sábado, 26 de junho de 2010

O MEU MAPA: FERNANDA FERREIRA, GJERN BAKKER E O WOC 2006

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Perante o desafio de escrever sobre uma experiência marcante da Orientação, desde logo senti que a escolha não seria nada fácil. Em 15 anos de prática da modalidade, são tantas e tão variadas as memórias!... Algumas muito boas… outras nem tanto. Cada prova é uma aventura… recheada de emoções, alegrias, decisões, às vezes frustrações e muitas peripécias.

Mais do que esmiuçar a experiência de um só mapa, de uma só prova, gostaria também de partilhar o que me vai na alma sobre o “ nosso desporto”. A Orientação, como filosofia de vida, proporciona um convívio salutar entre os vários atletas e uma fantástica oportunidade de testar e desenvolver as nossas capacidades em perfeita harmonia com a natureza. A paixão é tal que, faça chuva, faça sol, com trovoada, granizo, vento, enfim… não se falta à Orientação!

A escolha

Do Minho ao Algarve, passando pelo Alentejo e não esquecendo a pérola do Atlântico, são tantas as provas que recordo com satisfação que talvez fosse mais lógico seleccionar uma prova nacional. No entanto, a decisão recaiu numa prova internacional para poder dar um testemunho mais rico (espero eu) e que possa despertar curiosidade a outros que pensem aventurar-se como eu e a minha família fizemos.

Após a participação nos 5 Dias da Suíça-Itália (2001), no O’ Ringen – 5 Dias da Suécia (2002) e nas provas da Eslovénia e República Checa (2005), pensámos que a melhor forma de passar férias era esta de conciliar o desporto com as viagens ao estrangeiro. Foi assim que decidimos no Verão de 2006 levar a aventura ainda mais longe e lá partimos de novo na nossa carrinha, os quatro, rumo à Dinamarca e ao WOC Tour! Sabemos que os países nórdicos fazem da Orientação uma modalidade de eleição e depois daquilo que pudemos apreciar na Suécia ficou o “ bichinho” de descobrir mais e mais…Em boa hora escolhemos este destino!

Motivação

Acompanhar de perto um Campeonato do Mundo de Orientação - apoiando os atletas da nossa Selecção e participando nas provas organizadas em simultâneo -, conhecer um novo país no que tem de seu melhor - a floresta – e aproveitar as férias para contactar com outras culturas por essa Europa fora.

A viagem de Águeda até à Dinamarca (Arhus) correu como planeado…


Acampámos em Tilst, no relvado do Langkaer Gymnasium e aí começou a outra parte da aventura. Tivemos logo a boa surpresa de ver o ambiente de festa entre os participantes, instalados em grupos, divididos por países, e os portugueses, nossos vizinhos portanto, eram a Raquel Costa e o Pedro Nogueira.

Uma curiosidade: à nossa esquerda era o espaço dos ingleses e deparámos com uma família digna de registo pela perseverança e até algum espírito de sacrifício – um casal jovem (30 anos) e 4 filhos, a mais velha com cerca de 5 anos, um casal de gémeos com pouco mais de 3 e a mais novinha com 1 ano e meio; viajaram de Inglaterra de carro, com um atrelado para transportar o carrinho de bebé e bicicletas para os pequenos; dava gosto apreciar a azáfama matinal, a entreajuda das crianças, as mochilas quase maiores que elas próprias e lá iam todos para as provas… Fantástico o gosto pelo desporto!

A competição

Nos 6 dias de prova tivemos contacto com mapas bem diferentes. A minha melhor classificação foi a do 6º dia - 19ª em 50 atletas -, no entanto escolhi o mapa da 5º etapa para falarhoje, porque foi um dia muito animado e diferente.

A manhã foi passada na Arena a acompanhar a chegada das selecções, entre as quais a nossa comitiva formada pela Maria Sá, Lídia Magalhães, Tiago Aires, Joaquim Sousa, Marco Póvoa e Celso Moiteiro, orientados por Bruno Nazário, dando o seu melhor e tendo todo o nosso apoio, demonstrado com palmas e gritos de incentivo. Poder ver aqueles atletas de topo a correr na floresta, acompanhar em directo a competição entre os melhores do mundo… foram momentos muito bons, imagens fantásticas projectadas em ecrã gigante e que permanecem na minha memória!



A Prova em Gjern Bakker

À tarde decorreu então a prova do WOC Tour e lá fui eu, bem disposta e ansiosa por mais um dia na floresta. O mapa era desafiante, as zonas verdes, as amarelas e as azuis misturavam-se numa agradável sintonia de cores! O percurso não era longo, apenas 3,1km… Parecia tudo ideal para uma prova perfeita! Grande engano… terminei na 35ª posição entre 57 atletas, com o tempo de 55.30 (mais 22 minutos que a vencedora)!

Parti confiante pois o 1º ponto era próximo, identifiquei bem a zona e demorei 1.26 a encontrar o ponto (apenas mais 19 s que a vencedora); as dificuldades começaram logo de seguida… o 2º ponto encontrava-se numa reentrância, numa zona com alguns verdes, analisando agora até parece bem fácil, no entanto perdi cerca de 4 minutos; consegui depois realizar o percurso de forma mais regular até ao ponto 6 e para o ponto7 também não foi difícil, uma vez que as áreas abertas, a estrada alcatroada, o ponto de abastecimento e as curvas de nível facilitaram a navegação; para o ponto 8 tinha boas referências, mas despistei-me e perdi mais 4 minutos; o ponto 9 era muito próximo e foi fácil lá chegar; recuperei a confiança, mas o pior estava para vir! Para o 10º ponto tinha de atravessar uma extensa zona alagadiça e ao escolher caminho, claro que me desviei da rota tendo perdido mais 5 minutos; os últimos 2 pontos não representaram problema e lá terminei mais uma prova cheia de emoção!

Este dia 4 de Agosto terminou da melhor forma, comendo bolo e bebendo champanhe na companhia da Raquel e do Pedro, para comemorar o aniversário do meu filho Fausto. Foi portanto um dia inesquecível!

A salientar

Não posso deixar de referir ainda outros aspectos que me agradaram particularmente na Dinamarca: o aspecto cultural e a consciência ambiental bem visível, o hábito salutar de andar de bicicleta (por todo o lado se vêem as ciclovias) e finalmente, mas muito relevante, o respeito demonstrado pelo desporto Orientação. O Príncipe Frederico presidiu às cerimónias oficiais do evento e acompanhou a entrega de prémios, numa atitude de dignificação da modalidade. Que bom seria se o mesmo acontecesse em Portugal com os nossos governantes!

Termino agradecendo a oportunidade que o amigo Joaquim Margarido me deu de apresentar este testemunho, que pretendo seja apenas uma partilha de experiências.

Fernanda Ferreira
Desportivo Atlético de Recardães
Fed 1640
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