domingo, 19 de setembro de 2010

ALEXANDRE GUEDES DA SILVA: "NÓS SEREMOS O DESPORTO DO SÉCULO XXI"

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O Orientovar dá por concluída a Grande Entrevista com Alexandre Guedes da Silva, candidato à Presidência da Direcção da FPO para aquilo que falta de mandato no Quadriénio 2008/2010. Nesta segunda parte, Alexandre Guedes da Silva responde a algumas questões de ordem mais prática, terminando com uma certeza: “Nós seremos o desporto do Século XXI!”


Orientovar - De que forma pretende unir em torno de si os esforços e vontades duma família orientista desavinda?

Alexandre Guedes da Silva – Com um projecto que seja credível. Com propostas que consigam mostrar às pessoas aquilo que são os grandes objectivos da Orientação para a próxima década, propostas essas que sejam claras na definição daquilo que são as metas intermédias e quais as acções a desenvolver para atingir essas metas. Penso que é isso que pode dar confiança às pessoas, que pode dar ânimo às pessoas e que, sobretudo, pode unir a família orientista em torno do projecto. Temos que pôr as pessoas a discutir ideias e a experimentar soluções e temos de ser capazes de identificar as oportunidades e a essas criar as condições necessárias para que se desenvolvam. De pequenas discussões entre dois ou três amigos sai uma ideia brilhante que pode permitir mudar a Orientação cinco anos depois. É este tipo de interacção que temos de estimular. Levantando um pouco a ponta do véu sobre aquilo que vai ser o nosso programa posso adiantar-lhe que uma das responsabilidades que esta Direcção vai assumir claramente chama-se “Inovação e Desenvolvimento” e que é algo que nunca foi feito no passado. Vamos ter um Director da FPO que terá o pelouro da Inovação e Desenvolvimento e que é a pessoa mais graduada em termos académicos para o fazer. Pela primeira vez, a Orientação vai ter alguém com competência reconhecida, alguém que pode dar a credibilidade necessária aos nossos projectos para que a Orientação possa desenvolver ideias de aplicação prática, sustentadas na ciência e no “know how” que nós lhe podemos acrescentar.

Orientovar - Percebe-se que a modalidade há muito perdeu a sua inocência e nos últimos tempos as atenções têm sido dominadas por episódios motivados por interesses clubísticos perfeitamente ridículos face à dimensão da própria modalidade. Longe de ser consensual, como é que a sua candidatura avalia a situação e se propõe sanar os conflitos?

Alexandre Guedes da Silva – A questão aqui prende-se com o seguinte: É óbvio que tem que haver competição. A competição na Orientação é desenvolvida a vários níveis – ao nível individual, ao nível clubístico – e é salutar que assim aconteça. O que temos de perceber, e não apenas na Orientação mas em todos os desportos, é que toda a disputa tem de ter “fair-play”. O “fair-play” vai ser a linha que delimita aquilo que é aceitável ou inaceitável em termos de comportamentos. O compromisso desta direcção é criar condições para que os regulamentos sejam o mais eficazes e claros possível, para que o “fair play” seja um bem acarinhado por todos. A partir desse momento deixa de haver episódios, deixa de haver conflitos, deixa de haver o lado negativo da chamada “disputa clubística” e que muitas vezes gira em torno de situações mal explicadas ou mal avaliadas, de situações em que os próprios regulamentos estimulam os disparates. Uma das nossas primeiríssimas acções irá ser o criar de condições para que a regulamentação da FPO tenha como principal baliza o “fair play”.


“Eu serei o Presidente do Trail-O”

Orientovar – Uma vez que falou nos regulamentos, parece-lhe oportuno que o novo Regulamento de Competições vá ser levado à votação para aprovação poucos minutos antes de ser conhecido o Presidente da FPO para o que falta de mandato no quadriénio 2008-2012?

Alexandre Guedes da Silva – A resposta é simples. O Regulamento de Competições não será sequer discutido na Assembleia-Geral porque a discussão e aprovação do Regulamento de Competições não faz parte das competências da Assembleia-Geral, antes é uma competência da Direcção. A peça documental produzida por esta Direcção será o nosso ponto de partida para desenvolver uma peça que esperamos eficaz, limpa de erros, clara para toda a gente e que motive de facto a competição na Orientação. Ou seja, por questões institucionais, esse ponto é um erro de Convocatória e não poderá ser discutido na Assembleia-Geral.

Orientovar – Tem sido um “porta-estandarte” das Corridas de Aventura em Portugal. Consigo na Presidência da Direcção da FPO em que patamar colocaria a "menina dos seus olhos" face à Orientação Pedestre e à Orientação em BTT?

Alexandre Guedes da Silva – Não sei se isto responderá à sua questão mas eu serei seguramente o presidente do Trail-O. Isto quer dizer o seguinte: Normalmente eu luto pelos mais fracos, é uma característica inata à minha pessoa. Nós temos quatro disciplinas e uma delas é claramente muito fraca. Portanto, eu serei o Presidente do Trail-O.


“Sou muito institucional e sou muito legalista”

Orientovar - Como avalia o trabalho da Direcção Técnica Nacional? Consigo na Presidência vamos continuar a ter um DTN?

Alexandre Guedes da Silva – Sou muito institucional e sou muito legalista. Os nossos Estatutos prevêem a figura do Director Técnico Nacional e, se o prevêem, nós temos, enquanto Direcção, de pugnar para que isso aconteça. É esse o nosso desígnio. Tudo faremos para que a Orientação consiga cumprir aquilo que são os seus objectivos, os seus Estatutos. Iremos, dentro daquilo que for possível, criar condições para que os cargos previstos nos Estatutos sejam cabalmente desempenhados, tenham condições para o seu desempenho, sejam devidamente acarinhados pela Direcção da FPO e que haja respeito pelas competências dos órgãos. Aquilo que de certeza absoluta não irá acontecer é a Direcção tomar decisões sobre competências de outros órgãos. E também não irá acontecer os outros órgãos tomarem decisões sobre aquilo que são competências da Direcção. Terá de haver, portanto, um claro respeito institucional por aquilo que são os estatutos da modalidade e as leis do país. Iremos pautar a nossa actuação pelo respeito simbólico por todos esses regulamentos, senão não valia a pena tê-los feito.

Orientovar – Mas isso só responde à segunda parte da questão. No tocante ao desempenho do Director Técnico Nacional, que avaliação faz?

Alexandre Guedes da Silva – Não tenho informação suficiente para poder fazer essa avaliação. Já auscultei o DTN em conversa que solicitei, fiquei com uma ideia do trabalho que foi desenvolvido, fiquei com uma ideia do apoio que lhe foi dado para o desenvolvimento desse trabalho mas não possuo nenhum relatório que me consiga dizer quais eram os objectivos à partida e o que se conseguiu realizar à chegada. Só depois disso é que é possível fazer a avaliação do trabalho. Fiquei, contudo, com a ideia de que houve uma enorme falta de acompanhamento da actividade da Direcção Técnica Nacional por parte da Direcção da Federação. Isso é mau e isso é algo que não irá acontecer com esta Direcção.


“Vamos ter uma Comunicação inteligente”

Orientovar - Uma Direcção liderada por si continuará a apostar nas Selecções Nacionais?

Alexandre Guedes da Silva – Um dos objectivos das políticas desportivas deste país consiste na representação nacional por atletas nacionais. A Federação Portuguesa de Orientação, aquilo que tem de fazer é alinhar-se com essas políticas públicas, fazendo propostas aos programas de financiamento que já existem no Instituto do Desporto de Portugal para o desenvolvimento da alta competição das Selecções Nacionais. Ou seja, aquilo que nos propomos fazer é normalizar esse funcionamento. Não se trata, pois, de continuarmos a apostar, nós vamos é normalizar. Ou seja, vão existir selecções de Orientação na Pedestre, na BTT, nas Corridas de Aventura e no Trail-O. Ponto final.

Orientovar - O sector da Comunicação e Imagem é algo ao qual é particularmente sensível e tem sido bastante crítico acerca da forma como tem sido tratado nos últimos tempos. Que Comunicação e Imagem vamos ter consigo na Presidência?

Alexandre Guedes da Silva – Vamos ter uma Comunicação inteligente. Nos dias de hoje uma Comunicação inteligente é uma Comunicação segmentada e dirigida àquilo que são os nossos públicos-alvo. Isto quer dizer que vai ser feito um esforço grande para percepcionar aquilo que são as nossas audiências e aquilo que são as audiências onde queremos chegar. Com base nisso será segmentada uma oferta de Comunicação que consiga suprir os objectivos pretendidos. Isto quer dizer uma coisa muito importante. Temos de saber quem tem interesses reais em noticiário de Orientação, temos que saber quem é que tem interesses reais em entretenimento de Orientação, temos de saber quem tem interesses reais em ficção de Orientação, ou seja, de episódios novelescos, de episódios que disputem traições e paixões. Identificados esses públicos temos de actuar dentro dos meios que temos e com a capacidade de produção de conteúdos que temos à nossa disposição. Os blogues são excepcionais para um determinado tipo de Comunicação, o Facebook é particularmente versátil num outro tipo, a Televisão a seu modo é igualmente fundamental, a Rádio, apesar de ser geralmente desprezada é fantástica. Temos de olhar para todos estes meios e perceber onde é que vamos comunicar e o quê. Há uma peça central de Comunicação e essa tem de ser realmente alterada, que é o “site” da FPO. Esse tem de ser completamente renovado, tem de ser devidamente objectivado e têm de ser criadas oportunidades de informação e de oferta que vá ao encontro daqueles que nos procuram. Há uma outra questão que tem a ver com aquilo que se fornece aos “media” e isso tem que ser preparado por profissionais. As fotografias, as peças noticiosas, as peças vídeo têm de ter qualidade de publicação, caso contrário não vão passar. Aquilo que for disponibilizado aos “media” tem que ser objectivado de maneira a que tenha a qualidade necessária para passar. Qualidade significa custo, ou seja, tem de haver um balanço muito eficaz entre aquilo que é o custo, aquilo que é o retorno e aquilo que são as nossas oportunidades de angariar receita para financiar esse custo. Também os dirigentes, os atletas, os organizadores que falam para os meios, esses devem ter oportunidades de formação, ou seja, a Federação deve prever no seu plano de formação “media training” para todos os agentes da modalidade para que quando comunicam sejam eficazes, sejam claros e consigam, de facto, fazer passar a mensagem.


“Nós já temos 20.000 praticantes, só que nunca ninguém os contou”

Orientovar – Uma iniciativa como o Dia Nacional da Orientação será para manter?

Alexandre Guedes da Silva – Em todo o País!

Orientovar - Tem demonstrado um grande interesse no tema "novos praticantes". Acredita mesmo que em 2020 poderemos ter 20.200 praticantes de Orientação?

Alexandre Guedes da Silva – Vou contar-lhe um segredo. Nós já temos 20.000 praticantes, só que nunca ninguém os contou.

Orientovar - A sua candidatura é para levar até ao fim? Haveria alguma possibilidade de desistir para outra candidatura, caso encontrasse ali meios e pessoas que lhe merecessem o devido crédito?

Alexandre Guedes da Silva – Desde que as ideias fossem claras e as pessoas credíveis, se eu me revisse nessa candidatura, com certeza absoluta que esta cairia. Neste momento há uma outra questão que se prende com o facto da minha candidatura não ser uma candidatura isolada nem sozinha e portanto, hoje, isso já seria mais difícil. Hoje já existe uma equipa formada e que está empenhada em disputar eleições e já seria muito difícil voltar atrás. Assim, aquilo que eu posso dizer é que esta é uma candidatura para se apresentar a eleições, para ser sufragada e, caso vença, será para cumprir.

Orientovar - A uma semana das eleições, que apelo deixa à comunidade orientista?

Alexandre Guedes da Silva – A mensagem é muito simples: Nós seremos o desporto do Século XXI!

Chegada ao fim a Grande Entrevista, o Orientovar abre o seu espaço de Comentário às questões que os leitores entendam por bem colocar. Alexandre Guedes da Silva está inteiramente disponível para responder a todas elas, embora estabeleça uma condição: Fá-lo-á em bloco, não entrando portanto em diálogos desnecessários ou de ordem pessoal.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

2 comentários:

ILCO disse...

Pode ter-me passado despercebido mas nunca o vi nas provas de Orientação Pedestre e de nome só relacionado com Corridas de Aventura...

Almeida disse...

O Reg Competições poderá não ser discutido na AG mas só após a adequação do Artº 35º dos Estatutos da FPO à lei, trabalho que devia ter sido feiro em... Vinhais!
Abraço
AA