domingo, 31 de outubro de 2010

REGULAMENTO DE COMPETIÇÕES 2011: EM BUSCA DE CONSENSOS

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Palco privilegiado de debate da Federação Portuguesa de Orientação, O Oásis Fórum voltou a animar-se. Em causa, desta feita, a proposta de Regulamento de Competições para 2011, um documento que, pelo seu significado e relevância, chamamos hoje para a Ordem do Dia.


Ponto número 4 da Ordem de Trabalhos da recente Assembleia Geral ordinária da Federação Portuguesa de Orientação, a Discussão e Aprovação do Regulamento de Competições para 2011 acabou por não acontecer. Os motivos são do conhecimento geral e prendem-se com a Tomada de Posse dos novos Órgãos Estatutários, pelo que o documento volta agora à Discussão. Mas não o mesmo documento, entenda-se. Com efeito, a actual Direcção da Federação Portuguesa de Orientação partiu para um novo Regulamento de Competições [ver AQUI], um documento criado de raiz e que tem sido alvo de críticas por parte de agentes dos mais diversos quadrantes.

Luís Santos, Luís Sérgio, Mário Duarte, Manuel Delgado, Eduardo Oliveira ou Fernando Costa são apenas a face visível duma certa contestação a vários pontos dum documento que merece, em primeira instância, uma séria reserva no que toca ao seu sentido de oportunidade. Também o propósito de “sistematização e de eliminação de duplicações e conflitos, bem como de simplificação” é visto como uma crítica a anteriores contributos e gerador dum certo mal-estar. Os fundamentos destas e outras reservas, pelo menos em parte, podem ser encontrados em http://orioasis.pt/forum/showthread.php?tid=178&page=1.

“Perceber o que importa alterar e aquilo que deve ser mantido como está”

Orientovar foi ao encontro de Kátia Almeida, auscultando as suas opiniões no final da segunda reunião de Clubes, realizada ontem em Brasfemes, e promovida pela própria Direcção da FPO no sentido de clarificar as questões e procurar contributos para o documento. Uma reunião, no dizer daquele elemento da Direcção da FPO, “muito participada, contando com a presença de representantes de cerca de quinze clubes”, naquilo que é entendido como “revelador do enorme interesse e envolvimento que o documento suscita.” Concretizando: “São várias as análises exaustivas feitas sobre a nossa proposta e que resultam num elevado número de sugestões todas elas bastante válidas e a merecer toda a nossa atenção. Alguns pontos permitiram uma discussão mais alargada e a partilha de opiniões, na medida em que há aspectos do documento que suscitam dúvidas, quer a nós, enquanto Direcção da FPO, quer aos próprios clubes. Foi de facto muito importante termos essa discussão em conjunto, permitindo-nos abrir uma série de alternativas a vários pontos do documento.”

Mas afinal, que documento é este? É ainda Kátia Almeida a esclarecer-nos: “Este é um documento que teve por base o Regulamento de Competições anterior. Ao debruçarmo-nos sobre ele, verificámos que as contribuições que surgiram de vários quadrantes davam indicações no sentido de alterações muito substanciais e concluímos pela elaboração dum novo documento.” A verdade é que as alterações parecem ser, reconhecidamente, excessivas: “Com a discussão gerada e com as indicações que recebemos da reunião de hoje, temos de admitir que não teria sido necessário mexer em tantos assuntos e alterar tanta coisa. Mas até isso acaba por ser positivo, perceber o que importa alterar e aquilo que deve ser mantido como está.”

Virtudes e defeitos

O Orientovar fez, ele próprio, a sua análise do documento e começa por saudar a atenção dada à Responsabilidade Social (Título III – Secção I - Artº 21º) e à Divulgação de Resultados (Título III – Secção I – Artº 23º). No tocante aos mais variados aspectos, são muitos aqueles que merecem reservas, a começar pela inclusão dos Infantis nos ‘rankings’. Promover determinado tipo de competitividade nos escalões mais jovens é, perdoe-se a expressão, “muito pouco formativo”. Também o peso que os Veteranos terão nas classificações colectivas com o novo sistema proposto (6 + 6 + 6) parece manifestamente desadequado. A questão dos atletas estrangeiros é algo que surge em contra-corrente relativamente às ambições da própria Direcção no sentido da expansão e projecção da modalidade. Há ainda a valoração das provas que mexe com interesses em curso e expectativas já criadas, a polémica intenção de abrir os Campeonatos Ibéricos a todos os participantes de nacionalidade portuguesa ou espanhola e as Normas Especiais para a Orientação em BTT, onde muito há a esmiuçar no que toca a escalões, “terrenos sensíveis”, travessia de áreas cultivadas e outros aspectos iminentemente técnicos.

Pretender anular um percurso onde “estejam colocados incorrectamente mais do que três postos de controlo” parece ser um enorme equívoco e é francamente polémico. No que toca à Orientação de Precisão, o documento é praticamente omisso mas o Orientovar gostaria de ver, pelo menos a título de Recomendação, a inclusão de percursos de Orientação de Precisão em todas as Provas da Taça de Portugal, sejam elas de nível 1, 2 ou 3.

“Deixar cair este novo documento está fora de questão”

Deixar cair este documento e trabalhar sobre o anterior ou avançar mesmo assim, embora percebendo-se o muito trabalho que há pela frente, eis a questão. Questão condicionada ou agravada pelo factor tempo, visto estarmos a dois meses do final do ano e com um prazo necessariamente apertado para cumprir no sentido da apresentação do documento na sua versão final. No tocante a esta matéria, porém, Kátia Almeida não tem dúvidas: “Deixar cair este novo documento está fora de questão. Embora se reconheça que o documento não está bem – se estivesse bem não era necessário estar a ser discutido -, entendemos que ele constitui uma boa base de trabalho. As contribuições têm sido extraordinariamente válidas, neste momento temos aqui muita matéria para trabalhar e penso que estamos em condições de desenvolver um documento final que corresponda àquilo que é a nossa realidade, a nossa modalidade, uma modalidade complexa e com um elevado número de aspectos a configurar. Por muito simples que este documento seja, ele será sempre complexo.”

“Este não um documento fechado, está aberto à discussão e é precisamente nessa fase que nos encontramos neste momento”, adianta Kátia Almeida a finalizar, lançando o repto àqueles que ainda não o fizeram para que, ao longo desta semana, façam chegar à Direcção da FPO as suas propostas e sugestões.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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