sábado, 3 de julho de 2010

EYOC SORIA 2010: CAMPEONATOS AO RUBRO COM QUATRO ESPECTACULARES ESTAFETAS

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Dinamarca, Noruega, Suíça e República Checa. À semelhança do sucedido na jornada inaugural do EYOC 2010, foram todas elas diferentes as bandeiras hasteadas nos mastros mais altos dos pódios da prova de Estafetas, que hoje teve lugar em Valonsandero, nos arredores da cidade de Soria.

Ao segundo dia de provas, os Campeonatos da Europa de Jovens de Orientação Pedestre EYOC 2010 foram ao rubro com as sempre espectaculares Estafetas. Disputadas por um total de 106 equipas, distribuídas pelos quatro escalões de competição, as provas vieram comprovar um evidente equilíbrio de valores neste EYOC, situação que havia já ficado bem patente na etapa inaugural.
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Começando pelo escalão W16 – aquele onde se registou a vitória mais folgada -, as suíças Rahel Bertschi, Lisa Holer e Sandrine Muller deram cartas, autenticamente. A prova teve um início muito forte, com seis selecções a fazerem a primeira entrega de testemunho com uma diferença inferior a um minuto entre si. Foi então que Lisa Holer, medalha de prata na prova de ontem e, até ao momento, uma das grandes figuras destes Campeonatos, decidiu pegar na prova e “partir a loiça toda”. Uma diferença superior a cinco minutos sobre as mais directas adversárias – República Checa e Dinamarca, que arrancaram para o derradeiro percurso lado-a-lado – deixou a Suíça numa posição absolutamente confortável, limitando-se Sandrine Muller a gerir a vantagem, conseguindo mesmo ampliá-la. O tempo final da Suíça foi de 1.29.40, contra 1.37.38 da República Checa (Lenka Svobodna, Karolina Borankova e Katerina Chromá, a vencedora da prova de ontem) e 1.39.53 da Dinamarca (Miri Thrane Odum, Cecilie Friberg Klysner, Camilla Bevensee). Grã-Bretanha, Espanha e Rússia quedaram-se pelos lugares imediatos, com direito a menção honrosa.

Vitória checa, em nome da tradição

As constantes alterações no comando da prova fizeram com que o escalão W18 fosse um dos mais rijamente disputados e aquele no qual, à entrada para o derradeiro percurso, ninguém se atreveria a arriscar um prognóstico quanto ao vencedor. Franziska Dörig, a medalha de ouro da prova de Distância Longa, teve um arranque demolidor e colocou a Suíça na liderança da prova com quase dois minutos de vantagem sobre a Finlândia, segunda classificada. No segundo percurso, todavia, o impensável aconteceu e Eveline Schaerli fez o terceiro pior parcial entre as 26 equipas em prova, atirando as helvéticas para a cauda da classificação. Com a Suíça fora de combate, o destaque neste segundo percurso vai para as prestações da norueguesa Kamilla Olausen e da portuguesa Mariana Moreira, alcançando os dois melhores parciais. E se Kamilla Olausen já pouco ou nada tinha a ganhar, depois dum primeiro percurso desastroso de Anneke Hald Bjorgum que colocou a Noruega no penúltimo lugar, o mesmo não se poderá dizer de Mariana Moreira que fez a entrega de testemunho a Joana Costa na terceira posição, com dois segundos de vantagem sobre a Polónia, a apenas 16 segundos da Finlândia e a 1.15 da República Checa, líder com escassa vantagem para gerir.

O último percurso foi realmente incrível, voltando a pertencer à Noruega o melhor parcial, com Silje Uhlen Maurset, medalha de bronze na prova da véspera, a conseguir guindar as nórdicas a um 6º lugar final, honroso a todos os títulos (não haverá, seguramente, diploma mais merecido). Lá na frente, a checa Petra Pavlovcova esteve verdadeiramente irrepreensível e, com o segundo melhor tempo entre todos em prova, levou a República Checa (Marketa Poloprutska, Tereza Svobodna, Petra Pavlovcova) ao ouro com o tempo final de 1.54.01. Finlândia (Henna-Riikka Haikonen, Essi Hietaoja, Sonja Liukkonen) e Polónia (Natália Ewiack, Hanna Klimkowska, Anna Marawska) alcançaram as posições imediatas, com o resultado a ser discutido ao sprint e a pender favoravelmente para as finlandesas por um escasso segundo (1.57.27 contra 1.57.28). Joana Costa foi exemplar de estoicismo, sobretudo na forma como soube lidar com a pressão de saber atrás de si a fortíssima atleta sueca Hanna Axelsson-Meyerson, quinta classificada na prova de Distância Longa. Daí que a quarta posição assente com inteiro mérito às nossas cores, naquele que constituiu o melhor resultado de sempre duma Estafeta portuguesa nesta particular competição (Mundiais de Desporto Escolar à parte, este é mesmo o melhor resultado de sempre duma Estafeta portuguesa em competições internacionais).

Dinamarca e Noruega levam a melhor

Passando ao sector masculino e começando pelos M16, vale a pena adiantar que este era aquele escalão onde a luta se apresentava mais aberta, pelo menos a avaliar pelos resultados da véspera. Com efeito, nove dos dez primeiros classificados da prova de Distância Longa envergavam cores diferentes, pelo que a imprevisibilidade quanto ao desfecho final era total e na prática foi isso mesmo que acabou por se verificar. Venceu a Dinamarca (Joakim Sehested Die, Jonas Falck Weber, Thor Norskov) – e venceu bem! -, graças sobretudo à grande consistência da equipa e ao notável percurso do seu último elemento. Com efeito, à partida para o derradeiro percurso, comandava a Rússia com o tempo de 1.11.12, tendo atrás de si nove equipas com aspirações à vitória – entre as quais Portugal, então 7º classificado -, formando dois grandes grupos. Todavia, Thor Norskov soube anular a desvantagem de 57 segundos, vencendo com o tempo de 1.43.46 e dando à Dinamarca a terceira medalha de ouro numa Estafeta e a primeira de sempre no sector masculino. O letão Rudolfs Zernis fez o melhor parcial neste percurso, recuperando os 4.11 que separavam a Letónia (Gatis Bereznojs, Valters Lubnskis, Rudolfs Zernis) da Rússia (Alexander Likhnevskiy, Ivan Kuchmenko, Alexander Makeychik) e garantindo a medalha de prata para a selecção do Báltico com o tempo de 1.45.21. A Rússia gastou mais 31 segundos e teve de se contentar com o bronze. Ucrânia, República Checa e Portugal concluíram nas posições imediatas.

Finalmente, no escalão M18, vitória algo esperada da turma norueguesa, sobretudo depois da excelente prestação dos seus atletas na prova inaugural, onde arrancaram a medalha de ouro e a de bronze e ainda um 8º lugar. Israel deu a nota de sensação, com Segal Eran a ser o primeiro a entregar o testemunho, 24 segundos à frente do polaco Robert Niewiedziala e pouco mais de um minuto de vantagem sobre o norueguês Simen Aamodt e o austríaco Philipp Schiel. Mas se israelitas e polacos acabaram por ter de se contentar com o “primeiro milho”, já noruegueses e austríacos foram autênticas águias na defesa duma medalha. Venceu, como dissemos, a Noruega (Simen Aamodt, Jon A. Osmoen, Hakon Westergard), com o tempo de 1.57.23, chegando a uma medalha na competição pela segunda vez na história da sua participação nos Campeonatos (já anteriormente, em 2006, a equipa de W18 tinha alcançado igual desiderato). A Suécia (Love Berzell, Wangdahl Jens, Max Peter Beijmer) classificou-se na segunda posição a 43 segundos dos vencedores e alcançou a sua primeira medalha de sempre numa Estafeta do EYOC, ao passo que a Áustria (Philipp Schiel, Tobias Habenicht, Lukas Scharnagl) se quedou pelo terceiro lugar com mais 2.04 que a Noruega, um resultado surpreendente, sobretudo se considerarmos que o seu melhor atleta na véspera não tinha ido além da 29ª posição. Finlândia, Hungria e República Checa alcançaram os lugares imediatos.

A dança das medalhas

República Checa e Dinamarca foram, no dia de hoje, as únicas selecções a fazerem o “bis” em medalhas, embora com a particularidade de, pela segunda vez em nove edições da prova, a selecção checa ter falhado dois pódios (fez mesmo o pleno nas Estafetas, nas quatro primeiras edições do EYOC e ainda em 2007 e 2009, tendo conquistado até ao momento 31 medalhas em 36 possíveis). À Dinamarca juntaram-se a Letónia, Finlândia, Áustria e Rússia no quadro de países que conquistaram hoje as primeiras medalhas no EYOC (a Rússia, com uma "discreta" medalha de bronze, acaba por ser mesmo, até ao momento, a selecção com um comportamento menos consentâneo com aquilo a que nos vinha habituando), quadro esse que integra um total de treze países.

Comanda a República Checa com quatro medalhas (duas de ouro, uma de prata e uma de bronze), seguida de Suíça com três (duas de ouro e uma de prata) e da Noruega com quatro (duas de ouro e duas de bronze). Polónia e Dinamarca, com duas medalhas cada (uma de ouro e uma de bronze), ocupam as posições imediatas. Portugal, Espanha, França e Itália continuam de fora das medalhas, embora a prestação da turma portuguesa se destaque das restantes pela positiva. A jogar em casa, os resultados das equipas espanholas não podem deixar de constituir uma decepção. Amanhã, no coração de Soria, terá lugar a prova de Sprint com a qual encerram os Campeonatos. Emoções ao rubro, uma vez mais, é o que se poderá esperar.

Resultados completos e demais informação para conferir em
http://www.eyoc2010.com/.

[Foto gentilmente cedida por Nuno Leite]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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