terça-feira, 12 de outubro de 2010

WOC 2011: DEBATE ACESO EM TORNO DA ESCALA DO MAPA DA PROVA DE DISTÂNCIA LONGA

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Desde o passado dia 3 de Outubro, aquando da realização da 10ª etapa da Taça do Mundo de Orientação Pedestre (Annecy, França), que está aberto o debate. O Campeonato do Mundo WOC 2011 e a escala do mapa da prova de Distância Longa estão no cerne duma discussão que tem mobilizado a comunidade orientista internacional a um nível verdadeiramente inusitado. O Orientovar socorre-se do excelente artigo de Niels-Peter Foppen, publicado hoje no ‘site’ Ultimate Orienteering, para lançar um olhar mais aprofundado sobre a questão, os seus contornos e consequências.


A questão surgiu em Annecy e não foi por acaso. Os Campeonatos do Mundo de Orientação Pedestre do próximo ano terão lugar nesta região de França – Savoie Gran Revard – e os mapas são, aqui, extraordinariamente detalhados. São mapas, nas palavras da atleta norueguesa Anne Margrethe Hausken, “de difícil leitura em corrida, devido às rochas e às irregularidades do terreno, o que torna a progressão muito difícil”.

A solução para o problema passaria por, a título excepcional, permitir a realização da prova num mapa à escala 1:10 000. Esta possibilidade teria sido avançada por fonte ligada à organização do WOC 2011 junto da IOF – Federação Internacional de Orientação, tendo recebido um parecer negativo. Foi assim que surgiu a sugestão para que fossem os próprios atletas a levar a cabo uma campanha contra a decisão do organismo que tutela a modalidade a nível internacional.

“Pressionar a IOF”

É nesta sequência que surge a página criada por Anne Margrethe Hausken no Facebook – “Map scale 1:10 000 for WOC long distance 2011” , convidando a comunidade orientista mundial a juntar-se à causa. “Com a criação deste grupo pretendemos pressionar a IOF”, afirma frontalmente a atleta.

Se, por um lado, a participação no grupo criado por Hausken não é relevante – o que pode não querer dizer absolutamente nada, mas também pode querer dizer muita coisa -, por outro lado surgiu também no Facebook uma outra página que deverá ser entendida como uma reacção à iniciativa da norueguesa. Criada por Anders Tiltnes, “Behold 1:15000 på langdistanse”  pretende manter a escala nos 1:15 000, com o atleta norueguês a invocar as regras para a execução de mapas estabelecidas de acordo com o ISOM 2000 e ISOM 2007.

“A IOF não recebeu qualquer pedido de alteração”

Porque razão terá a IOF negado o pedido dos organizadores franceses, estando agora “com as orelhas quentes” no centro das conversas? No passado dia 6 de Outubro, a Ultimate Orienteering solicitou à IOF uma explicação, tendo a resposta sido dada por Björn Persson, o Director Desportivo da IOF. Nela se afirma que “a IOF não recebeu qualquer pedido de alteração referente às escalas dos mapas do WOC 2011, da parte dos seus organizadores. Se tal tivesse sucedido, as coisas teriam seguido os trâmites normais.”

A verdade é que, se realmente nada chegou à IOF com origem na organização francesa, o organismo internacional tem agora entre mãos uma petição assinada por 103 atletas de 16 países, entre os quais 17 campeões do Mundo. O documento foi entregue no passado domingo, após o PostFinance Sprint, em Genève, por Anne Margrethe Hausken a Marcel Schiess, o Vice-Presidente da IOF, conforme o testemunha a imagem que encima este artigo, da autoria de Niels-Peter Foppen (Ultimate Orienteering).

Três pontos importantes

Anexo à petição, Hausken fez seguir um documento onde são ressalvados três pontos importantes: (1) O pedido é a título excepecional, visto a escala 1:15 000 ser, claramente, a melhor opção para uma prova de Distância Longa; (2) O traçado do percurso deve ser adequado a Distância Longa, sendo fundamental que a alteração da escala não altere os tempos previstos para uma prova desta distância: (3) Se a decisão for no sentido de ser mantida a escala 1:15 000, o mapa deve ser desenhado de forma a tornar-se legível, sem recurso a lentes de aumento.

O Ultimate Orienteering solicitou uma reacção da parte de Marcel Schiess que, independentemente do compromisso em fazer chegar a petição à IOF, adiantou ser positivo “que os atletas identifiquem os problemas.” Mas não se furtou a deixar também um lamento: “O problema teve início há dois anos atrás, quando foram escolhidos os terrenos de competição e o responsável pela cartografia. É uma pena que não se tivesse discutido esta questão na altura. (…) Compreendo perfeitamente que o mapa não seja legível. Estive em Annecy na semana passada e é realmente muito difícil ler o mapa em velocidade, mas agora é um bocadinho tarde para esta discussão. Mas sempre é melhor do que daqui a meio ano, naturalmente.”

Formalizado pedido

Ontem mesmo, Jean-Daniel Giroux, o Director-Geral do WOC 2011, enviou à redacção do Ultimate Orienteering a seguinte mensagem: “Quando iniciámos os preparativos do WOC, fizemos um pedido verbal ao Supervisor IOF no sentido de podermos elaborar os mapas da prova de Distância Longa à escala 1:10 000, mas ele achou que não era a altura certa para fazer algo. Na sequência da experiência da prova da Taça do Mundo em Annecy, a organização do WOC acaba de formalizar junto da IOF um pedido por escrito no sentido de que os mapas possam ser desenhados à escala 1:10 000.”

A bola está agora do lado da Federação Internacional de Orientação.


Leia o artigo na íntegra em http://www.ultimate-orienteering.com/?p=3722.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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