segunda-feira, 26 de julho de 2010

A MINHA ESCOLA: COLÉGIO DE CAMPOS (VILA NOVA DE CERVEIRA)

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Numa altura em que as férias lectivas já estão plenamente instaladas, também o Orientovar se prepara para entrar de férias. Não gostaria, contudo, de o fazer, sem dar a conhecer a realidade do Grupo-Equipa de Orientação do Colégio de Campos, em Vila Nova de Cerveira, que aqui nos é trazido pelo seu grande dinamizador, o Professor André Soares. Boas leituras e… boas férias!


Fundado durante o ano lectivo de 1983/84, para começar a funcionar em 1984/85, o Colégio de Campos localiza-se na freguesia de Campos (Vila Nova de Cerveira), e insere-se num meio envolvente cuja actividade económica dominante é a indústria, seguida de uma agricultura de subsistência. O Colégio de Campos é uma escola de 2º, 3º Ciclo e Ensino Secundário, dotada de Autonomia Pedagógica, que tem mantido uma política educativa assente no primado da democratização do ensino e no sucesso educativo dos seus alunos. Funciona actualmente com Contrato de Associação, o que permite o ensino gratuito aos alunos. e conta com cerca de 397 alunos, 40 professores/ formadores, uma psicóloga, 16 funcionários e 19 turmas.

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A nível científico e pedagógico o colégio de Campos operacionaliza a sua política educativa na aplicação do seu projecto educativo, promovendo, assim, um ensino de qualidade que vai de encontro às dificuldades e interesses dos alunos, num ambiente onde se prezam valores e atitudes. Ao Colégio chegam jovens oriundos de todos os grupos sociais, evidenciando uma variedade de culturas e de comportamentos tão grande quantos os alunos em presença. É uma Escola que abre as portas aos que a procuram sem filtrar ou escolher os que nela entram. Acolhe crianças e jovens entusiasmados pelo estudo e outros que detestam estudar, recebe e responde a crianças portadoras de várias deficiências e é uma escola onde se pratica e aprende a solidariedade, onde todos aprendem a lidar e a viver com todos. Um espaço de cidadania – dos direitos de todos e para todos, praticando a convivialidade social.

A diversificação das ofertas escolares do ensino secundário surge como uma estratégia de combate aos défices de escolarização e de qualificação profissional da região em que se insere, elevando os níveis de habilitação escolar e de qualificação dos jovens, em particular dos que não pretendem de imediato prosseguir estudos. Assim, o Colégio de Campos oferece o curso de Ciências Socioeconómicas, curso Tecnológico de Informática (11º e 12º anos), curso de Educação Formação de Cuidados de Beleza e curso profissional de Técnico de Gestão de Equipamentos.

Quem é o Professor André Soares?

André da Cunha Gonçalves Soares nasceu em Paredes, a 26 de Agosto de 1976. Possui a Licenciatura em Professores do Ensino Básico, Variante de Educação Física, na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico da Guarda (IPG), a qual concluiu em 2000, com a média de 13 valores. No ano lectivo de 2002 / 2003, concluiu o 3º ano da Licenciatura de Educação Física e Animação Social, no Instituto Superior de Línguas e Administração (ISLA), em Bragança. Matriculado no 5º ano do Curso de Educação Física e Desporto, no Instituto Superior da Maia (ISMAI).

Para além dos estágios realizados na Escola EB1 Ciclo Espírito Santo (Guarda), no ano lectivo de 1998 / 1999, e na Escola EB 2/3 de S. Miguel (Guarda), no ano lectivo de 1999 / 2000, realizou ainda um estágio na Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral (APPC) em Braga, no âmbito da disciplina “Metodologia do Treino - Opção Deficientes”, no ano lectivo de 2005 / 2006. Acumula no seu vasto currículo a realização de Seminários, o cargo de Treinador dos Minis A e B de Basquetebol, na Sociedade Recreativa Segadanense (Valença), de 1994 a 1996, o de monitor de “Ocupação de Tempos Livres”, na NautiMouro (Monção), durante o Verão 2000 e Verão 2001, o de Professor de Natação de crianças e adultos portadores de deficiência mental e motora, através da instituição San Xerome Emiliani (Tui – Espanha) – preparação de atletas para o Campeonato Galego Natacion 2005, o de organizador e responsável pelo Projecto “Canoagem”, no Clube Marinheiro Minhoto (Monção), durante o Verão 2002 e o de Treinador no Sporting Clube de Braga – Secção de Desporto Adaptado com as classes BC2 e BC4 de uma equipa de Boccia, na época 2009-2010, entre muitos outros.

Lecciona no Colégio de Campos (Vila Nova de Cerveira) desde o ano lectivo 2002 / 2003, altura em que teve a seu cargo alunos na disciplina de Educação Física dos 7º, 8º e 9º anos. Nos anos lectivos seguintes foi Professor das disciplinas de Educação Física, Área de Projecto, Estudo Acompanhado e Formação Cívica; Delegado de Grupo
e Director de Turma. Desde 2007, é o responsável pelos Grupos-Equipa de Orientação e Boccia no Colégio de Campos.



“Os alunos que integravam este grupo ‘amavam’ a modalidade”

Orientovar - Como surgiu a ideia de criar um Grupo-Equipa de Orientação no Colégio de Campos?

Professor André Soares - A iniciativa não foi minha. O Grupo-Equipa surgiu com o Professor César Cerqueira, antigo docente do Colégio de Campos. No ano lectivo em que o Grupo iria ser extinto, em consequência da saída do professor César do Colégio, resolvi submeter os alunos de Orientação a um questionário de satisfação relativo à prática da modalidade, de forma a efectuar um balanço da actividade. Concluí, então, que os alunos que integravam este grupo ‘amavam’ a modalidade. Assim, dei continuidade ao trabalho do colega. Neste momento o Grupo tem 4 anos de existência.

Orientovar - Qual a sua experiência na área da Orientação e como tem sido encarado o desafio até ao momento?

Professor André Soares - Nunca pratiquei este desporto na vertente competitiva. Apenas e por curiosidade fi-lo na vertente recreativa, ou seja, como actividade essencialmente lúdica, sem a preocupação de competir mas e somente a de me distrair e divertir. Para além disto, quando tomei a decisão de pegar no Grupo-Equipa de Orientação, achei que era necessário fomentar os meus conhecimentos na área. Para além da formação académica que possuía e da bibliografia arrecadada, achei que era necessário frequentar algumas acções de formação. Na altura recorri a dois fantásticos colegas com muita experiência e com cartas dadas na modalidade. Foram eles, o Professor Filipe Marques, da Escola Secundaria de Maximinos, e a Professora Paula Campos, da Escola Secundária Carlos Amarante, ambas em Braga. No meu primeiro ano, deram-me alguma informação e formação técnica e apoiaram-me na organização de um percurso simples na mata do Camarido, Caminha, que permitiu aos alunos consolidarem e aplicarem os conhecimentos por mim transmitidos. A experiência foi positiva para todos.


“A dificuldade maior é a de não ter o mapa da Escola”


Orientovar - Que virtudes encontra na modalidade que a podem tornar apetecível à prática pelos mais novos?

Professor André Soares - Enquanto modalidade, a Orientação proporciona, prioritariamente ao nível dos jovens, as bases de uma actividade física, num contexto social marcado pela educação e cumprimento de regras (cidadania e ética desportiva). Enquanto desporto de natureza, promove um contacto íntimo entre o praticante e o meio, a fim de fomentar a sensibilização ambiental. Ao contrário de outras modalidades, nesta, os alunos têm a possibilidade de demonstrar individualmente as suas capacidades, o que faz dela uma actividade mais aliciante. Para além disto, verifico que o facto de ser uma modalidade que se pratica ao ar livre, possibilita aos atletas romper com as obrigações do dia-a-dia gerando momentos agradáveis e descontraídos.

Orientovar - Quais as grandes dificuldades para o desenvolvimento das actividades de Orientação no Colégio?

Professor André Soares - A dificuldade maior é a de não ter o mapa da Escola. O nosso trabalho é desenvolvido com o auxílio de um croqui do Colégio, efectuado pelos professores de Educação Visual e Tecnológica, o qual não permite aos alunos retirar todo o “sumo” que um mapa oficial permite. Muitas vezes este primeiro contacto é conseguido nas provas regionais. Nas provas em que o mapa incide sobre espaços como parques / jardins e mesmo áreas urbanas, os nossos alunos sentem poucas dificuldades, isto pelo facto de se aproximar do espaço físico do Colégio. Já em percursos que envolvam matas ou floresta, aí a conversa é outra! Com a participação no último Campeonato Nacional de Desporto Escolar, foi possível averiguar que existe a possibilidade de estabelecer um protocolo ou algo semelhante com a Federação Portuguesa de Orientação para elaboração do mapa da Escola. Como a zona envolvente é floresta, este permitir-nos-á explorar e alargar os nossos conhecimentos. Este será o próximo desafio.


“Seria necessário mais gente a trabalhar com os responsáveis”

Orientovar - Quantos elementos integram regularmente o Grupo-Equipa de Orientação e de que forma coordena treinos e provas?

Professor André Soares - Ao todo, integram regularmente o Grupo-Equipa de Orientação 21 alunos. Devido à incompatibilidade de horários, alunos/responsável do Grupo-Equipa, é difícil a articulação de forma a garantir a presença de todos os elementos da equipa num só “treino” e alguns estão mesmo impossibilitados de praticar.

Orientovar - Que tipo de apoios têm tido por parte do Conselho Directivo da Escola, do Desporto Escolar e outros?

Professor André Soares - Na nossa Escola, apesar de haver por parte da Gerência do Colégio e da Direcção Pedagógica a preocupação de apetrechar os diferentes Grupos-Equipas com material adequado e específico, não existe a possibilidade de garantir as deslocações para o mapa mais próximo, o da mata do Camarido, Caminha. Esta acção acarretaria, sem dúvida, um custo muito elevado e incomportável. Quanto à relação que mantemos com a Equipa de Apoio à Escola (EAE) - Desporto Escolar é saudável. Embora, e no meu entender, seria necessário mais gente a trabalhar com os responsáveis para que a informação fosse entregue em tempo útil e houvesse maior esclarecimento das dúvidas.


“Ficaríamos todos a ganhar”


Orientovar - A tão desejada articulação Desporto Escolar / Desporto Federado, como é que se consegue, numa terra como Vila Nova de Cerveira onde não há um clube de Orientação, nem sequer nas suas proximidades?

Professor André Soares - Infelizmente - e ao contrário do que devia acontecer -, esta tão desejada articulação não acontece. Na verdade, faz todo o sentido que nas opções das Escolas entrem apenas modalidades que já existam nas proximidades, de forma a dar continuidade ao trabalho desenvolvido. Atendendo a que as escolas existem para formar alunos, os clubes deveriam existir para depois formá-los como atletas. A razão que leva muitas vezes a esta falta de articulação deve-se às escolhas efectuadas pelas Escolas e Professores e que, no meu entender, se prendem com dois motivos: O primeiro tem a ver com a área de especialização de cada Professor - no meu caso especializei-me e continuarei a trabalhar na aquisição de competências na área do Desporto Adaptado, e neste sentido desenvolvo na minha Escola as modalidades da Orientação e do Boccia. O segundo tem a ver com a falta de motivação dos alunos para a prática de uma actividade física. No sentido de orientar e motivar os alunos para uma prática desportiva activa, os Professores e as Escolas vêem-se “obrigados” a socorrer-se e a abordar outro tipo de modalidades que não as nucleares, como é o caso do Futsal ou do Futebol.

Orientovar - Como é que vê a evolução da modalidade ao nível do Desporto Escolar?

Professor André Soares - Não estou há muitos anos a trabalhar com esta modalidade, mas tenho verificado ao longo do tempo, ano após ano, que existem cada vez mais atletas a praticá-la. Neste sentido penso que é uma modalidade que se encontra em pleno crescimento. Por outro lado, penso que deveria existir maior articulação entre as Escolas e Federações. Eu sei que existem protocolos assinados com a Direcção Geral de Inovação Curricular - Desporto Escolar, mas na minha opinião não passam de papéis assinados. Aliás, quanto mais gente envolvida no processo, mais a informação se dispersa e se perde. O que as Federações devem fazer é ter um papel mais activo junto das Escolas que desenvolvem a modalidade. Inclusive, havia de haver no site das várias Federações - não só na de Orientação -, um link, tipo “linha de apoio ao cliente”, que pudesse fornecer informações e formas de actuar perante determinadas situações ou dúvidas emergentes. Para além disso, deveriam ser criadas condições de promoção de acções, palestras, cursos direccionados especificamente para os professores que desenvolvam a modalidade nas Escolas, pois nem todos são especializados na área. Ficaríamos todos a ganhar: os Professores fariam e desenvolveriam um trabalho metodologicamente correcto; os alunos adquiririam conhecimentos científicos adequados e correctos, aproximando-se, quem sabe um dia, dos atletas mais consagrados; e as Federações poderiam ter mais e melhores atletas que enaltecessem o seu bom-nome.


“Faz todo o sentido que sejam os clubes a organizar as provas”

Orientovar - Acha que os quadros competitivos são os adequados às realidades das escolas ou, se tivesse poder de decisão, preconizaria que fossem as próprias escolas a organizar as competições, como acontece com a generalidade das modalidades do Desporto Escolar?

Professor André Soares - Ao que pude averiguar na Fase Final, com os colegas de profissão, é que esta situação varia de Direcção Regional para Direcção Regional. No meu caso, que pertenço à Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), são realizadas 4 provas Regionais cuja competência é da Coordenação Local de Desporto Escolar (CLDE) de Viana do Castelo, Braga, Porto e Tâmega, e que normalmente envolvem um clube local, onde porventura podem estar ou não professores que são responsáveis pelo Grupo-Equipa de Orientação das escolas inscritas no CLDE, e a sua especialidade é em Desportos da Natureza. Na minha opinião, e uma vez que a minha formação é básica e recente, faz todo o sentido que sejam os clubes a organizar as provas. Pelo menos assim não corremos riscos no traçado do percurso. Como estamos todos neste “barco” para adquirir competências e saberes, poderiam eventualmente ser os professores de cada escola a fazê-lo, embora acompanhados de um especialista que lhes permitisse dar indicações do que está ou não correcto. Ou então promoverem cursos de traçados de percursos, mas não a pagar. As Federações poderiam ver esta situação como um investimento na modalidade.

Orientovar - Porque é que a Orientação é ainda um "ilustre desconhecido" na generalidade das Escolas deste País?

Professor André Soares - Se calhar por falta de aposta da Federação em informar os Órgãos Directivos e os Professores que coordenam e leccionam nas diferentes Escolas do país. Não só deveriam intervir no sentido de dar a conhecer os benefícios da modalidade, como também criar um quadro de pessoal especializado para formar e orientar os professores que pretendam desenvolver a modalidade.


“Mais e melhores resultados para o próximo ano”

Orientovar - De que forma viveu a presença de três alunos seus nos Nacionais de Águeda?

Professor André Soares - Lamento a correcção, não são três alunos, mas sim dois. Melhor, seriam na verdade quatro os que deveriam estar presentes nesta fase final. Passo a explicar: inicialmente a informação dada pelo responsável da Equipa de Apoio à Escola (EAE) - Desporto Escolar é que estavam apurados 2 atletas. Este apuramento teria sido conseguido a título individual. No dia anterior à competição, foi-me comunicado pelo responsável do Desporto Escolar que, devido ao aumento da quota de alunos provocada pela desistência de outras equipas, também tinha apurado a equipa de Iniciados Masculinos. Realizei a inscrição dos dois atletas apurados individualmente mais a inscrição da equipa masculina de Iniciados. Ora, como o atleta apurado individualmente fazia parte da equipa de Iniciados, foi-me comunicado pelo responsável da EAE -Desporto Escolar, segundo informação transmitida pelo coordenador da DREN – Desporto Escolar, que não era possível manter esta situação. Ou o atleta escolhia competir individualmente ou em equipa. Qual o meu espanto quando vou levantar as credenciais, já em Águeda, local onde se realizou o segundo momento, da Fase Final Nacional de Desporto Escolar, e deparo-me com a seguinte pergunta “… onde estão os documentos de identificação dos alunos que constituem equipa?”. Expliquei-lhes a situação, à qual me responderam que afinal o atleta poderia participar em ambas competições. Esta situação dá que pensar, Certo? No entanto, foi com muita satisfação que estive presente nos Nacionais, orgulhoso dos meus alunos e feliz por levar o nome do Colégio de Campos a este nível. Esta participação foi também uma oportunidade para partilhar e adquirir conhecimentos nesta área.

Orientovar - Como é que perspectiva o futuro do Grupo-Equipa de Orientação no Colégio de Campos?

Professor André Soares - Eventualmente, será uma modalidade que terá todas as condições e meios para durar. Como tenho dois Grupos-Equipa - Orientação e Boccia -, não me é permitido constituir outro, senão a aposta era formar um terceiro. Quanto aos objectivos colectivos e pessoais, perspectivo mais e melhores resultados para o próximo ano lectivo. Temos é que, em conjunto, melhorar algumas situações que são essenciais para o alcance de bons resultados, entre eles a compatibilidade de horários entre as partes envolvidas, mapa da escola e formação pessoal.


“O sonho comanda a vida!”


Orientovar - Ter um aluno do Colégio de Campos nos Mundiais do próximo ano em Itália seria um sonho?

Professor André Soares - “O sonho comanda a vida!”. A verdade é que eu já idealizei alguns supostos sonhos e o facto de trabalhar no sentido de os atingir fez com que alguns já tivessem sido alcançados. Estava longe de imaginar que um dia pudesse estar a participar numa Fase Final Nacional de Desporto Escolar e já este ano aconteceu. Neste sentido, e comparativamente a outras situações da vida parecidas a esta, no dia que eu meter na cabeça que o sonho de que me fala é um objectivo pessoal, eu consigo! Por enquanto é muito cedo para sonhar com esta ideia.

Saiba mais sobre o Colégio de Campos, acedendo à página na Internet em
http://www.colegiodecampos.com/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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