quarta-feira, 31 de março de 2010

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...

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1. PARA MAIS TARDE RECORDAR
Perdoar-me-ão este devaneio, este momento de vaidade pura, mas não é todos os dias que temos o privilégio de posar para a fotografia ao lado de três campeãs do Mundo. Foi em Palmaz (Oliveira de Azeméis), à beirinha do fim dos Campeonatos Nacionais de Orientação em BTT 2009/2010, lado a lado com Sonja Zinkl, Michaela Gigon e Christine Schaffner. Uma foto que figurará sempre em lugar de destaque no meu álbum de recordações.

2. PODERIA A LESÃO DO DANIEL TER SIDO EVITADA?
A 12ª edição dos Campeonatos Nacionais de Orientação em BTT fica indelevelmente marcada pela grave lesão que vitimou Daniel Marques, o afastou da disputa dos títulos nacionais 2009/2010 e o obriga a uma forçada e (sempre) longa paragem em vésperas da prova WRE de Pataias, das provas da Taça do Mundo (Hungria e Polónia) e a menos de quatro meses dos Mundiais de Montalegre. Mas poderia a lesão de Daniel Marques ter sido evitada? Bruno Oliveira, um dos responsáveis máximos por esta organização, garante que na quinta-feira passada o arame não estava lá e nós só temos que acreditar nele. Todavia, em plena prova e antes da lesão sofrida por Daniel Marques, já alguns atletas por lá tinham passado e detectado a gravidade e o risco implícito da situação. O Orientovar falou com três deles, um que se baixou e raspou no arame apenas com o capacete e outros dois que ainda conseguiram desviar-se a tempo. Um outro atleta terá sofrido mesmo um golpe na face. E então, o que fizeram? Tentaram remover ou simplesmente sinalizar o obstáculo? Não vou especular, não vou sequer invocar deveres de cidadania consignados na própria Constituição da República. Deixo apenas à consideração de todos se a única prioridade, neste caso e noutros, é ditada pela tirania do cronómetro ou se, como pessoas, devemos ir um pouco mais além, em nome da nossa própria moral e consciência?

3. ATROPELOS À VERDADE DESPORTIVA
A afirmação envolve o seu quê de polémico e, por isso mesmo, o assunto será tratado à parte, num artigo que trarei para a “Ordem do Dia”. Mas levanto já uma pontinha do véu, atrevendo-me a afirmar que foram em número demasiadamente elevado os participantes nas provas de Sprint e Distância Média que, fazendo tábua rasa dos Regulamentos, transitaram fora de caminhos em cima da bicicleta ou invadiram terrenos privados. Atropelo à verdade desportiva? Claro que sim! Sei que não fui o único a ficar chocado com a situação, dando inclusive de barato que há muita gente nova que tão pouco tem consciência das infracções cometidas. Mas que para os estrangeiros presentes – alguns dos melhores do mundo, acrescente-se -, em vésperas de Mundial no nosso país, a imagem que ficou é a pior possível, lá disso ninguém tenha dúvidas!

4. NOTA DE DESAGRAVO
“Disputada por 252 atletas (226 nos escalões de competição e 26 nos escalões abertos), a prova ficou marcada por uma falha da Organização que resultou na falta de mapas para os escalões H17 e H21A e determinou que, face aos enormes atrasos, quinze atletas no conjunto dos dois escalões decidissem não partir, abandonando a competição.” Este texto pode ler-se na apreciação que fiz na passada segunda-feira à prova de Distância Longa dos Nacionais de Ori-BTT e contém, em si mesmo, incorrecções. A dificuldade em confirmar números junto da Organização levou-me a fazer a afirmação que, em si mesma, não é muito “simpática” para a Organização. Em nome da verdade, a situação da falta de mapas existiu, é verdade que é uma falha da Organização, mas mesmo assim foi possível dar a partida a todos os atletas pelas 12h50 e atrasar apenas 15 a 20 minutos a Cerimónia de Entrega de Prémios. Lamento a afirmação, que poderá ser considerada muito penalizadora e não verdadeira para a Organização e acima de tudo para a modalidade. Daí esta nota de desagravo, à qual acrescento um pedido de desculpas.

5. O LOUVOR DA SEMANA
Passou por mim a pedalar descontraidamente e disse, com o mais belo sorriso: “Se isto é para brincar, aproveito e dou um passeio.” A frase tem a ver com o que ficou dito anteriormente no ponto 3 e vem da boca de alguém que não consegue pactuar com este tipo de atitudes e prefere desistir a ser apelidada de “ingénua” ou de “estúpida”. Para ela e para aqueles que, como ela, souberam manter a coragem e a firmeza até ao fim vai, com todo o respeito e a mais profunda admiração, o Louvor da Semana!

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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2 comentários:

bo disse...

Não me vou alargar muito, concordo no geral com a critica, mas cumpre-me esclarecer que falei com alguns estrangeiros, alguns que conheço à 12 anos e os comentários foram muito positivos. Quanto ao arame, já muito foi falado, infelizmente para os feridos e para a organização não foi possível detectar esse perigoso obstáculo. Mas para a próxima vamos reforçar a equipa que deverá percorrer o máximo nº de caminhos minutos antes (e durante) da prova. Cumprimentos

antunes disse...

Bom Dia;

Há uns anos quando era supervisor regular e fui nomeado para supervisionar um Evento organizado pelo CPOC, tive o cuidado de mencionar no relatório de então, que se tivesse feito cumprir as regras com rigor, pelo menos 50% dos participantes, senão mais teríam de ser desclassificados.Isto a propósito do comentário do Margarido sobre o andar fora de caminhos montado nas bicicletas.Bem sei que há ou já houve provas inclusivamente de nível internacional em que esta regra foi excluída.É que nessa já longinqua prova eu vi situações de atletas inclusivé da linha da frente da OriBtt a pegarem nas suas bicicletas, e atirarem-nas por cima de vedações e depois a transporem-nas e a montarem de novo e continuarem a corta-mato até encontrarem o caminho.
Talvêz por estes meus comentários da altura a partir desse evento e até esta época, nunca mais fui nomeado para qualquer prova de OriBtt.
Foi assim que resolveram um problema que pelos vistos ainda hoje se verifica.
Recordo aqui que vamos organizar o próximo WRE de OriBtt.

Cumprimentos
Rui Antunes