quinta-feira, 30 de setembro de 2010

PELO BURACO DA FECHADURA: I CORUCHE ORIENTEERING TROPHY

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A temporada 2009/2010 da Taça de Portugal de Orientação Pedestre abeira-se do seu final e já uma nova época se perfila no horizonte. A 100 dias do evento, partimos hoje ao encontro do I Coruche Orienteering Trophy, a prova que abrirá a próxima temporada. Com a preciosa ajuda de Hugo Borda d’Água, espreitamos pelo buraco da fechadura um evento, um clube, uma região.


Orientovar – A 100 dias do I Coruche Orienteering Trophy, qual o ponto da situação relativamente ao evento?

Hugo Borda d’Água – Neste momento, aquilo que constitui a base das provas, que são os mapas, estão concluídos e acabam de ser publicados na página da prova os respectivos excertos. Por outro lado, os percursos estão igualmente a ser delineados e as coisas estão a avançar a um bom ritmo. Outro aspecto onde estamos a trabalhar prende-se com o encontrar de parcerias com Órgãos de Comunicação Locais, Regionais e Nacionais, bem como com Embaixadores, que nos permitam promover e divulgar adequadamente o evento.

Orientovar – Quais as dificuldades sentidas até ao momento?

Hugo Borda d’Água - Obviamente que estamos a sentir os efeitos da crise económica que atravessamos, o que nos tem obrigado a alguns esforços suplementares. Começamos a sentir os cortes dos organismos públicos no apoio a eventos e ao associativismo em geral. Dentro de dois anos este aspecto será, certamente, muito mais complicado, mas actualmente já se vai sentindo e a forma de contornar esse problema reside em encontrarmos parcerias com os privados, de forma a não sermos obrigados a cortar em nada e a mantermos o Programa de acordo com o inicialmente previsto. O nosso objectivo é podermos oferecer às pessoas tudo aquilo que está pensado.


"O desafio deste nosso relevo em Coruche"

Orientovar – Este I Coruche Orienteering Trophy vai oferecer dois mapas novos, em freguesias do concelho de Coruche onde a Orientação é uma novidade. Quer falar-nos desses mapas?

Hugo Borda d’Água – São mapas em terrenos bastante distintos e que irão surpreender os participantes. São mapas desafiantes, sobretudo pelas características do relevo. Não temos as pedras do Alentejo, por exemplo, nem temos o micro-relevo das zonas mais litorais, mas estamos no meio-termo. É isso que as pessoas podem esperar, o desafio deste nosso relevo em Coruche e que muitas delas já conhecem. Outro aspecto que irá deixar as pessoas surpreendidas e muito agradadas tem a ver com as Arenas, principalmente no último dia, numa clareira no interior duma floresta muito apelativa.

Orientovar – Não teme que as baixas temperaturas do “pino” do Inverno possam afastar os participantes, mesmo tratando-se da abertura da Taça de Portugal 2011?

Hugo Borda d’Água – Esse pode ser um factor que desmotive algumas pessoas, sobretudo no caso das condições meteorológicas se revelarem adversas. Mas penso que quem gosta realmente da Orientação não será por aí que deixará de vir. Neste momento, o índice de participações em provas da Taça de Portugal estabilizou em torno dos 500 a 550 atletas e esse número, sinceramente, preocupa-me mais do que as condições atmosféricas. É um número baixo e que demonstra a nossa incapacidade em captarmos mais pessoas para a modalidade e em fazê-la crescer.


"Este é o maior desafio organizativo dos últimos dois anos"

Orientovar – Já teve contactos de estrangeiros que tivessem manifestado a intenção de vir a Coruche no início do próximo ano?

Hugo Borda d’Água – Apenas de espanhóis. Ainda agora em Leiria, no decurso da Taça dos Países Latinos, um espanhol me dizia que ficou tão agradado com a prova de Arraiolos no primeiro fim-de-semana deste ano que quer repetir a experiência em 2011 e virá certamente a Coruche.

Orientovar – Para um Programa extraordinariamente ambicioso – Orientação para as Escolas, Model Event, provas de Distância Média e de Distância Longa, Sprint Nocturno, para além do programa social – com que meios humanos contam, sabendo nós que o COAC é um clube com limitações neste campo?

Hugo Borda d’Água – Este é o maior desafio organizativo dos últimos dois anos que levamos nestas andanças. E não se trata apenas do culminar dum conjunto de processos organizativos, mas também de potenciar as qualidades duma região que tem reconhecido e apoiado a modalidade. Isto é o mínimo que poderíamos fazer pela nossa terra. Tomando como exemplo o Sprint Urbano, seria uma indelicadeza da nossa parte se não o fizéssemos no coração de Coruche, levando os atletas a percorrer empenhadamente algumas das suas ruas e praças e, dessa forma, a corresponderem ao apoio da autarquia. Em termos de meios humanos, temos 40 a 50 pessoas fortemente envolvidas na Organização, entre atletas do Clube e familiares. Todos têm as tarefas devidamente atribuídas e sobretudo os mais jovens sabem muito bem aquilo que deles se espera. Faltará afinar um ou outro pormenor e acredito que, com mais um pequeno número de ajudas externas, seremos capazes de levar a nau a bom porto.


"Uma forma de divulgar a própria modalidade"

Orientovar – Falou nos jovens…

Hugo Borda d’Água – Acima de tudo, este I Coruche Orienteering Trophy é um prémio para eles. O desafio é maior, vão ser postos à prova e terão agora uma oportunidade soberana de aplicar todo o conhecimento que têm assimilado ao longo destes dois anos.

Orientovar – Foi difícil convencer Carlos Alberto Moniz e José Peseiro a assumirem o papel de Embaixadores do evento?

Hugo Borda d’Água – Não foi difícil. Foram pessoas que aceitaram rapidamente o desafio que lhes foi lançado e demonstraram desde logo um enorme prazer em juntar o seu nome ao evento. A ideia do Carlos Alberto Moniz surgiu quando, há uns meses atrás, ele esteve presente em Coruche numa acção de promoção de uma Escola que foi transformada em Museu. Por ser uma pessoa popular e conhecida do grande público e por ter já essa relação com Coruche, procurámos saber de que forma estaria disponível para apadrinhar o evento e ele foi bastante prestável na forma como aceitou o convite. Quanto ao José Peseiro, é uma pessoa igualmente conhecida do grande público, é natural de Coruche, trabalha muito em prol da sua terra e está sempre disponível para participar em tudo o que concorra para promover Coruche. A presença destas duas pessoas acaba por, esperamos nós, não apenas dar um contributo para a divulgação do evento, mas é também uma forma de divulgar a própria modalidade junto de duas pessoas que, presumo eu, não estarão por dentro do panorama actual da Orientação nacional.


"A Orientação começa a ser entendida como uma mais-valia"

Orientovar – Têm já algum indicativo do interesse que o evento possa suscitar junto da população de Coruche ou é ainda muito cedo para fazer esse tipo de avaliação?

Hugo Borda d’Água – Tem sido muito curioso verificar o interesse que as pessoas colocam em torno do evento e a forma como Coruche começa a lidar com a Orientação. Nós temos cerca de nove quilómetros de mapas, em locais que nunca tinham contactado com a Orientação. É interessante ver como as pessoas encaram agora a Orientação e comparar com o que acontecia há três ou quatro anos atrás, quando trouxemos a modalidade para Coruche. Agora nota-se curiosidade, encara-se a modalidade com interesse, sem desconfianças, quase como de um jogo de futebol ou de uma prova de BTT se tratasse. Esta é uma forma interessante de aferir a evolução da modalidade em Coruche e revela que as pessoas, com o passar do tempo, acabam por assimilar o que é a Orientação. Outro aspecto bastante interessante prende-se com os proprietários que tomaram conhecimento do evento, compreenderam a sua dimensão e o impacto que poderia ter para a região e não levantaram qualquer tipo de obstáculo. Por último, há cerca de três semanas, fui contactado por uma Associação de Coruche que trabalha com pessoas com deficiência, no sentido de realizarmos uma prova de Orientação, no dia 3 de Dezembro [Dia Internacional da Pessoa com Deficiência], para várias Associações do Distrito de Santarém. Mas além disso mostraram-se também muito interessados em juntar um grupo que pudesse participar nas provas em Janeiro. Esta é mais um exemplo que demonstra que, com o passar do tempo, a Orientação começa a ser entendida como uma mais-valia para essas pessoas.

Orientovar - Os próximos 100 dias reservam-lhe ainda muitas dores de cabeça?

Hugo Borda d’Água - Neste momento, a quase totalidade dos aspectos organizativos que deveriam estar tratados a 100 dias do evento estão devidamente assegurados, o que evita possíveis "dores de cabeça". Naturalmente, o aproximar do evento irá trazer o aparecimento de imprevistos, para os quais a equipa organizativa está preparada. A ausência de condições meteorológicas adversas antes e durante a prova, assim como uma maior adesão dos praticantes de Orientação às provas da Taça de Portugal na ronda inaugural de 2011, permitirão chegar ao número que internamente temos como objectivo, embora estes sejam factores que não dependem apenas de nós. Por último, "Coruche Inspira" tem sido a designação de uma campanha de promoção do concelho e é isso que esperamos. Que Coruche, os mapas, os percursos, as paisagens, os monumentos, a cultura e tudo o mais inspirem a vinda à Capital do Sorraia nos dias 8 e 9 de Janeiro de 2011.


Toda a informação em http://www.coaclub.com/cot11.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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