sábado, 24 de julho de 2010

O MEU MAPA: ISABEL E CARLOS MONTEIRO, QUIAIOS E LAGOA DAS BRAÇAS E O PORTUGAL O'MEETING 2010

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Quando surgiu o desafio do Joaquim Margarido para eleger ‘O Meu Mapa’ e contar um pouco a sua história, melhor dizendo, qual a razão ou o conjunto de razões que me levaram à escolha, dei comigo a pensar qual é o meu mapa e quais os critérios que me levaram a escolhê-lo.

Qual o mapa mais desafiante? Felizmente tenho encontrado vários, pelo que eliminei este critério e passei ao seguinte.

Qual o mapa onde fiz grandes ou muitas asneiras? Rapidamente eliminei este, pois são tantos os erros que também com este critério não seria fácil a eleição.

Mas afinal o que representa o mapa para além do terreno? E dei comigo a pensar que o mapa representa algo especial que precisamos para organizar uma prova, uma prova que nos satisfaça enquanto organizadores (somatório da satisfação dos participantes) e nos dê motivação para, depois da entrega de prémios e de uma noite bem dormida, nos pormos a pensar quando e onde será a próxima.

Decidi então que, em vez de eleger ‘O Meu Mapa’ enquanto participante, iria eleger ‘O Meu Mapa’ enquanto organizador de uma prova (leia-se - e bem! - co-organizador, integrado na minha grande equipa que é o COC).

Tenho o hábito, sempre que viajo para uma prova ou no seu regresso, seja em férias ou em viagem profissional, de ir olhando pela janela procurando zonas “perfeitas” para cartografar e logo ali vou idealizando a Arena, os Estacionamentos, a Acessibilidade rodoviária dos participantes e todos os outros pontos que, somados, resultam num grande Evento de Orientação.

Nos últimos tempos, e porque esse hábito se generalizou nas carrinhas do COC e é tema de conversa - até para tornar a viagem mais agradável -, vamos escolhendo e comentando “bela zona para uma Média…” ou “excelente zona para uma Longa”, quase em concurso e a ver quem descobre mais e melhores áreas para futuros mapas.

E para encontrar ‘O Meu Mapa’ - “Quiaios e Quiaios Lagoa das Braças” -, recuo a 2002 quando, um dia, o João Oliveira telefona e diz: “Encontrei uma excelente zona para cartografarmos. Visitem e validem”. E lá fomos, eu, a Isabel e o Rui Tenreiro. Confirmámos que a zona, hoje mapa do Ginásio, usado no último dia do POM 2010 Lagoa da Vela, era efectivamente interessante mas era demasiado pequena para o que pretendíamos. Estávamos ainda no início da utilização do Sport Ident que veio permitir que mapas de menor dimensão se adequem à realização de excelentes provas de Longa e Média.

Algo nos dizia que não devíamos desistir e que haveria por ali terreno de qualidade para cartografar e organizar eventos de excelência.

Depois de analisarmos imagens de satélite, decidimos voltar ao terreno, agora já munidos de carta militar. Desta feita comigo e com a Isabel foi o Rui Antunes.

Parámos o Jipe do Rui (por coincidência cinzento, da cor do COC…), junto ao velho e abandonado campo de futebol de Quiaios onde, em 2006, no Campeonato de Longa, fizemos o estacionamento. A pé e cheios de esperança fomos andando para norte e depois para nordeste e apenas encontrámos vegetação rasteira a dificultar a progressão. Cerca de um quilómetro depois passámos um aceiro e eis-nos numa zona completamente diferente, com interessantes detalhes de relevo, com uma ou duas curvas de nível, sem vegetação rasteira, pinheiros baixos a cortarem a visibilidade e um piso excelente, cheio de musgo a cobrir a areia.

Andámos para Este e a qualidade aumentava. Andámos para Oeste, mantinha-se a qualidade, diminuía a visibilidade, aumentava o relevo e já tínhamos colinas com duas e três curvas de nível. Passámos a estrada de alcatrão para Oeste e mantinha-se a qualidade num tipo de terreno completamente distinto do anterior.

Encontrámos, sem dúvida, uma área de grande qualidade. Estávamos entusiasmados e logo ali íamos pensando em candidaturas ao Campeonato Nacional de Longa e a um POM que queríamos um grande POM.

Como já estávamos muito cansados, voltámos ao Jipe para darmos uma volta maior e perceber o que iríamos cartografar. Fomos ainda interceptados por uma patrulha da DGRF que nos questionou sobre quem éramos e o que andávamos por ali a fazer. Feitas as explicações continuámos com a nossa pesquisa.

Depois da área definida, encomendámos o mapa base ao P-O-Derebrant e em 2005 o Rui iniciou a sua romaria diária para Quiaios, depois de ter acabado o mapa da Costa de Lavos e o mapa da Leirosa, este ultimo apenas estreado na primeira etapa do POM 2010.

O Rui ia-nos mantendo informados sobre o andamento dos trabalhos e a qualidade do terreno. Lembro-me que por vezes ele comentava: “Alguma zonas são de tal maneira técnicas que, depois de vir do campo e após o jantar, vou desenhar e, por vezes, não me consigo entender com o desenho manual e na manhã seguinte tenho de lá voltar para confirmar quase tudo.”

No final do Verão de 2005 - e após de cerca de três meses em Quiaios - o Rui entrega-nos 9 km2 de área cartografada e, desta feita, acompanhado pelo José Jordão, fui pela primeira vez para o terreno com o mapa na mão. Estava encantado com o terreno. Á medida que iamos navegando e deambulando pelo mapa, eu e o Jordão íamos idealizando pontos de controlo e comentando que estávamos perante um dos nossos melhores terrenos e que, para ombrear com esta qualidade do terreno, o Rui Antunes se havia esmerado e tinha feito o seu melhor trabalho de sempre. Na brincadeira e em tom de elogio questionávamos: “Quem foi o russo que tu contrataste para vir aqui a cartografar esta área?”

Iniciámos a preparação do Campeonato Nacional e quando o Rui esboçou os percursos sugeriu que apenas utilizássemos uma parte, guardando a zona Este para um dia especial.

Assim, elegemos Quiaios para, em 1 de Maio de 2006, ser estreado no Campeonato Nacional de Distancia Longa. Dada a importância da prova - e porque tínhamos tudo preparado em Março -, aproveitámos a presença da selecção francesa nos nossos Campos de Treinos e lá fomos uma manhã colocar o sistema SI e ver o Thierry Gueorgiou perder por dois segundos para um seu companheiro a quem oferecemos uma garrafa de vinho do Porto. Logo ali, e enquanto íamos bebendo um cálice de Porto, os atletas franceses fizeram grandes elogios ao terreno e ao mapa.


A zona Este, à qual chamamos Lagoa das Braças, ficou guardada e reservada para ser estreada num POM, promessa que honrámos e cumprimos com muito orgulho.

Assim ‘O Meu Mapa’, 9 km2 separados apenas pelos seus nomes, foi o eleito por ter proporcionado uma excelente jornada de Orientação para cerca de 1.900 atletas em representação de 30 Países, ajudando a dignificar Portugal e a Orientação Portuguesa nos dias 14 e 15 Fevereiro de 2010, dois dos dias mais felizes que vivi nas minhas lides organizativas, o POM 2010.

Um obrigado sincero a todos quantos tornaram possível que o sonho do POM 2010 se tornasse uma realidade de que muito nos orgulhamos.

Carlos e Isabel Monteiro
FPO 1931 e 1952
COC – Clube de Orientação do Centro

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1 comentário:

Élio disse...

Sem dúvida Carlos e Isabel que vos tenho de dar o meu voto de louvor desta semana, pelas vossas palavras aqui transcritas.
Abraços é Beijos para Vc e toda a Familia de casa e ORIENTAÇÃO