dos quatro dias do Portugal O’ Meeting valeu a Maria Sá (GD4C) o título de melhor portuguesa. Hoje quedou-se pela 37ª posição, o que lhe permitiu apenas segurar o 24º lugar que trazia do dia de ontem. Na 30ª posição final, Raquel Costa (GafanhOri) secundou a atleta nortenha enquanto a terceira portuguesa melhor classificada foi outra atleta do GafanhOri, Lena Coradinho, naquilo que constituiu, naturalmente, uma agradável surpresa.

Resultados
Damas Elite
1º Simone Niggli (O-POR Swiss O-Team) 32:39

2º Helena Jansson (COC TC IF Hagen) 35:17
3º Yulia Novikova (Delta RUS) 38:11
4º Sara Lüscher (O-POR Swiss O-Team) 38:38
5º Angela Wild (O-POR Swiss O-Team) 38:41
6º Vendula Klechova (COC TC Halden SK) 39:33
7º Sabine Hauswirth (O-POR Swiss O-Team) 39:42
8º Malin Sand (IFK Lidingö) 39:46
9º Grace Crane (BOK) 40:50
10. Elisabeth Hansson (IFK Lidingö) 41:09

Resultados Gerais
PORTUGAL O' MEETING 2010
1º Simone Niggli (O-POR Swiss O-Team) 3917.63

2º Helena Jansson (COC TC IF Hagen) 3901.95
3º Yulia Novikova (Delta RUS) 3467.51
4º Angela Wild (O-POR Swiss O-Team) 3431.20
5º sara Lüscher (O-POR Swiss O-Team) 3412.72
6º Sabine Hauswirth (O-POR Swiss O-Team) 3410.13
7º Vendula Klechova (COC TC Halden SK) 3404.04
8º Grace Crane (BOK) 3310.58
9º Sandra Pauzaite (IGTISA – LTU) 3268.46
10º Rachael Elder (Sheffield) 3265.59


"Obrigado Portugal"
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No espaço dedicado às entrevistas, começámos por ouvir as opiniões de Martins Sirmais (Tume) acerca deste último dia do Portugal O’ Meeting: “Fiquei bastante contente com a minha corrida mas estou aqui com o meu clube num Campo de Treinos e não posso valorizar em demasia os resultados. Foi uma corrida foi bastante rápida e penso que, ao mesmo tempo, muito técnica, pelo que se tornou bastante interessante.” Referindo-se em particular a este mapa, o atleta da Letónia achou-o “mais parecido com o mapa do segundo dia, mas com zonas de vegetação diferentes, algo inesperadas. Em relação a esse mapa este era mais rápido, mais fácil, mas a requerer enorme atenção nos verdes junto à Lagoa.” A finalizar, uma referência elogiosa à Organização do POM 2010 e, dum modo geral, à Orientação portuguesa: “Se compararmos com aquilo que tem vindo a acontecer nos últimos anos, penso que cada vez tem sido melhor. Fiquei positivamente surpreendido no segundo dia quando vi, num circuito fechado de televisão, a passagem em directo dos atletas nalguns pontos. Acho que a Organização esteve muito bem e quero dizer 'obrigado Portugal' por tudo quando de tão interessante está a fazer pela Orientação.”
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“Foi uma bela corrida. Parti bem, falhei o ponto 4 numa zona verde onde era necessário muito cuidado e perdi talvez uns 20 segundos. Mas depois disso foi uma boa corrida, uma corrida limpa, sem falhas e estou muito contente com a prova de hoje.” Foram estas as primeiras palavras do vencedor da última etapa do POM 2010, o suiço Daniel Hubmann (O-POR Swiss O-Team). No cômputo geral, o balanço é muito positivo: “Corridas desafiantes, terrenos muito bonitos, tudo muito bem organizado, foi perfeito tanto para treinar como para competir. Este é já um evento maior, estão aqui atletas de muito valor e julgo que isto é muito agradável para todos.” Lembrando que, apesar do ser o número 1 do ‘ranking’ mundial, o suíço começou a época passada por fazer “mp” na prova WRE do Portugal O’ Meeting, Daniel Hubmann ri e não se furta à questão: “É realmente um pouco como no ano passado. Mas estamos no início da época, os automatismos de leitura do mapa, de avaliação das curvas de nível, da própria corrida, tudo isso está ainda a ser afinado. E espero que, no final do ano, possa continuar no topo do ranking.”

“O POM 2011 vai ser um grande desafio para os 4 Caminhos”

Maria Sá (GD4C) conseguiu ser a melhor atleta portuguesa no cômputo geral das provas. Falando da etapa de hoje, a atleta confessa que “foi talvez o meu pior dia do Portugal O’ Meeting. O mapa não era muito complicado, o terreno era bastante acessível e obrigava a uma velocidade superior à dos dias anteriores. Fiz dois erros paralelos que me custaram cerca de cinco minutos, me desmotivaram bastante, mas o resto foi regular. A sensação com que fico é a de que podia ter feito muito melhor, falhei muito em todas as provas.” O desafio de organizar o POM 2011 está a cargo do GD4C ao qual a atleta pertence. Auscultamos também a sua opinião sobre o assunto: “É especialmente engraçado porque a minha primeira prova, já com a camisola dos 4 Caminhos mas ainda sem estar federada, foi em 2002, num Portugal O’ Meeting também organizado pelo COC. A evolução que o Portugal O’ Meeting tem sofrido é incrível. Não há comparação com aquilo que era há oito anos atrás, quando comecei. Especialmente no domingo foi uma coisa… Parecia um Campeonato do Mundo em ponto pequeno. Há muitos países na Europa que estão à nossa frente e não têm um evento assim e penso que eventos desta qualidade podem ajudar a Orientação portuguesa a crescer.” E a terminar, a Campeã Nacional Absoluta admite que “a fasquia organizativa foi colocada muito alto, já a anterior organização do GafanhOri foi excelente e, por tudo isto, o Portugal O’ Meeting 2011 irá ser um grande desafio para os 4 Caminhos.”
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Klaus Schgaguler (ITA), o número 53 do ‘ranking’ mundial, deixou-nos igualmente as suas impressões: “A primeira parte da corrida foi boa, até ao ponto de ‘loop’ mas depois percebi que tinha exagerado na velocidade, senti-me muito cansado e fiz o resto da prova em ritmo de treino. Um excelente treino, devo dizer.” Para o italiano, o balanço do POM 2010 é muito positivo: “Uma organização sem falhas, terrenos desafiantes, mapas com muitos ‘loops’, um excelente nível de atletas… Só tenho pena de não ter vindo aqui melhor preparado mas estamos no início da época e foi muito bom. Espero sinceramente voltar no próximo ano.”
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“Obrigado COC, obrigado Ginásio Figueirense por tudo”
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Segundo classificado nas edições de 1999 (Tomar, CLAC), 2001 (Arcos de Valdevez, ARCCa) e 2004 (Évora e Reguengos de Monsaraz, ADFA) do Portugal O’Meeting, Joaquim Sousa (COC) é um dos quatro portugueses a figurar no Quadro de Honra masculino em quinze edições do evento (a título de curiosidade refira-se que os outros são Marco Póvoa, Tiago Aires e Mário Duarte). Também ele aceitou falar para o Orientovar e deixar-nos a sua opinião sobre a edição deste ano: “Eu sou um pouco suspeito, mas acho que está à vista de toda a gente que houve o mérito de combinar a boa organização com excelentes mapas. Portanto, se alguma coisa há a dizer é ‘obrigado COC, obrigado Ginásio Figueirense por tudo’.” Em termos pessoais, o atleta revelou-se muito satisfeito com as suas prestações: “Normalmente quando preparamos a época, os pontos altos são o POM e o NAOM, que são seis provas em oito dias. No primeiro dia não consegui entrar na cartografia. Os treinos foram em mapas de 1:7 500 ou 1:10 000 e este mapa de 1:15 000 foi um choque um bocado grande. Mas penso que fiz um bom Portugal O’ Meeting, atendendo às circunstâncias e às pessoas que cá estão, e estou satisfeito.” Uma última questão: “Até onde pode crescer o Portugal O’ Meeting?” O atleta é taxativo: “Ninguém estava à espera de tantos atletas de qualidade nesta edição mas, a verdade, é que estiveram cá. Temos de pensar que antigamente existiam 500 atletas em termos de ‘ranking’ mundial, agora existem 2000 e, se calhar, daqui a quatro ou cinco anos vão existir 10.000. Ou seja, desses 10.000, é possível que metade venha cá. Com toda a propaganda que tem sido feita, tanto nos outros POM como no WMOC em 2008, Portugal começa a ser uma referência a nível mundial. É natural que isto possa crescer muito rapidamente e atinja números inimagináveis. Temos que estar preparados e sensibilizados para podermos lidar com números muito superiores aos que já atingimos e podermos dar resposta ao nível de exigência que a situação poderá acarretar.”
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Wojciech Dwojak (GD4C) foi outro dos entrevistados. Para o atleta polaco, “a única nota negativa foi mesmo o tempo que não esteve propriamente famoso como nos dois anos anteriores. De resto foi tudo perfeito.” Quanto às suas prestações, Dwojak confessou estar muito contente: “Devo dizer que, tecnicamente este POM foi muito exigente, os terrenos revelaram-se de grande qualidade e tivemos as condições ideais para treinar e competir. Ainda que fisicamente possa não estar muito bem preparado, fiz corridas muito técnicas e estou realmente muito satisfeito.” Em termos de balanço final, o atleta estabelece o POM 2009, em Mora, como termos de comparação: “Estive cá o ano passado e, por isso, já estava à espera duma organização de qualidade e de bons atletas. Mas este ano, no escalão de Elite, confessou que ultrapassou tudo aquilo que poderia esperar. O Portugal O’ Meeting está a crescer de ano para ano e espero poder voltar em 2011.”
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“Voltaremos a encontrar-nos”

Quarta classificada do ‘ranking’ mundial, vencedora do Portugal O’ Meeting em 2005, a sueca Helena Jansson (COC TC IF Hagen) manteve com Simone Niggli um duelo impróprio para cardíacos, apenas decidido neste último dia. Disparámos a pergunta à queima-roupa: Esperava ganhar o Portugal O’ Meeting? “Não prestei muita atenção aos resultados, não sabia que estava tão perto de ganhar e apenas ontem me dei conta que uma boa prova poderia significar uma vitória no POM. Apesar de tudo estou muito contente com o meu resultado e este é um excelente prenúncio para a temporada que vai começar.” Recordando a sua presença no POM em 2005 e comparando a situação de então com a de agora, a atleta não tem dúvidas: “Foi muito melhor este ano, estes terrenos são fantásticos, há uma participação muito maior, foram quatro dias incríveis e estou particularmente contente porque vou continuar em Portugal até ao próximo domingo, a treinar e a competir. Estou muito feliz.”

Oito anos após a sua primeira vitória no Portugal O’ Meeting, voltamos a ver Simone Niggli (O-POR Swiss O-Team) no lugar mais alto do pódio. Irradiando felicidade e simpatia, a grande atleta suiça e líder do ‘ranking’ mundial voltou a falar para o Orientovar: “É muito bom estar de novo no topo. Antes da prova, não tinha a certeza de conseguir bater a Helena [Jansson] e, naturalmente, estou muito contente.” Em termos de balanço deste POM, a maior orientista mundial de sempre não tem dúvidas: “Devo dizer que foram quatro dias de excelente competição. Penso que a Organização está de parabéns, fizeram um excelente trabalho e, de ano para ano, vão melhorando. Tivemos excelentes mapas, excelentes terrenos, foi realmente muito bom. Para nós, atletas de Elite, isto constitui um desafio muito importante e é inquestionável a qualidade deste evento, a importância de estar cá, de competir contra outras grandes atletas.” E quanto ao POM 2011? “Veremos”, diz a atleta. “Tudo vai depender do programa de treinos da selecção suiça, mas gosto imenso de competir em Portugal e, provavelmente, voltaremos a encontrar-nos.”
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“Posso compreender isso!”

Propositadamente deixamos para o fim as declarações de Scott Fraser e Mikhail Mamleev. Ambas foram recolhidas num contexto que, como explicámos no início desta notícia que já vai longa, não deveria ter acontecido. O certo é que aconteceu e, com a devida ponderação, atentemos nas palavras dos dois primeiros classificados deste POM 2010. Começando por Scott Fraser (Tume), o britânico tinha a felicidade estampada no rosto: “Estou muito contente e, tal como afirmara ontem, dei o meu melhor e foi incrível. Tenho treinado bem, sinto-me em excelente forma e depois encontrei aqui as melhores condições, bons mapas e terrenos, uma organização fantástica. Estou realmente satisfeito e, seguramente, vou voltar a Portugal no próximo ano.”

“Uma organização perfeita, muitos atletas, na verdade não esperava tanta qualidade num único evento.” Foram estas as primeiras palavras de Mikhail Mamleev (ITA), o grande vencedor do Portugal O’ Meeting 2010.” Falando um pouco de si e das suas prestações ao longo dos quatro dias de prova, o italiano mostrou-se naturalmente satisfeito: “Talvez possa dizer que isto é demasiado técnico para os primeiros treinos, as primeiras competições da temporada. Esperava uma Orientação mais simples, uma corrida mais fácil em termos técnicos. Tenho vindo a treinar bem, procurei manter o nível ao longo dos quatro dias de provas, não consegui grandes resultados mas corri com uma boa velocidade, com muita concentração e estou muito contente por, no conjunto final dos resultados, ter chegado em primeiro.” Era incontornável a questão da falha que impediu o italiano de receber a merecida ovação. Mas a demonstração de ‘fair-play’ de Mamleev é bem demonstrativa da sua classe como grande atleta que é mas também como pessoa: “Estou um pouco desapontado com… bem, com os últimos minutos duma grande competição. São coisas que acontecem… não sei… uma organização como estas onde há tanto que fazer... Posso compreender isso!” E, sem ressentimentos, uma confissão: “Gostava muito de voltar cá no próximo ano. Vai tudo depender do meu trabalho mas tenciono poder estar de novo em Portugal no próximo ano.”
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Mais informações e resultados completos na página oficial do evento em www.pom2010.com.
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Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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