quinta-feira, 10 de junho de 2010

ORIENTAÇÃO E PENTATLO AERONÁUTICO

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Tem lugar em Salamanca, de 13 a 17 de Junho próximos, o 53º Campeonato Mundial Militar de Pentatlo Aeronáutico. Pentatlo Aeronáutico? Mas o que terá isto a ver com o Desporto da Floresta para cair assim “de pára-quedas” no Orientovar? Fique por aí que já vai saber.

Há doze dias atrás, chegou à caixa de correio do Orientovar uma mensagem curiosa. Vinha da parte de Paulo Oliveira, Tenente-Coronel da Força Aérea Brasileira, chefe da equipa brasileira que marcará presença na próxima semana em Salamanca no LIII Campeonato Mundial Militar de Pentatlo Aeronáutico e continha um pedido no mínimo imprevisto. No fundo, era a solicitação de apoio para a equipa de oito pessoas, presentes em Portugal de 6 a 10 de Junho, no sentido de podermos organizar uns treinos de Orientação na zona de Lisboa. A razão era simples: É que uma das modalidades do Pentatlo Aeronáutico é a Orientação.

Encaminhada a mensagem para quem de direito, procurei aprofundar a questão do Pentatlo Aeronáutico. Consultei algumas fontes, percebi que as competições de âmbito internacional são realizadas sob os auspícios do Conselho Internacional do Desporto Militar (CISM) e atrevi-me a ir mais longe, indagando junto de Paulo Oliveira os seus fundamentos. É o resultado de agradáveis “conversas” que está na origem deste artigo.

Afinal, o que é o Pentatlo Aeronáutico?

Em 1948, o Comandante Edmond Petit, da Força Aérea Francesa, teve a ideia de criar uma competição especial para os pilotos de aeronaves. O objectivo era motivar os jovens pilotos e orientá-los para um treino específico, visando a protecção individual e a melhoria profissional. Inicialmente restrita a pilotos, actualmente qualquer militar aeronavegante pode participar da modalidade.

O Pentatlo Aeronáutico compreende as seguintes provas: Competição Aérea, na qual o participante é responsável pela navegação aérea de uma aeronave voando em baixa altura (em torno de 600 pés / 200 m) num circuito triangular de aproximadamente 40 minutos; Tiro, com a prova a consistir em 20 tiros com pistola de ar comprimido num alvo a uma distância de 10 metros (cada tiro é realizado em até 40 segundos); Natação, num circuito de 100 metros em estilo livre, onde o atleta nada os últimos 50 metros tendo que passar por baixo de dois obstáculos de 4 metros de comprimento; Esgrima, na qual os atletas disputam uma poule única (todos combatem contra todos uma única vez) em combates de três toques, sendo a arma utilizada a espada.

O Basquetebol é a quinta modalidade, numa variante individual composta por duas fases. Na primeira fase, o atleta deve converter cinco bolas alinhadas na linha de lance livre, cada bola distante entre si de 1,8 metros. Na sequência, ele conduz uma bola ao longo do terreno de jogo num circuito específico, tendo que converter o cesto em ambas as tabelas. Por fim, fica por debaixo do cesto e tem que converter uma bola 10 vezes seguidas. A segunda fase é composta por 20 lances livres, sendo os 10 primeiros com tabela (obrigatoriamente, a bola tem que bater primeiro na tabela) e os 10 últimos sem (a bola é proibida de tocar na tabela nestes últimos10 lances livres); Pista de obstáculos, na qual o atleta deve percorrer um circuito de 300 a 400 metros, vencendo 10 a 12 obstáculos. Finalmente a Orientação, na qual o concorrente deve passar por pontos de controle numa região desconhecida, utilizando como auxílio mapa e bússola. A distância do percurso varia geralmente entre os 6 e os 8 km de tal forma que o tempo do vencedor é de aproximadamente 45 minutos.

Pentatlo Aeronáutico ou Heptatlo Aeronáutico?

Naturalmente que esta explicação levanta uma dúvida, na medida em que a designação deveria ser a de Heptatlo Aeronáutico face às sete modalidades enunciadas. Forçando um pouco mais a paciência de Paulo Oliveira, a explicação surgiu desta forma: “Realmente, parece contraditório, mas vou tentar explicar. Originalmente não havia a Prova Aérea. Ela foi incluída posteriormente. Actualmente, é uma competição à parte e não é obrigatória. O país que organiza o Campeonato define se irá proporcionar a Prova Aérea ou não. Assim, existe o troféu para a Prova Aérea e o troféu para as modalidades desportivas terrestres. Mas o que conta mesmo para definir o país campeão são as modalidades terrestres. A Prova Aérea não tem peso algum.”

Mesmo assim, ainda sobram seis modalidades... “Entretanto, a modalidade em que o atleta obtiver a menor pontuação é eliminada, contando, dessa forma, apenas as cinco melhores provas. Há alguns anos atrás era diferente: Havia a prova de "Evasão", que reunia duas modalidades numa só, o que dava um total de cinco provas. O atleta fazia a pista de obstáculos e após um dado intervalo fazia a prova de Orientação. Acho que consegui explicar.” Conseguiu, sim senhor!

O Brasil nos Campeonatos

Em jeito de resenha histórica, refira-se que a Suécia é o país que apresenta o melhor palmarés nos Campeonatos, quer individual, quer colectivamente, embora a Finlândia, a Espanha e o Brasil, apresentem igualmente excelentes resultados. Quanto ao Brasil, através de pilotos da sua Força Aérea, podemos dizer que começou a competir em Campeonatos Mundiais da modalidade no ano de 1972, tendo alcançado os seguintes resultados expressivos: Campeão por equipas em 1989, 1991 e 2006; Vice-Campeão por equipas em 1977, 1985, 1986, 1988, 1994, 1998, 2007 e 2008; 3° lugar por equipas em 1984, 1990, 1992, 1995, 1996 e 2009. Campeão individual em 1989 e 1997.

Resta agradecer ao Tenente-Coronel Paulo Oliveira as suas explicações, estimar que a estadia em Portugal tenha decorrido de acordo com as expectativas e desejar o maior sucesso para a equipa da Força Aérea brasileira e para cada um dos seus elementos. E, já agora, que na Orientação possa residir a chave do sucesso. Uma espécie de “desempate a penaltis” e que o Brasil vença por 15-0.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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1 comentário:

David Sayanda disse...

Não fazia ideia da existência de uma competição destas...:O
Obrigado por nos ter proporcionado esta agradável leitura.

Abraço