segunda-feira, 29 de março de 2010

NACIONAIS ORI-BTT 09/10: O "TRI" DE PAULO ALÍPIO

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Rita Madaleno e Paulo Alípio conquistaram o título nacional de Distância Longa de Orientação em BTT e tornaram-se nas grandes figuras destes Nacionais 2009/2010.


À medida que os ponteiros do relógio na Igreja Matriz se aproximam das nove, a fresca e enevoada manhã de domingo vai acordando de forma estremunhada depois dos sessenta minutos roubados à noite por caprichos da chamada Hora de Verão. A pequena freguesia de Palmaz, no extremo sudeste do concelho de Oliveira de Azeméis, toma-se subitamente duma animação inusitada. Fatos domingueiros dos palmacenses e vistosos equipamentos de corrida rivalizam ao longo das empinadas ruas da aldeia. Está prestes a dar-se início à derradeira etapa dos Campeonatos Nacionais de Orientação em BTT 2009/2010, com a disputa do último e mais aguardado título nacional, o de Distância Longa.

Abrindo-se em cima para depois afunilar à medida que caminhamos para o sul, a configuração do mapa faz lembrar grosso modo o Brasil. Esse mesmo Brasil que, há cem anos atrás, foi ponto de acolhimento e porto de abrigo de tantos e tantos oliveirenses, em epopeias de desgraça ou fortuna que Ferreira de Castro – também ele um oliveirense da vizinha freguesia de Ossela – tão bem soube descrever. A serpenteante linha azul do Rio Caima impõe-se ao longo dum mapa marcado pelo relevo, com encostas abruptas de floresta de eucalipto a ladearem as margens do cavado vale. Numa paisagem de imensa beleza, adivinham-se as dificuldades duma agricultura de sustento que terão determinado essa terrível sangria para o país irmão.

Aspectos menos positivos

Disputada por 252 atletas (226 nos escalões de competição e 26 nos escalões abertos), a prova ficou marcada por uma falha da Organização que resultou na falta de mapas para o escalão H17 e levou a alguns atrasos nas partidas. Com trabalho de campo e desenho de João Amorim (Janeiro de 2010), percursos de João Amorim, Fernando Silva e Bruno Oliveira e homologação de Alexandre Reis, o mapa viria a revelar-se bem mais rápido do que seria suposto face aos enormes desníveis (800 metros de desnível acumulado na Elite masculina, a título de exemplo), acabando os tempos por se quedarem bastante próximos dos alcançados na prova de Distância Média. Também as partidas se encontravam a uma distância bem superior à anunciada, com a agravante de terem um desvio deficientemente sinalizado o que levou a que vários atletas se vissem obrigados a fazer uns bons pares de quilómetros a mais do que os 1,6 km generosamente prometidos.

Falhas a mais para uns, falhas de somenos para outros, ainda assim falhas que merecerão, a par de outras tantas verificadas no primeiro dia, a devida atenção por parte duma organização, como ela própria assevera, empenhada em “proporcionar a esta modalidade que todos adoramos um bom cenário de competição, convívio e diversão.” E aqui cabe uma palavra de apreço para com o pronto assumir de responsabilidades por parte da equipa organizativa do Clube Ori-Estarreja, na pessoa do seu Director de Prova, Fernando Silva. Um gesto bem revelador da riqueza de carácter de toda uma equipa e que, infelizmente, vai sendo cada vez menos usual nos tempos que correm.




O “bis” de Rita Madaleno

Ao encontro da competição, viramos a nossa atenção para o escalão de Elite masculina onde Paulo Alípio (COC) fez jus ao ditado de que “não há duas sem três”. Com efeito, aos títulos nacionais de Distância Média e de Sprint, o atleta juntou também o de Distância Longa, cumprindo os 23,0 km em 1.44.21. Na segunda posição, com mais 6.39 que o vencedor, classificou-se Davide Machado (.COM), justificando as atenções que sobre ele recaem e que lhe valeram a recente convocação para representar Portugal nas duas próximas provas da Taça do Mundo, na Hungria (22 a 25 de Abril) e na Polónia (3 a 6 de Junho). O terceiro lugar foi parar às mãos de Luís Barreiro (NADA), com o tempo de 1.56.08. Para Paulo Alípio, "a prova foi bastante exigente, fisicamente pelo enorme desnível e tecnicamente pela difícil leitura que a escala do mapa (1/20000 - 10 m) originava, atendendo às características do terreno. Um erro de leitura ou de opção levava-nos a perder muito tempo.” Em termos de balanço deste Campeonato Nacional de Orientação em BTT 2009/2010, a apreciação do atleta do COC “passa inevitavelmente pelo acidente do Daniel Marques. A sua ausência forçada alterou obrigatoriamente a atribuição dos títulos. Por vezes, é com momentos maus que conseguimos ganhar mais força e determinação para vencermos e eu espero, naturalmente, que o Daniel possa regressar ainda mais forte e que continue a ser uma referência para todos nós."

Se é verdade que “não há duas sem três”, será igualmente verdade que “não há uma sem duas”. E esta observação vai inteirinha para Rita Madaleno (ADFA) que, após o título nacional de Sprint na tarde de sábado, alcançou com inteiro mérito o título nacional de Distância Longa. A atleta gastou 1.50.35 para 20,6 km de prova, batendo Maria Amador por escassos 1.22. Na terceira posição viria a classificar-se Susana Pontes (CPOC / Loja das Bicicletas), a distantes 9.33 da vencedora. Apesar do cansaço e da ardência provocada pela água num número infindável de escoriações, a atleta não escondia a sua satisfação: “Foi ouro sobre azul e vai-me dar muito alento para as próximas provas.” Quanto ao segredo da vitória, uma resposta no mínimo desconcertante: “Uma noite em que dormi, como todos, menos uma hora e em que se calhar não me preocupei muito com o que comi nem com o que bebi. O resto é força de vontade quando se vê uma subida, não é mais nada. Num mapa como o de hoje isto então tem um significado maior ainda. É muito complicado, a transitabilidade de caminhos é muito difícil, há muitos paus cortados, zonas muito escorregadias, o mato esconde caminhos e obriga a muita atenção, sofre-se muito. Mas valeu a pena porque a zona é espectacular.” Quanto ao futuro: “Faço sempre o meu melhor. Prova a prova vamos aproveitando e desde que me continue a divertir, isso é o mais importante.”

Mac-Mahon Moreira, um nome a reter

Mas nem só Paulo Alípio regressou a casa com três medalhas no bolso. O mesmo aconteceu com mais quatro atletas, com particular destaque para Mac-Mahon Moreira (BTT Loulé), que desponta nestes Nacionais com apenas 16 anos de idade e obriga a lançar sobre si uma particular atenção. Do mesmo clube, Ana Gomes chamou a si os três títulos nacionais, repetindo a jornada dourada dos Nacionais de Ourém, em Maio do ano passado. Alice Silva (GDU Azóia) e Luís Sousa (Clube TAP), dois “históricos” da modalidade, fizeram igualmente o pleno nos escalões de D45 e H50, respectivamente.

Quanto aos restantes vencedores, Margarida Colares (CAOS) e Armando Santos (Clube EDP) “bisaram”, repetindo os triunfos na prova de Distância Média no que aos escalões de D20 e H55 diz respeito. Os três restantes títulos conheceram rostos novos e, ainda por cima, de estreantes nestas andanças: Tiago Silva (ATV) soube aproveitar o ‘mp’ de João Mega Figueiredo (CN Alvito) para levar de vencida o título em H20, António Costa (GDU Azóia) fez o mesmo em relação a Leandro Silva (CN Alvito) e sagrou-se Campeão Nacional no escalão H40 e Filipe Silva (Millennium BCP) foi o mais forte em H45. Uma última referência para os clubes que se sagraram vencedores na prova de Distância Longa e aqui o destaque vai para a ADFA que, aos títulos femininos de Elite nas três provas em disputa, juntou também o título masculino de Elite na Distância Longa, batendo de forma absolutamente inesperada o COC. O BTT Loulé voltou a vencer em Juvenis Masculinos, ao passo que GDU Azóia triunfou em Veteranos Masculinos I e o COC acabou por se redimir em Veteranos Masculinos II, chegando finalmente à vitória com atletas todos eles do escalão H50.

Resultados e outras informações na página oficial do evento

AQUI.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

[texto editado em 31.03 às 6h38]
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