terça-feira, 6 de julho de 2010

EYOC SORIA 2010: A PALAVRA AOS ATLETAS

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Após ter acusado a recepção duma boa mão cheia de depoimentos, o Orientovar retoma o tema EYOC 2010 para dar conta das reacções de alguns dos atletas presentes em Soria. Agora sim, o ponto final na gloriosa jornada espanhola.


“Ficámos com a sensação de que poderíamos ter feito melhor”

Mais um EYOC que passa e mais uma grande demonstração do nível da Orientação portuguesa e da sua evolução. Os bons resultados deste ano vieram provar que as classificações do Luís Silva (18º lugar na Longa) e da Mariana Moreira (9º lugar no Sprint) do ano passado não apareceram por acaso, antes foram fruto do trabalho que temos vindo a exercer há mais de um ano, com constantes estágios e preparações muito semelhantes ao que iríamos encontrar na competição. Todos nós sabíamos o que tínhamos de fazer e na altura exacta as coisas saíram naturalmente.

A Distância Longa era a prova em que tínhamos menos possibilidades de fazer classificações boas, pois era dos terrenos que menos se aparentavam com os nossos terrenos portugueses, mas todos conseguimos demonstrar uma grande adaptação ao mapa e ao terreno, o que fez com que os resultados aparecessem. Embora os resultados fossem muito bons, ficámos com a sensação de que poderíamos ter feito melhor e é com essa ambição que nos motivamos para treinar e conseguir, no futuro, alcançar um lugar no pódio.

A prova de Estafetas foi aquela onde nos sentimos mais à vontade, pois era o tipo de terreno mais parecido com os nossos, e isso fez-se sentir nos resultados obtidos. Os atletas que partiram em massa não desiludiram e foram grande parte do percurso na frente da corrida com os melhores europeus. Os segundos elementos, com provas espectaculares e a subirem posições - de destacar o Fábio Silva (H18) que fez um tempo espectacular na sua prova, entregando o testemunho ao 3º elemento em 6º lugar, quando tinha recebido o mesmo em 20º lugar, ou seja, recuperou 14 lugares (!). Sem menor mérito os terceiros elementos fecharam o percurso com grandes resultados. Os resultados foram óptimos, conseguimos classificações todas elas no top-10 (destaque para as D18 que se classificaram em 4º lugar à frente da Suécia e Noruega), onde o melhor resultado de sempre em participações portuguesas até aqui tinha sido um 12º lugar.

Na etapa de Sprint, os resultados foram também positivos, mas com um sabor um bocado amargo pois esperávamos mais. As nossas expectativas eram altas, porque tínhamos preparado muito bem esta etapa e conhecíamos todas as esquinas da cidade. Mas como nem tudo são rosas, desta vez as coisas não correram como previsto e com resultados para entrar no pódio no ponto de rádio ocorreram alguns erros, em que, numa etapa de Sprint cada segundo é vital na classificação,
o que acabou por descer alguns lugares na classificação dos nossos atletas.

Em suma, alcançámos resultados históricos. Um dia, um grande atleta me disse: ‘O treino faz milagres!’. E nada melhor para justificar esta frase do que este EYOC, que foi preparado com imenso entusiasmo e determinação por todos os atletas da nossa comitiva e treinadores, que estavam sempre prontos para nos auxiliar e motivar-nos para o que fosse preciso, alcançando assim estes resultados espectaculares e prometedores para um futuro próximo em que esperamos ter condições para preparar as próximas competições internacionais e demonstrar o valor da Orientação portuguesa.

Para o ano há mais!

Pedro Silva (M18)


“As emoções que vivemos ao lado uns dos outros foram fantásticas”

O Campeonato da Europa de Jovens de 2010 que ocorreu em Soria, foi simplesmente inesquecível. Os terrenos são espectaculares, muito técnicos e físicos. As emoções que vivemos ao lado uns dos outros foram fantásticas e nunca me irei esquecer do que lá passamos. Sem dúvida que todo o trabalho que tivemos em estágios em Espanha valeu a pena, deu muitos frutos e espero que continuemos a preparar os próximos Campeonatos da Europa da mesma forma.

Durante este ano espero que todos os atletas se empenhem mais, para que no próximo ano tenham ambições cada vez maiores porque só assim conseguiremos chegar ao topo. Queria agradecer a toda a comitiva portuguesa, em especial ao Tiago Aires, Raquel Costa e António Marcolino, pelo excelente ambiente que todos formámos e pelo excelente trabalho que estas três pessoas fizeram.

Um muito Obrigado!!!

João Cascalho (M16)


“A prova de Estafetas foi onde os portugueses estiveram melhor”


EYOC 2010: Uma experiência única, muita emoção, belíssimos resultados, boa disposição, um grupo unido, algo para sempre relembrar!

A prova de Distância Longa foi a prova onde viriamos a sentir mais dificuldades pois o terreno não era muito à nossa medida. Todavia, com tanto empenho, conseguimos não ficar muito abaixo na classificação. Também os objectivos que tínhamos traçado,- que eram bastante difíceis de alcançar -, ajudaram para uma motivação ainda maior pela maior parte dos atletas!

A prova de Estafetas foi onde os portugueses estiveram melhor, pois era um terreno bastante acessível, parecido ao terreno norte alentejano. Foi assim que a grande festa decorreu, com um 4º lugar nas W18, um 6º lugar no M16 e 10º lugar para as W16 e M18. Na prova de Sprint estivemos muito aquém das nossas competências e queríamos mais, muito mais.. mas mesmo assim conseguimos ter muitos atletas no top-30.

Este EYOC foi sem dúvida uma demonstração de todo o trabalho que os atletas, técnicos e treinadores realizaram durante quase um ano. Com muitos estágios, um estágio em Soria em Setembro do ano passado, assim acho que deveríamos continuar com este trabalho (tanto fisico como técnico), até ao EYOC do próximo ano na República Checa (e quem sabe termos lá um estágio!) Só assim poderemos chegar ao topo...

Queria agradecer aos técnicos que nos acompanharam, pois foi com a ajuda deles que também conseguimos ter esta prestação.

Rita Rodrigues (W18)


“No próximo ano lá estarei”

A participação portuguesa no EYOC deste ano, como penso que já foi muitas vezes referido, foi fantástica. Principalmente na Estafeta, conseguimos mostrar a nossa grande evolução, com todas as equipas a classificarem-se nos 10 primeiros lugares! É também importante referir que esta evolução não foi por acaso, pois fui o fruto dos muitos estágios que nos foram proporcionados no decorrer desta época.

A prova de Distância Longa correu-me muito mal, perdi cerca de 10 minutos em todo o percurso, principalmente na segunda pernada longa. Por isso, acabei por chegar na 24ª posição, piorando o meu 20º lugar do ano passado. Fiquei bastante desiludida e insatisfeita por saber que o top-5 estava ao meu alcance com uma prova regular mas, ainda assim, deixei esses pensamentos e foquei-me nas provas seguintes.

Na Estafeta conseguimos o 10º lugar, o melhor resultado português de sempre no nosso escalão! A mim, concretamente, correu-me bem e consegui fazer o 7º melhor tempo individual, o que foi muito importante para ganhar motivação para a prova de Sprint.

No Sprint perdi cerca de um minuto em todo o percurso, alcançando o 11º lugar. Mas uma vez senti que poderia ter feito melhor mas a Orientação é assim, nem sempre corre como queremos. No próximo ano lá estarei para ajudar a selecção portuguesa a melhorar ainda mais os resultados quase inacreditáveis a que chegou este ano.

Vera Alvarez (W16)


“Esperança de três diplomas no seguinte EYOC”

Antes do comentário propriamente dito aos resultados, há que referir que todo este EYOC 2010 constituiu o culminar de mais de um ano de árduo trabalho, nomeadamente com estágios totalmente direccionados para a competição, no terreno desta, além de muitos outros organizados pela própria FPO, que permitiram sem dúvida o encarar sério, realista e ambicioso da grande prova, comprovados pelos bons resultados obtidos.

A chegada aos locais de competição dá-se praticamente uma semana antes, com uma última adaptação e preparação principalmente da Distância Longa. A minha participação foi aceitável, tendo em conta ser ainda dos mais novos do meu actual escalão e de ser a primeira presença no EYOC, denotando-se portanto ainda alguma inexperiência e falta de rodagem nestas competições. Assim, com uma prova de Distância Longa segura e sem falhas grandes, alcançou-se um dos objectivos pretendidos – melhorar ou igualar o melhor resultado até então. Na Estafeta, a dita falta de experiência falou mais alto e a pressão de andar na frente do grupo fez-me cometer um erro grande já no final do percurso. No entanto os meus colegas de equipa tiveram um desempenho excelente e atingimos um excelente - mas mesmo assim amargo - 6º lugar. Já o Sprint não correu de feição, com alguns pequenos erros e falta de pernas que, devido à apertada concorrência, não culminaram em lugar de destaque.

Deste EYOC 2010 penso que a grande certeza e lição que se tira é o facto de todos os elementos da comitiva (mesmo tantos outros que lá não estiveram ou que ainda não chegou o seu tempo de estarem) comprovarem com os seus olhos e provas que estão ao nível dos melhores. Quem não viu o Luís, mesmo com uma prova com erros, ficar no 6º lugar e perder o pódio no Sprint mesmo no final? Ou o Mega, na Longa e Sprint, a ficarem pertíssimo de todos os ditos tão distantes noruegueses, finlandeses, suecos ou checos? Ou a Mariana a passar em primeiro no ponto de espectadores no seu percurso? E eu e o Pedro Silva que andámos, e bem, na liderança dos primeiros percursos? Além da Joana, do João Cascalho e do Fábio, que nas Estafetas estiveram fantásticos! E não refiro aqui todos os outros que merecidos lugares de destaque alcançam, com provas de grande nível, sempre taco a taco com todos os ditos grandes! Assim. chegamos claramente à conclusão a todos chegam, a de que vale a pena apostar em nós – no nosso treino, no nosso valor ou na nossa qualidade e vontade de vencer -, deixando-se aqui o repto de que merecemos apoio para as próximas grandes competições internacionais, nomeadamente no WSOC 2011, em Itália (onde se gostaria de ver equipas de selecção) ou no EYOC 2011, na República Checa, para o qual deve existir uma preparação adequada, com um estágio no local de competição.

Além disto, resta-me referir o espírito relaxado e brincalhão - mas com grande querer, trabalho e vontade de vencer - que reinou na comitiva, com muito bom ambiente entre os atletas. Na memória fica também o contacto e troca de experiências e impressões com os melhores atletas do Campeonato – que em muito nos enriquecem e a certeza de grandes resultados meus - e claro dos meus colegas – nos próximos compromissos, com esperança de três diplomas no seguinte EYOC.

Miguel Ferreira (M16)


“Acho que este EYOC foi tudo o que nós desejámos”

Bem, por onde começar? Acho que este EYOC foi tudo o que nós desejámos. Claro que nem todos os atletas cumpriram os seus objectivos, mas penso que em comparação a anos anteriores este EYOC demonstrou que nós - os portugueses - não temos de ficar contentes por aparecer no top-30, porque há capacidade em todos os atletas para entrar no top-10 e chegar às medalhas.

Por exemplo, falo por mim, na Longa, embora tenha ficado em 6º lugar, fiquei com algum desgosto da prova que fiz porque perdi cerca de oito minutos em toda esta, mas como não há provas perfeitas bastava tirar quatro minutos ao meu tempo para ser medalhado com o ouro (!). Mas melhor ainda é que não fui caso isolado. Embora a alguns atletas a prova tenha ficado aquém das expectativas, olhemos para o Mega que esteve ao nível dos melhores da Europa e com uma prova longe de ser perfeita, ou mesmo a Joana que consegue um resultado igualmente excelente. Acho que não vale a pena irmos além… Acima de tudo, todos estiveram no seu melhor num terreno que à partida ninguém diria adequado para os portugueses, já que, como alguns dizem, só conseguimos fazer boas provas no Alentejo por serem tapetes de relva. Naquele mapa, equiparado aos mapas do Norte da Europa, estivemos ao nível dos que se dizem os “melhores da Europa”. E sem provas perfeitas! Mas ainda só tinha passado a Longa e, como o Tiago Aires nos disse, o pior tinha passado- E se isto era o pior, já podíamos imaginar como seria o resto das provas… Na Estafeta passou–se isso mesmo: Nada mais, nada menos que as quatro equipas nos dez primeiros lugares, quando o melhor resultado até ao momento tinha sido de um 12º lugar.

De um modo geral todos começámos mal, mas mudámos tudo isto no segundo percurso, com o João Cascalho a recuperar quatro lugares e a colocar a equipa em oitavo, a Mariana a colocar a equipa em quarto e a Inês Domingues a recuperar até ao décimo. Mas se queremos uma verdadeira recuperação olhemos para os H 18, onde o Fábio Silva provou uma vez mais que se pode superar, recuperando. nada mais. nada menos. que catorze lugares e colocando a equipa na sexta posição. É realmente impressionante que um atleta de primeiro ano em H18 tenha efectuado uma proeza desta categoria; o Fábio merece a medalha de honra, só restava ao terceiro elemento manter, mas para mim ainda tinha a missão de conquistar ate à medalha e, quando parti, estava lado a lado com o checo, que se manteve comigo até ao fim. Acabámos por passar várias equipas, inclusive a Suiça, e íamos a lutar pelo 5º e o 6º lugar. Eu errei, ele foi um justo vencedor.

Já a segunda etapa ultrapassada, chega o Sprint onde tínhamos mais expectativas para ouvir o hino nacional. A prova até nem correu mal – tivemos oito atletas no top-30 -, mas falo primeiramente em mim, que enterrei a prova em dois pontos, falhando aquilo que poderia ter sido o 2º lugar, e o Mega que ia a lutar pela medalha como tantos outros portugueses, acabando por perder tudo num simples erro, em que o mapa também nada ajudou. Enfim…

Acabou assim mais uma participação, com o país a ficar em 6º lugar, uma posição espectacular tendo em conta que éramos sempre quase dos últimos países. Bem, como impressão final, acho que a Federação devia ter em conta estes resultados e, uma vez que para o ano apenas quatro atletas em dezasseis não poderão voltar, as expectativas são altas. Quem teve a oportunidade de acompanhar este EYOC ficou a saber do que somos capazes. Seria bom um estágio na Republica Checa para preparação do EYOC 2011 e está nas mãos da Federação querer bons resultados ou não. Acho que, de facto, a escolha não é a mais complicada….

Luís Silva (M16)


“Um momento inesquecível para nós!”

Este foi o meu sexto e último EYOC e, apesar de não ter sido neste que obtive os meus melhores resultados individuais, já que perdi muito tempo logo no inicio da prova de Distância Longa e o ano passado obtive um melhor lugar no Sprint, a nível colectivo este foi sem dúvida o melhor EYOC de sempre para a comitiva portuguesa.

Desde logo pelos vários excelentes resultados obtidos por alguns atletas portugueses na Longa, mas principalmente pelos resultados obtidos nas Estafetas. As quatro equipas portuguesas conseguiram entrar no top-10, o que é realmente muito bom, visto que o melhor resultado de sempre tinha sido um 12º lugar. Eu, a Isabel Sá e a Joana Costa, após cinco ‘tentativas’ nos EYOC anteriores, conseguimos finalmente cumprir com um dos nossos objectivos que era alcançar um lugar no top-6 das Estafetas. Após uma boa prova da Isabel no primeiro percurso, parti para o segundo percurso poucos minutos após a primeira equipa. Após alguns pontos, alcancei o grupo da frente e, depois de contrariar a má opção das outras atletas, decidi optar por outra rota conseguindo seguir na frente e passando no ponto de espectadores em primeiro lugar (apesar de que não acreditar que estava na frente quando mo disseram enquanto passava no ponto de espectadores). Acabei por entregar o testemunho em 4º lugar, a menos de um minuto da Republica Checa, da Polónia e da Finlândia. A Joana partiu então para o terceiro percurso e após uma boa prova passou no ponto de espectadores em 5º lugar, tendo depois na parte final deixado a Suécia (que a tinha alcançado) para trás e terminado em 4º lugar. Este foi sem dúvida um momento inesquecível para nós!

No Sprint, apesar de que muitos de nós tivessem expectativas mais altas, conseguimos um feito enorme de colocar oito atletas no top-30, algo muito bom. A comitiva esteve sempre muito unida e foi de facto muito importante termos tido a oportunidade de estagiar nos terrenos semelhantes aos das competições e termos ido para o local da competição com alguns dias de antecedência.

Mariana Moreira (W18)


“Vamos juntar forças para continuar a ‘crescer como grupo’!”

Não havia maneira melhor maneira de acabar a passagem pelos EYOC. É bom saber que Portugal está a evoluir enquanto selecção e os resultados apresentados são bem demonstrativos disso. Alcançar sete diplomas só está à altura das melhores selecções da Europa e Portugal passou a ser visto com outros olhos no mundo da Orientação.

Espero que o trabalho que se realizou este ano continue, pois só assim é possível alcançar resultados a este nível. A Federação tem que evoluir com os atletas e talvez esteja na altura de mudar mentalidades e dar mais condições a todos os atletas para que Portugal possa finalmente afirmar-se no mundo da Orientação. Temos potencial, temos condições, vamos juntar forças para continuar a ‘crescer como grupo’!

João Mega Figueiredo (M18)

[Foto gentilmente cedida por Tiago Aires]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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