segunda-feira, 15 de março de 2010

XVIII TROFÉU DE ORIENTAÇÃO DO CPOC: TRIUNFOS DE JORGE FORTUNATO E DE PATRÍCIA CASALINHO

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A Taça de Portugal de Orientação Pedestre regressou, pelas mãos do CPOC – Clube Português de Orientação e Corrida, às belas paisagens naturais de Sintra e Cascais. Foi no passado fim-de-semana, em dois dias recheados de emoção e que viram Patrícia Casalinho e Jorge Fortunato sagrarem-se os grandes vencedores. Este último, pela vez primeira!

Depois dos grandes eventos internacionais que trouxeram a Portugal, no passado mês de Fevereiro, a fina-flor da Orientação mundial, não era fácil para qualquer clube aguentar o embate do “regresso à calma”. Coube ao CPOC – Clube Português de Orientação e Corrida, esse enorme desafio e o mais que se pode dizer, numa primeira abordagem, é que o ‘clube da linha’ acabou por se sair muitíssimo bem. Sete centenas de participantes é um número importante nos dias que correm, mesmo descontando o facto de se contabilizarem apenas 431 atletas nos escalões de competição, tendo os restantes participado nos escalões OPT’s. E aqui cabe um reparo ao Desporto Escolar Norte, que agendou uma prova do seu Calendário para o dia de sábado, impedindo desta forma que mais atletas participassem na prova do CPOC. Não se compreende esta falta de articulação, tanto mais que não é caso virgem. E se nos lembrarmos que o “melhor” está para vir, com a coincidência de datas entre os Europeus de Primorsko (Bulgária) e os Nacionais de Distância Longa e Estafetas (Arcos de Valdevez), o melhor é ficarmo-nos por aqui. Por agora!

Organizada pelo CPOC, com os apoios das autarquias de Cascais e de Sintra, do Parque Natural de Sintra-Cascais e da Federação Portuguesa de Orientação, o XVIII Troféu de Orientação do CPOC contou com um tempo primaveril, o qual serviu de tónico para duas jornadas de Orientação de excelente nível. O resto foi paisagem – e paisagem de cortar a respiração – num dos mais belos e majestosos parques naturais do nosso País. A prova foi constituída por duas etapas muito distintas, a primeira, de Distância Longa, na vertente Sul da Serra de Sintra, já em território pertence ao município de Cascais, com vegetação densa e muitos elementos rochosos; e a segunda, de Distância Média, junto à EB 2,3 da Sarrazola, com algum relevo e, ainda e sempre, com muita vegetação num mapa particularmente "sujo".

A primeira vez de Jorge Fortunato


Coroando um percurso ascensional que faz dele uma das grandes esperanças da Orientação nacional, Jorge Fortunato (Ori-Estarreja) foi o grande vencedor deste XVIII Troféu de Orientação do CPOC. Uma vitória suada, arrancada a ferros a Joaquim Sousa (COC), um “histórico” da modalidade que nunca se deu por vencido. Sousa viria a vencer a prova de Distância Longa do primeiro dia, colocando fim a um jejum de vitórias em etapas da Taça de Portugal e que durava já desde o dia 3 de Maio de 2008, altura em que levara de vencida a 2ª etapa do Troféu Ori-Estremoz.

Todavia, Fortunato viraria a seu favor o resultado ao vencer no segundo dia de provas. Uma vitória com um duplo sabor, correspondendo à sua primeira vitória de sempre numa etapa da Taça de Portugal de Orientação Pedestre e num evento pontuável para o respectivo ‘ranking’, no escalão de Elite. Joaquim Sousa viria a ser segundo, a pouco mais de 30 pontos do vencedor, enquanto Tiago Romão (COC), em crescendo de forma, arrebataria o terceiro posto.

As suspeitas do costume

No que às senhoras diz respeito, Patrícia Casalinho (COC) regressou às vitórias, impondo-se às suas colegas de equipa, Catarina Ruivo e Andreia Silva, respectivamente segunda e terceira classificadas. A ausência de Maria Sá (GD4C) e o desacerto de Raquel Costa (GafanhOri) abriu caminho a uma vitória moralizadora da atleta leiriense, ao mesmo tempo que colocou uma vez mais a nu a realidade de um escalão onde a competitividade é escassa. E sem competitividade não há evolução. Mas enquanto se aguarda a subida ao escalão de Elite de nomes como os de Mariana Moreira (CPOC), Joana Costa e Isabel Sá (GD4C) ou Ana Coradinho (GafanhOri), a realidade é esta e é com ela que temos de viver.

Nos escalões de formação a grande surpresa vem do Entroncamento, com um Daniel Catarino (CLAC) “fenomenal” no escalão de H15. Destaque também para as vitórias do “campeoníssimo” Marco Póvoa (ADFA) em H21A, de Isabel Bonifácio (GD4C) em D21A e do trio madeirense Nélson Baroca / Xavier Vieira / Adriana Ladeira (CA Madeira), respectivamente em H21B, H40 e D40. Por clubes, assinale-se o regresso do COC às vitórias numa prova da Taça, após anormalmente prolongada ausência do lugar mais alto deste tão almejado pódio.

RESULTADOS
HOMENS ELITE
1º Jorge Fortunato (Ori-Estarreja) 1951,37 pontos

2º Joaquim Sousa (COC) 1918,09 pontos
3º Tiago Romão (COC) 1848,83 pontos
4º Diogo Miguel (Ori-Estarreja) 1840,80 pontos
5º Tiago Aires (GafanhOri) 1817,76 pontos
6º Paulo Franco (COC) 1694,32 pontos
7º David Sayanda (GafanhOri) 1666,17 pontos
8º Fábio Pereira (Ori-Estarreja) 1612,28 pontos
9º Alexandre Reis (ADFA) 1524,56 pontos
10º Gildo Silva (COC) 1439,10 pontos

DAMAS ELITE
1º Patrícia Casalinho (COC) 1995,40 pontos

2º Catarina Ruivo (COC) 1851,26 pontos
3º Andreia Silva (COC) 1738,41 pontos
4º Ana Oliveira (Ori-Estarreja) 1595,07 pontos
5º Lena Coradinho (GafanhOri) 1536,07 pontos
6º Adelindina Lopes (COA) 1502,10 pontos
7º Elisabete Vieira (ADFA) 1370,16 pontos
8º Albertina Sá (ADFA) 1311,68 pontos
9º Carla Saraiva (Ori-Estarreja) 1310,41 pontos
10º Céu Costa (GD4C) 1281,26

OUTROS VENCEDORES
H/D 13 – João Pedro Casal (Ori-Estarreja) e Sara Barros (COC); H/D 15 – Daniel Catarino (CLAC) e Teresa Maneta (GafanhOri); H/D 17 – Tiago Baltazar (GDU Azóia) e Inês Domingues (COC); H/D 20 – João Mega Figueiredo (CN Alvito) e Joana Costa (GD4C); H/D 21A – Marco Póvoa (ADFA) e Isabel Bonifácio (GD4C); H/D 21B – Nélson Baroca (CA Madeira) e Catarina Santos (Clube EDP); H/D 35 – Alberto Branco (CP Armada) e Maria Amador (ATV); H/D 40 – Xavier Vieira (CA Madeira) e Adriana Ladeira (CA Madeira); H/D 45 – Mário Marques (COA) e Luísa Mateus (COC); H/D 50 – Albano João (COC) e Isabel Monteiro (COC); H/D 55 – Manuel Dias (Individual) e Maria São João (CLAC); H60 – Francisco Coelho (Clube TAP); H65 – Armandino Cramez (Ori-Estarreja); H70 – José Grada (Clube TAP); VET H/D B – Sérgio Mónica (CIMO) e Susana Domingos (COC)

POR CLUBES
1º COC 3511,1 pontos

2º ADFA 3413,8 pontos
3º GD4C 3297,7 pontos
4º Ori-Estarreja 3160,5 pontos
5º GafanhOri 3141,7 pontos

“Gostei bastante de voltar ao mapa da Sarrazola”

Quem esperava ver um Jorge Fortunato eufórico com este triunfo memorável a todos os títulos, enganou-se. O atleta fez uma análise bastante sucinta deste Troféu, colocando a tónica na prova do segundo dia: “Após a sofrida Distância Longa com relevo muito acentuado e vegetação que dificultava muito a progressão e que me deixou muito desgastado, gostei bastante de voltar ao mapa da Sarrazola, no dia de ontem, a zonas onde a navegação exige muita concentração e constitui um grande desafio.”

Mas o atleta coloca o dedo na ferida e, embora reconhecendo que esta “foi mais uma boa organização do CPOC”, não deixa de lamentar a criação dum grupo “red start” a partir no final, “com eventual influência nos resultados do escalão de Elite”. De acordo com o atleta, “a difícil progressão, sobretudo no Sábado, aliada à dificuldade técnica em ambos os dias, fez com que alguns atletas deste grupo se encontrassem na floresta e terminassem juntos a prova, podendo ter beneficiado de um ‘trabalho conjunto’ em relação aos atletas que não estavam incluídos neste grupo. Desta forma penso que este grupo deveria ter sido constituído por mais atletas”, salienta.

“Vencer esta prova foi como vencer outra qualquer”

Depois da paragem forçada por lesão no I Meeting Internacional de Arraiolos e das prestações condicionadas tanto no POM como no NAOM, seria de esperar uma Patrícia Casalinho particularmente exuberante com este regresso às vitórias. Todavia, à semelhança de Jorge Fortunato, a atleta do COC remeteu-se a um discurso contido: “Dei o mesmo de sempre, dei o meu melhor e vencer esta prova foi como vencer outra qualquer”, começou por referir a atleta, para acrescentar que “as etapas foram bastante físicas, em mapas muito sujos e onde o grande segredo foi recorrer sempre aos caminhos, pois a progressão no terreno era muito difícil. Foi com total descontracção que encarei as provas e dei o meu melhor.”

Quanto aos objectivos para esta época, a atleta confessa que “passam por ganhar o ranking”, mas mostra-se realista: “Neste momento é complicado, já que apenas ganhei três etapas na época inteira e a lesão condicionou muito a minha prestação em sete etapas. Vou continuar a lutar para alcançar o maior número de vitórias possível, trabalhar e trabalhar para ser melhor ainda do que sou hoje”. A terminar, uma palavra de determinação: “Enquanto for matematicamente possível, estou na luta pelo título.”

Consulte os resultados completos em
http://www.cpoc.pt/eventos.php?ev=18Trofeu&op=resultados

[foto gentilmente cedida por João Dias]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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