terça-feira, 28 de setembro de 2010

JOSÉ ANGEL NIETO POBLETE: "EM PORTUGAL, SINTO-ME EM CASA!"

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Técnico Nacional de Espanha, José Angel Nieto Poblete é, desde 2005, o Secretário-Geral da Taça dos Países Latinos. Foi nessa condição que o Orientovar falou com ele, numa conversa muito cordial, marcada pelo entusiasmo no tocante à organização portuguesa e pela esperança num futuro melhor para a Orientação em geral.


Orientovar – Seis anos depois, Portugal volta a receber a Taça dos Países Latinos. O que representa para si este regresso a Portugal?

José Angel Nieto Poblete – Eu diria que Portugal tem, para mim, uma história que não se resume a estes últimos seis anos. Já em 1998, na 4ª edição da Taça dos Países Latinos, estive em Portugal como Técnico Nacional de Espanha. E tanto nessa altura como noutras, dirigindo, orientando, supervisionando ou competindo, foi sempre um prazer vir aqui porque em Portugal encontro-me como se estivesse em casa. Tenho muitos amigos em Portugal, sempre me trataram bem e isto tem concorrido para uma excelente relação entre os nossos dois países. Temos a Taça dos Países Latinos, temos o Campeonato Ibérico, temos essa colaboração de provas pontuáveis para a Liga Espanhola e para a Taça de Portugal nas várias disciplinas da Orientação e temos um relacionamento que vai crescendo a cada ano que passa. Sinto-me orgulhoso por dar o meu contributo para que essa boa relação prossiga.

Orientovar – Como é que tem acompanhado a evolução da Taça dos Países Latinos?

José Angel Nieto Poblete – Esta é a Taça dos Países Latinos e, como o nome indica, os países são de origem latina. Neste número estão incluídos praticamente todos os países da América Latina e outros tantos países europeus de origem latina, nomeadamente a Bélgica e a Suiça, esta última que integrámos há dois anos. Neste esforço de abertura, estendemos a integração também a Moçambique, por força da sua ligação a Portugal e pelo trabalho realizado por José Samper, actual Director Técnico da Federação Espanhola de Orientação e que ajudou a fundar a Federação Moçambicana de Orientação. Ao longo desta evolução, constata-se que é importantíssimo que consigamos potenciar a integração dos Países da América Latina, pois considero que é aí que está o futuro desta competição. Até ao momento temos estado muito concentrados na Europa e as provas foram-se desenrolando sempre na Europa. Quando, em 2005, assumi o cargo de Secretário-Geral da Taça dos Países Latinos, o meu projecto foi no sentido de levar a que os países europeus colaborassem na evolução e crescimento da Orientação nos países latino-americanos. Essa colaboração implicaria, naturalmente, a “deslocalização” da competição para o Continente Americano. No ano de 2006, na Bélgica, consegui ver aprovada a realização no Brasil da 14ª edição da Taça dos Países Latinos e, com efeito, no ano passado, a competição saiu da Europa pela primeira vez. Foram três anos de trabalho intenso que culminaram numa edição plena de sucesso e graças à qual, na reunião deste ano aqui em Portugal, teremos em 2013 a realização da Taça dos Países Latinos de novo na América do Sul, mais concretamente no Uruguai. Isto poderá significar que mais países – Uruguai, Argentina, Chile, Brasil, Venezuela, Colômbia – participem. Só assim poderemos ver esta competição continuar a crescer.


"Não podemos baixar os braços"

Orientovar – Apesar do número vasto de países que mencionou, a verdade é que foram apenas quatro os países que se deslocaram este ano a Portugal para competir. Decepcionado com as ausências, nomeadamente da França e do Brasil?

José Angel Nieto Poblete – Decepcionado? Evidentemente que sim, sobretudo depois do termos tido em competição um número importante de países na edição anterior e também há cinco anos atrás. Evidentemente, aspiramos sempre a mais, mas temos de levar em conta a situação de crise à escala mundial que atravessamos neste momento. Ainda há três meses atrás, no decurso do Campeonato da Europa de Jovens, estive em conversações com a delegação francesa e a sua ideia era a de participar. O que se passou entretanto, não sei. É verdade que esta Taça dos Países Latinos coincide praticamente com uma série de competições importantes a nível mundial, nas quais estão envolvidos os melhores atletas e os técnicos franceses. Quanto à Bélgica, não está presente tendo argumentado com algumas justificações que não vou revelar mas que, apesar de respeitar, não posso considerá-las muito válidas. Por outro lado o Brasil - que era suposto vir a Portugal com dois atletas - deveria ter estado aqui, não apenas pelo facto de ter organizado e vencido(!) no ano passado a Taça dos Países Latinos, mas também pela sua origem e forte ligação a Portugal. Mas não podemos baixar os braços, muito pelo contrário. Temos de continuar a trabalhar e a apoiar aqueles que querem evoluir, como disso é exemplo o Uruguai, que está demonstrando um grande empenho.

Orientovar – Daquilo que viu nesta 15ª edição da Taça dos Países Latinos, que considerações tece à Organização portuguesa?

José Angel Nieto Poblete – Já o disse e repito: Em Portugal, sinto-me em casa! E além do mais, sempre aprendendo. Como se costuma dizer, os portugueses “põem a carne toda no assador” no sentido de satisfazer aqueles que os visitam. Em Portugal existe uma capacidade organizativa muito grande e isso é manifesto. O trabalho organizativo é muito protocolar, o que significa uma grande preocupação com os participantes e com tudo o que os rodeia. Têm uma enorme atenção a todos os detalhes. Como digo, estou muito satisfeito. Como sempre tenho estado.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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1 comentário:

José disse...

Uma excelente organização com a marca do COC, merecia uma participação mais digna na TPLatinos.

Esta competição entre os latinos europeus está moribunda, já teve melhores dias... não me parece que os latinos sul americanos a venham salvar, pese a boa vontade do presidente José Poblete.

Esta competição sem a presença da França e da Itália em pleno, já para não falar da Suiça e da Bélgica temos que considera-la um fracasso.

Convém não embandeirar em arco com a vitória Portuguesa nesta competição, sem querer tirar o mérito aos nossos atletas que, aliás, estiveram muito bem, mas com a participação dos países faltosos não passariamos dum 3º ou 4º lugar. Ainda assim, esta seria a nossa melhor classificação de sempre, se não estou em erro.

Valeu o duelo Ibérico que continua vivo, embora os Espanhois não se tivessem apresentado na máxima força nos escalões de elite.
No C.Ibérico a vitória Portuguesa não merece contestação.