quinta-feira, 4 de março de 2010

PELO BURACO DA FECHADURA: XVIII TROFÉU ORI-ESTARREJA E ORI-6 RELAY

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Ao completar 18 anos de existência, o Clube Ori-Estarreja brinda-nos já no próximo fim-de-semana com uma dupla jornada de Orientação a prometer muitas e gradas emoções. Pretexto para uma conversa com Diogo Miguel, uma das maiores promessas da modalidade em Portugal. É com ele que espreitamos o XVIII Troféu Ori-Estarreja e o Ori-6 Relay pelo buraco da fechadura.

Numa altura em que o Ori-Estarreja – Clube de Orientação de Estarreja atinge a maioridade, é com especial emoção que olhamos para trás e vemos como, “numa terra de província, sem população ou infra-estruturas comparáveis às das grandes cidades, mas com gente e apoios, o Clube foi capaz, orgulhosamente, de implantar um Desporto desconhecido".

Primeiro clube em Portugal cuja actividade principal é a Orientação, o Ori-Estarreja tem sabido ao longo dos anos escolher estrategicamente o seu rumo. Cada objectivo alcançado foi uma meta e, simultaneamente, a partida para um novo desafio. No binómio interpretação / decisão tem residido o segredo do crescimento do clube, da sua implantação sólida, da sua preponderância como um dos maiores do panorama nacional e da sua determinação e firmeza em prosseguir na senda de novos êxitos.

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A Idade Maior

Dezoito anos volvidos sobre o seu surgimento – em Março de 1992, ainda como Secção do Clube Desportivo de Estarreja -, o Ori-Estarreja está mais jovem do que nunca e não se cansa de inovar. Aliando a experiência dos seus elementos mais calejados à juventude e entusiasmo dos mais novos, o clube vai fazendo uma sábia gestão desta verdadeira passagem de testemunho enquanto, ao mesmo tempo, não cessa de nos surpreender. Foi assim com o Portugal O’ Summer, a primeira prova de seis dias realizada em Portugal, a abrir a presente temporada. Foi depois com a criação do Circuito Nocturno de Orientação. Volta a ser agora com o Ori-6 Relay, uma Estafeta que bebe o espírito nas clássicas nórdicas Tiomila e Jukola e que é, tanto quanto sabemos, mais uma estreia do género em Portugal.

Mas para nos falar disto e muito mais, ninguém melhor que Diogo Miguel, o Campeão Nacional de Distância Longa e uma das maiores certezas da Orientação nacional. Virado para as tarefas organizativas e investido, desta feita, na qualidade de Director do XVIII Troféu Ori-Estarreja e do Ori-6 Relay, é ele que assume, a partir deste momento, as despesas da conversa.

Assegurar o futuro do próprio clube

Orientovar – Ao atingir a maioridade, o Clube Ori-Estarreja deposita nas mãos dum jovem a responsabilidade da Direcção da Prova. Com que particular emoção vive este momento?

Diogo Miguel - Sendo a primeira vez que tenho uma tarefa destas, é sempre um marco importante. Deixo de me centrar apenas numa área, como a generalidade dos elementos duma organização, e tenho de pensar em todas as tarefas de maneira a combiná-las para que o resultado final seja melhor do que a soma das partes. É um desafio interessante e espero conseguir estar à altura de outros Directores de Prova de eventos organizados pelo Ori-Estarreja e cuja qualidade foi por todos já reconhecida. Por outro lado, não deixa de ser curioso que numa altura em que atinge a maioridade, o clube decida pôr nas mãos dum jovem uma responsabilidade destas. Mas este tipo de decisões é fundamental para integrar os jovens de uma forma mais activa na vida do Ori-Estarreja, para além do simples plano competitivo, assegurando desta forma o futuro do próprio Clube.

Orientovar - Em termos pessoais, sendo o Diogo Miguel um atleta de Elite, como é que encara as tarefas organizativas? Preferia ser dispensado delas e centrar apenas a sua actividade no treino e na competição?

Diogo Miguel - Como atleta de Elite que sou, não posso negar que me sinto mais confortável no papel de atleta do que no de Director de Prova. Mas nestas alturas não nos podemos centrar só em nós e também temos de pensar no clube que nos proporciona todas as condições. Digamos que, não só eu como todos os elementos da organização, prescindirmos da competição para organizarmos cada prova do Ori-Estarreja é o mínimo que podemos fazer pelo clube que nos permite competir.

“Não se trata de uma atracção especial pelo escuro”

Orientovar - Percebeu-se o seu "dedo" na criação do Circuito Nocturno, agora brinda-nos com um Ori-6 Relay a ter início ainda noite cerrada. Alguma atracção especial pelo escuro ou vê de facto uma certa importância neste tipo de provas? Como avalia o baixo índice de aceitação das mesmas que se verifica até ao momento?

Diogo Miguel - Não se trata de uma atracção especial pelo escuro, mas de uma necessidade de tentar inovar. Não percebo o porquê de haver tão poucas provas nocturnas em Portugal, ainda para mais quando este tipo de eventos é tão importante para o desenvolvimento técnico dos nossos melhores atletas. Basta olharmos lá para fora para nos darmos conta da quantidade de provas nocturnas que se organizam, havendo inclusivamente campeonatos nacionais de nocturnas em alguns dos países mais importantes do panorama internacional. Tal como a implementação de outros tipos de cartografia, nomeadamente a nórdica que tanto tem dado que falar nos últimos tempos, acho que só temos a ganhar com a implementação deste tipo de iniciativas. Quanto ao baixo índice de participações, sinceramente penso que o povo português, apesar de ter muitas virtudes, também tem alguns defeitos e por vezes vêem estas iniciativas inovadoras não com a curiosidade de quem quer experimentar mas com desconfiança. Aliado a isso, algum défice na divulgação destes eventos também não contribuem para uma maior adesão.

Orientovar - Em simultâneo com os eventos, vamos ter os Grupos de Selecção na Tocha, no próximo fim-de-semana e, se por um lado, é sempre importante ter a presença dos melhores atletas nacionais, por outro lado, não os ter a participar nas provas pode ser um pouco frustrante. Sendo o Diogo um dos elementos mais sólidos deste Grupo, na qualidade de organizador como é que encara a situação?

Diogo Miguel - Embora a não participação destes atletas nas provas possa tirar alguma competitividade ao evento, penso que todos os outros atletas que não são de selecção e apenas participam por lazer se devem sentir honrados por terem a oportunidade de conviver na mesma floresta com os melhores atletas nacionais. Além disso, todos os atletas que participam no estágio do Grupo de Selecção movem um número mais ou menos elevado de acompanhantes, sendo que esses participam no evento. Por outro lado, a Estafeta irá contar com algumas equipas do Grupo de Selecção, pelo que penso que ninguém deverá perder a oportunidade de se ‘bater’ com aquelas que supostamente são as melhores equipas nacionais… de certeza que será um desafio interessante.

“Vamos fazer deste evento uma grande festa”

Orientovar - Quais os argumentos que utilizaria para convencer um indeciso a ir à Tocha?

Diogo Miguel - No dia de Sábado, o mapa utilizado vai ser o do Palheirão. Creio que todos conhecem a qualidade desse mapa. Embora a minha opinião possa parecer enviesada por razões óbvias, a verdade é que já corri talvez em todos os mapas de dunas que existem em Portugal e aquele que acho mais desafiante e onde me consigo divertir mais a fazer Orientação é mesmo o do Palheirão. Por outro lado, a Estafeta que se vai realizar no Domingo é um evento único em Portugal e acho que ninguém o devia perder. Para além disso temos já confirmadas presenças muito especiais: Thierry Gueorgiou, Philippe Adamski e Amélie Chataing são decerto nomes conhecidos por todos e que marcarão presença nos eventos, indo inclusivamente participar na Estafeta. Mais uma razão porque não vão querer perder nada deste fim-de-semana.

Orientovar - Quer deixar algum apelo ou uma mensagem final?

Diogo Miguel - O único apelo que deixo a todos é que participem nestas provas acima de tudo com boa disposição. De certeza que, com a vossa ajuda, vamos fazer deste evento uma grande festa.

Saiba tudo, consultando
AQUI a página dos eventos.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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1 comentário:

José disse...

Recordo o Diogo Miguel nuns 5 Dias de França de 2003 prova em que participou como prémio pelo seu 1ºlugar no ranking de iniciados.
Para quem conviveu de perto com aquele jovem facilmente adivinhava que dali ia sair um grande homem e um grande atleta.
Naquela prova de 5 dias aquele jovem de 13 anos que viajou sem familiares nem colegas do seu clube, teve um comportamento exemplar que mereceu a admiração de toda a caravana.
Depois, na prova ele viria obter uma classificação final no top ten, demonstrando maturidade e disciplina invulgares num jovem da sua idade.

Hoje, o Diogo Miguel é uma certeza da orientação portuguesa.

Apraz-me saber que o Diogo é o director do Trofeu Ori-Estarreja no próximo fim de semana.

Parabéns.