quinta-feira, 11 de março de 2010

PELO BURACO DA FECHADURA: XVIII TROFÉU DE ORIENTAÇÃO DO CPOC

.


Depois do XIV Troféu de Orientação do CPOC, decorrido em Setembro de 2007, a Taça de Portugal de Orientação Pedestre regressa ao Distrito de Lisboa, e novamente à bonita Serra de Sintra. Com Tiago Fernandes, espreitamos hoje pelo buraco da fechadura o XVIII Troféu de Orientação do CPOC.


Orientovar – Temos o CPOC de regresso às altas lides organizativas na Orientação Pedestre. Alguma emoção especial?

Tiago Fernandes - Este será o primeiro evento de Orientação Pedestre pontuável para o ‘ranking’ da Taça de Portugal desde o Portugal O’ Meeting que organizámos há um ano atrás e será também a minha primeira Direcção de uma prova pedestre para a Taça de Portugal. Devo dizer que o processo de colocar de pé este XVIII Troféu de Orientação do CPOC tem contado com enormes contrariedades, desde a necessidade de mudar de local, depois de várias visitas a vários locais possíveis, até um invulgarmente ano chuvoso que prejudicou os tempos de conclusão da cartografia. Esta organização tem sido, por tudo isto, um desafio, mas, acreditamos que os percursos e os mapas vão agradar e, apesar de algumas limitações, o pós-orientação contará com algumas componentes que vão agradar a todos, mesmo sabendo que não podemos igualar a qualidade dos dois últimos eventos que antecedem esta prova. E o agrado dos atletas que estiverem presentes é o melhor agradecimento que poderemos vir a ter.

Orientovar - Para além do facto de ser disputado numa zona particularmente aliciante do ponto de vista natural e paisagístico, o que é que o XVIII Troféu de Orientação do CPOC tem para oferecer?

Tiago Fernandes - O CPOC vai voltar à zona de Sintra. O primeiro dia terá toda a sua logística concentrada junto à Quinta de Vale Cavalos e, para além das zonas de mapa que já alguns experimentaram há cerca de três anos, estendemos o mesmo a nordeste e foi todo ele revisto pelo cartógrafo Luís Sérgio, sendo que este é - sem o ser, verdadeiramente - um mapa novo. A primeira etapa decorrerá numa zona rica em elementos rochosos, pormenores de terreno variados, áreas com floresta e alguns caminhos, não esquecendo, algum desnível, ou não estivéssemos nós na Serra de Sintra. Nos escalões de competição, os percursos serão tecnicamente exigentes mas bastante acessíveis para quem se está a iniciar na prática da Orientação. O segundo dia será a estreia do mapa da Sarrazola em provas da Taça de Portugal e iremos aproveitar o mapa que criámos para a Escola da Sarrazola, desfrutando da excelente floresta que está muito próxima desta. Será uma etapa com características bastante diferentes, decorrerá em espaço de floresta com alguma areia, bastantes pormenores de relevo e algumas zonas privadas que vão criar opções de prova interessantes de seguir. Sendo duas etapas que decorrem dentro do Parque Natural de Sintra / Cascais, as paisagens que poderemos presenciar são únicas e mágicas, pelo que aqui fica o convite a todos para que venham usufruir deste Desporto na Floresta.

Orientovar - O índice de participações nas recentes provas – Arraiolos, Figueira da Foz e Crato – foi “inflacionado” pelo excelente número de atletas estrangeiros mas existe a percepção de que os participantes portugueses continuam a ser cada vez menos. Neste particular aspecto, quais são as suas expectativas?

Tiago Fernandes - As três provas que antecederam a nossa tiveram características que lhes permitiram um elevado número de participantes e sabíamos, à partida, que tal não iria suceder neste XVIII Troféu de Orientação do CPOC. No entanto, dada a proximidade da cidade de Lisboa, esperamos - se o tempo nos ajudar! - bastantes participantes nos escalões de Orientação Para Todos. Até ao momento, a avaliar pelo número de inscritos, não deixará de ser uma prova também com um bom nível de participação nos escalões de competição.

Ainda em relação à questão, a minha perspectiva é que essa é uma tendência que teremos no final da época, com um impacto inevitável na modalidade. É necessário atrair novos praticantes, é necessário demonstrar junto das entidades que apoiam a organização das provas, nomeadamente as Câmaras Municipais, que a Orientação pode trazer coisas boas, não só às gentes da terra como para a visibilidade dessas regiões. A quebra de apoios é, na minha óptica, o maior perigo que a modalidade pode enfrentar e que poderá mesmo colocar em causa o actual modelo que estamos a utilizar.

Orientovar - A Cerimónia de Entrega de Prémios terá lugar também na Escola da Sarrazola, uma Escola onde a Professora Avelina Alvarez lecciona e onde tem feito um excelente trabalho na Captação e Formação de jovens valores para a modalidade. Que significado é que este particular momento e esta distinção encerram?

Tiago Fernandes - A Professora Avelina e a Escola da Sarrazola têm um significado especial para o CPOC, não só pelos muitos elementos que aqui nasceram para a Orientação como pelo seu empenho em fazer deste desporto aquilo que já é hoje em dia e principalmente o que poderá vir a ser no futuro. E aí o Clube também tem ganho, pois muitos dos atletas que nasceram para a Orientação na Sarrazola são hoje nossos atletas e - com orgulho o afirmamos - são eles os elementos que no futuro conduzirão esta modalidade.

Orientovar - Quer aproveitar para reforçar algumas indicações ou deixar uma mensagem a todos os participantes e, em particular, a algum indeciso que ainda se encontre por aí?

Tiago Fernandes - Esta é mais uma prova onde o CPOC sente que se tem de ultrapassar a si mesmo na capacidade de solucionar os mais variados problemas que uma organização como esta enfrenta. Dependemos muito de apoios a vários níveis e, na sua aus~encia, temos de ser mais criativos para conseguir proporcionar boas provas e bons momentos a todos os praticantes que nos visitam.

Um dos maiores desafios é encontrar Solo Duro e banhos. As colectividades e os Pavilhões Gimno-Desportivos têm uma utilização intensiva e muitas delas têm aí a fonte de receitas para a sua manutenção. A sua cedência acarreta por vezes a perda de receitas, para além das maiores exigências que nos vão sendo colocadas sobre a sua utilização, nomeadamente ao nível dos custos de limpeza e consumos decorrentes. Cabe a todos os atletas que usufruem dessas facilidades lembrarem-se que aqueles são espaços que devemos tratar como se estivéssemos em nossa casa, não condicionando, com comportamentos poucos sociais (lixo, sujidade, etc.), a reutilização desses espaços. Queria, por isso, deixar já aqui um alerta nesse sentido. Serão publicadas no site do CPOC algumas informações sobre a utilização do Solo Duro que, pedimos a todos, que cumpram e façam até melhor. Sem o apoio recebido dos Bombeiros Voluntários de Almoçageme na cedência de um espaço apropriado, tal não seria possível, pelo que lanço o desafio de todos tentarmos ajudar os BVA contribuindo com a compra de rifas que vão estar disponíveis no secretariado e depois mais tarde no próprio Solo Duro. Essa contribuição vai ser muito importante para os Bombeiros e para a compra de uma nova viatura; e será igualmente importante para nós, pois permitirá a protecção de espaços essenciais à prática da nossa modalidade.

Gostaria de aproveitar para lembrar que os atletas de elite masculina não podem correr com chips SI da série 8, pois o percurso que enfrentarão terá 34 pontos, não suportados por este tipo de chip. Estou certo que será também emotiva a troca de mapa dos dois percursos de elite, troca a ser efectuada no ponto de espectadores, o que será sem dúvida um espectáculo dentro do espectáculo. Aproveito a oportunidade para convidar todos os seguidores deste blogue a estarem presentes e a virem desfrutar da prática da Orientação.

Consulte informação detalhada sobre a prova em
http://www.cpoc.pt/eventos.php?ev=18Trofeu

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

.

Sem comentários: