domingo, 30 de maio de 2010

EOC PRIMORSKO 2010: O SPRINT DO NOSSO DESCONTENTAMENTO

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Não começou da melhor forma a participação portuguesa no EOC Primorsko 2010. Os maus resultados das provas qualificatórias da prova de Sprint tiveram uma expressão pouco melhor nas finais, com a equipa das quinas, no seu conjunto, a cotar-se numa posição pouco confortável na lista de 31 países presentes na competição. Resta a certeza que, daqui para a frente, as coisas só podem melhorar.

No primeiro dia de provas dos Campeonatos da Europa de Orientação Pedestre, a sorte foi madrasta para as nossas cores. Tudo começou com as séries qualificatórias esta manhã e onde, mais uma vez, Portugal esteve uns furos abaixo das expectativas, sem garantir qualquer lugar na final A (Marco Póvoa, em 2004, continua a ser excepção a uma regra que não nos é favorável de todo). No sector feminino, 48 segundos separaram Joana Costa da tão desejada final, ela que foi a nossa melhor atleta, alcançando o 22º lugar na segunda série com um tempo de 14.49. Catarina Ruivo e Isabel Sá, com os tempos de 21.32 e 19.10, respectivamente, quedaram-se pelos últimos lugares nas suas séries.

Quanto ao sector masculino, o panorama não foi particularmente diferente. Na segunda série, Pedro Nogueira classificou-se no 25º lugar com o tempo de 15.01, acabando por ser o nosso melhor representante, ainda que a 40 segundos dum lugar na final A. Também no 25º lugar, mas na terceira série, ficou Miguel Silva com um registo de 15.20. Os restantes portugueses alcançaram as seguintes posições: Série A – 28º Jorge Fortunato 16.17; 34º Joaquim Sousa 17.07; Série B – 33º David Sayanda 16.33; Série C – 27º Tiago Aires 15.46.

O que eles disseram

Sem grandes elementos para podermos dar conta da forma como decorreram as provas, socorremo-nos do inestimável trabalho de Joaquim Sousa na sua página pessoal [AQUI
] para adiantar que, na opinião do decano da nossa selecção, “foi uma prova, não muito complicada tecnicamente, mas muito rápida”, com “a primeira parte numa floresta muito rápida, depois um pouco de cidade e para finalizar dunas”. Joaquim Sousa adianta ainda um pormenor relativamente ao mapa: “A zona de floresta parece muito fácil, por causa dos aceiros que lá tem, só que no terreno e principalmente em corrida esses aceiros não se vêem, pois no chão não tem caminho e a copa das árvores cobrem completamente todo o terreno.” Quanto à sua prova, ficou marcada por “um erro no ponto 2, que me fez perder mais de um minuto, mas de resto não cometi mais erros”. Todavia, “mesmo sem esse erro, era impossível para mim conseguir um lugar na final”, confessa a terminar.

Ainda na mesma página pode ler-se o testemunho de David Sayanda: “As minhas expectativas para o Sprint nunca foram altas, pois o Sprint não me é favorável. Todavia, perder 50 segundos logo no segundo ponto deu cabo da minha prova toda! No resto da prova perdi mais uns 20 segundos sensivelmente, o que feitas as contas me deixava a 40/50 segundos da final…Muito bom para mim seria esse resultado, que além de ser obtido com grande mérito (fiz a prova sozinho), seria obtido por atleta ainda júnior e, como muitos sabem, a velocidade não é o meu ponto forte. Amanhã é a Longa e, azar dos azares, estou a partir mesmo no inicio. Mas ao contrário das expectativas do Sprint, as da Longa estão em alta. Vamos a ver o que sairá daqui!”

Qualificatórias: vencedores e vencidos

No sector masculino, o ucraniano Oleksandr Starov, o finlandês Vesa Taanila e o norueguês Olav Lundanes venceram as respectivas séries. O sueco Emil Wingstedt, o suíço Daniel Hubmann e o russo Andrei Khramov, os três medalhados da prova de Sprint do último europeu, alcançaram facilmente um lugar na grande final. De fora ficaram o nosso bem conhecido Ionut Zinca (Roménia) e ainda Martins Sirmais (Letónia), Simonas Krepsta (Lituânia), Mattias Millinger (Suécia), Jan Prochazka (República Checa) e Tero Föhr (Finlândia), entre outros. Igualmente arredados da final A ficaram os três atletas espanhóis em prova (Javier Ruiz de la Herrán, Biel Rafols Perramón e Daniel Martin de los Rios).

Nas senhoras, as grandes favoritas Simone Niggli (Suiça) e Helena Jansson (Suécia) quiseram vincar desde logo a sua condição, vencendo as respectivas séries. A vitória na terceira série coube à sueca Lena Eliasson. A Espanha conseguiu apurar para a final A Carla Guillén Escribá e Anna Serralonga Arques, ficando de fora apenas Ona Rafols Perramón, 18ª na sua série e a escassos 6 segundos do apuramento.

Títulos para Fabian Hertner e Helena Jansson

Depois da medalha de prata no WOC Miskolc 2009, o suíço Fabian Hertner alcançou a sua primeira medalha em Campeonatos Europeus, chegando com mérito ao ouro. Imediatamente atrás classificou-se o actual líder do ‘ranking’ mundial, o seu colega de selecção Daniel Hubmann, que alcança assim a sua quinta medalha de prata nesta competição, ele que não teve ainda o prazer de chegar ao ouro (não devemos “esperar muito mais pela demora”). O terceiro lugar coube ao anterior campeão europeu, o sueco Emil Wingstedt. Campeão mundial em título, o russo Andrey Khramov não foi além do 11º lugar, imediatamente à frente da grande esperança búlgara para um hipotético lugar no pódio, o “voador” Kiril Nikolov. Impressionante mesmo é verificar como a Suiça conseguiu meter os seus seis elementos nos oito primeiros lugares da classificação.

No sector feminino, a luta entre a sueca Helena Jansson e a suiça Simone Niggli esteve ao rubro. Campeã mundial em título, a atleta nórdica fez valer o maior poderio físico, garantindo a sua primeira medalha de ouro individual em Campeonatos da Europa, depois do título europeu de Estafeta com a selecção do seu país. Campeã europeia de Sprint em 2004 e 2006, Simone Niggli classificou-se no segundo lugar, enquanto a terceira posição coube, com alguma surpresa, à dinamarquesa Maja Alm, naquele que constitui o seu melhor resultado de sempre em grandes competições internacionais.

Resultados
Masculinos

1º Fabian Hertner (Suiça) 14.45
2º Daniel Hubmann (Suiça) 15.11
3º Emil Wingstedt (Suécia) 15.14
4º Matthias Merz (Suiça) 15.21
5º Matthias Mueller (Suiça) 15.24
6º Tue Lassen (Dinamarca) 15.29
7º Andreas Kyburz (Suiça) 15.33
8º Marc Lauenstein (Suiça) 15.35
9º Vesa Taanila (Finlândia) 15.37
10º Graham Gristwood (Grã-Bretanha) 15.41

Femininos
1º Helena Jansson (Suécia) 14.36
2º Simone Niggli (Suiça) 14.56
3º Maja Alm (Dinamarca) 15.44
4º Angela Wild (Suiça) 15.53
4º Elise Egseth (Noruega) 15.53
6º Dana Brozkova (República Checa) 16.08
6º Signe Soes (Dinamarca) 16.08
8º Céline Dodin (França) 16.10
9º Karolina A-Höjsgaard (Suécia) 16.12
10º Caroline Cejka (Suiça) 16.22
10º Sarah Rollins (Grã-Bretanha) 16.22

Portugueses nas Finais B


A presença portuguesa nas finais B reduziu-se a dois terços relativamente às qualificatórias da manhã. Com efeito, Tiago Aires, David Sayanda e Jorge Fortunato abdicaram da sua participação, decidindo resguardar-se para as qualificatórias da prova de Distância Longa de amanhã. Quanto aos restantes atletas, as prestações voltaram a ficar uns furos abaixo das expectativas, salvando-se Isabel Sá e Joana Costa, 14ª e 17ª classificadas, com os tempos de 16.40 e 17.43. Entre ambas, na 16ª posição classificou-se a espanhola Ona Rafols Perramón, o que acaba por dar alguma expressão e valor ao resultado das meninas do GD4C.

Os restantes resultados dos nossos atletas foram os seguintes: No sector masculino, Miguel Silva ocupou o 32º lugar com o tempo de 16.12, enquanto Pedro Nogueira e Joaquim Sousa foram os 36º e 37º classificados, com registos de 17.03 e 17.13, respectivamente. Finalmente, no sector feminino, Catarina Ruivo não foi além da 23ª e última posição, com o tempo de 19.17.

Mais informações e resultados completos em
http://eoc2010.bgorienteering.com/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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