domingo, 11 de julho de 2010

MTBO WOC & JWOC 2010: TRIUNFO HISTÓRICO DE ANNA KAMINSKA

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Anna Kaminska. Ali, no lugar mais alto do pódio, ergueu os braços como se quisesse abraçar o Mundo e então sentiu – e nós com ela! – que o sonho se havia tornado realidade. Para além do facto de ter alcançado em Chaves o seu primeiro título mundial, oferecia ainda à Polónia a primeira medalha de sempre num Campeonato do Mundo de Seniores de Orientação em BTT. Uma medalha com um brilho especial, o brilho do ouro.


Quem se desse ao trabalho de analisar o ‘ranking’ mundial feminino de Orientação em BTT, facilmente constataria que as 20 primeiras classificadas estavam todas ali, no Estádio Municipal de Chaves, aguardando ansiosamente pela hora de medir forças. Os ponteiros do relógio marcavam as 9h00 quando a suiça Corinne Hess arrancou para a sua prova. A partir daí foi um autêntico desfilar de vedetas para uma prova de desfecho absolutamente imprevisível. A novidade dum Sprint exclusivamente urbano criava naturais expectativas nas participantes e, em certa medida, complicava as coisas no tocante às potenciais candidatas à vitória. Para as outras, pouco ou nada havia a perder. Tudo em aberto, pois, que “a procissão ainda agora ia no adro”.

Em absoluto, nunca se poderá dizer quando é que as coisas se começaram a definir. Certeza, certezinha é de que houve muito e boa gente que entrou mal no mapa e nunca se conseguiu adaptar a tamanha novidade. Estão neste caso Hana Bajtosova (Eslováquia) e Ksenia Chernykh (Rússia), as anteriores campeãs do mundo de Sprint, bem como as finlandesas Marika Hara ou Ingrid Stengard, candidatas indiscutíveis a um lugar no pódio. Figura maior da Orientação mundial e com cinco medalhas de ouro conquistadas em outras tantas edições do evento, a austríaca Michaela Gigon viu-se traída por um erro demasiado grave que acarretou a sua desqualificação e lhe roubou a possibilidade de acrescentar um título mundial de Sprint ao seu vasto currículo. Assim, duma assentada, o leque de favoritos via-se claramente reduzido, à medida que crescia a imprevisibilidade quanto ao vencedor.

Anna Kaminska, raça de campeã

Marika Hara até começou melhor, dominando a primeira metade duma prova de 7.000 metros (19 pontos de controlo, 150 metros de desnível) e lutando taco-a-taco com a austríaca Michaela Gigon, a suiça Christine Schaffner e a polaca Anna Kaminska. Nessa altura, a diferença entre as quatro cifrava-se em 13 segundos apenas. Depois a finlandesa baqueou, a austríaca errou e, a faltarem cinco pontos para controlar, a luta resumia-se à polaca e à suiça, separadas então por escassos quatro segundos. Num final impróprio para cardíacos, Kaminska soube mostrar de que massa se fazem os campeões. Não se deixando intimidar pelo nome da actual nº 2 do ‘ranking’ mundial, a atleta polaca acabou por vencer a sua prova com o tempo de 21.25 contra 21.27 da sua adversária. A 39 segundos da vencedora, na terceira posição, classificou-se a checa Martina Tichovska, repetindo o mesmo lugar de 2008, precisamente nesta mesma distância.

No quarto lugar, com o tempo de 22.31, classificou-se Gaëlle Barlet. Ocupando a 26ª posição do ‘ranking’ mundial, a atleta francesa conferiu uma nota de enorme surpresa, ela que até hoje, em quatro participações em Campeonatos do Mundo, tinha como melhor resultado um 32º lugar na prova de Distância Longa em 2009. Hana Bajtosova (Eslováquia), a bi-campeã mundial de Sprint, não foi além da quinta posição com um registo de 22.50, enquanto o sexto lugar viria a pertencer à dinamarquesa Rikke Kornvig. Tal como no sector masculino, Portugal viria também a ter aqui uma atleta sensação, com Susana Pontes a entrar no top-20, algo nunca alcançado por atletas portuguesas nas sete anteriores edições dos Campeonatos do Mundo (a nossa melhor classificação até então pertencia também à atleta, com um 30º lugar na prova de Sprint dos Mundiais da Polónia, em 2008). Susana Pontes alcançou um notável 18º lugar com o tempo de 24.29, algo que não estaria certamente nas previsões mais optimistas da própria atleta. Menos bem estiveram as suas colegas de selecção, Rita Madaleno e Maria Amador, respectivamente 33ª e 38ª classificadas, com registos de 27.09 e 28.17. Classificaram-se 48 das 53 atletas que alinharam à partida.

Resultados

1º Anna Kaminska (Polónia) 21.25
2º Christine Schaffner (suiça) 21.27
3º Martina Tichovska (República Checa) 22.04
4º Gaëlle Barlet (França) 22.31
5º Hana Bajtosova (Eslováquia) 22.50
6º Rikke Kornvig (Dinamarca) 22.56
7º Karolina Mickeviciute (Lituânia) 22.59
8º Anke Dannowski (Alemanha) 23.08
9º Ekaterina Kononova (Rússia) 23.09
10º Hana Dolezalova (República Checa) 23.23
11º Emily Benham (Grã-Bretanha) 23.27
11º Anna Telyakevych (Ucrânia) 23.27
13º Anna Füzy (Hungria) 23.49
14º Hana La Carbonara (República Checa) 24.00
15º Ursina Jäggi (Suiça) 24.03
16º Marika Hara (Finlândia) 24.11
17º Maja Rothweiler (Suiça) 24.26
18º Susana Pontes (Portugal) 24.29
19º Stanislava Fajtova (Eslováquia) 24.31
20º Madeleine Kammerer (França) 24.36

Curiosidades

Para concluir, duas ou três notas curiosas. A diferença de dois segundos entre Anna Kaminska e Christine Schaffner passa a constituir a vitória mais apertada em Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT, em termos absolutos (nas quatro vertentes e em ambos os sectores). A dinamarquesa Rikke Kornvig e a finlandesa Marika Hara foram as atletas com o maior número de melhores parciais alcançados, nada mais nada menos que seis cada. Michaela Gigon, uma das pouquíssimas totalistas em Campeonatos do Mundo, em 18 provas disputadas a título individual fez o primeiro “mp” da sua conta particular. Finalmente, nem só Anna Kaminska e Susana Pontes ofereceram aos seus países o melhor resultado de sempre em Campeonatos do Mundo. Particularmente na prova de Sprint, aconteceu o mesmo com a suiça Christine Schaffner (2ª classificada), a dinamarquesa Rikke Kornvig (6º lugar), a lituana Karolina Mickeviciute (7º lugar) e a ucraniana Anna Telyakevych (11º lugar). À semelhança da checa Martina Tichovska (3ª classificada), também a estoniana Maret Vaher (21º lugar) e a japonesa Sakiko Miyauchi (23º lugar) igualaram as melhores prestações anteriores, que curiosamente já lhes pertenciam.

Tudo para conferir em
http://mtbwoc2010.fpo.pt/.

[Foto extraída da Galeria do evento em
http://picasaweb.google.pt/107072310920480480597/SprintFinalFlowersCeremony#]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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