terça-feira, 18 de maio de 2010

A MINHA ESCOLA: EB 2,3 PADRE DONACIANO DE ABREU FREIRE

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Após um breve interregno, a rubrica “A Minha Escola” está de regresso, viajando hoje até Estarreja, no Distrito de Aveiro. Com a ajuda da Professora Eugénia Tavares, procuramos conhecer um pouco melhor a Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos Padre Donaciano de Abreu Freire e em particular o seu Grupo-Equipa de Orientação, um ilustre estreante nestas andanças do Desporto Escolar.


Donaciano da Silva Bastos de Abreu Freire, “um dos maiores oradores sagrados portugueses do século XX”, no dizer de Filipe de Figueiredo (1985), é filho do concelho de Estarreja, tendo nascido em Pardilhó no ano de 1889. Figura relevante do nosso país, durante a primeira metade do século XX, detentor de uma obra literária multifacetada – poesia, dramaturgia, crítica literária, jornalismo, epistolografia – o Padre Donaciano consumiu quase toda a sua vida na pastoreação da freguesia de Beduído. Não foi fácil a sua carreira intelectual. Pelo contrário, foi acidentada e penosa, embora brilhante. Por isso, entendeu por bem dotar a terra que lhe foi confiada dos meios necessários à instrução e educação dos jovens.

Homem extremamente sensível aos problemas dos outros, em 1923, o Padre Donaciano congregou esforços, reuniu boas vontades, constituiu um corpo docente com a “prata da casa”, contratou pessoal administrativo, arrendou um edifício, obteve o alvará e abriu o Externato de Estarreja, junto à capela de S. Gonçalo, perto da única Escola Primária da vila, a Escola de Conde Ferreira, no coração geográfico da freguesia, entre a zona rural e a urbana. Mais tarde, em 1931, em parceria com outros ilustres, funda o Colégio D. Egas Moniz, com os cursos primário, liceal e comercial, para alunos internos, semi-internos e externos, com secções masculina e feminina. Hoje, o Padre Donaciano de Abreu Freire mantém perpetuado o seu nome num edifício construído de raiz no lugar de Arrotinha, o qual, desde o ano lectivo 1999/2000, não só designa a Escola como, também, ainda que de forma não oficial, uma entidade mais vasta de espaços e de propósitos que é o Agrupamento Vertical de Escolas de Estarreja. *

Quem é Eugénia Tavares?

É precisamente aqui que vamos encontrar a Professora Eugénia Maria de Oliveira Tavares. Nascida em 11 de Novembro de 1962, na freguesia de Beduido (Estarreja), a Professora Eugénia Tavares é a grande dinamizadora do recém-criado Grupo-Equipa de Orientação. Licenciada em Educação Física e Desporto, com a opção de Atletismo, pela Faculdade de Ciências de Desporto e Educação Física da Universidade do Porto, no ano de 1990, realizou a Profissionalização em Serviço na Escola Preparatória de Albergaria-a-Velha no ano de 1994.

Iniciou a sua docência no ano lectivo 1987/88, na Escola Preparatória Egas Moniz, de Estarreja. Durante estes anos leccionou na Escola Preparatória Egas Moniz de Estarreja, Escola EB 2/3 Padre António Morais da Fonseca, Escola Preparatória Bento Carqueja de Oliveira de Azeméis, Escola Preparatória de Albergaria – a - Velha, Escola EB 2/3 da Branca, Escola EB 2/3 Padre António Morais da Fonseca e desde o ano lectivo 1998/99 que lecciona na Escola do 2.º e 3.º Ciclos Padre Donaciano de Abreu Freire – Estarreja. No ano lectivo 2002/03 passou a fazer parte do Quadro de Nomeação Definitiva da Escola EB 2/3 Padre Donaciano de Abreu Freire – Estarreja. No presente ano lectivo lecciona uma turma de quinto ano e duas de sexto ano, sendo Directora de Turma de um sexto ano. Professora das áreas curriculares não disciplinares – Área de Projecto e Formação Cívica – é Delegada de disciplina do 2.º Ciclo e a responsável pelo núcleo de Desporto Escolar – Orientação.

“Apetece chegar ao final da semana e vir para a floresta”

Orientovar – Como é que conheceu a Orientação?


Professora Eugénia Tavares - O meu primeiro contacto com a Orientação ocorreu há uns anos atrás, talvez em 1989 ou 1990, quando ainda andava a estudar. Na altura fizemos um trabalho sobre a modalidade em Lamego, mas as coisas ficaram por aí. Todavia, a vida vai mudando e cheguei a uma fase em que me apetece chegar ao final da semana e vir para a floresta. Foi dessa forma que, no início deste ano lectivo, contactei com o Professor Paulo Pinto, responsável pelo Grupo-Equipa de Orientação da Escola Secundária de Estarreja e com algumas pessoas ligadas ao Clube Ori-Estarreja, surgindo esta oportunidade de arrancar com o Grupo-Equipa de Orientação da Padre Donaciano Abreu Freire.

Orientovar – O que é que a Orientação tem de importante para as crianças em idade escolar?

Professora Eugénia Tavares – Penso que a Orientação é muito diferente dos outros desportos de competição num particular aspecto. Durante a prova, os miúdos não estão submetidos ao ‘stress’ duma assistência que está a reparar naquilo que fazem de bem ou de mal. Na Orientação estão entregues a si próprios, muito mais libertos, não há o treinador a berrar cá fora, não há o pai nem a mãe a comandar. Aqui são apenas as suas capacidades naturais e intelectuais a funcionar. A competição é com eles próprios. Aprendem a concentrar-se e aprendem com os próprios erros, o que para mim é fundamental.

“Também estou a aprender”

Orientovar – Há um processo de aprendizagem dos alunos mas há também, fruto da sua ainda curta experiência, uma reciprocidade nesse processo. Como é encarada por si esta situação?

Professora Eugénia Tavares – A nível técnico, os meus conhecimentos são muito limitados. Essa é a grande lacuna, porque eu também estou a aprender. Mas temos uma parte muito boa que advém do apoio do Clube Ori-Estarreja que nos ajuda em todo este processo de formação. Os treinos são programados e há sempre alguém do clube presente. São eles que nos fornecem todo esse apoio. Há também miúdos que pertencem a este Grupo-Equipa e que são atletas federados no Clube Ori-Estarreja e que, graças ao maior conhecimento que possuem, explicam aos colegas e explicam-me a mim. É uma aprendizagem em conjunto.

Orientovar – E como é que tem evoluído esta aprendizagem em conjunto?

Professora Eugénia Tavares – Tem evoluído bastante bem, julgo eu. O Grupo-Equipa de Orientação deve andar pelos 29 ou 30 alunos, na sua esmagadora maioria frequentando o 5º e 6º ano de escolaridade. A maior parte são meninas já que os rapazes nesta idade ainda só pensam em Futebol. Temos participado num bom número de treinos e de provas e agora já reconheço uma série de aspectos relacionados com o mapa e com o terreno que me permitem transmitir, sobretudo àqueles que vêm pela primeira vez, algumas noções básicas.

“Há sempre alguns que não vêm porque os pais não deixam”

Orientovar – Quanto aos elementos facilitadores do desenvolvimento deste projecto, onde é que entram a Escola Padre Donaciano de Abreu Freire, o Clube Ori-Estarreja e a carolice da Professora Eugénia Tavares?


Professora Eugénia Tavares – Há muita carolice da minha parte e um contributo excelente por parte do Clube Ori-Estarreja, porque a nível escolar é tudo muito difícil. Há um protocolo que envolve a Padre Donaciano Abreu Freire, a Secundária de Estarreja e o Clube Ori-Estarreja e que tem funcionado muitíssimo bem. É ao fim-de-semana que conseguimos articular entre todos de forma a podermos treinar, já que à semana não é possível. O espaço da Escola não o permite, é muito aberta, o mapa que temos é rudimentar e foi feito por mim. Mas estou com eles, vimos até cá fora, analisamos mapas de provas que já fizemos, estudamos os elementos do mapa, as curvas de nível, as cotas, as depressões, a sinalética…

Orientovar – E os pais dos alunos aceitam bem que as crianças faltem à cataquese para praticar Orientação?

Professora Eugénia Tavares – (risos) Aceitam, aceitam… Mas há sempre alguns que não vêm porque os pais não deixam. É a catequese, ou é a música, ou é a dança… E como a Orientação ocupa a manhã de sábado ou o dia todo e coincide com estas actividades, a prioridade não é claramente a Orientação.

“Serão mais os pontos fracos do que os pontos fortes”

Orientovar – Como é que projecta a evolução do seu Grupo-Equipa?


Professora Eugénia Tavares – Estes alunos quando terminam o segundo ciclo seguem para a Escola Secundária de Estarreja e são integrados no Grupo-Equipa orientado pelo Professor Paulo Pinto. Aliás, a ideia subjacente à criação do Grupo-Equipa de Orientação da Padre Donaciano Abreu Freire foi precisamente a de proporcionar aos alunos um contacto o mais precocemente possível com a Orientação, mas numa perspectiva de continuidade. É um projecto que assenta na nossa Escola ao nível da captação e o facto de termos também o primeiro ciclo faz com que a menina mais nova do Grupo tenha apenas 9 anos de idade.

Orientovar – Duma forma mais geral, consegue perceber pontos fortes e pontos fracos na dinâmica da Orientação a nível do Desporto Escolar?

Professora Eugénia Tavares – Relativamente aos desportos colectivos, a dinâmica é muito menor e serão mais os pontos fracos do que os pontos fortes. Penso que isto tem a ver sobretudo com questões de carácter social, uma vez que a projecção da Orientação não se compara à do Andebol, do Basquetebol ou do Futsal, por exemplo. Mesmo o reconhecimento da Orientação por parte da comunidade em que se insere a Escola - e isto apesar de se falar muito em Orientação aqui em Estarreja - não tem comparação com aquilo que se passa ao nível dos desportos colectivos. Talvez a Orientação seja ainda vista com alguma desconfiança, os miúdos não estão dentro de quatro paredes, ou dentro da pista ou da piscina e há sempre aquele receio deles se perderem. E acresce o facto de não haver mais escolas aqui à volta com Grupos-Equipa de Orientação, o que torna os quadros competitivos de âmbito local e regional pouco participados.

“Rodeados de natureza”

Orientovar – Se um dia, por hipótese, tiver uma centena de miúdos para vir a uma prova e precisar da ajuda dos seus colegas, que argumentos utilizaria?


Professora Eugénia Tavares – (risos) Não seria fácil… Talvez tentasse convencê-los que isto é um desligar completo do dia-a-dia, é um convívio muito puro, muito saudável, estamos rodeados de natureza… Talvez utilizando este tipo de argumentos.



1 comentário:

Ricardo disse...

Olá. Gostaria de saudar a professora pelo facto de, não tendo grandes ligções à modalidade, ter abraçado um projecto de Orientação. Atendendo ao facto de existir um clube e uma escola secundária já com a modalidade no Desporto Escolar, esta perspectiva global que faz com que também uma escola básica "entre" localmente na modalidade, como bem a professora refere, é um bom exemplo de como se pode desenvolver um projecto de forma articulada na comunidade. Boa sorte par o projecto.
rc