quinta-feira, 14 de outubro de 2010

NA TOMADA DE POSSE DO NOVO ELENCO FEDERATIVO: "NINGUÉM ULTRAPASSA DIFICULDADES NUM QUADRO DE DESÂNIMO OU DESISTÊNCIA"

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A sede do Comité Olímpico de Portugal foi palco, ao final da tarde de ontem, do acto de Tomada de Posse dos novos titulares dos Órgãos Estatutários da Federação Portuguesa de Orientação para o biénio 2011-2012.


Ainda que pouco numerosa, foi uma plateia atenta aquela que assistiu à Cerimónia de Tomada de Posse dos novos titulares dos Órgãos Estatutários da Federação Portuguesa de Orientação para o biénio 2011-2012. Entre os presentes, destaque para os representantes de Juntas de Freguesia dos Municípios de Lisboa, Cascais, Loures e Sintra, das Federações de Ténis de Mesa, Golfe, Andebol e Motonáutica e ainda para o representante da Confederação do Desporto de Portugal.

No seu discurso de tomada de posse [que pode ser lido na íntegra AQUI], o novo Presidente da Federação Portuguesa de Orientação, Alexandre Guedes da Silva, começou por agradecer a presença das várias entidades, transmitindo em particular ao Presidente do Comité Olímpico de Portugal o seu apreço pela forma como se disponibilizou a acolher a Cerimónia, naquilo que classificou como “um gesto inequívoco de confiança e de apoio a esta jovem modalidade desportiva”.

"O desafio está na continuidade”

Lembrando que “estamos aqui presentes porque fomos eleitos pelos nossos pares para conduzir os destinos da nossa Modalidade”, o novo Presidente da FPO fez questão de “manifestar, aqui e agora, o nosso reconhecimento, gratidão e respeito por todos os que nos antecederam nestas funções. A sua dedicação, o seu saber, o seu espírito de sacrifício, a sua vontade de bem servir a Orientação, devem ser realçados publicamente pois é o fruto do seu esforço de vinte anos de dedicação que nos conduziu a este dia.” E, convictamente, lançou palavras de esperança em relação ao futuro, com base naquela que foi uma das bandeiras da sua campanha: “Procuraremos ser continuadores do vosso legado, com a certeza de que não será fácil, mas com a convicção que tudo faremos para reforçar os alicerces que tão laboriosamente construíram e que iniciaremos o lançamento da infra-estrutura que conduzirá este desporto ao pódio do Século XXI.”

“Em Portugal, e para os portugueses, o desafio está na continuidade, no quotidiano, no aperfeiçoamento. Na banalidade dos pequenos pormenores. Na constância de uma determinação de aço.” Foi esta uma das ideias-chave dum discurso que, debruçando-se sobre os tempos actuais e sobre a realidade da nossa modalidade, encerra em si mesmo um desígnio: “Para a FPO aspirar a ser melhor, é fundamental a assunção de um conjunto de práticas e culturas que conduzam ao Bom Planeamento, à Execução Exemplar e, a uma Avaliação Assertiva.” Concretizando: “Necessitamos de cuidar do Planeamento com empenho, deixando ao improviso só os verdadeiros imponderáveis. Precisamos de investir numa Execução rigorosa e cuidada, eficaz e eficiente. E finalmente, todos os Agentes filiados na FPO devem ambicionar uma Avaliação permanente, capaz de se constituir como oportunidade de reconhecimento e de aprendizagem, de melhoria contínua e progressiva.”

“Seria terrível tomar conta dos destinos da FPO com o receio que as coisas corressem mal”

Com o discurso a caminhar para o final, Guedes da Silva exortou para a necessidade de “cultivar atitudes que reflictam motivação, ambição e, persistência”, deixando a ideia de que “ninguém ultrapassa dificuldades num quadro de desânimo ou desistência”. Mas reconhece que o futuro não se afigura fácil, sobretudo devido àquilo a que apelidou de “traço sociológico lusitano”, definindo-o como “um traço deprimido, estruturalmente pessimista e negativo, tendente a não acreditar em nada nem ninguém, a não se entusiasmar com coisa nenhuma, a não investir, a não se esforçar, numa palavra, a não arriscar.”

Todavia, “ser optimista, ser persistente, ser sonhador, são características inatas de todo o orientista”, prossegue, para admitir que “seria terrível tomar conta dos destinos da FPO com o receio que as coisas corressem mal.” A terminar, uma pergunta: “Afinal, quem é que quererá ser Dirigente – benévolo ou executivo - para ter tanto trabalho, procurar fazer tudo pelo melhor, esforçar-se pelo bem comum, e normalmente acabar desprezado, ofendido e, injustiçado?” A resposta não se fez esperar: “De facto, só a ‘ilusão’ pode justificar tanto empenho! Vamos Ser o Desporto do Século XXI”.

“O Desporto é ainda o único meio de aumentar a auto-estima dos portugueses”

Vicente Moura, o Presidente do Comité Olímpico de Portugal, usou igualmente da palavra, abordando a situação actual e a depressão que o Pais atravessa, usando como contraponto o momento histórico que se vive no Chile com o resgate dos 33 mineiros do fundo duma mina de cobre e ouro do Deserto do Atacama, no Norte do País. Desejando felicidades ao novo elenco Federativo, Vicente Moura salientou que “é necessário ter esperança no futuro.” Ainda antes de selar o seu discurso com um “viva” à FPO e ao Desporto, o Presidente do Comité Olímpico de Portugal afirmaria que “neste momento de crise, o Desporto é ainda o único meio de aumentar a auto-estima dos portugueses.”


[foto gentilmente cedida por Alexandre Guedes da Silva]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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