sábado, 3 de abril de 2010

A MINHA ESCOLA: ESCOLA SECUNDÁRIA COM 3º CICLO DO ENTRONCAMENTO

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No sexto programa da rubrica “A Minha Escola”, viajamos hoje até ao Entroncamento, coração do sistema ferroviário português. Com a ajuda da Professora Leonor Luz vamos ao encontro da Escola Secundária do Entroncamento e do seu Grupo-Equipa de Orientação, uma sólida formação há muito entrada nos carris, com qualidade e condições para aspirar à alta velocidade.


Cidade pertencente ao Distrito de Santarém, o Entroncamento é sede do segundo mais pequeno município do País, com apenas 13,71 km² de área e cerca de 20.000 habitantes. O seu nome deve-se ao facto de aqui entroncarem duas linhas de comboio, a Linha do Norte (que liga Lisboa ao Porto) e a Linha da Beira Baixa (que vai até à Guarda e permite a ligação a Espanha). “Terra dos fenómenos”, o Entroncamento é também conhecido em Portugal pelos eventos curiosos, extraordinários ou mesmo fantásticos, que aqui ocorrem e que vão merecendo, com inusitada frequência, a devida atenção.

O que antes era um espaço ermo desenvolveu-se, em grande medida, devido à passagem do comboio. Num padrão semelhante ao de localidades associadas a indústrias, o desenvolvimento do Entroncamento está, pois, intimamente associado aos Caminhos-de-Ferro. Estima-se que, durante alguns períodos da sua história, principalmente nas décadas de 20 e 30, a população associada à CP excedesse os 50%. Ao encontro deste centro nevrálgico do padrão ferroviário português, o Orientovar aponta hoje agulhas para uma das seis escolas da sub-região do Médio Tejo, da Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo, a Escola Secundária com 3º Ciclo do Ensino Básico do Entroncamento.

Quem é a Professora Leonor Luz?


A Professora Leonor Luz é, juntamente com o Professor Carlos Rabaça, a responsável pelo Grupo-Equipa de Orientação da Secundária do Entroncamento. Nascida a 2 de Maio de 1968, na Golegã, Maria Leonor Henriques da Luz, vive actualmente na sua terra natal para onde regressou em 2002, após ter estado na zona de Lisboa, desde que saiu para estudar até essa data. Gosta muito de estar com amigos e com a família, de ler, de viajar e de dar um bom passeio ao ar livre e na praia, embora o faça muito pouco. A razão é simples e prende-se com os três filhos que tem, acompanhando-os igualmente nas suas actividades desportivas que têm muito pouco a ver com a Orientação. Assim sendo, treina corrida sempre que pode e vai participando nalgumas provas de Orientação.

Em termos profissionais, é licenciada em Educação Física e Desporto pela Faculdade de Motricidade Humana, tendo terminado o Curso em 1991, com estágio pedagógico realizado na Escola Secundária D. Pedro V, em Lisboa. Nesse ano teve um Grupo-Equipa de Voleibol, o que viria a suceder mais tarde, na generalidade das Escolas por onde passou. Leccionou sucessivamente na Escola Secundária Rainha D. Leonor, em Lisboa (1991/1992), Escola Básica de Santa Clara, em Coimbra (1992/1993), Escola Básica dos Pombais, em Odivelas (1993/1996), Escola Secundária Pedro Alexandrino, também em Odivelas (1996/2000), Escola Básica / Secundária Mestre Martins Correia, na Golegã (2000/2005) - aqui com Grupo-Equipa de Equitação - e Escola Secundária do Entroncamento, a partir do ano lectivo de 2005/2006 e até aos dias de hoje, pela primeira vez com um Grupo-Equipa de Orientação. Actualmente é também supervisora da equipa de Apoio às Escolas do Médio Tejo na modalidade de BTT/MAAV/Escalada e Canoagem, tendo no ano anterior, acumulado com estas actividades a de Orientação.

“A Orientação surgiu com a escola”

Orientovar – Como é que surgiu a Orientação?

Professora Leonor Luz – A minha formação inicial esteve mais ligada ao Voleibol, embora tenha tido contactos pontuais com a Orientação em algumas escolas que tinham algumas actividades. Mas respondendo directamente à pergunta, a Orientação surgiu com a Escola. Foi só quando fui dar aulas para a Escola da Golegã que me comecei a interessar pela modalidade. Havia já um Grupo-Equipa de Orientação e comecei a participar nalgumas provas do Desporto Escolar, inicialmente para dar apoio ao meu colega que estava à frente do Grupo. Depois, como ele estava federado num clube, comecei a ir a algumas provas do Desporto Federado e acabei por me federar no mesmo clube, que é o CLAC – Clube de Lazer, Aventura e Competição. Daí para a frente foi uma descoberta constante. Entretanto vim leccionar para o Entroncamento, onde também já havia Grupo-Equipa de Orientação com outro colega. O Grupo cresceu - a Secundária do Entroncamento é, desde o passado ano lectivo, uma Escola de Referência Desportiva de Orientação -, ficámos os dois e cá estou eu a tentar levar os meus alunos a gostar desta actividade tão interessante que é a Orientação.

Orientovar – De que forma se tem desenvolvido o projecto do Grupo-Equipa de Orientação na Escola?

Professora Leonor Luz – Na medida em que integrámos a Orientação no projecto curricular de Educação Física, posso estimar que praticamente todos os alunos, num universo de cerca de 900, pelo menos no 7º e no 10º ano têm contacto com a modalidade, nem que seja no mapa da escola. Quando se proporciona, alguns fazem umas saídas ao mapa do Parque do Bonito. Aqueles que gostam vão fazendo Orientação nas provas do Desporto Escolar e aqueles que gostam mesmo a sério acabam por se federar e em participar em todo o tipo de provas. Talvez possa acrescentar que temos um grupo masculino e um grupo feminino, sendo a participação nas provas, duma forma regular, de aproximadamente oito a nove alunos de cada um dos grupos.

“Para evoluirmos temos que treinar mais”

Orientovar – Percebe-se que neste processo o CLAC desempenha um papel importante na ponte entre o Desporto Escolar e o Desporto Federado?

Professora Leonor Luz – Temos trabalhado sempre em parceria com o CLAC. No fundo, foi no CLAC que eu me iniciei e tem sido também o CLAC a manter uma colaboração estreita com a Escola, tanto em termos de mapas como de materiais. Agora já se assiste até a uma reciprocidade, uma vez que os alunos transitam para o Desporto Federado, ingressando no Clube.

Orientovar – Que avaliação faz em termos de evolução da modalidade na Escola Secundária do Entroncamento?

Professora Leonor Luz – Para evoluirmos temos que treinar mais. Os nossos objectivos passam por integrar cada vez mais os miúdos do Desporto Escolar nas provas do Desporto Federado, o que acaba por estar dependente de algum financiamento por causa dos transportes. Mas passa também pela evolução da qualidade das provas locais. Estamos a tentar este ano fazer já as provas com o sistema SportIdent e procuramos criar parcerias entre as escolas, os clubes e alguns municípios no sentido de conseguirmos mais mapas e a aquisição de algum material que concorra para o aumento dessa mesma qualidade.

“Alguns pais até vão lá deixar os miúdos”

Orientovar – Ao nível do Desporto Escolar, que facilidades tem para desenvolver a modalidade?

Professora Leonor Luz – Não é muito fácil porque há sempre alguns entraves. As provas do Desporto Escolar têm sido sempre financiadas pelo Desporto Escolar. Chegámos a ter a colaboração do Município no que toca aos transportes, mas isso tem sido cada vez mais difícil. Como temos esta parceria com o CLAC, temos a carrinha e vamos remediando assim a situação. Quanto a locais para treinar, temos o mapa da Escola mas que acaba rapidamente por se esgotar e torna-se necessário recorrer ao exterior. Como temos o Parque do Bonito relativamente perto, a Escola nem tem levantado grandes problemas. Treinamos à quarta-feira e, por vezes, também ao sábado. Alguns pais até vão lá deixar os miúdos.

Orientovar – Isso significa que há um apoio grande da parte dos pais?

Professora Leonor Luz – No caso daqueles miúdos que gostam e continuam, normalmente os pais apoiam, acabam por colaborar connosco, começam a vir às provas e alguns pais até começam eles próprios a experimentar. Nos outros verifica-se é o contrário, ou seja, nota-se alguma desaprovação da parte dos pais. É a chuva, são as roupas enlameadas ou rotas, quer dizer, no caso dos pais que não compreendem isto, é difícil os miúdos continuarem.

“A Orientação é um bocadinho uma ferramenta”

Orientovar – Em termos pedagógicos e lectivos, que virtudes encontra na Orientação enquanto modalidade desportiva?


Professora Leonor Luz – Para mim, a Orientação é um bocadinho uma ferramenta. É uma modalidade que confere uma grande autonomia, que traz muita liberdade de opção e, ao mesmo tempo, responsabilidade. Isso confere aos alunos uma forma de estar na vida que considero muito positiva para o seu crescimento e desenvolvimento. Procuro que eles se empenhem e trabalhem com afinco o mais possível, no sentido de isso os valorizar para a vida. Tudo isto conjugado com a necessidade de estudarem, de se envolverem nas tarefas da Escola, de se envolverem nas tarefas desportivas. Estou convicta que a prática regular do desporto contribui muito para o desenvolvimento da personalidade dos miúdos e para os tornar cada vez mais responsáveis e empenhados, capazes de superar obstáculos e de vencer as dificuldades que a vida coloca. E a Orientação tem isso.

Orientovar – Vamos vê-la ligada à Orientação muito mais tempo?

Professora Leonor Luz – Penso que sim. Enquanto as coisas correrem favoravelmente na Escola e houver miúdos interessados, vou estando ligada à Orientação. Se o número de miúdos reduzir poderá ficar apenas o meu colega e eu pegar noutra modalidade, não sei.


“Que todos os miúdos deste país pudessem contactar com a modalidade”

Orientovar – Um sonho para a Orientação na sua Escola e, duma forma mais abrangente, para a modalidade no seu conjunto?

Professora Leonor Luz – Porque valorizo muito a Orientação como ferramenta para o desenvolvimento dos alunos, o meu sonho é que pudesse vir a ser aplicada tal como está nos programas. Pelo menos no 7º ano, que todos os miúdos deste país pudessem contactar com a modalidade e conhecer os seus princípios básicos, porque só conhecendo é que eles podem saber se gostam ou não. Um sonho para a minha Escola, é conseguirmos alguns resultados a nível nacional do Desporto Escolar.



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