sábado, 13 de novembro de 2010

GRANDE ENTREVISTA: LUÍS SANTOS E A SUPERVISÃO DE PROVAS

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Mais do que um espectador atento e interessado no fenómeno da Orientação, Luís Santos é um dos seus maiores “activistas”. Agindo e interagindo nas suas mais variadas vertentes ele tem sido, na última década, um dos grandes impulsionadores da modalidade. O Orientovar foi ao encontro desta figura ímpar, na qualidade de Supervisor IOF do próximo Portugal O’ Meeting, e auscultou as suas opiniões sobre um par de matérias que estão na ordem do dia. Atentemos, pois.


Orientovar - A IOF acaba de publicar um "Guia de Bolso" com as principais linhas de acção dos Supervisores das provas pontuáveis para o ranking mundial. Já analisou o documento? De que se trata?

Luís Santos - Sim, já analisei. As linhas gerais que regulavam a acção dos Supervisores emanavam anteriormente das Regras de Competição definidas pela IOF e da regulamentação existente em cada país. Não havia um guia específico produzido pela IOF para a linha de acção dos Supervisores, embora neste enquadramento específico dos Eventos a contar para o ranking mundial o principal guia fosse o “WRE Guidelines” que visa a regulamentação genérica dos WRE englobando também algumas directrizes para os Supervisores.

Orientovar - Na qualidade de Supervisor IOF da prova WRE do 2º dia do Portugal O'Meeting 2011, em que medida é que as directivas do organismo que tutela a modalidade são levadas em consideração?

Luís Santos - O Regulamento IOF é sempre tido em linha de conta nas opções que vão sendo delineadas pela Organização e acompanhadas pelo Supervisor. Temos que ter sempre em consideração que o Regulamento visa essencialmente preservar a qualidade técnica de um evento e a justiça desportiva que lhe está inerente. A missão do Supervisor é garantir que os Regulamentos são cumpridos, mas sempre com bom senso avaliando essas duas componentes essenciais. No passado já dei instruções em sentido contrário a recomendações (não regras) de regulamentos IOF no que se refere à escala utilizada nos mapas porque senti que a utilização de uma escala mais ampla defendia o interesse dos atletas (melhor visibilidade do mapa em zona de informação mais densa) e dos organizadores (já participei em provas em que, para salvaguardar a utilização das escalas oficiais, os atletas de Elite foram afastados das zonas mais técnicas do mapa por não serem visíveis). Actualmente essas recomendações foram alteradas e, agora, qualquer desvio às escalas em eventos WRE, para além da recomendação do Supervisor Internacional, terá que ser aprovado pela Comissão de Cartografia da IOF. No caso específico do POM 2011 não haverá qualquer problema, pois trata-se de um WRE de distância média a 1:10 000. No entanto, já estabelecemos contacto com a IOF visando uma autorização (entretanto concedida pelo responsável David May com sugestões práticas para a sua aplicação) para a criação de um escalão de Super Elite, visando contornar o problema de ter um número excessivo de inscritos no escalão da Elite Masculina.


"Os condicionamentos para as primeiras provas da época 2011 são grandes"

Orientovar - Para que se perceba melhor o âmbito de actuação, quais os aspectos que distinguem no terreno um Supervisor IOF dum Supervisor duma prova da Taça de Portugal, por exemplo?

Luís Santos - O Supervisor IOF controla apenas a competição pontuável para o Ranking Mundial. Ou seja, visa unicamente os escalões Elite no dia do WRE. Em Portugal, no passado, já tivemos o Supervisor Internacional a desempenhar unicamente essa missão fazendo o Supervisor Nacional todo o restante trabalho de supervisão. Também acontece frequentemente os dois supervisores colaborarem em conjunto em todas as tarefas de supervisão do evento (como aconteceu comigo e com o Rui Antunes no POM 2007). Numa perspectiva de contenção de custos dos órgãos internos da FPO foi decidido em 2009 que, sempre que o Supervisor Internacional se sentisse tranquilo para fazer a Supervisão Nacional e Internacional de um grande evento, iria ser abandonada a regra anterior pela qual havia dois supervisores num evento desta dimensão. Assim sendo, estou a supervisionar o POM 2011 sozinho, desempenhando todas as tarefas de supervisão nacionais e internacionais.

Orientovar - O Regulamento de Competições 2011 proposto pela actual Direcção da FPO e cuja discussão está na ordem do dia, contempla alterações de fundo em relação há questão da Supervisão das provas. O que pensa da oportunidade deste documento, numa altura em que há toda uma série de preparativos em curso baseados no Regulamento de Competições anterior?

Luís Santos - O “timing” de introdução da discussão deste Regulamento de Competições 2011 não é criticável. Os novos Órgãos Sociais tomaram posse, têm uma temporada desportiva a começar no início de 2011 e podem colocar desde já em prática algumas das suas ideias, o que é perfeitamente compreensível. Claro que os condicionamentos para as primeiras provas da época 2011 são grandes, pois os trabalhos preparativos estão já em prática e o novo Regulamento pode conter alterações que coloquem em cheque opções já tomadas pelas organizações. Mas entre Organizadores, Supervisores e Direcção FPO, com diálogo, essas situações irão ser analisadas e resolvidas da melhor forma possível no interesse dos praticantes.


"Nunca ouvi ninguém acusar todo um Júri Técnico de estar a prejudicar deliberadamente determinado atleta"

Orientovar - Acha que o novo texto leva em linha de conta a salvaguarda das determinações gerais da IOF neste capítulo da Supervisão de provas WRE?

Luís Santos - Claramente não. Já expliquei publicamente no Fórum FPO alguns pontos do Regulamento com os quais não concordava, mas na parte definida pela nova proposta de Regulamento de Competições 2011 divulgada pela Direcção da FPO, a confusão inerente ao funcionamento dos Supervisores é tanta que torna impraticável a revolução que lhe está implícita. A troca de funções preconizada entre Supervisor e elementos do Júri Técnico, a indicação de ter o Supervisor disponível para participar no dia de evento se assim entender ou a ausência de necessidade de ir ao terreno previamente em provas a contar para a Taça de Portugal, são medidas que colidem claramente com o que a IOF define, quer neste novo Guia de Bolso quer nos Princípios Orientadores WRE. Eis alguns exemplos: No ponto 6 do “Handbook” agora publicado é sugerido que o Supervisor entregue à Organização um cronograma dos locais e tempos onde vai estar a cada momento para facilitar a colaboração entre ambos. A FPO preconiza que o Supervisor nem precisa de ir à prova. No ponto 7 do “Handbook” é explicitado com clareza que é o Supervisor que nomeia o Júri Técnico e define horas e local de encontro caso haja necessidade de reunir. Ora no artigo 45º do Regulamento de Competições 2011 é dito que o Júri Técnico (árbitros) é nomeado pelo Conselho de Arbitragem. Já aqui temos uma clara contradição.

Há aqui uma outra curiosidade que reside no facto de os “árbitros” não poderem participar na prova, indo a FPO pagar as suas despesas de deslocações. Ora, até hoje, os Júris Técnicos sempre foram escolhidos entre os participantes do evento, pelo que é fácil de imaginar o acréscimo de custos inerente a esta medida uma vez que os “árbitros” iriam ao evento de propósito para serem árbitros. Eu supervisionei até hoje oito eventos e nunca tive necessidade de nomear um Júri Técnico (uma vez que só reúne após apresentação de protestos), portanto diria que, caso nestes quatro anos este sistema estivesse em vigor, a FPO já teria pago inutilmente despesas de alojamento, alimentação e transporte a trinta e dois “árbitros”. O argumento que defende que os escolhidos para o Júri Técnico não são isentos é desprovido de sentido, pois não é o facto de participarem na prova que os torna “tendenciosos” e se não participarem nela já não o são. Os elementos do Júri Técnico são normalmente supervisores, pessoas responsáveis que podem cometer erros como qualquer outra pessoa - e já houve erros cometidos no passado -, mas em doze anos de Orientação nunca ouvi ninguém acusar todo um Júri Técnico de estar a prejudicar deliberadamente determinado atleta. Até porque há preocupações na escolha dos elementos no sentido de haver pessoas de clubes diferentes, que não sejam elementos do clube organizador e se forem do clube do atleta envolvido solicitam escusa da decisão final.

Uma última nota em relação à questão inicial: No WRE Guidelines também estão definidas todas as regras inerentes à apresentação de reclamações (artigo 20º), protestos (artigo 21º), composição do júri técnico (artigo 22º), missão do Supervisor (artigo 23º) e controle do evento (artigo 24º) e devem ser tidas em conta na elaboração de qualquer Regulamento Interno, o que, claramente não foi o caso na elaboração da proposta da Regulamento de Competições que está em debate.


"Ao colocar em prática alguns pontos deste documento, a minha missão é completamente modificada"

Orientovar - A aprovação deste texto do Regulamento de Competições 2011 acarretará dificuldades à sua actuação enquanto Supervisor IOF do POM 2011?

Luís Santos - Sim. Ao colocar em prática alguns pontos deste documento, a minha missão é completamente modificada. Por exemplo, já não precisarei de estar nos locais de prova no dia dos eventos... Por outro lado, como só o dia WRE é que está definido como evento de nível 1 e os restantes 3 dias são de nível 2 (outro erro claro do novo Regulamento, pois o WRE só afecta 2 escalões e em todos os outros o nível competitivo e organizacional do evento é igual de uns dias para os outros), nos dias de nível 2 eu já não preciso de aprovar o Centro de Evento, não preciso de analisar Cronograma ou Organograma, não preciso de analisar listas de partida, estando definido no nº 5 do art.43º que isso agora é incumbência do Director de Prova. Ora, é claro que é ao Director de Prova que cabe delinear o Organograma e o Cronograma e definir onde fica o Centro de Evento e como o preparar, mas não será certamente a ele que cabe avaliar se a sua própria escolha foi bem feita ou não...

Orientovar - Do seu ponto de vista, que alterações se impõem ao documento actual?

Luís Santos - Na minha opinião, sugiro que se mantenham algumas das alterações preconizadas no novo Regulamento de Competições noutras áreas, mas abandonem as preconizadas para os Supervisores. Passem a chamar “árbitros” aos elementos dos Júris Técnicos por necessidades ligadas à nova Lei de Bases do Sistema Desportivo, mas não alterem mais nada. Se visam reduzir a intervenção dos Supervisores nas provas de Taça de Portugal, parece-me claro que a única coisa que potenciam é reduzir a qualidade dos eventos. E isso não vai ser “conseguido” à custa da redução de custos, como atrás defendi.


"Espero que haja vontade de voltar atrás em benefício da Orientação"

Orientovar - Que expectativas tem quanto à forma como a actual Direcção da FPO irá lidar com esta matéria particularmente sensível, no curto espaço de tempo que tem para o fazer?

Luís Santos - Sei que não é fácil voltar atrás na totalidade num ponto sensível como este. Li comentários muito críticos ao trabalho desenvolvido ao longo de duas dezenas de anos na evolução dos Regulamentos de Competições até ao Regulamento de Competições 2009/2010, mas não devem ignorar que essa evolução de Regras atingiu uma estabilidade elevada nos pontos referentes aos Supervisores nos anos anteriores e isso não aconteceu por acaso. Espero que haja vontade de voltar atrás em benefício da Orientação e que seja possível envolver os próprios Supervisores (ou pelo menos o Conselho de Arbitragem) em futuros debates sobre o que deverá mudar para que o trabalho dos Supervisores seja mais eficaz e para que cresça o seu contributo para a qualidade dos eventos.

Orientovar - Aventa a hipótese de pedido de pareceres à IOF sobre os aspectos relacionados com o novo Regulamento de Competições que lhe possam merecer dúvidas ou reparos?

Luís Santos - Não equaciono essa possibilidade. Acredito que vai imperar o bom senso e vamos ter um Regulamento de Competições 2011 com alterações que possivelmente não me irão agradar, mas que aceitarei como sendo subjectivas e dependentes do “gosto” e das ideias de cada um. Mas não faz sentido que o Presidente da FPO defenda publicamente que quer um Regulamento “com uma estruturação jurídica consistente e clara” e posteriormente venha a aprovar um Regulamento que colida com as regras definidas pela IOF.


Poderá encontrar aqui a proposta do Regulamento de Competições 2011 bem como o documento IOF Event Advisers Handbook for World Ranking Events.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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7 comentários:

Leandro Silva disse...

Não vejo onde é que o documento referido da IOF estabelece um conjunto de regras que se encontram referidas neste artigo. Talvez exista aqui um pequeno problema de tradução senão vejamos o que o referido artigo 7. diz quanto à nomeação do juri pelo Supervisor (IOF Adviser).

"A jury must be appointed in advance, and the jury members must be given instructions about where to report. Also, their contact details must be obtained in advance so that they can be summoned at short notice. The IOF Event Advisor leads the jury but has no vote."

Certamente não será este Advisor a nomear o referido juri.

Cumprimentos,
Leandro Silva

Luís Santos disse...

Boa noite a todos.

É verdade, caro Leandro. Tem razão em relação a esse ponto, embora em nenhum lado do Regulamento diga o contrário e a prática comum seja a da nomeação do júri técnico pelo supervisor.

Aliás, apesar dos Guidelines não o referirem, o ponto 29 das Regras de Competição IOF da Orientação Pedestre remetem esta nomeação do júri técnico para os Regulamentos Internos das Federações e no artigo 2º do Regulamento de Arbitragem e Controlo de Provas está lá claramente escrito ainda na terminologia antiga no nº3 desse artigo "...o Juiz Controlador da Prova nomeia os elementos do Juri."

No entanto, se houver intenção da FPO de revogar este artigo do Regulamento que referi não me parece que seja por aí que algum supervisor fique preocupado ou que as provas percam qualidade. O Conselho de Arbitragem também é constituído por supervisores activos e regem com dignidade, dedicação e honestidade a actividade dos supervisores.

Preocupantes são os pontos que vão afectar a qualidade dos eventos como os casos do Supervisor não precisar de estar lá no dia da prova, os pontos onde o trabalho do supervisor vai passar a ser desempenhado pelo Director de Prova, os pontos onde se confere aos futuros "árbitros" importância que eles nunca tiveram nem têm em nenhum lugar do Mundo onde se pratique Orientação... E o dinheiro que se vai gastar e o trabalho que vai dar convencer praticantes a abdicar da participação na prova para serem "árbitros", com elevadas probabilidades de nada terem que "arbitrar"...

Mas já agora caro Leandro, permita-me a pergunta: já que invoca no Fórum FPO a necessidade desta revolução, quais os pontos do RC2009/2010 que estão assim tão mal formulados que provoquem a necessidade de tudo isto? É que já o ouvi referir várias vezes que o que existia no passado era péssimo, mas nunca ouvi citar exemplos práticos dessas regras mal formuladas e que levaram agora a tanta regra modificada (e, como tenho apontado, estas sim, mal formuladas).

Saudações desportivas,
Luís Santos

Leandro Silva disse...

Caro Luis Santos,

De facto continuo a não ver de onde é que esta prática comum provém, dado que certamente dos regulamentos da IOF não é (ponto 29 - 29.1 a 29.14), dado que tal competência explicita pertence à IOF ou Federação respectiva (neste caso é claro que sendo a Federação representada pela Direcção estamos a ver a quem compete em última análise a nomeação).

Mais, lendo com atenção tais regulamentos, conseguimos verificar a preocupação do legislador da IOF em segregar as diferentes funções existentes, evitando o chamado conflito de interesses e indo num caminho diferente do referido por si na entrevista. Neste dominio, um juri constituído por atletas tem necessariamente interesses conflituantes, só não vê quem não quiser.

Os regulamentos são peças fundamentais para a gestão de qualquer modalidade desportiva e a Orientação não é excepção. E, nesse sentido, devem ser equilibrados na distribuição e segregação dos vários poderes que deles emanam. O Supervisor, tal como o Juri são dois tipos distintos de poder e, consequentemente, não devem depender um do outro (os regulamentos internacionais de Orientação assim o determinam), pelo que não se trata de atribuir poder indiscriminadamente a quem nunca o teve, mas sim cumprir algo que se quis de facto instituir nos normativos (se antes se fazia assim no Mundo, com as actuais regras está-se a alterar).

Cumprimentos,
Leandro Silva

Luís Santos disse...

Caro Leandro, "continua a não ver de onde essa prática comum provém"? Não escrevi no meu post anterior que a IOF remete para os regulamentos internos e que é por essa via que a nomeação é feita pelo Supervisor? É difícil encontrar os artigos que referi?

Como parece ser tão importante para si esta relação de poder entre supervisor e júri técnico (coisa que em 12 anos de Orientação nunca me passou pela cabeça e não me parece ter sido nunca preocupação de ninguém e já estive várias vezes em ambos os lados) queria só tentar rebater dois pontos da sua argumentação:

1 - O supervisor nomeia o júri técnico. E o seu "poder" sobre o referido júri termina precisamente aí. Nunca vi nenhum supervisor virar-se para um elemento do júri técnico e dizer-lhe "como fui eu que te nomeei, agora tens que votar como eu te digo, se não não volto a nomear-te". Provavelmente a resposta do elemento do júri técnico seria algo como "Uuuhhh, que medo de não voltar a entrar num júri técnico...".

2 - Refere que um júri constituído por atletas tem claramente interesses conflituantes. Nós devemos ser praticantes de duas modalidades muito diferentes. Considerando que, na Orientação, todos os agentes da modalidade são atletas, como vai resolver essa questão? Acha que vai agora criar um "corpo de árbitros" para ir às provas só para ficar à espera de eventualmente ser chamado a decidir um protesto? Acha que essa é uma missão motivante? É dessa forma que prevê "segregar" os vários poderes aqui em disputa? Fraco contributo para a nossa modalidade...

Já agora não queria deixar de o lembrar que eu referia inúmeros tópicos aqui e no Fórum FPO que podem vir a afectar a qualidade dos eventos, e só o vi rebater (ou tentar) um único desses pontos...

Saudações desportivas a todos,
Luís Santos

Ori-BTT de Rosa Choque disse...

Caro Luís,
Julgo que deve haver aqui algum mal-entendido nesta matéria. Fiz um estudo bastante exaustivo sobre este ponto, que publiquei no meu blogue (htt://oribttrosachoque.com).
Tem de se distinguir entre os regulamentos IOF e as práticas nacionais.
Os regulamentos IOF aplicam-se aos campeonatos da Europa e do Mundo e aos WRE. Segundo estes regulamentos, o júri técnico é nomeado pela IOF ou, se esta não quiser exercer este direito, pela federação organizadora. A prática é nomear o júri técnico entre os treinadores e/ou chefes de delegação, que se entende serem, à partida, as pessoas com maior experiência. Assim, o júri não é composto por atletas que participem na prova. Quanto ao supervisor, cabe-lhe conduzir os trabalhos do júri, mas não tem direito de voto.
Quanto às práticas nacionais, variam de país para país. A prática espanhola, para não ir mais longe, é diferente da nossa porque o supervisor exerce funções de arbitragem.
A nossa prática é o júri ser nomeado pelo supervisor entre atletas que participam na prova. Muito diferente portanto do que se passa nos regulamentos da IOF!
A isenção e imparcialidade do júri é uma questão que não tem a ver com as qualidades morais das pessoas em concreto, mas sim com a sua posição em abstracto. Nestes termos, a falta de isenção e imparcialidade são evidentes.
Eu compreendo que não seja fácil alhearmo-nos de práticas de anos, mas temos de fazer esse esforço.
Talvez se eu der exemplos com outras modalidades me consiga explicar melhor. Pense, por exemplo, no futebol. Acharia normal que o jogo fosse arbitrado por 3 jogadores? Ou pense numa corrida de 10.000m. Acharia possível o júri dessa corrida ser formado por 3 corredores? Pois é precisamente este o sistema que temos hoje na Orientação.
É verdade que há poucas ou nenhumas pessoas disponíveis para deixarem de fazer a prova para a poderem arbitrar, mas esse é um problema que temos de resolver, sendo que não pode servir de pretexto para mantermos o nosso actual sistema, que ofende os mais elementares princípios de justiça desportiva.
O que está em causa é o nosso estatuto de utilidade pública desportiva, que nos obriga a assegurar a justiça desportiva, e não chatear seja quem for, nem criar problemas onde eles não existam.
Espero ter contribuído para esclarecer este ponto.
Cumprimentos,

Almeida disse...

Eu sou do tempo dos carrinhos de rolamentos!!!
... Felizmente alguém já tinha inventado as esferas, os rolamentos, os pregos, etc.
Abraço

Leandro Silva disse...

Caro Luis Santos,

Julguei que tivesse sido claro na minha última mensagem, mas pelos vistos não fui. De facto não rebati os seus comentários ponto por ponto ou coloquei à sua consideração oa exemplos práticos de regras mal formuladas, dado que, por um lado tais contributos foram prestados para o documento agora em discussão e por outro lado, não tenho obrigação de o efectuar. No entanto, a título de exemplo cito-lhe alguns dos muitos temas que merecem a n/ reflexão e o n/ trabalho, tais como a lógica e coerência jurídica de todo o documento (dado que se trata de facto de um documento jurídico), os campeonatos ibéricos, os rankings, as ponderações das provas, a maior especificação das regras entre pedestre e BTT, etc..

Sobre o tema em concreto que lhe levantei, só não vê quem não quer, então não existem interesses conflituantes entre os atletas participantes numa prova e os demais competidores dessa mesma prova? Que eu saiba, a Orientação não é um desporto à parte, desprovido das mais elementares regras que regulam as actividades desportivas no n/ país.
Se ler com atenção o documento que citou relativo às recomendações da IOF, consegue verificar que esse documento, tal como o regulamento da IOF dá saídas para a resolução do problema.

Cumprimentos,
Leandro Silva