domingo, 5 de setembro de 2010

PORTUGAL O' MEETING 2011: VÍTOR DIAS, O SENHOR EMBAIXADOR

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Prosseguem os trabalhos preparativos do Portugal O’ Meeting 2011 e o Orientovar tem a honra de apresentar o seu mais recente embaixador. A “correr por prazer”, Vítor Dias é hoje o nosso convidado de honra!


Antigo praticante de Futebol, Futebol de Salão e Halterofilismo, Vítor Dias é, aos 41 anos de idade, um homem inteiramente votado ao Atletismo. Começou a correr com regularidade em 2007 e hoje o “bichinho” está de tal maneira enraizado que, para si, correr é tão natural como “comer, tomar banho ou levar os miúdos à piscina”. Treina cinco dias por semana – descansa à segunda e à sexta – e tem uma especial apetência pela distância da Maratona, “por dar mais gozo, porque é um desafio”.

Mas não será pelos resultados obtidos nas cinco maratonas que já leva no currículo que Vítor Dias se notabilizou a ponto de ser convidado para integrar o quadro de embaixadores do Portugal O’ Meeting 2011. A verdade é que Vítor Dias tem desenvolvido, a par da corrida, um trabalho verdadeiramente notável com o seu “Correr por Prazer”, um webzine “dedicado a atletas de pelotão e a todos os que se interessam pela corrida como um prazer da vida”. Instrumento de consulta que merece a atenção diária de muitas centenas de amantes da corrida, “Correr por Prazer” dedica, desde o passado dia 21 de Janeiro de 2010, uma especial atenção à Orientação.


“Há gente fantástica, com histórias fantásticas para contar”

Orientovar – Quem “folheia” o seu “Correr por Prazer” percebe que se encontra ali a satisfação duma necessidade de contar histórias. Concorda com esta leitura?

Vítor Dias – Absolutamente. Contar histórias e as histórias de quem me rodeia, isto porque há gente fantástica, com histórias fantásticas para contar mas que não se dão muito a contá-las. Estar rodeado por estas pessoas é um privilégio. Estou a falar de pessoas que começaram a correr com cinquenta anos, com sessenta anos… que correm comigo e que aos setenta anos ainda fazem maratonas.

Orientovar – Até que ponto essa partilha de experiências é enriquecedora?

Vítor Dias - São experiências de vida únicas, são aquilo que nos faz cá andar. E são experiências que importa transmitir, sobretudo àqueles que agora começam a iniciar-se na corrida. Basta recuar três anos para perceber pela minha própria experiência aquilo que se sente quando se começa. Embora eu não tenha muita experiência, vejo que quem começa tem alguma proximidade comigo por saber que há muito pouco tempo passei por aquilo que eles estão a começar a passar.


“Já me sinto viciado”

Orientovar – Que conhecimento tem da Orientação enquanto modalidade desportiva?

Vítor Dias – Não tenho praticamente nenhum, mas do muito pouco que conheço confesso-me fascinado. Primeiro porque é um desporto que dá para correr, que é aquilo que eu gosto de fazer; e depois porque permite uma proximidade muito grande com a natureza e ainda dá para estar com a família. Penso que temos tudo! Acresce a tudo isto o facto de ter tido o privilégio de começar a ser “orientado” pelo Fernando Costa, uma pessoa tal como eu muito ligada ao associativismo e onde se percebe um apego enorme àquilo que faz, que faz as coisas por amor, genuinamente e de forma altruísta, sem interesses pessoais e que contagia qualquer pessoa. Ainda não estou metido na Orientação – tenho quase a certeza que irei estar metido nela – mas já me sinto viciado.

Orientovar – Como é que viu o convite que lhe foi feito para ser um dos embaixadores do Portugal O’ Meeting 2011 e que responsabilidades é que esse facto acarreta?

Vítor Dias – Antes de mais, foi com muita surpresa que recebi o convite. Há seguramente muitas pessoas que fariam melhor do que aquilo que irei fazer. Por outro lado, o facto de não estar ligado à Orientação deixou-me algo embaraçado, mas quando vi o leque de pessoas que, no passado, foram embaixadoras do evento [no caso concreto, do Norte Alentejano O’ Meeting], fiquei mais tranquilo. Acho que vai ser muito agradável e procurarei estar à altura daquilo que me é “exigido”. Sobretudo, procurarei colaborar na divulgação do evento. Será aí que procurarei concentrar grande parte do meu trabalho e empenho.


“Isto tudo é uma peça de teatro”

Orientovar – Como avalia a divulgação das modalidades ditas amadoras em Portugal?

Vítor Dias – São as pessoas que abraçam estas “causas” com tanto amor que levam a que as modalidades cresçam. A nível institucional já sabemos como as coisas são, a nível do desporto escolar idem aspas. Ou seja, ou são as pessoas, as Associações, a puxarem para as respectivas modalidade e, com isso, a contribuírem para o seu crescimento, ou então… não vão crescer mais do que isto.

Orientovar – Correr por prazer, fazer Orientação por prazer… Se não houver prazer naquilo que se faz as coisas deixam de ter significado?

Vítor Dias – Completamente. A vida é tão curta, conhecemos tanta gente boa que gostaria de estar no nosso meio e já não está, que em pouco tempo perdeu a vida que tinha… Portanto, como diria Charlie Chaplin, isto tudo é uma peça de teatro em que todos devemos aproveitar o prazer de estar em cima do palco antes que o pano feche e a peça acabe sem aplausos. Ou seja, ou aproveitamos enquanto cá estamos e fazemos realmente aquilo que temos prazer em fazer ou então não vale a pena.


“A Orientação não é correr por ali adiante”

Orientovar – O “Correr por Prazer” dedica já um pedacinho do seu espaço à Orientação. Quer-nos falar sobre isso?

Vítor Dias – Ao longo destes últimos meses foram sendo publicados alguns artigos de divulgação da modalidade e criei uma secção onde se podem encontrar reunidos todos os artigos entretanto publicados. Daqui para a frente pretendo ampliar essa colaboração e trabalhar no sentido de ajudar a divulgar a modalidade. Tenho a certeza que a Orientação vai fascinar as camadas jovens, como aliás já vai acontecendo, mas precisa realmente de ser divulgada e espero dar o meu contributo nesse sentido.

Orientovar – Pensa que esse trabalho de divulgação num espaço como o “Correr por Prazer” pode contribuir para chamar mais praticantes da área do Atletismo a experimentar a Orientação?

Vítor Dias – Penso que sim, desde logo porque a Orientação envolve a corrida. Todavia, pelo pouco que já vi, penso que quem for da corrida para a Orientação tem que vê-la duma forma diferente. Não pode ver a Orientação com toda aquela vontade de ir o mais depressa possível, porque a Orientação não é correr por ali adiante. Mas quem for para a Orientação pelo prazer das coisas que lhe estão subjacentes, vai retirar realmente da Orientação aquilo que ela tem de melhor. Quem for para competir, com a ideia de grandes brilharetes, talvez não tenha sucesso.


“Na pior das hipóteses em Março”

Orientovar – E o Vítor Dias, quando é que vamos poder vê-lo a fazer Orientação?

Vítor Dias – Na pior das hipóteses em Março, no decurso do Portugal O’ Meeting 2011. Mas muito provavelmente ainda antes.



Siga as últimas novidades do site “Correr por Prazer” em http://www.correrporprazer.com/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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1 comentário:

PFernandes disse...

Amigo Vitor Dias,

Quem melhor senão um "desconhecido" da Orientação, que sem dúvida "irá ficar viciado", para dar mais um empurrãozinho na divulgação que esta extraordinária modalidade merece?

Não me posso esquecer dos nossos momentos de convívio na recente Corrida da Freita, onde partilhámos uns inesquecíveis 18km.
Durante cerca de 3 horas não falei eu de outra coisa senão de Orientação e de como esta modalidade me "deu a volta e me conquistou".
Agora, bastará recordares a teoria com que simpáticamente te massacrei e colocá-la em prática.
Estamos à tua espera no POM 2011.

Mas a nova época competitiva começa em Janeiro, por isso há que a preparar desde já...

Se não nos encontrar-mos antes, até à Maratona do Porto (será mais um grande desafio para mim).


Grande Abraço,
Paulo Fernandes