sexta-feira, 2 de julho de 2010

EYOC SORIA 2010: OURO BEM DISTRIBUÍDO NO PRIMEIRO DIA DE PROVAS

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Piotr Parfianowicz, Jon A. Osmoen, Katerina Chromá e Franziska Dörig foram actores principais no palco do primeiro dia de provas do EYOC 2010. Um primeiro acto em que se assistiu, pela 100ª vez na história do evento, à consagração dos atletas de pódio e que teve ainda em Luís Silva um importante protagonista.


Para os mais familiarizados com o desporto da floresta, nomes como os de Fabian Hertner, Radka Brozkova, Lauri Sild, Ivan Sirakov, Sara Luescher, Stepan Kodeda, Lucas Basset, Matthias Kyburz ou Ida Bobach não são ilustres desconhecidos. Todos eles foram estrelinhas douradas em edições do EYOC e são hoje estrelas fulgurantes no universo da Orientação. Serve isto para dizer que está aí a grande rampa de lançamento e a grande montra das jovens promessas da modalidade, este ano aqui bem perto de nós, em Soria.

Organizado pela Federação Espanhola de Orientação e pela Federação Internacional de Orientação, o 9º Campeonato da Europa de Jovens de Orientação Pedestre EYOC 2010 reúne em competição 331 atletas de 29 países, entre os quais Portugal. Ao todo são três dias de provas, onde estarão em disputa 12 títulos europeus, distribuídos por quatro escalões (W16, W18, M16 e M18), nas vertentes de Distância Longa, Estafetas e Sprint.

Checos entram com o pé direito

A competição arrancou esta manhã com a prova de Distância Longa no mapa novo de La Cruz de Piedra (Navaleno), cartografado por Juan Manuel Garcia Crespo. O mesmo Juan Manuel que, há cerca dum mês atrás, viria a falecer após um acidente durante uma escalada em montanha e que hoje foi lembrado com um minuto de silêncio. Outra nota de destaque relativamente à prova desta manhã vai para a verdadeira tempestade que se abateu sobre o local da prova, com uma trovoada medonha a fazer temer o pior. Felizmente tudo acabou em bem e a prova decorreu sem grandes percalços, a não ser os colocados por um terreno particularmente exigente, tanto do ponto de vista físico como técnico, e ainda por percursos desafiantes que colocaram à prova os participantes, levando as suas capacidades ao extremo. Terrenos classificados, na abalizada opinião de Tiago Aires, como “incríveis do ponto de vista técnico e físico”. Para o principal responsável pela nossa comitiva, “não parecia uma zona da Peninsula Ibérica, com um bosque que continha inúmeros elementos rochosos de grande dimensão, algumas zonas de vegetação e de relevo acentuado, e onde os percursos apelavam às capacidades técnicas dos atletas na escolha de opções tendo em conta sobretudo as grandes falésias, o desnível e a vegetação.”

No escalão W16, Katerina Chromá foi a brilhante vencedora, com o tempo de 45.30. A atleta checa manteve a tradição de fazer elevar a bandeira do seu país nos mastros do pódio, situação que se verificou em todas as nove edições do evento. Katerina Chromá alcançou para a República Checa a quarta medalha de ouro na distância, juntando o seu nome ao das suas compatriotas Hana Hlavová (2003), Ivana Bochenková (2005) e Vendula Horcicková (2009). Na segunda posição, a 22 segundos da vencedora, classificou-se a suíça Lisa Holer, ela que tinha sido 8ª classificada na edição anterior. Algo distante das duas primeiras classificadas, a britânica Lucie Butt alcançou o 3º lugar com o tempo 48.56. Lucie Butt torna-se na primeira atleta britânica a conseguir uma medalha no EYOC e esta medalha de bronze é, em termos absolutos, a terceira medalha de sempre alcançada no evento por atletas “de sua majestade”. À beira do pódio, nos lugares imediatos, ficaram a irlandesa Niahm Corbett (que grande surpresa!), a russa Daria Korobeynik e a lituana Milda Radzivonaite.

Atleta romena faz história

Passando ao escalão W18, a grande vencedora dá pelo nome de Franziska Dörig e é de nacionalidade suíça. Apesar da Suíça ser o segundo país com mais medalhas na distância, a verdade é que desde 2004 não chegava ao ouro neste escalão. Dörig gastou 51.24 para completar a sua prova, impondo-se a uma surpreendente Andra Cecília Anghel (Roménia) pela diferença de 1.36. A atleta romena faz assim história no EYOC, tornando-se na primeira atleta do seu país a alcançar uma medalha individual na competição (antes, só mesmo a Estafeta M18 nos idos de 2004 tinha subido ao pódio, classificando-se então no 3º lugar). O 3º lugar coube à norueguesa Silje U. Maurset com um registo de 53.59, enquanto as posições imediatas foram ocupadas por Marion Aebi (Suíça), Anna Axelsson-Meyerson (Suécia) e Anna Arbter (Áustria).

Passando ao sector masculino, debruçamo-nos desde já sobre o escalão M18 onde o norueguês Jon A. Osmoen foi obrilhante vencedor com o tempo de 57.17. Grande potência da Orientação mundial, a Noruega só em 2006 fez a sua estreia no EYOC, tendo sempre limitado a sua participação aos escalões M18 e W18. Este ano assim acontece uma vez mais, com Jon A. Osmoen a tornar-se no primeiro vencedor norueguês na história do evento, no que ao sector masculino diz respeito. Tudo o que atrás ficou dito, aplica-se quase integralmente à Suécia, que viu a sua bandeira ondular no mastro do pódio graças ao 2º lugar de Max Peter Beijmer, com mais 1.01 que o vencedor. Esta é a segunda medalha de sempre da Suécia no evento e a primeira na Distância Longa (antes, nos idos de 2006, Erik Liljequist tinha alcançado a medalha de prata na prova de Sprint). Quanto ao terceiro lugar, coube a outro norueguês, Hakon Westergard, com o tempo de 58.44. As três posições imediatas foram ocupadas por Jesse Laukkarinnen e Mikko Huhtinen, ambos da Finlândia, e por Andrey Kozyrev (Rússia).



Luís Silva do nosso contentamento

Propositadamente deixámos para o fim o escalão M16 onde o “nosso” Luís Silva teve uma prestação brilhante, alcandorando-se ao 6º lugar com o tempo de 58.42 e a 4.43 do vencedor, Piotr Parfianowicz (Polónia). O atleta polaco repete a presença no pódio, depois de em 2009, em Kopaonik, ter sido o 2º classificado, atrás do checo Filip Hadac. Depois de três medalhas de prata e quatro de bronze, a Polónia alcança a sua primeira medalha de ouro na distância. O 2º lugar coube ao húngaro Marton Kazal, com mais 17 segundos que o vencedor enquanto o checo Marek Minar e o russo Alexander Makeychik, com o tempo de 55.36, ocuparam ex-aequo a 3ª posição, uma situação que acontece pela primeira vez na história do evento. Apostol Atanasov (Bulgária), precedeu o atleta português, classificando-se no 5º lugar.

Amanhã é dia de Estafetas, nas quais a grande expectativa se prende com a curiosidade de vermos até que ponto a República Checa conseguirá manter a hegemonia numa prova que é, para muitos, a verdadeira festa da Orientação. Nas oito edições que o EYOC leva até ao momento, a República Checa conquistou 29 medalhas em 32 possíveis (15 de ouro, 6 de prata e 8 de bronze). Vale isto por dizer que Rússia e Suiça, as duas grandes rivais dos checos, vão ter de fazer pela vida para contrariar tanto favoritismo.

Ainda que provisórios, poderá encontrar os resultados em
http://worldofo.com/tmp/results_long.html. Toda a informação em http://www.eyoc2010.com/.

[Fotos gentilmente cedidas por Tiago Aires]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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