segunda-feira, 22 de novembro de 2010

"5 DIAS DE ORIENTAÇÃO DO BRASIL 2010": MONTES DE PROBLEMAS




Seguindo um modelo que tem no O-Ringen o seu expoente máximo, a Confederação Brasileira de Orientação levou a efeito, no Estado do Rio de Janeiro, os “5 Dias de Orientação do Brasil”.


O Inverno no Velho Continente traz com ele o defeso de muitas modalidades, entre as quais a Orientação Pedestre. No outro lado do hemisfério, todavia, a história é bem diferente. Hoje viajamos até ao Brasil, ao encontro da 4ª edição dos “5 Dias de Orientação do Brasil”, um evento internacional que juntou nos municípios de Nova Friburgo e de Cachoeiras de Macacu toda a fina-flor da Orientação brasileira e ainda três portugueses e um belga, num total aproximado de trezentos participantes.

Com a chancela da Confederação Brasileira de Orientação, Federação de Orientação do Rio de Janeiro e Federação Internacional de Orientação, o evento estendeu-se entre os dias 14 e 20 de Novembro, ao longo de cinco etapas de Distância Média. Com uma fórmula simples de apuramento do vencedor em cada categoria - aquele que alcançasse o menor tempo no somatório dos cinco dias de competição -, o evento encerrou ainda dois particulares despiques. Num deles, esteve em causa a definição do “melhor sprinter” (sem distinção de categorias, através do cômputo de tempos da última pernada); houve ainda a possibilidade de coroar o “Rei e Rainha da Floresta” (disputado apenas pelas categorias H21E e D21E, através do cômputo de tempos numa pernada variável no coração da floresta, em cada um dos cinco dias). Duas ideias muito interessantes, cuja implementação acarretou uma dose extra de interesse a estes “5 Dias de Orientação do Brasil”.


“Por que razão vim ao Brasil, andar para trás 15 anos na Orientação?”

Procurando acompanhar o evento à distância, o Orientovar pesquisou ao longo da semana, vezes sem conta, a página da prova - http://www.5diasdobrasil.com.br/. Custa a crer que alguém, na sua bondade imensa, tenha dedicado preciosas horas do seu tempo a construir um “site” para que a última actualização se reporte ao dia 1 de Novembro (!), dando conta da prorrogação do prazo das inscrições, “por causa do Feriadão e das eleições”. De então para cá, nada... zero... o deserto! É claro que a partir daqui tudo são dificuldades em termos de comunicação. Os principais blogs de Orientação do país irmão terão esbarrado nas mesmas dificuldades que nós e nada publicaram. Nem sequer foi possível encontrar uma notícia que fosse na imprensa local, reportando algo sobre a prova. Mas…

Pois é, nestas histórias há sempre um mas… E aqui o “mas” chama-se Joaquim Sousa. Depois duma viagem recheada de peripécias várias que pudemos acompanhar na sua página pessoal - http://www.joaquimsousa.com/ - o atleta português assentou arraiais nos palcos da prova donde nos deu conta de um sem número de problemas organizativos que o levaram a interrogar-se, a determinada altura: “Por que razão vim ao Brasil, andar para trás 15 anos na Orientação?”


“As anulações dos percursos ocorreram por preciosidade de alguns atletas”

Num breve exercício de análise às questões levantadas por Joaquim Sousa, ressaltam o recorrente atraso nas partidas, os pontos mal marcados, os percursos desinteressantes do ponto de vista da Orientação, as etapas anuladas e, não menos gravoso, o facto de se terem repetido os mesmos “erros crassos” todos os santos dias. Para agravar a situação “muitos atletas estavam a pensar nos seus benefícios e não numa resolução” dos problemas. Independentemente da forma como quis expressar aquilo que lhe foi afundando a alma, Joaquim Sousa tem o mérito de ter sido o único (!) a falar de algo que merecia ser falado por todos. E depois, é como ele diz: “Ofuscar o que se passou aqui era dar o voto de confiança à Organização e eles não estiveram a altura”.

O Orientovar procurou junto de Bruno Brantes, o Director Geral dos “5 Dias de Orientação do Brasil 2010” uma reacção às várias situações levantadas, tendo recebido uma resposta que demonstra, acima de tudo, frontalidade. “Realmente tivemos alguns problemas na realização da prova, principalmente por dificuldades com o sector público regional”, começou por afirmar Bruno Brantes. Sem querer fugir às suas responsabilidades, aquele responsável passa ao ataque para afirmar que, "na minha opinião, as anulações dos percursos ocorreram por preciosidade de alguns atletas. A competição foi determinada pela Comissão Desportiva Militar do Brasil como selectiva para a equipa nacional que irá ao Mundial, sem que eu tivesse sido pelo menos consultado. Isto fez com que os atletas que não obtiveram um resultado satisfatório se apegassem a falhas pequenas para justificar o seu resultado e anular o percurso. Infelizmente nosso Júri Técnico fraquejou e aceitou a alegação de alguns, tanto que os únicos percursos anulados foram da categoria H21E.” Saindo em defesa do cartógrafo – “muito experiente e foi responsável por três mapas de competições nacionais no último ano” – Bruno Brantes lamenta que “os resultados não pudessem ser divulgados pois não havia conexão com a Internet nos locais de prova, nem mesmo próximo.” Uma última palavra dirigida em particular a Joaquim Sousa: “Decepciona-me muito a atitude do atleta Joaquim Sousa, pois quando precisou de minha ajuda com relação a sua acomodação, disponibilizei tudo o que podia, tanto para ele quanto para José e Vanessa, inclusive algo que me fez falta durante a competição. Sei que problemas houveram mas a Orientação é feita por pessoas e todos nós estamos sujeitos a falhas.”


Vanessa Jorge vence escalão

Quanto aos resultados (parciais), podem ser consultados em http://helga-o.hock.be/webres. Todavia, acabam por ser inconclusivos no que à Elite Masculina diz respeito, uma vez que assumem como válidos todos percursos e, ao que julgamos saber, três ou quatro percursos acabaram por ser anulados. Ao vencer quatro dos cinco percursos, Tânia Maria Jesus de Carvalho (Associação de Orientação dos Alunos da Universidade Federal do Rio de Janeiro) levou de vencida o escalão de Elite Feminina. Na Elite Masculina, o Campeão CamBOr 2010, Vanderlei José Bortoli (Clube de Orientação de Santiago) venceu a primeira etapa, Cleber Baratto Vidal (NATURA CO) triunfou na segunda, Ironir Alberto Ev (Clube de Orientação de Santiago) foi o mais forte na terceira, Juscelino Alencar Karnikowski (Clube de Orientação Gralha Azul) triunfou na quarta e Ironir Alberto Ev “bisou” na derradeira etapa.

Quanto a Joaquim Sousa, conseguiu na quarta etapa a sua melhor posição ao terminar no terceiro lugar. A este, devem acrescentar-se o quarto lugar na terceira etapa, o quinto lugar na primeira etapa, o oitavo lugar na quinta etapa e o décimo primeiro lugar na segunda etapa. Face aos resultados alcançados, concluiu-se facilmente que a prestação do nosso atleta foi de bom nível. Em Nova Friburgo e Cachoeiras de Macacu estiveram igualmente presentes Vanessa Jorge e José Pires, ambos do CPOC. Competindo no escalão D35B, Vanessa Jorge foi a única atleta a completar os cinco percursos, o que lhe valeu a vitória. Quanto a José Pires, mediu forças no escalão H M A com 17 adversários – entre os quais José Otávio Franco Dornelles, o Presidente da Confederação Brasileira de Orientação – tendo sido sétimo classificado na primeira etapa, décimo segundo na segunda, décimo primeiro na terceira, oitavo na quarta e décimo quinto na quinta e última etapa.


[Foto extraída da página de Joaquim Sousa, em http://www.joaquimsousa.com/]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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1 comentário:

vanessa disse...

Fico um pouco triste com aquilo que acabei de ler aqui, porque só foi falado tudo que foi de negativo neste evento, e nunca foi mencionada o que foi de bom. Começando com a grande simpatia, e hospitalidade com que fomos recebidos desde o primeiro dia. Foi-nos arranjado desde logo transporte do Rio para o local da prova sem nos pedirem uma unica coisa em troca, este transporte foi arranjado pelo presidente da confederação Sr José Otavio. Quando chegamos ao local da prova, nomeadamente ao solo duro, deparamos que não estavamos em condições de lá ficar porque não tinhamos tenda, nem colchão para as condições do pavilhão, visto que o chão era de cimento, o pavilhão muito arrejado e estava frio. O Sr Bruno prontificou-se logo em nos ajudar, e arranjou logo uma tenda, um colchão grande e cobertores. Logo aí foi uma ajuda essencial, se não a unica solução seria ir para um hotel o que significava gastar dinheiro que não contavamos gastar. O Sr Otavio e um ateleta prontificaram-se em nos arranjar bussulas. O pessoal da Universidade que tinha um autocarro, tambem foram muito prestáveis e aceitaram dar-nos boleia durante os 5 dias para os locais das provas e ainda nos deram boleia de volta para o Rio no final do evento, sem mais uma vez nos pedir alguma coisa em troca. Com isto tudo quero só dizer que apesar do evento ter tido alguns problemas a nivel da orientação, tambem tivemos oportunidade de conviver com os nossos colegas brasileiros e disfrutar de alguma forma do seu pais e deu para nos divertir, que para mim é o mais importante. Há a tendência de falar-se só dos aspectos negativos das coisas, sem lembrar que tambem é bom ouvir aquilo que foi bom e positvo. Vanessa Jorge