quinta-feira, 23 de setembro de 2010

PELO BURACO DA FECHADURA...

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Ele aí está, o XII Meeting de Orientação do Centro. Com ele vêm o XVIII Campeonato Ibérico e a XVI Taça dos Países Latinos. No próximo fim-de-semana, Leiria irá receber um milhar de participantes, para uma jornada dupla de emoção a rodos e com tudo para agradar a todos. Com a ajuda de Carlos Monteiro, Presidente da Direcção do Clube de Orientação do Centro, espreitamos o evento pelo buraco da fechadura.


Orientovar – Em vésperas de mais um grande evento do Clube de Orientação do Centro, em traços largos, quais os principais passos dados ao longo deste período de preparação?

Carlos Monteiro – Este evento nasceu em Outubro de 2008 quando o Clube de Orientação do Centro apresentou a sua candidatura à Taça dos Países Latinos e também a uma prova da Taça de Portugal. Posteriormente fizemos a ponte para o Campeonato Ibérico, uma vez que fazia todo o sentido que este evento se disputasse em simultâneo com os restantes. A partir de 2009 – e vencida a barreira do XI Meeting de Orientação do Centro WRE, em Pataias – começámos a montar em simultâneo o grande ciclo de três provas para o ano presente que se iniciou com o Portugal O’ Meeting, em Fevereiro e prosseguiu com a prova WRE de Orientação em BTT, em Abril. A partir daí focalizámos toda a nossa atenção neste neste XII Meeting de Orientação do Centro, XVI Taça dos Países Latinos e XVIII Campeonato Ibérico.

Orientovar – Quais as dificuldades com que se depararam ao longo deste período de quase dois anos?

Carlos Monteiro – Efectivamente sentimos várias dificuldades que conseguimos ultrapassar com o apoio de algumas entidades. A principal prendeu-se com o enquadramento legal da actividade na floresta dentro do período crítico de incêndios e que é entendido entre 15 de Junho e 15 de Outubro. A Direcção-Geral dos Recursos Florestais, de acordo com a lei, restringe fortemente toda e qualquer actividade na floresta e tivemos que nos valer das intervenções do Presidente da Assembleia-Geral da Federação Portuguesa de Orientação e das Secretarias de Estado da Juventude e do Desporto e do Desenvolvimento Rural e Florestas, conseguindo dessa forma desbloquear o processo. Depois houve todo um conjunto de dificuldades com que nos deparámos e que resultam da actual conjuntura económico-financeira em que se encontra o país, as Instituições, o poder político e as autarquias. A própria autarquia de Leiria não é alheia a esta situação e, por muito que se esforce, por muito que nos tenha apoiado, também reconhecemos que há capacidades e limitações que têm de ser geridas e que marcam, inapelavelmente, a nossa organização. A verdade é que esta prova começou a ser projectada ainda em 2008 e num quadro económico-financeiro cuja realidade era bem diferente daquela que é hoje. De qualquer das maneiras, não estará em causa a qualidade da prova no que diz respeito aos mapas, aos terrenos e aos percursos. Todavia, alguns aspectos relacionados com a logística e as infra-estruturas, com algum tipo de serviços ou componentes de Arenas, acabam por se ver limitados pelos cortes orçamentais que fomos obrigados a fazer.

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"As pessoas sabem valorizar a marca organizativa COC"
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 Orientovar – Apesar de não contarmos com um número elevado de representações – como chegou inicialmente a fazer parte das expectativas da Organização – a verdade é que estarão em Leiria, no próximo fim-de-semana, perto de um milhar de atletas a competir. Entende esta realidade como mais um voto de confiança naquilo que são as organizações do Clube de Orientação do Centro?

Carlos Monteiro – Sem falsas modéstias nem vaidades, a verdade é que temos um enorme orgulho no trabalho desenvolvido ao longo destes doze anos de vida do Clube de Orientação do Centro. A conclusão que retiramos desta procura nas nossas provas é que, realmente, as pessoas sabem valorizar a marca organizativa “COC”. Os praticantes da modalidade já perceberam que nós fazemos “das tripas coração” no sentido de lhes proporcionar a melhor prova possível. É evidente que não somos perfeitos, que há sempre falhas e aspectos a rever. Ainda que o número de participantes fique aquém do esperado, esta presença significativa constitui um voto de confiança e acarreta um acréscimo de responsabilidade. Saberemos responder a isso e as pessoas podem ter a certeza que faremos todos os possíveis para que no final, ao regressarem a suas casas, tenham dado por bem empregue o seu tempo e o esforço financeiro em terem-se deslocado à nossa zona.

Orientovar – Que emoção sente em voltar ao centro da cidade de Leiria com uma prova de Sprint, depois daí ter sido disputada a qualificatória de Sprint dos Mundiais de Veteranos WMOC 2008, dos quais foi o Director-Geral?

Carlos Monteiro – É uma enorme emoção, naturalmente, apesar de estarmos perante duas situações completamente distintas. O WMOC 2008 teve 3.200 participantes e agora vamos ter 86 ou 88. São realidades diferentes, o nível competitivo também é diferente. Não teremos o impacto daquela massa humana, como aconteceu há dois anos atrás, mas será um tipo de prova mais competitivo. Reafirmo, contudo, que é para nós muito agradável e gratificante trazer novamente a modalidade Orientação a Leiria. E a Leiria duplamente, já que o Pedrógão é mesmo a única praia do Concelho.

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"Isto é um mata-velhos autêntico"

Orientovar – No tocante às provas de floresta no Pedrógão, eu gostava de saber o que é isso do “mata-velhos”…
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Carlos Monteiro – (risos) Isso é uma brincadeira que começou em 2005 quando o Bruno Nazário estava no Japão a defender a candidatura de Portugal ao Campeonato do Mundo de Veteranos e numa bela manhã de Agosto nos mandou uma mensagem a dizer: “Ganhámos, o WMOC é nosso!” Imediatamente eu, a Isabel [Monteiro], o Rui Antunes e o Manuel Domingues começámos a mexer-nos à procura de vários locais que tivessem qualidade e fossem suficientemente interessantes para levar por diante o Campeonato do Mundo. Foram muitos fins-de-semana e muitos quilómetros percorridos até encontrarmos os terrenos ideais, não só para a competição mas também em termos de infra-estruturas, acessibilidades e outros factores importantes. Até que chegámos àquela zona do Pedrógão, no lado Este do mapa, onde passam ali umas formações dunares um bocadinho elevadas face ao resto do mapa, e o Manuel Domingues, em jeito de brincadeira, começou a dizer: “Tu queres matar os velhos, queres trazê-los para aqui para o ‘mata-velhos’, isto é um ‘mata-velhos’ autêntico…” E pegou o nome de ‘mata-velhos’, baptizado pelo Manuel Domingues.
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Orientovar – E os percursos do próximo fim-de-semana também irão levar os participantes ao “mata-velhos”?
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Carlos Monteiro – Nem outra coisa seria de esperar, quando os percursos têm a assinatura do Rui Antunes. É uma pessoa com uma capacidade enorme para traçar percursos, sinto um verdadeiro prazer em sentar-me à beira dele e vê-lo a traçar os percursos, a dizer “agora vão aqui”, ou “tens esta opção, mas se fores por ali tens aquela rasteira e acabas por dar uma volta maior”… Ele faz os percursos andar em zonas mais “soft” mas estamos convictos que a discussão dos títulos vai andar na zona do “mata-velhos”, onde praticamente todos os percursos terão ‘loops’ ali centralizados. Vamos ter ali as melhores pernadas e aquelas de maior dificuldade técnica, a exigir muita atenção para as melhores opções. Fisicamente é também aqui que se encontra o maior grau de exigência mas no final tenho a certeza que o pessoal, embora cansado, vai ficar muito agradado com os percursos.

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"Tristeza pela não participação da França"
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Orientovar – Algum alerta especial no tocante às provas?
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Carlos Monteiro – Sim. Com efeito, na prova de Distância Média, na manhã do primeiro dia, pretendemos aproveitar a zona mais interessante do mapa, com características muito adequadas a uma prova de Distância Média, de elevada riqueza técnica e com baixa visibilidade. Acontece que essa área está a cerca de dois quilómetros da Arena pelo que os atletas devem estar sensibilizados para o facto de terem de percorrer uma distância entre a Arena e a zona de Partida com a duração aproximada de trinta minutos. Neste trajecto vão encontrar uma área que corresponde ao mapa de aquecimento que poderão utilizar ou não, de acordo com aquilo que entenderem. O Finish decorre também nessa zona mais técnica, pelo que o regresso implica percorrer mais cerca de 1.500 metros por um caminho balizado até à Arena onde deverão descarregar o SI Card. Deixo um apelo grande para que todas as pessoas descarreguem mesmo o SI Card para que não haja desclassificações ou para que depois não andemos à procura de pessoas que estejam já em casa.
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.Orientovar – Apesar de todas as selecções que nos visitam merecerem o maior dos respeitos e carinhos, tenho a certeza que o Brasil e Moçambique - até pela particularidade de serem países lusófonos - seriam acolhidos de forma especial. Daí que imagine que sinta alguma mágoa pelo facto de não se confirmar a sua vinda…
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.Carlos Monteiro – Brasil e Moçambique, como diz, têm laços muito fortes com o nosso País e lamentamos sinceramente a sua ausência. Não sei muito bem o que se terá passado – o senhor Secretário-Geral da Taça dos Países Latinos deu-nos nota que haveria a pré-confirmação da sua presença, pelo que alguma coisa se terá passado para não virem -, mas efectivamente acabaram por não vir. Gostaria aqui de aproveitar para expressar a minha tristeza pela não participação da França, mesmo que apenas com uma Selecção “B” ou uma Selecção “C”. Nós percebemos que a França tem hoje um nível competitivo bastante elevado e a Taça dos Países Latinos poderá dizer pouco aos melhores atletas franceses, sobretudo nesta altura da época. Mas penso que com uma Selecção “B” talvez pudessem vir… Também o silêncio da Bélgica nos deixou perplexos, não sabemos o que se passou com a Bélgica. E a própria Suiça também não se inscreveu nem deu qualquer notícia.

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"Elevar a nossa Cidade, a nossa Região, a nossa modalidade, a nossa Federação e o nosso País"

Orientovar – Em termos de Programa Social, o que é que está previsto?
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Carlos Monteiro – Vamos ter dois momentos protocolares que são as Cerimónias de Entrega de Prémios. Em Leiria teremos a Entrega de Prémios referentes às provas de Distância Média e de Sprint, nas quais estarão presentes algumas entidades e talvez nos apareça ali também o Rei D. Dinis e a Rainha Santa Isabel. Estamos a ver as coisas nessa perspectiva, procurando ser um bocadinho diferentes e talvez consigamos convencer o D. Dinis a estar entre nós para a entrega de prémios. Para domingo, temos a Cerimónia no Pedrógão para podermos fechar o evento com a presença de algumas entidades que nos são queridas. A sobrecarga do programa, com a realização da Assembleia-Geral da Federação Portuguesa de Orientação na noite de sábado, acabou por nos condicionar e não avançaremos com mais nenhuma actividade de cariz social. A Assembleia-Geral é um momento relevante para a modalidade e destinaremos o serão de sábado precisamente para isso. Aproveito para fazer um apelo a todas as pessoas que estão mandatadas para tomar assento e votar na Assembleia-Geral no sentido de estarem efectivamente presentes. É um momento bastante importante da nossa modalidade e seria fundamental uma participação maciça de todos os delegados, não apenas para discutirem e votarem os Planos de Actividades e Orçamento para 2011 e as propostas de alteração aos Estatutos e Regulamentos, bem como para procederem à Eleição daquilo que se sabe ser a única lista candidata aos Órgãos da Federação para o Biénio 2011-2012.
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Orientovar – A terminar, pedia-lhe um desejo para este evento.
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Carlos Monteiro – A nossa vontade é que o evento seja do agrado geral de todos aqueles que nos dão o voto de confiança de estarem presentes em mais uma organização do Clube de Orientação do Centro. Espero que consigamos elevar a nossa Cidade, a nossa Região, a nossa modalidade, a nossa Federação e o nosso País e mostrar aquilo que somos capazes aos visitantes de oito nacionalidades diferentes. Uma última palavra para o número bastante significativo de pessoas que, ao longo dos últimos dois anos, trabalhou no sentido de tornar o evento uma realidade, e para os cerca de 65 elementos que, no próximo fim-de-semana vão sacrificar o seu tempo e estar no terreno. Que possam sair orgulhosos pelo prazer de terem proporcionar um bom evento a todos os presentes.
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Consulte toda a informação sobre o evento em http://www.coc.pt/eventos/25set2010/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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