segunda-feira, 15 de março de 2010

XVIII TROFÉU DE ORIENTAÇÃO DO CPOC: TIAGO FERNANDES COM O RESCALDO DO EVENTO

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Tiago Fernandes estreou-se na Direcção duma prova da Taça de Portugal de Orientação Pedestre com este XVIII Troféu de Orientação do CPOC. É ele quem coloca um ponto final num evento que, como veremos adiante, não foi apenas rosas.


Orientovar – Em jeito de balanço, como é que decorreu este regresso às belas paisagens de Sintra e Cascais?

Tiago Fernandes - Este foi o 18.º Troféu de Orientação Pedestre que o CPOC organizou em cinco anos de existência. São muitas provas em tão pouco tempo, apesar de nestes números estarem incluídas apenas as provas oficiais a contar para os ‘rankings’ da FPO - Taça de Portugal e Taça FPO Continente (ex-Regional Sul). Completámos com esta prova um longo ciclo de dois anos com muitas organizações Regionais e Nacionais, situação que nos deixa muito orgulhosos e esperamos que muitos dos atletas que nelas marcaram presença as recordem com satisfação por terem participado, tal como nós nos orgulhamos de as ter organizado.

Esta prova marcou também o nosso regresso à Serra de Sintra e aos Concelhos de Cascais e de Sintra. A nossa decisão inicial não era a de vir para estes terrenos mas, devido a constrangimentos em Mora, resolvemos voltar a terrenos que nos são queridos e proporcionar um novo regresso da Orientação à Serra de Sintra.

O primeiro dia decorreu no Mapa da Pedra Amarela, com o mapa de 2007 (Vale de Cavalos) a ser cartografado de novo, tendo sido alargado a nordeste até à zona da Barragem do Rio da Mula, utilizando as encostas da Pedra Amarela. É uma zona muito técnica, em que as pedras abundam e não é possível evitar o desnível do próprio terreno. Depois das florestas limpas do POM e das zonas de montados e rochas do NAOM, estas são florestas onde a vegetação rasteira abunda, pois o acesso às mesmas é difícil e a limpeza das matas é, devido a essas características, reduzida, sendo esse um facto que não é do agrado de todos os atletas mas que é um facto em muitas das nossas florestas. Devemos saber conviver com esta realidade, pois é na florestas que este desporto é praticado e nem sempre se podem encontrar autênticas pistas de crosse como na Figueira da Foz ou no Crato.

O segundo dia foi o retorno a um mapa apenas usado numa prova regional pelo CPOC. É um mapa que se encontra adjunto à Escola da Sarrazola, Escola para nós - e também para a Orientação! - muito querida, pois foi o berço de muitos atletas que hoje e no passado trouxeram bons resultados ao CPOC e ao País, casos de Alexandre Alvarez, Vera Alvarez, Mariana Moreira, Gonçalo Cruz, Ana Filipa Silva e Liliana Oliveira, entre muitos outros.

A participação rondou os 700 atletas, números que para nós foram baixos. Identificamos como causas possíveis o número de provas seguidas num período curto de tempo e, para aqueles que vêm de mais longe, o facto das provas internacionais serem mais apelativas. Esperemos que não seja uma tendência a manter no futuro próximo, principalmente sabendo que a próxima prova da Taça será a 700 kms de Lisboa e que o efeito não seja o mesmo que nós sentimos no que respeita aos clubes que se situam mais longe de Lisboa. Fica a nota de que sentimos a ausência deles como uma família sente sempre a ausência de um ente querido numa festa que organiza.

Orientovar - Em termos organizativos, quais os meios envolvidos, as principais dificuldades e os apoios?

Tiago Fernandes - Hoje em dia, realizar uma prova é cada vez mais complicado em termos burocráticos, principalmente se a mesma se vai desenrolar numa área pertencente a um Parque Natural. Fala-se muito do ‘simplex’, mas o que sentimos é que o que antigamente se resolvia através de um mero oficio para as entidades que teriam que licenciar a prova, hoje obriga a um sem número de papelada e a pareceres os mais díspares das mais variadas entidades. Posto isto, os processos tornam-se mais onerosos para as organizações e implicam uma mais atempada organização, já que sessenta dias não são suficientes. Será que toda esta burocracia não irá asfixiar os desportos que utilizam a natureza e não são praticados em recintos fechados?

Constatámos também que os apoios camarários são cada vez mais escassos, limitam-se agora a apoios logísticos ou de cedências de materiais e uma organização depende cada vez mais do sucesso da própria prova em termos de participantes para pagar os gastos envolvidos (cartografia, mapas, logística, alimentação, deslocações, etc.).

Não posso, no entanto - e apesar de todas estas limitações referidas -, deixar de agradecer os apoios que recebemos das Câmaras Municipais de Cascais e de Sintra, principalmente desta última, sem a qual as dificuldades teriam sido bem mais acrescidas. Também da empresa Municipal Cascais Natura e EMAC, da Escola da Sarrazola, da União Mucifalense, dos Fisioterapeutas da ESSA, das Policias Municipais de Cascais e de Sintra e por fim, mas não por último, dos Bombeiros Voluntários de Almoçageme. Todos foram importantes na organização do evento.

Orientovar - O melhor e o pior deste XVIII Troféu de Orientação do CPOC?

Tiago Fernandes - O melhor, o bom tempo, não ter havido acidentes graves com atletas e o ambiente vivido; o pior, a baixa participação global de atletas, a logística muito dispersa no segundo dia. E alguma falta de civismo ainda existente, o que leva a que surjam problemas pós-prova com as entidades que cedem os solos duros, situação que pode inviabilizar no futuro a cedência dos mesmos ou de novos espaços.

Orientovar - Pessoalmente, o que retirou desta sua primeira experiência como Director duma prova pontuável para o 'ranking' da Taça de Portugal de Orientação Pedestre?

Tiago Fernandes - Satisfação por termos proporcionado mais uma prova a todos os atletas presentes.As equipas da organização comprovaram que o POM, organizado há um ano, deixou uma máquina bem oleada. Há sempre pequenos contratempos e principalmente constrangimentos que nos ocupam muito tempo e consomem as nossas energias e por isso tiramos sempre novas ilações para melhorar na próxima prova, pelo que cada prova é um ensinamento de vida. O pior, pessoalmente, é o tempo que tem de ser roubado à família e ao emprego, no pré e no pós prova. Só quem organiza sabe bem o que isso é e que só quem dirige vive. O atleta gosta de encontrar só coisas boas e por qualquer coisa reclama; mas quem está deste lado só pretende que tudo corra pelo melhor e só quem vive uma Direcção de Prova sabe o trabalho que está envolvido e que tão poucas vezes é valorizado por quem participa.

Toda a informação relativa ao XVIII Troféu de Orientação do CPOC pode ser consultada em
http://www.cpoc.pt/eventos.php?ev=18Trofeu.

[foto gentilmente cedida por João Dias]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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11 comentários:

José disse...

Mas quem é que não compreende o esforço desenvolvido pela organização da prova, numa área adversa, dum Parque avesso a este tipo de realizações, em dois municípios que por sistema se esquivam a colaborar.
Já é por demais conhecida a má vontade dos responsáveis do Parque em relação à realização de provas de Orientação.
Com maior ou menor dificuldade a prova foi bem conseguida, não notei falhas.
Parabéns a toda a equipa do CPOC.

Tiago Romão disse...

Olá...
Penso que existe muita coisa a lamentar depois desta prova. É sem dúvida o regredir de muitos anos na forma organizativa. Depois de provas como o Meeting Internacional de Arraiolos, o POM e o NAOM, parece que voltámos ao antigamente. Penso e certamente que todos concordam que não é este o modelo que faz tantos atletas estrangeiros quererem vir treinar a Portugal e dizerem maravilhas das nossas organizações, talvez ainda bem que eles não vieram e assim não iram passar a palavra.
É verdade que o CPOC já organizou muitas boas provas, mas o que conta são os actos do momento e não viver do passado glorioso.
Arenas?? O que é isso?? Se no primeiro dia se situava numa zona nada convidativa, no segundo dia era praticamente inexistente. Já para não falar que para se descarregar o SI ter de se ir à Escola pelo meio do lamaçal. E assim quem é que fica na arena a desfrutar dos dias de sol que tiveram e do espetáculo que é a orientação? Até o tempo ajudou, mas a organização não quiz.
Agora deixando a falta de infraestruturas de lado, é de lamentar situações onde o factor sorte foi imperativo.
Segundo as regras o triângulo deve-se situar num local onde não possa ser visto da partida, para que os outros atletas não possam tirar vantagem por partir no depois, mas na realidade presenciamos um inédito "triângulo de espectadores".
Depois devido à grande vegetação rasteira no primeiro dia onde não é possível clarificar no mapa que tipo de vegetação apanhamos, pois existiam zonas onde até se corria razoável e outras onde pela existência de silvas era praticamente impossível progredir, existindo o factor sorte.
No segundo dia o factor sorte voltou a ponderar em pontos marcados em amarelos com vegetação até ao pescoço e no meio de verdes...
Não me vou adiantar mais, esperando que Vinhais traga algo de positivo à orientação portuguesa e faça esquecer este episódio...

Nelson Monteiro disse...

Olá a todos,

Concordo plenamente com o que o Tiago Romão escreveu! Tb sei o trabalho que dá organizar uma prova de orientação e por tal agradeço a toda a equipa que se esforçou e gastou muitas e muitas horas de trabalho para nos proporcionar mais uma jornada do nosso desporto favorito, mas... na minha modesta opinião, e apesar das vistas o local da prova do 1º dia é completamente inadequado para a orientação! É desagradável, muito perigoso, devido às pedras e desníveis, muita vegetação, enfim, td aquilo que não gosto de encontrar qd vou para uma prova! Vi muitos atletas, incluindo pessoal da Elite, a "bater" todas as pedras à procura de pontos, ou seja, a grande maioria eram encontrados à zona ou por ouvido "biiip!", percebem? Vi pessoas dos OPT com crianças, completamente assustadas e a reclamar, envoltas em silvados e pedras... Acham quem experimentou uma prova de orientação pela 1ª vez vai voltar? Eu acho q não! Ouvi um atleta brasileiro, q representava um clube português a dizer: "uma prova numa lixeira era mais "limpo" que isto!"! Por estes motivos, acho que este mapa (apesar de ter sido elaborado por um excelente cartógrafo e acredito que deve ter tido um trabalho de campo medonho...) não vem continuar o engrandecimento da imagem de Portugal (Arraiolos, POM e NAOM) no estrangeiro a nivel da Orientação. Nunca fiz uma prova de distância longa numa escala de 1:7500! Segundo a IOF julgo que por norma deve ser à escala de 1:15000! Imaginam fazer uma prova neste mapa nesta escala? Ainda para mais tendo em conta as complicações que a elaboração deste mapa deu ao CPOC por utilizar a zona do parque Natural... Apesar disto tudo, dou os parabéns à organização pelo trabalho, mas julgo que teriam menos problemas noutros locais onde a prática da orientação fosse mais agradável para todos nós!

Saudações Orientistas

Lils disse...

Vivemos num país livre onde todos temos direito a dar a nossa opinião, na graça de Deus. Como tal, sou livre de expressar o que me vai na alma, que de momento não é muito positivo.
Gostaria de ver quantos clubes do nosso país teriam a capacidade de, após encontrar zonas fantásticas de prova, que davam para fazer umas arenas porreiras, um autêntico "cross" de mapa na mão, mas que, de um momento para o outro, por motivos alheios ao clube, ficassem sem qualquer hipótese de usar esses mesmos locais para a realização da prova a poucos (ênfase no "poucos") meses do evento acontecer, arranjassem novas opções, novos terrenos, e etc, etc, e ainda assim proporcionassem uma prova de sonho, assim algo topíssimo para os atletas igualmente topíssimo chegarem, vestirem o equipamento, correrem, ganharem a prova e voltarem para casa com os olhos no seu umbigo e esquece lá o resto. Sim, sou da organização, e no que toca a criticar sou muito dada a falar mal de tudo e de mais alguma coisa, mas normalmente estudo bem o caso antes de criticar o que quer que seja, não tenho por hábito criticar sem saber muito bem do que estou a falar.
Além do mais relembro: o mapa do primeiro dia já tinha sido usado, e se, de facto, foi uma grande chatisse para os OPT's, especialmente aqueles que nunca tinham tido qualquer contacto com a orientação, há muito boa gente que já cá tinha estado: ninguém obriga ninguém a nada, e se vieram foi porque quiseram. Peço desculpa pela dureza, mas isto é o que penso, sem rodeios.
Mas sim, venha Vinhais e venha uma boa jornada de orientação, que é o que se quer.

(Já agora, e fora de desabafos, há bastante tempo que acompanho o blog sem nunca ter comentado nada, lamento que o primeiro comentário seja algo duro, mas tinha de dizer isto. Parabéns ao Joaquim Margarido pelo trabalho desenvolvido, tem aqui um blog fenomenal)

Liliana Oliveira, CPOC

David Sayanda disse...

boas, concordando com o que ja foi dito pelo tiago romao e pelo nelson monteiro, tambem percebo que nao possa ser falado do que nao se sabe como foi dito pela liliana.

mas analisando outros dois pontos:
-obviamente que ngm nos obriga a vir, mas afinal isto não e uma prova da taça de portugal?! a orientaçao portuguesa q tem vindo a investir nos atletas de selecçao, n e com certeza neste tipo de terrenos q os atletas vao encontrar qq tipo de preparaçao/motivaçao para competir na nossa taça.
-Falando agora do "red group" presente no escalao elite, n percebi o efeito ou a intençao de tal ideia, n existiu qq tipo d acompanhamento dos atletas para qq tipo d emotividade na arena, e ainda estou para perceber qual foi o criterio d selecçao para os atletas q o constituiam...a unica coisa q verifiquei foi o "grande trabalho de equipa" que foi levado a cabo p estes atletas...

com tudo isto n estou a criticar a liliana, pois afinal as organizaçoes sao feitas atraves do trabalho voluntario d quem gosta da orientaçao, p isso quero dar os parabens e q continuem assim ;)

Luís Santos disse...

Boa noite.

Os terrenos usados no 1º dia do evento são similares a muitos que já encontrei em 12 anos de Orientação nos eventos do .COM sempre tão elogiados (e com razão na minha opinião) onde proliferam as pedras, mas também a vegetação agreste que quase impossibilita correr.

A opção do CPOC em organizar a prova naquele local teve obviamente a ver com a elevada qualidade técnica dos terrenos, mesmo que a progressão possa não ser agradável.

Agora vou centrar-me em alguns pontos aqui referidos:

1 - Não deixa de ser curioso que sejam 2 jovens a criticar o tipo de terreno e prova aqui no blog e que tenha sido o mais veterano atleta da Elite portuguesa a ganhá-la. Se este ano algum português estiver no WOC acham que vão encontrar o quê? Tapetes de relva como em Arraiolos? Florestas limpas como na Figueira da Foz? Talvez se treinarem em terrenos como os que encontram no Gerês e se conseguirem correr verdadeiramente em locais como a Pedra Amarela possam algum dia alcançar resultados de destaque em eventos nos países nórdicos;

2 - Arenas - Tal como com os líderes políticos gostamos sempre de dizer que, se fizer branco devia ter feito preto, mas se fizer preto devia fazer branco. Não fizémos Arena no 2º dia porque haveria pessoas a fazer mais de 2kms até à Arena (e sabíamos que iamos ter muitos OPTs ao contrário do que acontece no POM) e achámos que assim a concentração na Escola facilitaria a vida aos participantes.

3 - A lama - Esta tem muita piada. Provavelmente em 90% dos terrenos deste país iriamos encontrar as áreas de prova cobertas de água e lamaçais. Esta encostas da Serra tinham a vantagem de não ter lamaçais e como havia um caminho que tinha bem uns 30m de lama, já é uma tragédia que havia lama na prova...

4 - O triângulo de espectadores - A função do triângulo é assinalar a partida efectiva do percurso sem denunciar a direcção que levam os atletas para cada um dos percursos que realizam. A minha pergunta que te deixo Tiago é só esta: Quantos segundos ganhaste por ver para onde iam os atletas depois de passar no triângulo? O triângulo foi colocado naquele local porque efectivamente TODOS os percursos seguiam na mesma direcção e ninguém tirava vantagem de ver o triângulo.

5 - Os atletas de Elite a baterem as pedras todas - Provavelmente talvez fosse melhor mudarem de escalão ou aprenderem a ler um mapa... Perguntem ao Joaquim Sousa se também precisou de andar a bater as pedras todas...

6 - O Red Group - Fui eu o responsável pela criação do Red Group. Se olharmos para a média (MM) do Ranking da Taça de Portugal podem reparar que há apenas 9 atletas com MM acima de 90 pontos. Desses, 6 estavam no Red Group, um é o Miguel Silva que esteve na Organização e os outros 2 são os 2 polacos do GD4C que não estiveram na prova. Então, foi um mau critério para escolha dos atletas?? Não representam estes pontos os atletas verdadeiramente melhores? O Paulo Franco criticou com razão que o grupo poderia ter sido ampliado (e nesse caso iriam ser também incluídos o próprio Paulo e o Albino do GD4C que chegaram a estar escolhidos) mas optámos por manter a paridade entre Elite Masculina e Feminina e no escalão feminino não há qualidade suficiente para formar um red group de 8 atletas.

As opções e decisões para a concretização do evento foram ponderadas e decididas pela Organização para proporcionar o melhor evento aos atletas dentro das condicionantes que vivemos. Não estive envolvido em todas essas decisões, mas a Direcção do meu clube ultrapassou um enorme desafio com muita coragem e montou uma boa prova de orientação pedestre tal como já tinha montado uma grande prova de orientação em BTT ainda há 3 meses.

Saudações desportivas,
Luís Santos,
CPOC

Diogo Miguel disse...

Deixo aqui a minha opinião exclusivamente relativa aos mapas, que é o que (ainda) mais interessa numa prova de Orientação.

Comparar o mapa de Vale de Cavalos com os mapas do Gerês que o .COM nos tem oferecido não me parece nada razoável... Assim como trazer os mapas encontrados na Escandinávia para a história. É verdade que em todos eles encontramos pedras, vegetação, relevo e tudo o que também se encontra noutros mapas. A diferença é que, ao contrário do mapa usado no 1º dia da prova, conseguimos tirar prazer em fazer orientação no Gerês e na Noruega. Em vez de comparar o mapa de Vale de Cavalos com os mapas do Gerês, acho muito mais adequado compara-lo com o mapa Estarreja III (falo deste por ser um mapa que conheço relativamente bem, pois fica mesmo à porta de minha casa, mas existem mapas semelhantes usados todos os anos em prova da Taça FPO Norte). Penso que quem defende o mapa de Vale de Cavalos concorda comigo quando digo que é impossível tirar qualquer prazer em fazer orientação no Estarreja III. E mesmo que de repente começassem a crescer pedras no Estarreja III essa situação dificilmente mudaria... Não acho muito diferentes o mapa de Vale de Cavalos e o Estarreja III...

Por fim, quanto ao facto de eu, o Tiago Romão, David Sayanda e os outros (os que andaram a bater as pedras todas à procura da pedra que quem marcou os pontos achou ser a certa) devermos mudar de escalão e aprender a ler um mapa se calhar é verdade... Ou então, se em vez de termos feito a prova sozinhos tivéssemos apanhado um bom comboio podíamos ter dividido as tarefas e em vez de bater as pedras todas só precisávamos de bater algumas para encontrar o ponto...

Cumps,
Diogo Miguel

David Sayanda disse...

primeiro: ja participo em competiçoes internacionais desde 2006 e nc sai d la descontente...suecia, frança, eslovenia, hungria, suiça...tudo mapas cm verdes, mas sem nada com o q reclamar!
segundo: houve quem tivesse vantagem, nomeadamente no escalao H20, que vi muito bem a vantagem que tiraram na opçao logo desde inicio!
terceiro: pois luis, mas se vires as minhas pontuaçoes, talvez percebas que faltei ao PTOSummer, e faço provas tanto em elite como em juniores, mas como aqui o que interessa e ganhar o ranking nacional, os outros que nao estao para isso e so se preocupam com a sua evoluçao, desculpem a expressao, que se "vao lixar" nao?!
quarto: como o diogo disse, talvez devamos mudar, mas para que? em juniores foi o mesmo festival!
para a proxima em vez de um mapa d orientaçao peço um mapa de caça ao tesouro, ou peço para n marcarem amarelos que n existem, ou ate mesmo marcarem os pontos direito...
quinto: se a logica e se estiver-mos habituados a este tipo de terrenos teremos vantagem la fora, entao vou passar a correr no meio das silvas e das pedras...


Para acabar, o mais triste e a parte do "Não deixa de ser curioso que sejam 2 jovens a criticar", enfim que ganhe o veterano!
sem querer claro descurar o merito do sousa.

PAf disse...

Se sub-dividirmos a prova em 4 partes, temos os seguintes parciais:

Até ao ponto 15:

1º Jorge Fortunato > 0:29:13
2º David Sayanda > + 0:02:02

Aproximadamente no ponto 15, formou-se o grupo Tiago Aires + Tiago Romão.

Do ponto 15 ao 21:

1º Tiago Romão + Tiago Aires > 0:16:20
2º Diogo Miguel > + 0:00:08

Aproximadamente no ponto 21, formou-se o grupo Pedro Nogueira+Joaquim Sousa.

Do ponto 21 ao ponto 28:

1º Pedro Nogueira + Joaquim Sousa > 0:17:20
2º Diogo Miguel > +0:00:19

Aproximadamente no ponto 28, formou-se o grupo Pedro Nogueira+Joaquim Sousa+Jorge Fortunato.

Do ponto 28 ao final:

1º Pedro Nogueira + Joaquim Sousa + Jorge Fortunato > 0:13:49
2º Diogo Miguel > + 0:01:34

Pode-se concluir que:

Jorge Fortunato teve um início muito forte.
As equipas formadas mostraram-se extremamente fortes...
Diogo Miguel foi o atleta individual mais forte.

Rafael da Silva Miguel disse...

BOAS

Infelizmente, e com muita pena minha, não posso concordar com maioria (senão tudo) o que foi dito pelo Sr. Luís Santos.

Vou falar apenas do 2º dia, pois foi o único em que participei.

Senhor Luís Santos, se tiver um mapa de JUNIORES M "à mão" agradeço que lhe de uma olhada (ou então aqui: http://ori-estarreja.pt/doma/show_map.php?user=rafael&map=30)

Pto 1 & 12: Não quero atribuir-lhes titulo de "Pontos de sorte", mas na minha modesta opinião foram-no.

Pto 2: Carreiros? Onde? Não os vi e digo-lhe, lá se foi um minuto. Todos os meus colegas/adversários se queixaram do mesmo.
(Peço desculpa mas o GPS apenas começou a funcionar quase no pto 2.)

Pto 4: O verde que estava no mapa não tinha nada haver com a realidade. Também Tiago Aires, que como todos sabemos é um atleta cheio de experiência e um grande cartografo, deu pelo erro.

Pto 7 & 8: Bem estes aqui era para ver quem corria mais, com certeza.

Pto 19: AMARELO? Aquilo tinha mato (canas e não só) maior que eu, e olhe que eu não sou baixo (passe em modéstia).


Isto se fosse uma lista dos meus erros era uma coisa, mas é a lista dos erros duma prova de carácter nacional. (Erros detectados por mim e algumas opiniões pessoais acerca de alguns pontos.)

Mas como estou aqui para criticar, critico até ao fim.
PONTOS NEGATIVOS:
-Falta de arena, que levou a um total desinteresse pela prova (pelo menos por minha parte) devido à falta de SPEAKER.
-Mapa com alguns (não foram bem alguns...) erros de cartografia.
Amarelos a escorregar para o verde, e algumas outras coisas que me pareceram mal representadas/desenhadas.

PONTOS POSITIVOS:
-Gostei da parte final da prova de distância média. Pena é que foram só 7 pontos...
-Gostei de alguns dos pontos nos verdes (coisa que não se vê muito em Portugal), mas quando têm referencias (por ex. pots: 5;6;13;14;16;17;18 Até teria gostado do 19 se aquilo estivesse bem desenhado). Mas não uma raiz no meio do nada.


Relembro que isto é apenas uma crítica pessoal que vale o que vale.
Não tenho como objectivo desvalorizar o trabalho da Organização mas sim referir coisas que penso que têm de melhorar. O CPOC já organizou óptimas provas, como o POM 2009, mas esta não foi de facto do agrado geral.

Quando eu chego no Sábado à noite e me dizem que fiz muito bem em não ir à Longa alguma coisa está errada...


De qualquer das maneiras muito OBRIGADO ao trabalho realizado pela Organização.

Obrigado
CUMPS
Rafael Miguel

PS: Vamos aproveitar tantas críticas para prender. Por minha parte o objectivo é esse.

Luís Santos disse...

Boa noite a todos.

É inquestionável que ambos os terrenos da prova tinham muita vegetação e é também inquestionável que um número significativo de atletas não gostou da prova.

Obviamente não é meu objectivo estar a negar evidências, mas também não é meu objectivo estar a valorizar critícas destrutivas como as lamacentas ou as que nos sugerem que marquemos "pontos direito". Achar que quem não fica no red group é por que queremos que se "vão lixar", ou achar que um mapa plano e sem pedras (Estarreja III) não é diferente de um mapa de montanha com pedras é entrar por um nível que não tem interesse para ninguém.

Por isso vou-me centrar nos comentários do Paulo e principalmente do Rafael por trazerem mais algumas situações concretas à discussão.

A análise do Paulo é naturalmente válida. Em relação ao Jorge referes que começou muito bem mas haverá certamente muito mérito do Sousa em recuperar os 4 minutos que os separavam. Pois, é verdade. 4 minutos. Recordo que é a IOF que organiza distâncias longas no WOC com 2 minutos a separar os atletas, e que, mesmo com loops, também há comboios a criar campeões do Mundo. Achámos que os ganhos de criar o red group para a espectacularidade do evento seriam superiores às perdas que o Paulo (bem) assinalou. E certamente reconhecem que a incerteza final para conhecer o vencedor da Elite Masculina terá tido alguma emoção.

Sobre os comentários do Rafael, devo dizer que, de todos os elementos que criticas, só posso reconhecer razão no verde junto ao ponto 4 porque realmente não o validei (mas outras pessoas estiveram envolvidas na preparação da prova e poderão contrariar-me). Todos os outros elementos estavam lá e tanto eu, o supervisor, como outros intervenientes as considerámos bem desenhadas - a clareira do ponto 1, o caminho do ponto 2, o tronco do ponto 12, a clareira do 19 (as canas são o contorno da clareira obviamente), tudo estava no sitio, tal como os maravilhosos detalhes de relevo desenhados pelo cartógrafo e ignorados por falta de interesse para este "debate".

A propósito do cartógrafo, Luís Sérgio, gostaria de terminar a minha participação nesta conversa pedindo a todos a sensatez de deixarem o Luís Sérgio fora do alvo sobre o qual disparam. O Sérgio fez um trabalho fantástico em tempo recorde (por culpa nossa e da nossa impossibilidade de fazer a prova em Mora e pela falta de ajuda de um Inverno muito chuvoso) e parece-me inquestionável que redesenhou e recuperou um mapa que era muito fraco na Pedra Amarela (curiosamente em 2007 as críticas que recebemos foram exclusivamente dirigidas à falta de visibilidade das curvas de nível) tornando-o num mapa muito bom. Centrem as vossas críticas no meu clube e nos meus comentários se continuarem a discordar deles e se acharem útil para que voltemos a organizar eventos de grande nível.

Saudações,
Luís Santos