segunda-feira, 14 de junho de 2010

VI CAMPEONATO IBÉRICO DE ORIENTAÇÃO EM BTT: PORTUGAL E ESPANHA REPARTEM TÍTULOS

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Portugal vincou de novo a sua supremacia frente aos vizinhos espanhóis e, pela sexta vez em seis edições da prova, trouxe para o lado de cá da fronteira o título Ibérico de Orientação em BTT, no que ao sector masculino diz respeito. O evento ficou marcado pela não comparência da equipa Junior feminina de Portugal, possibilitando à Espanha a conquista do título feminino.


O Centro Internacional de Innovación Deportiva en el Medio Natural “El Anillo”, na Extremadura espanhola, foi o epicentro do Campeonato Ibérico de Orientação em BTT 2010. Integrado no I Trofeo Extramadura de Orientación en Bicicleta de Montaña 2010, prova pontuável para a Liga Nacional espanhola 2010 e para a Taça de Portugal de Orientação em BTT 2009/2010, o VI Campeonato Ibérico de Orientação em BTT partilhou atenções e emoções com os Campeonatos de Espanha 2010 de Distância Média e de Distância Longa, o Campeonato de Espanha 2010 das Comunidades Autonómicas e ainda o Campeonato de Extremadura 2010 de Distância Média e de Distância Longa.

Organizado pela FEDO – Federación Española de Orientación e pela FEXO – Federación Extremeña de Orientación, com apoios da Mancomunidad de Trasierra – Tierras de Granadilla (Cáceres), dos Ayuntamientos de Guijo de Granadilla, Ahigal e Zarza de Granadilla (Cáceres), da Junta de Extremadura e do Programa Cooperación Transfonteriza España – Portugal, o evento contou com um índice de participação muito abaixo de qualquer expectativa, saldando-se em 168 o número de atletas presentes em Espanha, 91 dos quais portugueses (!), distribuídos por 11 escalões de competição e três escalões abertos. As ausências de Ana Filipa Silva e de Margarida Colares acabaram por marcar estes Campeonatos pela negativa, uma vez que tiveram influência directa no que à atribuição do título Ibérico feminino de Selecções diz respeito. Sem equipa para o representar no escalão Júnior feminino, Portugal ofereceu “de barato” 16 pontos à Espanha e viu fugir-lhe um título que seria seu por direito próprio.

Portugal, 8 – Espanha, 4

Disputada em Ahigal, a prova de Distância Longa abriu as hostilidades na manhã de sábado. O mapa, da autoria de Mario Vidal Triquell (escala 1:25000, equidistância 5 metros), com traçado de percursos de José Ramón García Pardos, apresentou zonas muito abertas, declive pouco acentuado, rede de caminhos variável e de boa transitabilidade, proporcionando corridas interessantes e colocando a tónica sobretudo nas capacidades físicas dos atletas. Daniel Marques e Susana Pontes chamaram a si os títulos ibéricos no escalão sénior, com Eduardo Sebastião e Ana Gomes a triunfarem em Veteranos e os títulos de Juniores a ficarem em Espanha, graças aos desempenhos de Borja Varela Paz e de Ana Romero Gonzaléz. Contas feitas ao primeiro dia de provas, Portugal liderava no sector masculino com 30 pontos contra 24 da Espanha, enquanto no sector feminino a vantagem pertencia a “nuestras hermanas” por 51 pontos contra 45 das portuguesas.

Para o último dia ficou a disputa da prova de Distância Média, com saída do casco urbano de Guijo de Granadilla. Em termos de Mapa, a prova apresentou características semelhantes às da véspera e até os resultados acabaram por ser algo coincidentes, com Portugal a arrecadar de novo quatro títulos no plano individual, contra dois da Espanha. Daniel Marques juntou ao título ibérico de Distância Longa também o de Distância Média, enquanto no sector feminino Maria Amador trocou de lugar no pódio com Susana Pontes e arrecadou o título. José Marques e João Palhinha, respectivamente em Veteranos e Juniores Masculinos, alcançaram os restantes títulos. A competir sem oposição, a junior espanhola Ana Romero González imitou Daniel Marques e teve honras de subida ao lugar mais alto do pódio pela segunda vez, enquanto no escalão de Veteranos Femininos o triunfo coube a Estefania Bernardino Ortega. Ao nível de selecções nacionais, vitória de Portugal no sector masculino, com um total de 60 pontos contra 48 da Espanha, enquanto no sector feminino a Espanha vincou o triunfo por uma margem de 6 pontos (51 contra 45 das portuguesas).

Lamento

No cômputo geral deste I Trofeo Extremadura de Orientación en Bicicleta de Montaña 2010, destaque para o facto de oito dos onze escalões de competição terem sido vencidos por atletas portugueses. Daniel Marques (COC) e Susana Pontes (CPOC / Loja das Bicicletas) triunfaram nos escalões principais. A eles juntam-se Eduardo Sebastião (Clube TAP) e Alice Silva (GDU Azóia) em Veteranos A, Luís Sousa (Clube TAP) e Luisa Mateus (COC) em Veteranos B, André Gonçalves (BTT Loulé) em Juvenis Masculinos e Alda Marcelo (Ginásio CF) em Seniores Femininos B.

A finalizar, regresso ao tema que, para o bem e para o mal, mancha estes Campeonatos. A não comparência das nossas atletas Juniores parece-me um assunto demasiado sério para passar sem uma explicação. Escusando-me a tecer comentários ou a emitir juízos de valor, lembro apenas que é de envergar a camisola das quinas e de elevar o nome de Portugal que se trata quando alguém é convocado para representar o País. Ora, o que se passou é inadmissível. Gostaria ainda de ressalvar o facto das contas destes Campeonatos Ibéricos terem sido feitas por mim, partindo da interpretação que faço do Regulamento da competição. Com efeito, os resultados não estão ainda publicados na página oficial do evento – descobri, inclusivé, que o site da FEDO não sofreu qualquer actualização em 2010, no que aos resultados da Orientação em BTT diz respeito – e o e-mail enviado a Jose Luis Vega Cano, Director e Coordenador da Organização da prova, não teve resposta. Assim, peço desde já desculpa por qualquer incorrecção que possa existir e agradeço, caso seja julgado conveniente, que me façam chegar eventuais achegas.

Mais informações na página da Federación Extremeña de Orientación, em http://www.fexo.org/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

3 comentários:

Ana Filipa disse...

Boa noite.

Perante isto, e apesar de ter explicado a situação à Federação, acho que todos merecem uma explicação. Vou falar por mim, embora saiba que os motivos da Margarida são basicamente os mesmos que os meus.

Como todos devem calcular eu ainda estudo... Estou no meu segundo ano de um curso que pretendo fazer em cinco dado que é a duração do mesmo. Acontece que este semestre as coisas não estão a correr tão bem como esperava. E agora que entro em exames e o tempo parece tão pouco para acompanhar todas as cadeiras, é necessário estabelecer prioridades. O ano passado prescindi de uma semana de exames para ir ao Campeonato do Mundo na Dinamarca... Devo dizer que não me saí muito bem. Este ano decidi que a faculdade ia ser a primeira prioridade e por isso faltei já a algumas provas da Taça de Portugal e agora ao Campeonato Ibérico.

Sei que muitos dos nossos atletas de topo também estudam, muitos deles Medicina, o que for, e continuam a treinar e a empenharem-se e a conseguir conciliar tudo. A eles, todo o mérito! Sem dúvida nenhuma! Mas temos de compreender que não somos todos iguais, não temos todos a mesma motivação e não conseguimos sempre aquilo que os outros (e nós mesmos) esperam de nós.

Aproveito para dar os Parabéns aos novos Campeões Ibéricos e para lançar a discussão...
Será mais grave duas atletas faltarem a um campeonato ibérico porque precisam de estudar ou não haver outras atletas que as substituam? É estranho nunca ninguém pegar neste assunto... Podem ver os rankings, as classificações das provas... Continuamos a ver um aumento do número de jovens nas nossas provas, mas é só rapazes! Neste momento só eu e a Margarida é que participamos "regularmente" nas Taças de Portugal. O que se passa?
Acredito que isto não seja deixado em branco.

E já me alonguei mais do que esperava,
Cumprimentos a todos.

Luisa disse...

Bom Dia.
Antes de mais quero dar os parabéns à Ana Filipa pelo seu comentário.
Os jovens têm mesmo de estabelecer prioridades e a orientação não dá pão !!! e a de BTT pelo contrário !!!!!! Os custos são mais que muitos !!!

Realmente foi muita pena não ter havido atletas juniores femininas suplentes, mas a vida é mesmo assim.

Aproveito para desejar muita sorte (!) aos nossos atletas para os exames que se avizinham.

Alexandre Liberato disse...

Espero que os exames corram bem à Filipa e ao resto dos atletas que ainda estudam.
Penso que não se podem responsabilizar os atletas pelos títulos que a federação não ganha, perguntaria primeiro que acções foram tomadas para substituir a Margarida e a Filipa, uma vez que já se sabia que elas não poderiam comparecer pelos motivos já explicados. Ou será que os dirigentes federativos só se lembraram de confirmar, no meio da semana do próprio Campeonato Ibérico, quem estava disonivel para participar ou não.