quinta-feira, 3 de junho de 2010

EOC PRIMORSKO 2010: ALGUMAS IMPRESSÕES EM DIA DE PAUSA

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Aproveitando o dia de pausa nos Campeonatos da Europa de Orientação Pedestre, alguns atletas da nossa selecção presentes em Primorsko fizeram para o Orientovar um balanço das provas até ao momento. São esses testemunhos que agora partilhamos neste espaço.


Excepto a prova de qualificatória do Sprint e a Estafeta do dia de ontem, sei que realizei boas provas. Sei que fiz uma boa prova na qualificatória da Média e na da Longa também, apesar de o lado físico na ultima competição referida ter prejudicado em muito o tempo final. Não me parece correcto que [o Joaquim Margarido] faça estas apreciações sem saber a opinião dos atletas em causa. Este Campeonato não é mesmo nada para esquecer! É para lembrar todos os dias, pois foi ele que nos deu a possibilidade de contactar com os valores máximos da modalidade, e de nos fazer ver o quanto ainda temos para treinar. Por isso o que se sente aqui agora é motivação! Falo por mim e pela Joana Costa, enquanto atletas ainda juniores aqui presentes, e cujo objectivo de época é o EYOC 2010 - Espanha e não esta competição, que saímos daqui com a mala cheia de vontade e de garra para treinar.

Uma prestação de um atleta não se resume àquilo que aparece na folha de resultados. A questão é que nesta competição só estão presentes os melhores de entre os melhores. Quando analiso os meus resultados nesta competição não penso "fiquei em último, é para esquecer". Analiso parciais, traço opções, converso com outros atletas, reflicto sobre a minha prestação. Parece-me evidente que comparar resultados de uma atleta ainda júnior, que não se encontra em pico de forma e esteve recentemente parada por mais de um mês por motivo de lesão, com atletas seniores que aqui estão na sua máxima força, é errado. Enquanto que muitos atletas estão aqui a trabalhar por resultados, estou aqui a lutar pela experiência. Por isso vemos alguns atletas a pouparem-se nas finais, nos treinos, porque estão evidentemente a pensar no que aí vem mas, para mim, não encaro esta competição assim.

É importante que se perceba que um último lugar não significa uma má prova. Da mesma forma que um primeiro não significa uma prova brilhante. As conclusões sobre o nível da prestação, para um atleta que está num quadro competitivo que ainda não é o seu, devem ser tiradas em função de parciais, auto reflexão, etc. Como já referi, a minha prestação aqui, é vista como um processo de aprendizagem e de experiência. Quando no EYOC2005 ficamos as três (Isabel Sá, Joana Costa e Mariana Moreira) nos últimos 20 lugares da tabela classificativa, se tivéssemos tomado a atitude que o Joaquim Margarido parece transmitir nas suas palavras, não teriam sido alcançados top15 nos anos seguintes.

Isabel Sá


Tem sido uma experiência muito enriquecedora sem dúvida, correr ao lado dos melhores do mundo e num terreno que, para mim, foi o melhor em que já corri. No Sprint e na Média nunca tive quaisquer expectativas, e isso foi evidente no resultado. Quanto à Longa, parti com bastante confiança, mas foi muito duro e eu ainda não tenho "cabedal" para aquelas andanças. Mas para mim, sem dúvida, é o apuramento mais fácil de alcançar. Retiro desta viagem duas conclusões, primeira é que me sinto ao alcance duma final na Longa, segunda é que tenho de melhorar (e bastante) a minha componente física.

David Sayanda


A semana que antecedeu o início da competição revelou-se muito importante para a minha preparação, uma vez que consegui tirar partido de alguns treinos que possibilitaram uma adaptação à cartografia e ao terreno que estamos a contactar. Quanto às competições, fiquei contente com as provas que realizei, apesar de ter perdido algum tempo nas provas. Esta é uma oportunidade crucial para ganhar experiência, tomar contacto com outros terrenos e principalmente correr ao lado das melhores atletas do mundo. Posso dizer que vou sair da Bulgária com mais força para treinar e trabalhar os pontos que faltam melhorar. Para as provas que se avizinham, o meu objectivo é tentar não cometer erros e ter especial atenção nas opções para as pernadas longas.

Joana Costa


Este é o 11º dia na Bulgária. Os primeiros dias foram de treino e, do meu ponto de vista, uma grande mais valia na adaptação ao terreno e um exemplo a repetir mais frequentemente. Como em qualquer competição, as expectativas eram altas. No entanto, sabíamos à partida que cada selecção tem direito ao dobro dos atletas em cada qualificatória, o que dificultaria o apuramento para as finais A. No Sprint estivemos muito perto de ser apurados. Sem menor mérito, estivemos mais longe deste objectivo na Média e na Longa e aqui temos de considerar outros factores. Por um lado, podendo ser encarado pelos mais cépticos como desculpas de mau perdedor, não estamos habituados a competir neste tipo de terreno com vegetação mais cerrada; são terrenos mais duros em que a progressão é consideravelmente mais difícil. Por outro, ao contrário da maioria das restantes selecções, não temos rodagem neste tipo de competições internacionais.

Deste modo, com a aposta que o nosso governo faz na Orientação (sensivelmente metade das verbas em relação aos vizinhos espanhóis com os quais se pode comparar os resultados directamente) penso que temos um balanço francamente positivo. No entanto, não estamos satisfeitos e queremos mais. Acreditamos que, com os meios que temos, em poucas épocas tornaremos um apuramento para a final A um feito corriqueiro. Quanto às Finais B, encarámos a final secundária de Sprint como um treino e apenas participaram os atletas que manifestaram essa intenção. As restantes Finais B serão encaradas como se de Finais A se tratassem.

Pessoalmente, fiquei bastante desiludido com a minha prestação na Média e Longa. As minhas prestações menos boas deveram-se sobretudo ao facto de ter alterado as minhas rotinas de navegação devido à pressão psicológica de ser a minha primeira competição internacional como Sénior. Esses momentos serviram como momentos de aprendizagem para a minha evolução como atleta. No Sprint e na Estafeta fiquei satisfeito com a minha prestação. Ter passado o testemunho em conjunto com as equipas da Rússia1 e Áustria1 foi um momento que gostei bastante.

Miguel Silva



Sabia que um apuramento num Europeu é muito mais difícil do que num Mundial, pois nos Europeus temos dois atletas dos países mais fortes em cada série e no Mundial só um, por isso temos no Europeu metade das possibilidades de apuramento para a final.
Mas o meu resultado eu vejo-o pelos erros cometidos e pelo tempo perdido para os vencedores, e sendo assim não foi um EOC como eu esperava, ainda por cima depois de três erros ontem na Estafeta. Agora temos duas finais B e espero dois bons resultados.

Joaquim Sousa


As provas de apuramento não me correram bem. Se no primeiro apuramento (Sprint) o nervosismo falou mais alto, nos apuramentos da Média e Longa foi a falta de experiência a nível internacional. Esta é a primeira vez que estou presente num Cmpeonato de Seniores e admito que os resultados não foram bons, mas muito honestamente encaro esta participação como uma nova experiência, como uma forma de motivação para treinar mais. Claro que sonhamos ir sempre mais alto e entrar nas Finais A era algo que desejava... Não consegui... No entanto dei o meu melhor e quem conhece a verdadeira realidade percebe isso.

Catarina Ruivo


Sobre a minha participação, obviamente eu mais do que ninguém sinto-me desapontado com os erros que cometi no Sprint e na Média. No Sprint estava a fazer uma prova muito boa até ao 13º ponto, onde estava em 15º lugar, e acabei por passar um ponto à frente e ter de voltar para trás num erro demasiado básico (pois perdi quase um minuto num Sprint), mas bem indicativo da falta de rodagem nos últimos dois anos em eventos importantes. Na Distância Longa a conclusão é muito simples: ainda não tenho treino para uma prova com aquelas características (terreno muito sujo e muito desnível). Na qualificatória da Média voltei a cometer um erro muito grande nos ponto 4 e 5 onde pensava que tinha tudo controlado, pois estive no fosso correcto mas não vi o ponto logo à primeira e acabei por ir para o local errado. Neste evento, também com uma prova sem erros não era impossível entrar numa final. Após estes três eventos estava muito desiludido comigo, pois apesar de ter treinado muito e bem, não estava a conseguir lidar com a pressão de estar num terreno diferente, a competir com os melhores do mundo, pois simplesmente a minha forma de fazer orientação não estava a fluir como normalmente acontece, estava sem qualquer dúvida a acusar a pressão. Felizmente decorreu a prova de Estafetas onde foi possível realizar uma prova quase perfeita e bater-me com muitos dos grandes nomes mundiais e livrar-me um pouco desta sensação.

Percebi na prova de Sprint e Média que o nível dos atletas Portugueses está melhor do que no passado, pois já e possível sem erros, vários de nós pensarmos em entrar numa final. O que nos falta neste momento, é mais experiência internacional. Estes momentos são muito importantes para repensar nos métodos e conceitos de treino, pois quero fazer bem melhor. Sei que os resultados individuais foram aquém das minhas possibilidades, mas sinto que estes momentos são óptimos para recarregar baterias de motivação. Felizmente tenho observado que este sentimento acontece com quase todos os atletas, o que poderá ser importante para o futuro.

Tiago Aires

[Foto extraída da página pessoal de Joaquim Sousa, AQUI]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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