terça-feira, 20 de julho de 2010

MTBO WOC & JWOC 2010: JOSE RAMON GARCIA E A SELECÇÃO DE ESPANHA NOS MUNDIAIS

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A Espanha chegou aos Mundiais de Montalegre com enorme expectativa num par de bons resultados. Foi este o ponto de partida para uma conversa que o Orientovar manteve com Jose Ramon Garcia, 31 anos de idade e dois à frente da selecção espanhola de Orientação em BTT.


Orientovar – Como foi preparada a participação da selecção de Espanha nestes Campeonatos do Mundo?


Jose Ramon Garcia –Basicamente, preparámos esta nossa vinda aos Mundiais com as provas que tivemos em Espanha ao longo da temporada e com várias deslocações a Portugal, sobretudo no último mês. Sempre concentrámos muito do nosso trabalho e do nosso esforço aqui em Portugal porque, claramente, a Orientação em BTT está muito mais desenvolvida em Portugal do que em Espanha. Temos menos participantes, temos mapas de menor qualidade e agrada-nos muito vir aqui. As provas são sempre muito bem organizadas e somos tratados maravilhosamente. Que mais poderemos querer?


Orientovar – E como avalia os resultados?

Jose Ramon Garcia – Vínhamos com muita ilusão nalguns bons resultados, sobretudo depois da boa participação nos Mundiais de Israel, no ano passado. Penso que a Orientação em BTT espanhola deu um grande salto nos últimos três ou quatro anos. Se tomarmos como exemplo a prova qualificatória de Distância Longa dos Campeonatos do Mundo, era raro a Espanha conseguir apurar um atleta que fosse. Em Israel, esta tendência inverteu-se e tivemos três apurados, o mesmo acontecendo aqui em Portugal. É verdade que os terrenos e o clima em Israel eram muito parecidos com o que encontramos em Espanha e tivemos outros bons resultados a nível individual, com o Miguel Ramo a classificar-se no 17º lugar na prova de Distância Longa e o Albert Roca a ser o 21º na prova de Sprint. Isso deu-nos muito ânimo e criámos a ilusão de poder repetir esses resultados este ano. A verdade é que um não pode estar presente, o outro não se sente tão à vontade com os mapas portugueses e as coisas acabaram por ser um pouco decepcionantes.


“Devo atribuir à organização portuguesa uma nota muito alta”

Orientovar – Estes mapas e estes percursos do Mundial, como é que os achou? Aliás, como é que viu esta organização dos Campeonatos do Mundo, duma forma geral?


Jose Ramon Garcia – Creio que os mapas da prova de Sprint e da prova de Distância Média eram muito técnicos, enquanto o da prova de Distância Longa era, simultaneamente, exigente do ponto de vista físico e de muito difícil leitura, sobretudo pela dificuldade de transitar nalguns caminhos. Em termos globais, devo atribuir à organização portuguesa uma nota muito alta. Foi tudo muito bem conduzido. Tiveram o problema com aquele ponto que levou à anulação da Final de Distância Média dos Juniores mas as coisas estão tão bem organizadas – e também tiveram sorte por ter sido na altura em que foi -, que foi possível encontrar uma solução que agradou a todos e fez esquecer o que aconteceu. Estes Mundiais constituem um motivo mais para vir sempre a Portugal com o maior prazer.

Orientovar – Estava à espera de ver Portugal alcançar um sétimo lugar a nível individual, como aconteceu com o Davide Machado na prova de Distância Longa?

Jose Ramon Garcia – Não tenho acompanhado a carreira do Davide Machado e não o conhecia como conheço, por exemplo, o Daniel Marques. O Daniel foi sempre o “ponta-de-lança” da Orientação em BTT portuguesa. Mas é verdade que já contava com um ou mais resultados nos dez primeiros pelo que não foi uma grande novidade. Para mim a novidade foi este grande resultado vir do Davide Machado.


“Garantir a passagem de testemunho a uma nova geração”

Orientovar – Independentemente duma participação menos conseguida nos Mundiais deste ano, como está de saúde a Orientação em BTT espanhola?


Jose Ramon Garcia – Comparada com Portugal, a Espanha é um país muito maior e a dispersão geográfica conta muito neste desporto. Não é fácil convencer as pessoas a fazerem 600 ou 800 quilómetros para um fim-de-semana de provas. Todavia, temos algumas ligas regionais bastante fortes, nomeadamente no noroeste, que vêm aumentando os índices de participação nestes últimos três ou quatro anos. Mas a nível nacional, o número de participantes tem-se mantido, sobretudo porque as pessoas correm na sua região e não se deslocam para as provas da liga nacional. O número só não diminui porque já somos muito poucos. Portugal, sendo mais pequeno, tem as coisas muito mais facilitadas neste aspecto.

Orientovar – Quais as perspectivas em relação ao futuro da vossa selecção?

Jose Ramon Garcia – Procuramos promover a Orientação em BTT através da organização de provas, atraindo a atenção dos mais novos e levando-os a criar a ilusão de que é possível fazer um bom resultado. É importante termos estado aqui com os nossos juniores, que tenham visto o que é uma competição deste tipo e que sintam que devem continuar a treinar e a lutar para poderem ombrear com os melhores do Mundo. É aí que deve residir a nossa aposta, conseguir fazer com que mais jovens possam tornar-se praticantes de Orientação em BTT e garantir a passagem de testemunho a uma nova geração.


“Temos essa ilusão”

Orientovar – E quando iremos poder ver um Campeonato do Mundo de Orientação em BTT em Espanha?


Jose Ramon Garcia – Bom, bom… Não será para já mas temos essa ilusão, há gente trabalhando nesse sentido. Precisamos que mais pessoas se envolvam para que possamos passar do sonho à realidade. Neste momento abrem-se fortes possibilidades para que possamos ter, muito brevemente, uma prova da Taça do Mundo. Esse será um primeiro passo, e um passo muito importante.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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