quinta-feira, 15 de abril de 2010

PELO BURACO DA FECHADURA: IV ORI-BTT DO CENTRO

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Em ano de Campeonato do Mundo em Portugal, a Orientação em BTT ao mais alto nível está de regresso a este cantinho à beira-mar plantado. Pontuável para o ‘ranking’ mundial da modalidade, o IV Ori-BTT do Centro traz novamente ao nosso país alguns dos melhores valores da modalidade e promete emoção e muita e boa Orientação. É isso que conferimos hoje com Ricardo Serra, o Director da Prova, espreitando o evento pelo buraco da fechadura.

Está aí o IV Ori-BTT do Centro, prova de Orientação em BTT a contar para o ‘ranking’ mundial da modalidade e cuja organização é da responsabilidade do COC - Clube de Orientação do Centro. Para os amantes da modalidade, as imediações da Caranguejeira (Leiria) oferecem um “dois em um” absolutamente desafiante: Uma prova de Distância Longa e outra de Distância Média, num terreno rápido, com algum desnível, onde a destreza física associada à técnica apurada permitirá distinguir o melhor atleta para ultrapassar a rede de caminhos apresentada.

O número de atletas inscritos ultrapassa as três centenas, 52 dos quais inscritos no escalão de Elite masculina e 28 no escalão de Elite feminina. Nomes como os do russo Viktor Korchagin (10º classificado do ‘ranking’ mundial), dos finlandeses Samuli Saarela (11º) e Jussi Laurila (15º), dos franceses Matthieu Barthélémy (16º) e Stéfane Toussaint (17º) e do português Daniel Marques (19º), a par das finlandesas Ingrid Stengard (5ª) e Marika Hara (6ª) e das russas Nadiya Mikryukova (7ª) e Ksenia Chernyck (8ª), concorrem para elevar exponencialmente o nível qualitativo do evento. Para nos falar disto e muito mais, convidámos Ricardo Serra, o Director da Prova, a abrir-nos as portas deste “seu” evento.


“Começo a sentir de forma mais premente o peso da responsabilidade”

Orientovar - Dois meses volvidos sobre o Portugal O’ Meeting, o COC volta a enfrentar um grande desafio internacional, desta feita na variante da Orientação em BTT. Como encara mais uma enorme responsabilidade?

Ricardo Serra - Como a segunda duma maratona de quatro organizações que o COC conquistou para esta época. Ainda nos falta o XII Grande Prémio RA4, já em Junho, e a Taça dos Países Latinos / XVIII Campeonato Ibérico / XII Meeting do Centro, em Setembro. Claro que na presente prova tenho algumas responsabilidades acrescidas.

Orientovar - É sobre os seus ombros que pesa a tarefa de Director de Prova. Como é entendido este “injectar de sangue novo” nas tarefas organizativas ao mais alto nível e de que forma está a viver a experiência?

Ricardo Serra - A injecção foi necessária para distribuir as responsabilidades das várias provas, de modo a cumprir o plano a que o COC se propôs para esta época. Foi também uma vontade de angariar novas ideias e visões. Mas não tenho ilusões, a experiência e conhecimento dos elementos do clube têm sido fundamentais para o evento. Neste momento começo a sentir de forma mais premente o peso da responsabilidade, mas agora já só falta a concretização da prova e esperar que tudo corra bem.


“A ajuda dos sócios foi também muito importante”

Orientovar - A quarenta e oito horas do grande momento e olhando um bocadinho para trás, quais os grandes passos dados para a concretização deste IV Ori-BTT COC e as maiores dificuldades que foi necessário ultrapassar?

Ricardo Serra - O primeiro passo consistiu em aceitar o desafio, ainda em 2007, e proceder à respectiva candidatura. Na altura mostrei interesse no WRE mas a proximidade de datas em relação ao POM suscitou duvidas quanto à exiguidade da prova. No entanto, acabámos mesmo por aceitar o desafio. Assim, a maior dificuldade talvez tenha consistido em gerir e distribuir as forças entre POM e este evento, sem esquecer os eventos seguintes. Isto a nível de contactos com autarquias, patrocinadores e outras entidades, tal como o tratamento da burocracia necessária e ligações com parceiros para o evento, o que levou a um desdobramento interessante. A ajuda dos sócios foi também muito importante para conseguirmos realizar o evento.

Orientovar - Numa apreciação sucinta às Informações Técnicas e aos percursos, ressaltam valores de desnível acumulado muito grandes. Que mapas e terrenos vão os atletas encontrar na região da Caranguejeira?

Ricardo Serra - Realmente a prova tem uma componente física importante, no entanto, o vencedor terá também de conjugar a capacidade de leitura de mapa e respectiva decisão acertada. A rede de caminhos completamente assimétrica trará grandes dificuldades na escolha da melhor opção, que nem a escala escolhida (1:15.000) facilitará. O desnível da área onde decorre a prova nem é dos mais elevados comparativamente com outras provas. Obviamente que o desnível acumulado irá fazer-se sentir, o que também faz parte do interesse, obrigando os atletas a manterem-se concentrados e confiantes nas suas decisões.


“É sempre bom recordar as Normas para que tudo corra pelo melhor”

Orientovar - No quadro de inscritos, pode ver-se um leque de atletas internacionais muito forte. Como é que avalia a qualidade competitiva que se configura para este evento?

Ricardo Serra - Olhando para os inscritos, parece estar reunidas todas as condições para uma boa luta. É mesmo isso que pretendemos, ter uma disputa de posições até ao final.
Nas inscrições femininas aparecem várias nomes do top 10 mundial. Esperamos uma grande luta onde as nossas atletas nacionais terão de dar o seu melhor para garantir uma boa prestação. Já nos masculinos o pelotão internacional apresenta também grandes valores. A luta espera-se portanto muito acesa. Nestes “melhores” está incluído o nosso Daniel Marques, 19º classificado do ranking mundial, o qual contamos que participe embora ainda em recuperação, logo sem pressões. Dos restantes atletas nacionais, sei que todos irão dar o seu melhor, já que um bom resultado em casa tem um sabor especial. A proximidade da data dos Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT, em Montalegre, constituirá seguramente um incentivo extra para lutar por um resultado que - quem sabe? - poderá representar um lugar na respectiva Selecção Nacional.


Orientovar - Um dos aspectos mais marcantes nos últimos dias e que foi alvo de reflexão por parte de diversos agentes ligados à modalidade tem a ver com o respeito pelas Regras e Normas de Conduta. Percebe-se da parte da Organização deste IV Ori-BTT do centro essa particular preocupação, nomeadamente ao inserir excertos dos Regulamentos na página oficial da prova. Que opinião tem acerca do assunto e de que forma pretendem fazer respeitar os valores que concorrem para que a verdade desportiva não seja falseada?

Ricardo Serra - Esses foram colocados como alerta. É sempre bom recordar as Normas para que tudo corra pelo melhor. Também sou atleta de Ori-BTT e realmente, durante o calor da prova, por vezes somos invadidos por uma competitividade tal que leva a alguns exageros. Neste fim-de-semana iremos, por isso, ter algum cuidado com o fazer cumprir essas regras. Na nossa prova, existe uma estrada interdita (à volta do limite do mapa). Esta tem algum trânsito rápido que pode criar perigo para os atletas. Aqui será exigido (e controlado) o respeito pela interdição. Já nas opções referentes ao mapa haverá também controlo, mas essencialmente teremos de confiar em cada atleta, já que será impossível estar em todo o lado. Neste caso, temos a vantagem do terreno nem sempre permitir tais aventuras, pelo menos de maneira vantajosa.


“Que tudo corra bem e que a competição seja do agrado de todos”


Orientovar - Extra-competição, há seguramente um bom leque de motivos que concorrem para tornar este IV Ori-BTT do Centro um evento bem apelativo. Quer-me falar nisso?

Ricardo Serra - Para aumentar a festa iremos ter em directo os resultados de pontos-rádio intermédios para os escalões de Elite. Deste modo, contamos aumentar a emoção e o interesse no decorrer da prova. Estes resultados serão transmitidos para um ecrã presente na arena para consulta dos atletas. Os resultados finais dos vários escalões irão também sendo actualizados. A nível de apoios é importante referir a Escola EB 2/3 Dr. Correia Alexandre e a respectiva Associação de Pais. Estes disponibilizaram imediatamente toda a ajuda, o que permitiu ter uma Arena com todas as infra-estruturas num raio de 100 metros. Ou seja, os atletas depois de chegarem apenas têm de se preocupar com a sua prova, podendo até usar apenas a bicicleta durante todo o fim-de-semana. Esta parceria permite também ter refeições caseiras nos dois dias do evento. Claro que para descomprimir após a prova, pode e deve ser aproveitado o tempo para dar um passeio pela região, que oferece vários locais de visita e variados monumentos.

Orientovar - À beirinha do evento, quer formular um desejo?

Ricardo Serra - O desejo é mesmo que tudo corra bem e que a competição seja do agrado de todos.

Toda a informação em
http://www.coc.pt/eventos/17abr2010/pt/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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