segunda-feira, 7 de junho de 2010

4 DIAS DO MINHO: A FESTA DAS ESTAFETAS EM FIM DE FESTA

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Os 4 Dias do Minho chegaram ao fim com uma sempre espectacular prova de Estafetas. Em ambiente de festa, foram atribuídos os últimos títulos nacionais da época 2009/2010, a última do calendário federativo a englobar dois anos civis.

Chegaram ao fim os 4 Dias do Minho. Organizado pelo .COM - Clube de Orientação do Minho, com os apoios da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, ARDAL – Associação Regional de Desenvolvimento do Alto Lima e Federação Portuguesa de Orientação, o evento encerrou quatro jornadas de Orientação de grande nível, convocando os interesses de muitos entusiastas da modalidade.

Ponto alto do evento, a 16ª edição do Campeonato Nacional de Estafetas foi disputada por 114 equipas – algumas delas mistas -, distribuídas por 13 escalões de competição e ainda pelos incontornáveis “Popular Curto” e “Popular Longo”. A ausência de alguns dos nossos melhores valores - devido à participação nos Europeus da modalidade em Primorsko (Bulgária) – não retirou emotividade aos Campeonatos, com a incerteza quanto aos vencedores a manter-se até ao derradeiro momento e a levar ao rubro uma plateia verdadeiramente extraordinária e que não regateou aplausos e incentivos aos concorrentes em prova.

Tiago Romão marcou a diferença

No escalão Séniores Masculinos, o COC – Clube de Orientação do Centro foi o grande vencedor, reeditando o título alcançado na época transacta na Serra da Cabreira. O tempo final da turma leiriense foi de 1.43.23, menos 8.14 do que o segundo classificado, o Ori-Estarreja. A diferença de tempos entre ambos os contendores parece deixar subentender que se tratou duma vitória fácil, mas a verdade é que foi tudo menos isso. Começou melhor o Ori-Estarreja, com Diogo Miguel a impor-se a Paulo Franco por largos 4.36. A tendência acentuou-se no percurso intermédio, já que Rafael Miguel – um atleta ainda juvenil e que tanto promete - bateu claramente Gildo Silva, entregando o testemunho ao seu colega de equipa, João Amorim, com uma vantagem de 9.15 sobre os seus grandes adversários, para um percurso que se adivinhava de consagração.

A verdade é que João Amorim nunca se terá visto em situação semelhante e acusou em demasia a responsabilidade, não conseguindo aguentar a pressão de saber atrás de si um Tiago Romão que, a cada passada, lhe ganhava terreno e encurtava distâncias. No final, contas feitas, a diferença de 17.19 entre ambos garantiu ao COC um triunfo absolutamente saboroso, sobretudo porque parecia perdido. O CPOC – Clube Português de Orientação e Corrida terminou na terceira posição com o tempo de 1.58.28.

Pequena-grande Susana

O Grupo Desportivo 4 Caminhos foi o grande vencedor no escalão Sénior Feminino, um feito alcançado pela primeira vez na história do clube e celebrado efusivamente pela grande timoneira da equipa, a Campeã Nacional de Distância Longa e Absoluta 2009/2010, Maria Sá, como se percebe pela foto que abre este texto. A vitória da turma matosinhense começou a alicerçar-se na excelente prestação da júnior Susana Alves, a primeira a entregar o testemunho com um parcial de 35.28, surpreendentemente à frente da bem mais cotada Lídia Magalhães (ADFA).

A veterana Isabel Bonifácio fez igualmente o melhor tempo no segundo percurso, entregando o testemunho a Maria Sá com uma vantagem de 9.25 sobre a ADFA e já com o Ori-Estarreja a mais de quarenta minutos (!). Maria Sá limitou-se a gerir a vantagem, acabando por ampliá-la para uns larguíssimos 19.56 e completando a prova com um tempo de 2.00.37. O Ori-Estarreja ocupou a terceira posição do pódio com um registo de 3.08.23.

A força do GD4C

O Grupo Desportivo 4 Caminhos acabou por ser a grande figura destes Nacionais ao conseguir mais três títulos graças às excelentes prestações das suas equipas de Juvenis Femininos, Juniores Masculinos e Veteranos Femininos I. No caso dos Juniores, este é igualmente o primeiro título do clube neste escalão, enquanto as Veteranas recuperaram um título que lhe fugira nas últimas quatro temporadas. Já as Juvenis fizeram jus à qualidade da formação no clube, muito alicerçada no Desporto Escolar, conquistando o quarto título em cinco temporadas. O grande derrotado foi o GafanhOri – Clube de Orientação da Gafanhoeira – Arraiolos, que depois dos sensacionais cinco títulos alcançados na época transacta, alcançou nos Arcos de Valdevez apenas dois, precisamente em Iniciados Femininos e em Veteranos Masculinos III.

O COC foi o segundo clube em número de títulos, juntando ao de Seniores Masculinos os de Veteranos Masculinos II e Veteranos Femininos II. No sector masculino, o COC e a ADFA travaram uma luta de alta intensidade, apenas decidida no último percurso graças a um desempenho de grande nível de Albano João, face a um inconformado Daniel Pires. A turma leiriense voltou assim a quebrar a hegemonia da ADFA e tem agora três títulos conquistados nos últimos nove anos, contra seis da turma eborense. No sector feminino, sem surpresas, Isabel Monteiro, Palmira João e Luísa Mateus continuam absolutamente imparáveis e são já sete os títulos alcançados em outras tantas edições disputadas neste escalão.

OriMarão surpreende em Veteranos I

O CPOC chegou ao título em Iniciados Masculinos e em Juniores Femininos, em ambos os casos por escassa margem, o que acaba por conferir um sabor especial às vitórias. No escalão de Iniciados, apenas 20 segundos separaram a equipa vencedora da ADFA (e, já agora, a diferença para o quarto classificado, o GafanhOri, foi de 1.10), enquanto no caso das Juniores foi possível assistir a um duelo intenso entre a turma de Oeiras e o equipa do GafanhOri, apenas decidido no último percurso com uma sensacional Vera Alvarez a virar o resultado a seu favor quando tudo parecia estar perdido. Em Juvenis Masculinos, a ADFA venceu com a maior margem de tempo para o segundo classificado, precisamente 40.28 (!) sobre o GD4C.

Propositadamente deixamos para o fim o triunfo do OriMarão no escalão de Veteranos I, realmente a grande surpresa destes Campeonatos. As expectativas apontavam para uma luta emocionante a várias mãos, com os vencedores das cinco últimas edições – COC, Ori-Estarreja, CPOC, GD4C e ADFA – a quererem renovar ou recuperar o título, e ainda com o Clube de Praças da Armada à espreita dum qualquer deslize. A ADFA até começou melhor, com Jorge Correia a passar o testemunho em primeiro lugar, mas Manuel Santos deitou tudo a perder no segundo percurso. Mais aberta do que nunca, a luta pelo título jogou-se no último percurso entre o Clube de Praças da Armada, o CPOC e o OriMarão, com João Santos a fazer uma prova irrepreensível e a dar o título à turma de Vila Real. Um título que serve de estímulo e assenta como uma luva a um clube que, apesar das naturais dificuldades, vai fazendo um excelente trabalho de dinamização e descentralização da modalidade em Portugal.


Controvérsia

A recusa do Clube GafanhOri em comparecer à Cerimónia de Entrega de Prémios acabou por ensombrar uma festa que, sob múltiplos aspectos, se revelou inesquecível. Sentindo-se tratada de forma injusta e discriminatória, a turma arraiolense mostrou desta forma o seu descontentamento face aos acontecimentos. Mas o melhor é reproduzirmos as palavras de Raquel Costa, Presidente do clube, no final do evento: “De forma voluntária os atletas decidiram que, não estando no pódio as equipas que deveriam estar [2º lugar em Juniores Masculinos e em Seniores Femininos], então não estaria ninguém. Foi uma decisão de todos. Esta situação prende-se com os atletas que fizeram anos em Maio, que tinham a sua situação regularizada aquando da data-limite da 1ª inscrição [23h59 do dia 22 de Maio] – como aliás consta do Regulamento de Competições – e que estão regulares à data da prova, com os Exames Médicos Desportivos em dia. A Organização sabe disso, sabe que os atletas estão filiados, que estão renovados e, apesar disso, excluiu-os pura e simplesmente da classificação.”

As últimas palavras reflectem o seu inconformismo: “Lamento que a Organização não atendesse a esta situação e tudo tenha feito para dificultar qualquer entendimento, acabando por tomar uma decisão que nos prejudica. É uma situação em tudo igual à que ocorreu nos Nacionais de Sprint e de Distância Média em Vinhais. Só que aí a Organização da ADFA agiu devidamente, ao passo que o .COM foi uma vergonha.”

“Não quero mais filhos!”

As últimas palavras são de Filipe Marques, o Director da Prova, em jeito de balanço: “Foi um sacrifício grande, em termos familiares e profissionais, mas penso que valeu a pena e que as coisas correram bem. Desde já uma palavra para os mais novos, já que somos uma equipa de cerca de trinta e cinco elementos, dos quais apenas dez adultos, e os mais pequeninos foram, sem dúvida, espectaculares. São miúdos que pertencem aos quadros da EDOM, são miúdos de excelência em termos escolares, estamos em final de ano lectivo e as prioridades são, naturalmente, os estudos. Mas a verdade é que vieram, muitos delas estão com tarefas organizativas pela primeira vez e só encontro elogios para vincar a forma como souberam estar e para o precioso auxílio que deram.” Mas percebe-se no discurso que organizar esta prova envolveu momentos de enorme ansiedade: “A grande dificuldade prendeu-se com o cumprimento dos “timings”. O programa deveria ter saído mais cedo e acabou por ser uma correria todo o trabalho de montar o evento. A articulação com as instituições que nos apoiaram correu bem, tivemos apoios excelentes mas foi tudo trabalhado no limite e resultou num desgaste muito grande.”

Referindo os aspectos positivos e negativos, Filipe Marques salientou: “Aquilo que me deixou mais satisfeito foi o cumprimento do programa dos 4 Dias do Minho sem quaisquer sobressaltos. Não tive oportunidade de contactar os atletas mas foram-me chegando impressões de que esse “feed-back” foi muito positivo. De menos positivo, aquilo que destacaria e que me deixa realmente triste tem a ver com o facto de termos tido uma participação muito baixa. Gostaríamos que tivesse estado cá mais gente, que desfrutasse destes mapas e destes percursos mas também que se deliciassem com toda esta beleza, todo este verde.” A terminar, uma revelação curiosa quando questionado sobre se o voltaremos a ver brevemente numa Direcção de Prova: “Tenho estado em todas as provas que organizamos a cada quatro anos e, em todas elas, a minha mulher está grávida. Primeiro, em 2002, estava grávida da minha filha mais velha. Depois, em 2006, no POM em Chaves, da mais nova. Agora está grávida do terceiro. Penso que já chega. Não quero mais filhos!”

Resultados completos AQUI.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

(O Orientovar viajou a convite da ARDAL – Associação Regional de Desenvolvimento do Alto Lima e da Câmara Municipal dos Arcos de Valdevez, tendo ficado alojado no Hotel da Ribeira)
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2 comentários:

Ana disse...

De facto, o clube .COM está de parabéns pelo fim-de-semana espectacular que nos proporcionou, mesmo para quem não viveu por dentro as emoções das estafetas. Foi tudo excelente! Desde os terrenos ao traçado dos percursos, passando pela localização das arenas e com o tempo a ajudar, e de que maneira! Vejam as fotos dos jovens (e não só) do CPOC a tomarem banho no tanque que havia no terreno de prova do Mezio e já percebem do que estou a falar. Enfim, foi pena ter acabado… Mas não vale a pena ficarmos tristes pois os próximos “4 dias do Minho” também prometem ser excelentes!

Filipe Marques disse...

Como director de prova não posso ficar alheio aos comentários da Raquel Costa. Antes de mais quero deixar aqui registado o quanto louvo o trabalho desenvolvido pelo Tiago e pela Raquel. No trabalho da formação com jovens vocês vieram fixar a "fasquia" muito mais alta. Os resultados internacionais na camada jovem falam por si. E nesse aspecto estão de parabéns. Relativamente ao sucedido nos Campeonatos Nacionais, também lamento o sucedido.
Por vezes as organizações vêem-se obrigadas a tomar decisões que não são fáceis, no entanto as decisões que foram tomadas, foram tomadas sob consulta de varias pessoas. A organização so recebeu da FPO a lista dos novos atletas com a situação regularizada na sexta feira, a menos de 24h do CNDL. Dados as circunstâncias, regulamentos, momento, implicações informaticas e secretariado... E medonho para uma organização, como deverão entender. Esperemos que no futuro estas situações não voltem a aconter e que a FPO tome as devidas medidas.
Cumprimentos respeituosos.