sábado, 29 de maio de 2010

EOC PRIMORSKO 2010: A FESTA VISTA POR BRUNO NAZÁRIO

.

Arranca amanhã, na Bulgária, o EOC Primorsko 2010. Ao longo de uma semana de competição ao mais alto nível, 244 atletas de 31 países lutarão pelos títulos europeus de Sprint, Distância Média, Distância Longa e Estafetas.

Situada numa pequena península na costa do Mar Negro, Primorsko concentra, a partir de amanhã e ao longo da próxima semana, o interesse e as atenções de orientistas do mundo inteiro. Está em marcha o 8º Campeonato da Europa de Orientação Pedestre, competição que envolve 244 atletas de 31 países e que, para além dos títulos em disputa, marca o início da Taça do Mundo 2010.

Já este domingo terão lugar as séries qualificatórias e a final da prova de Sprint, em três zonas urbanas, zonas de parque e dunas, dentro e à volta de Primorsko. Nos dois dias seguintes assistiremos às séries qualificatórias das provas de Distância Média e de Distância Longa. A quarta-feira está reservada para a prova de Estafetas. O EOC 2010 encerra com as finais de Distância Média (sexta-feira, 4 de Junho) e de Distância Longa (sábado, 5 de Junho).

Presenças e ausências

Os actuais líderes do ‘ranking’ mundial, os suíços Daniel Hubmann e Simone Niggli, têm presença confirmada na prova. Ao seu lado estarão nomes bem conhecidos como os de Thierry Gueorgiou (França), Andrey Khramov (Rússia) ou Minna Kauppi (Finlândia). Os grandes ausentes do Europeu são o sueco Martin Johansson, as norueguesas Marianne Andersen e Anne Margrethe Hausken e a sueca Linnea Gustafsson, todos por motivo de lesão.

Portugal marca presença no certame com Tiago Aires, Jorge Fortunato, Joaquim Sousa, Miguel Reis e Silva, David Sayanda e Pedro Nogueira, no sector masculino, e ainda Joana Costa, Isabel Sá e Catarina Ruivo, no feminino. Bruno Nazário, seleccionador nacional e grande timoneiro desta equipa, aceitou falar para o Orientovar e faz-nos um ponto da situação a poucas horas do início dos Campeonatos.

“Sinto que os atletas estão perfeitamente adaptados”

Orientovar - Agora que chega ao fim o Campo de Treino e a Competição está prestes a começar, que balanço faz da estadia na Bulgária até ao momento?

Bruno Nazário - Um balanço extremamente positivo. Estes dias serviram para que os atletas ganhassem um conhecimento do terreno e do tipo de cartografia, o que lhes permite ter uma segurança muito maior na navegação. Sem esta adaptação é impossível conseguir navegar a 100%, pois os atletas nunca terão a confiança necessária para ir sempre “a fundo”. Além disso, o simples facto de termos chegado mais cedo do que o habitual parece ter um efeito apaziguador da normal ansiedade competitiva. Tudo parece mais normal… o local de alojamento é conhecido, estamos habituados à alimentação e, mais importante do que isso, estamos adaptados ao clima, actualmente muito quente e húmido.

Neste momento sinto que os atletas estão perfeitamente adaptados e que já perceberam a forma de navegar neste fantásticos bosques da Bulgária. Para finalizar a nossa preparação, ontem realizámos uma prova de treino que nos permitiu pôr à prova essa adaptação. Uma prova efctuada em ritmo reduzido, que teve como objectivo a realização dum percurso sem erros.

“O pior até ao momento foi a organização dos treinos”
.
Orientovar - As condições oferecidas pela Organização estão a ir de encontro às expectativas?

Bruno Nazário - Por restrições orçamentais, normalmente não optamos por ficar no Event Centre, pois é sempre o alojamento mais dispendioso. Apesar disso, as condições que nos são oferecidas são ideais. Estamos num local tipo parque de bungalows, em plena zona embargada para a prova de Sprint, em plena comunhão com o meio ambiente, sendo as refeições num edifício central a 300 metros do nosso alojamento. O pior até ao momento foi a organização dos treinos. A deslocação foi programada para pudermos cumprir o último Campo de Treino oferecido pela organização. Sendo um Campo de Treino oficial, era de esperar que tivéssemos treinos preparados, com percursos traçados e pontos na floresta, e estivessem ao nosso dispor mapas actualizados e com uma cartografia semelhante à da competição. Tal não aconteceu, tendo sido necessário, em algumas ocasiões, traçar percursos e/ou colocar os pontos na floresta. No entanto, tudo correu sem sobressaltos e os atletas puderam cumprir uns bons treinos de adaptação.
.
Orientovar - Qual o ambiente no seio da nossa Selecção?

Bruno Nazário - Temos uma selecção com idades muito díspares, o que à partida conduz a que existam formas de estar diferentes. No entanto, essa diferença não está a afectar o ambiente dentro da selecção, muito pelo contrário. Contribui até para uma troca de experiências muito benéfica para os atletas mais jovens.

“Tenho a certeza que todos estão na melhor forma”
.
Orientovar - Há algum problema físico que afecte os nossos atletas ou está tudo na forma ideal quando amanhã começar a competição?

Bruno Nazário - Do ponto de vista dos atletas seniores, tenho a certeza que todos estão na melhor forma de toda a sua época. Aliás, algo de que nos devemos orgulhar é a evolução observada em termos de treino, quer ao nível do planeamento, quer da qualidade e volume do mesmo. Temos neste momento um conjunto de atletas que evoluíram muito, fisicamente, não só os presentes mas também alguns que não conseguiram ser apurados. Para esses fica uma palavra de alento, pois só com um grande grupo de atletas a evoluir é que conseguimos melhorar no global a Orientação em Portugal.

Quanto aos mais jovens, o principal objectivo da sua época passa pelo EYOC, nos casos da Joana Costa e da Isabel Sá, ou do JWOC, no caso do David Sayanda. Portanto, apesar de estarem em boas condições físicas, não estão em pico de forma.

Oreientovar - O que é que os nossos atletas vão encontrar?

Bruno Nazário - Vão encontrar um terreno tipicamente continental. Nas qualificatórias da Longa e da Média e na Estafeta, esperamos uma floresta com boa/média visibilidade, caracterizado por um relevo linear, interrompido por vários vales e fossos com algum micro-relevo nas suas imediações. Já para as finais de Longa e Média o terreno terá, previsivelmente, mais desnível e a floresta terá menos visibilidade.

“Tenho algumas expectativas para a prova de Sprint e também para a Longa”
.
Orientovar - Pessoalmente, quais as provas onde deposita maiores esperanças num bom resultado?

Bruno Nazário - Antes de responder a essa pergunta convêm esclarecer a forma de funcionamento do Campeonato da Europa (EOC). Ao contrário do que acontece no WOC (Campeonato do Mundo), onde apenas podem participar 3 atletas de cada país mais o Campeão do Mundo, no EOC participam 6 atletas mais o Campeão da Europa. Isso faz com que os países que dominam a modalidade possam ter mais atletas a participar em cada qualificatória. Uma vez que apenas se qualificam para a final 17 atletas de cada qualificatória (apenas mais 2 por qualificatória quando comparamos com o WOC), a tarefa de obter um lugar na final é muito mais difícil. Mesmo assim tenho algumas expectativas para a prova de Sprint (pois esperamos que mais de 50% seja em terreno de dunas, que nos é muito familiar) e também para a Longa. Mas quero mesmo é que esta participação continue o ciclo de evolução que temos tido nos últimos anos, e que os resultados em crescendo nos escalões jovens se estendam aos Seniores. Tenho quase a certeza que isso acontecerá a curto/médio prazo.

Orientovar - Neste momento, qual é a sua maior certeza?

Bruno Nazário - Que os atletas sairão da Bulgária com mais experiência e que esse ganho se vai reflectir em resultados futuros.

Toda a informação na página oficial do evento, em
http://eoc2010.bgorienteering.com/. Pode ainda acompanhar o dia-a-dia da nossa selecção na página pessoal de Joaquim Sousa AQUI, com as últimas actualizações, fotos e ainda duas breves impressões de Catarina Ruivo e Jorge Fortunato.
.

.
[Fotos gentilmente cedidas por Bruno Nazário]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
.

1 comentário:

february disse...

boa a sorte a todos!!!