sábado, 25 de setembro de 2010

CLUBE DE MONTANHISMO DA GUARDA: "QUEREMOS LEVAR A ORIENTAÇÃO MAIS A SÉRIO"

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Ao longo de quase três décadas de existência, o Clube de Montanhismo da Guarda tem sabido afirmar-se como um dos grandes pólos de desenvolvimento do Montanhismo e das práticas a ele ligadas no nosso País. O Pedestrianismo, a Corrida de Montanha, a BTT, a Canoagem ou a Escalada são apenas algumas das modalidades desenvolvidas regularmente pelo Clube. Numa altura em que a colectividade se estreia nas lides da Orientação Pedestre – Troféu de Orientação de Manteigas -, o Orientovar regista com emoção o singular momento e traz a estas páginas as impressões de Paulo Coelho, um dos elementos mais dinâmicos do Clube de Montanhismo da Guarda.


Orientovar – É para mim uma novidade ver um atleta do Clube de Montanhismo da Guarda numa prova de Orientação Pedestre. O que é que o trouxe a Manteigas?

Paulo Coelho – Embora seja a disciplina da Orientação por excelência – a Pedestre é aquilo que eu gosto de designar por “Orientação pura e dura” – a verdade é que nos quatro anos que levo de atleta federado apenas tenho feito Orientação em BTT e as coisas até têm corrido bastante bem. Embora no Clube já tenhamos feito algumas acções de Iniciação à modalidade com base na disciplina Pedestre, o nosso suporte é sempre a Carta Militar, o que não tem nada a haver com estes mapas que encontramos numa prova deste género. Também a forma de nos orientarmos é bastante diferente. É um pouco por tudo isto que desta vez decidi experimentar a Pedestre.

Orientovar – O que achou da experiência?

Paulo Coelho – Tenho a noção que estamos aqui a competir com alguns dos melhores atletas do país. São atletas com muita experiência e isso notou-se muito nesta minha estreia onde as coisas correram bem e… não correram bem (risos). Correram bem pela experiência adquirida porque acho que foi muito positiva. Mas a verdade é que notei uma tremenda diferença em relação à concorrência.


“Temos de assumir a nossa experiência”

Orientovar – Talvez fruto da interioridade que ainda está bem patente, há uma clara falta de promoção e divulgação da modalidade em toda esta vasta região e que se traduz na ausência de provas. Sente isso?

Paulo Coelho – É verdade que sentimos. Não é nada que não tenha passado já pela cabeça dos responsáveis do Clube de Montanhismo da Guarda tudo fazermos para alterar esta situação. Queremos levar a Orientação mais a sério e tentar reunir uma equipa para começarmos a trabalhar no sentido de nos candidatarmos a uma prova do Regional. Mas o que tenho percebido é que isto requer, acima de tudo, muito trabalho. Não é questão da falta de apoios que nos preocupa, mas o ‘know how’ para levar por diante estas coisas com a devida seriedade. Apesar de a Orientação estar hoje demasiado concentrada no Litoral, julgo que o Clube de Montanhismo da Guarda já esteve mais longe de abraçar a modalidade de corpo e alma.

Orientovar – Pode-se concluir então que a sua vinda aqui encerrou aquilo que eu designaria por “missão de prospecção”…

Paulo Coelho – Foi um bocadinho isso, sem dúvida. Esta prova em Manteigas já foi, por assim dizer, entrar no nosso território, entre aspas, e acho que foi o empurrão que precisávamos para dizermos a nós próprios que temos de assumir a nossa experiência e pôr em prática os conhecimentos excelentes que temos de toda esta zona, muito por força das actividades que vamos desenvolvendo nas vertentes da BTT e do Pedestrianismo.


“Qualquer cidade pode adequar-se perfeitamente a um Sprint urbano”

Orientovar – Acha que a cidade da Guarda, por exemplo, reúne condições para um Sprint urbano como este aqui de Manteigas, por exemplo?

Paulo Coelho – Na Guarda o que mais há é ruas e jardins e o Centro Histórico parece-me particularmente propício para levar a cabo uma prova deste género. Penso que qualquer cidade pode adequar-se perfeitamente a um Sprint urbano. Devemos, aliás, explorar essa vertente, até pela proximidade com as populações que este tipo de provas proporciona. Nesse aspecto, o Clube de Montanhismo da Guarda pode estar até em vantagem na questão do conhecimento do terreno para levar por diante uma prova de Orientação, seja de Sprint ou outra distância, nas vertentes Pedestre ou em BTT. É fundamental, isso sim, que os responsáveis pela Cartografia e pelo Traçado dos Percursos tenham uma especial atenção para com as potencialidades do terreno e saibam tirar disso o devido proveito.

Orientovar – Veio até Manteigas e não veio sozinho…

Paulo Coelho – Tenho pena de não ter conseguido captar mais entusiastas, mas de qualquer forma trouxe dois colegas do Clube, o Henrique e o Manuel, que fizeram um percurso de OPT e gostaram muito. Na próxima semana, em Vila Nova de Poiares, vamos ter uma prova da Taça de Portugal de Orientação em BTT e o Manuel também vai experimentar pela primeira vez o OPT. Esperamos que seja também uma boa experiência.


“A Orientação está na base do Montanhismo”

Orientovar – Em traços gerais, a vossa ideia consiste em alargar a base de apoio para começar a constituir a tal equipa, certo?

Paulo Coelho – Correcto. A temporada está a chegar ao final e agora não vale a pena avançar, mas a nossa intenção é federar no próximo ano um número o mais elevado possível de sócios do Clube de Montanhismo da Guarda e esperamos ser presença assídua nas provas de Orientação Pedestre e em BTT. Vamos procurar juntar o útil ao agradável, não esquecendo as actividades que nos deram origem, casos do Alpinismo e das actividades com base no Montanhismo, mas apostar também na Orientação. Aquilo que está a despertar verdadeiramente interesse é podermos fazer algo, mas no terreno. É colocarmo-nos no papel do dinamizador e do organizador, mais até do que no de praticante.

Orientovar – Aliás, faz sentido um clube devotado ao Montanhismo ter também uma secção de Orientação…

Paulo Coelho – Com certeza que sim. A Orientação está na base do Montanhismo. Eu não concebo que um verdadeiro alpinista não tenha umas noções de Orientação para se poder desenrascar com um mapa e com uma bússola. Faz todo o sentido que o Clube de Montanhismo da Guarda tenha uma equipa mais numerosa e mais coesa a dedicar-se à modalidade e a participar em provas. Essa é a nossa aposta.


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Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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