domingo, 18 de julho de 2010

MTBO WOC & JWOC 2010: TRIUNFO HISTÓRICO DA DINAMARCA NA ESTAFETA FEMININA

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A Dinamarca surgiu em Montalegre como uma das mais fortes candidatas às medalhas e acabou por ter um desempenho algo decepcionante ao longo dos Campeonatos. Redimiu-se da melhor forma na prova de encerramento, com a Estafeta feminina a deixar as Terras de Barroso de ouro ao peito.

Chamava-se Sidse Schjötz e foi uma verdadeira surpresa. Estávamos nos Mundiais de 2006, em Joensuu (Finlândia) e a Dinamarca fazia a sua estreia na Elite Feminina através desta solitária representante. Os resultados modestos alcançados nesses Mundiais não refrearam o entusiasmo dos responsáveis pela Orientação em BTT dinamarquesa e o reforço da equipa nos anos seguintes foi uma realidade. Quando, em 2008, Line Pedersen alcançou, com o terceiro lugar na prova de Distância Longa, a primeira medalha da Dinamarca em Campeonatos do Mundo e no que ao sector feminino diz respeito, foi com outros olhos que o conjunto escandinavo passou a ser encarado. Cinco Campeonatos volvidos sobre o ano de estreia, a Dinamarca chega finalmente ao ouro, agora por intermédio da Estafeta feminina. O mais belo resultado de todos quantos se podem alcançar, coroando um percurso ascensional de inegável valia e garantindo um título nestes Mundiais, ainda que abaixo das expectativas iniciais. Todavia, antes um que nenhum.

A história da prova é interessante de se contar, sobretudo porque teve uma protagonista inicial relativamente inesperada: a França. Com efeito, Gäelle Barlet – a quem coube, com a 4ª posição na prova de Sprint, o melhor resultado individual dos gauleses nestes Mundiais – teve um desempenho absolutamente notável, concluindo o primeiro percursa na liderança com uma vantagem de 3.47 (!) sobre a Finlândia e de 4.35 sobre a Dinamarca, respectivamente segunda e terceira classificadas. No segundo percurso, todavia, Valerie Bazaud não conseguiu estar à altura da sua colega de equipa e a França caiu para a sétima posição, lugar que manteria até ao final. Foi então a vez da Dinamarca pegar na liderança da prova, com Rikke Kornvig a ter de arcar com a responsabilidade de imortalizar o último percurso, fazendo dele o momento de “tudo ou nada”.

Rikke Kornvig, intratável

Rikke Kornvig arrancou para a decisiva etapa na liderança, já o dissemos, mas sem a mínima margem para erros. A lituana Ramune Arlauskiene, uma das veteranas destes Campeonatos, estava atrás de si apenas três segundos e a vantagem sobre a checa Martina Tichovska resumia-se a seis segundos. Um pouco mais atrás, mas ainda assim com uma diferença passível de ser recuperada, a russa Ksenia Chernykh fazia os possíveis e os impossíveis para anular os 1.25 que a separavam da cabeça da corrida, o mesmo acontecendo com Marika Hara, a finlandesa que se encontrava agora a 1.57 da liderança. Ou seja, das sete atletas que, nas três finais anteriormente disputadas, haviam merecido honras de subida ao pódio, quatro estavam aqui a lutar directamente entre si pela medalha de ouro – a excepção era mesmo a atleta da Lituânia -, algo que, afinal, nenhuma delas havia entretanto alcançado.

Ramune Arlauskiene não teve pedal para tanta corrida, Martina Tichovska deixou vir ao de cima a sua juventude e menor experiência e Ksenia Chernykh não esteve nos seus dias. Marika Hara fez uma prova brilhante, ganhou três lugares e garantiu uma muito saudada medalha de prata. Mas foi a dinamarquesa quem brilhou mais alto. Rikke Kornvig fez uma prova incrível, chamando a si o melhor parcial – à frente de nomes consagrados como os da suíça Christine Schaffner, da austríaca Michaela Gigon ou da eslovaca Hana Bajtosova – e transformou em realidade o mais belo dos sonhos. No final, vitória da Dinamarca com o tempo de 2.56.56, contra os 3.01.46 da Finlândia e os 3.01.58 da República Checa.

Portugal volta a fazer história

A grande decepção desta final dá pelo nome de Áustria. Surgindo aqui na defesa do seu título mundial, as austríacas tiveram de se socorrer da junior Sílvia Petritsch que, fruto da sua inexperiência, terá acusado em demasia a pressão e acabou por fazer apenas o 16º melhor resultado no primeiro percurso. Sonja Zinkl viu-se assim lançada em prova com uma desvantagem de quase vinte e cinco minutos (!) para a líder no momento, a francesa Valerie Bazaud, acabando por fazer uma prova de raiva e garantindo para a Áustria o melhor parcial neste segundo percurso. Michaela Gigon completou o bom trabalho da sua colega, fixando as austríacas na oitava posição. Mas não eram estas, seguramente, as expectativas da Áustria à partida para a prova.

Na sua segunda participação em provas de Estafeta em Campeonatos do Mundo, Portugal teve um bom desempenho, melhorando em um lugar a sua anterior prestação que vinha de 2005, em Banska Bystrica (Eslováquia), numa altura em que Susana Pontes, Carla Freitas e Maria Amador haviam garantido o 11º lugar para Portugal. O nosso seleccionado esteve sempre muito bem, muito consistente, com Susana Pontes a cumprir o primeiro percurso na décima segunda posição, Rita Madaleno a ganhar dois lugares e Maria Amador a segurar uma posição no top-10, honrosa a todos os títulos, com o tempo de 3.27.42. Portugal acaba assim por fazer um “pleno” de enorme significado para a nossa Orientação em BTT uma vez que, nas oito provas disputadas nos escalões de Elite (masculinos e femininos), estabeleceu sempre o melhor resultado alguma vez conseguido em Campeonatos do Mundo. E note-se que já andamos nisto desde a primeiro edição, em Fontainebleau (França), nos idos de 2002.

Resultados

Femininos W21

1º Dinamarca (A-D Lisbygd, LB Stallknecht, R Kornvig) 2.56.56
2º Finlândia (K Pirkonen, I Stengard, M Hara) 3.01.46
3º República Checa (B Chudikova, H La Carbonara, M Tichovska) 3.01.58
4º Lituânia (A Simkoniene, K Mickeviciute, R Arlauskiene) 3.03.36
5º Rússia (E Kononova, N Mikryukova, K Chernykh) 3.06.07
6º Suíça (M Rothweiler, U Jaggi, C Schaffner) 3.07.55
7º França (G Barlet, V Bazaud, M Kammerer) 3.10.48
8º Áustria (S Petritsch, S Zinkl, M Gigon) 3.20.46
9º Eslováquia (A Durcova, S Fajtova, H Bajtosova) 3.26.47
10º Portugal (S Pontes, R Madaleno, M Amador) 3.27.42

Saiba tudo em
http://mtbwoc2010.fpo.pt/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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