domingo, 28 de fevereiro de 2010

XIV MEETING "ÉVORA PATRIMÓNIO MUNDIAL" MARCADO PELA INTEMPÉRIE

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Debaixo da forte intempérie que assolou o Continente ao longo do dia de ontem, teve lugar o XIV Meeting “Évora Património Mundial”. Mikko Hölli e Marianne Andersen foram os grandes vencedores, numa edição que registou um bom nível de participações.

A Associação dos Deficientes das Forças Armadas, com a colaboração da Câmara Municipal de Évora, da Junta de Freguesia de S. Bento do Mato (Azaruja) e da Federação Portuguesa de Orientação, levou a efeito na manhã de ontem a 14ª edição do Meeting “Évora Património Mundial”. O evento, pontuável para a Taça FPO Continente e para a Taça de Portugal de Clubes época 2009/2010, contou com a participação de 236 atletas de 5 países, com destaque para a presença de 30 atletas da Noruega e 8 da Finlândia.

A prova teve lugar no Mapa de Azaruja (revisto por Tiago Aires em 2007, percursos traçados por Jacinto Eleutério), à escala 1:15 000 e 1:10 000, com os participantes a distribuírem-se por 15 escalões de competição, 4 escalões de Formação e 4 escalões Abertos (OPT’s). O mau tempo acabou por ser o grande protagonista da jornada. Tendas rasgadas, material informático destruído e atrasos consideráveis nas partidas são aspectos que deixaram de pé os cabelos duma Organização que se viu envolvida numa luta desigual contra a violência do vento e da chuva. A verdade é que a prova lá acabou por se fazer e os resultados situaram-se à altura das expectativas.

Marianne Andersen “esmagadora”

No sector masculino, a primeira referência vai para Luís Silva (ADFA), atleta ainda Juvenil e que, competindo no escalão Sénior, se bateu de igual para igual com os seus adversários, logrando alcançar um brilhante terceiro lugar, a 3.34 do vencedor, o finlandês Mikko Hölli (SunO / Kangasala SK). Após a lesão no Tendão de Aquiles que o obrigou a uma paragem prolongada, foi bom ver Tiago Romão (COC) de regresso à competição. Rolando em ritmo de treino, o o bi-campeão nacional absoluto concluiu na oitava posição com o tempo de 1.05.40.

Quanto às senhoras, o destaque vai para a vitória da norueguesa Marianne Andersen (SunO / Konnerud), que “esmagou” a concorrência. Ausente nas grandes provas portuguesas deste início de ano (Arraiolos, Figueira da Foz e Crato), actual número 2 do ‘ranking’ mundial feminino, grande figura dos últimos Mundiais WOC Miskolc 2009 (campeã do Mundo de Estafetas e Vice-Campeã do Mundo de Distância Média e Distância Longa) e atleta do ano na Gala da Federação Norueguesa, Marianne Andersen mostrou todas as suas qualidades e venceu com o tempo de 42.55, deixando a finlandesa Ojanen Outi (SunO / Kangasala SK), segunda classificada, a 10.19 de diferença. Lena Coradinho (GafanhOri) foi a melhor portuguesa, concluindo no quarto lugar com o tempo de 1.02.06.

Resultados

Seniores M A - 1º Mikko Hölli (SunO / Kangasala SK) 55.26; 2º Ahonen Jere (SunO / Kangasala SK) 56.53; 3º Luís Silva (ADFA) 59.00; 4º Sören Lösch (SunO / Kangasala SK) 1.00.32; 5º Manuel Horta (GafanhOri) 1.02.14; 6º Tiago Gingão Leal (GafanhOri) 1.04.46; 7º Oleksandr Rybakov (SunO / Kiev) 1.05.31; 8º Tiago Romão (COC) 1.05.40; 9º Antonio Garcia Guerrero (CODAN Extrem) 1.05.43; 10º Samu Lehtola (SunO / Kangasala SK) 1.05.45. Seniores F A - 1º Marianne Andersen (SunO / Konnerud) 42.55; 2º Ojanen Outi (SunO / Kangasala SK) 53.14; 3º Palm Laura (SunO / Kangasala SK) 59.12; 4º Lena Coradinho (GafanhOri) 1.02.06; 5º Papinsaari Heini (SunO / Kangasala SK) 1.02.26; 6º Ana Coradinho (GafanhOri) 1.08.39; 7º Inês Pinto (GafanhOri) 1.09.24; 8º Rita Madaleno (ADFA) 1.16.33; 9º Suati Almeida (GNR) 1.23.57; 10º Aldina Pires (COA) 1.26.48.

Vencedores Outros Escalões - Infantis M – Gabriel Brasileiro (COAC); Infantis F – Sofia Conceição (GD Reguengo); Iniciados M – Oleksandr Zaikin (ES Palmela); Iniciados F – Joana Palhinha (GafanhOri); Juvenis M – Miguel Ferreira (CPOC); Juvenis F – Live Bredholt Jorgensen (SunO / Norway); Juniores M - Kristian Lindalen Stenerud (SunO / Norway); Juniores F – Maren Haverstad (SunO / Konnerud); Seniores M B – Fidel Conde (COC); Seniores F B – Filipa Neves (COAC); Veteranos I M – Jorge Correia (ADFA); Veteranos I F – Isa Heggedal (SunO / Konnerud); Veteranos II M – Mário Duarte (ADFA); Veteranos II F – Assunção Almeida (GafanhOri); Veteranos III M – Manuel Dias (Individual); Veteranos M B – Sérgio Mónica (CIMO); Veteranos F B – Paula Ferreira (COA); OPT 1 – Carla Marques (GNR); OPT 2 – José S. + Rita A. (Individual); OPT 3 – Cláudia Cunha (Individual); OPT 4 – Francisco S. + Pedro (Individual). Colectivamente – 1º ADFA, 989,5 pontos; 2º GafanhOri, 971,0 pontos; 3º SunO / Konnerud, 630,3 pontos; 4º SunO / Norway, 479,9 pontos; 5º SunO / Kangasala SK, 454,0 pontos. (resultados completos em
http://oriadfa.no.sapo.pt/)

“Gostaria que houvesse mais provas assim”

No final, Luís Silva deixou-nos a sua opinião em relação ao evento: “O mapa tinha uma boa qualidade técnica, numa escala diferente da que estou habituado e ideal para o trabalho da curva de nível, mas o terreno era também muito sujo e as chuvas que se verificaram na última semana enlamearam a zona. No geral considerei um bom treino e só foi pena alguns incidentes terem levado ao atraso das partidas. Mas também tirando isso, para uma prova Regional, esteve dentro dos possíveis. Foi excelente a participação de muitos atletas estrangeiros que abriram um pouco a competição e gostaria que houvesse mais provas assim.”

Manuel Horta (GafanhOri), 5º classificado na Geral e o segundo melhor português, mostrava no final alguma frustração: “Este mapa é-me mais que conhecido, já lá tive alguns treinos e provas não sei quantas, apenas sei que esta não foi a primeira. Ainda assim continuo a fazer erros naquele mapa, erros estes não muito grandes mas sim de alguns segundos; a verdade é que neste mapa apenas consigo chegar à zona do ponto mas não consigo encontrar precisamente o ponto à primeira, tendo que optar por uma técnica designada “bater terreno”. O percurso teve algumas pernadas interessantes, pois neste mapa o desnível é bastante acentuado, mais no terreno do que parece no mapa, dai que fazer boas opções que evitem o desnível compensa bastante. Julgo que neste terreno, um mapa feito com mais atenção aos pormenores seria um mapa muito bom.”

“Quem não se lembra do WRE de Mora?”

As últimas impressões recolhidas são de Jacinto Eleutério. Algo desmoralizado com as partidas pregadas pelo tempo, o Director da Prova fazia menção disso mesmo: “Uma manhã bem adversa para qualquer modalidade ao ar livre com muita chuva e acompanhada de fortes rajadas de vento que derrubaram tudo o que encontraram pela frente. A tenda e a impressora foram as primeiras “vítimas”, facto que obrigou à utilização de guarda-chuvas para proteger o material informático e impediu a publicação das listagens de resultados.” Prosseguindo: “Quem não se lembra do WRE de Mora? Pequenas linhas de água transformaram-se de repente em autênticos rios, qualquer vale escondia armadilhas que enterravam até ao joelho e para terminar em beleza houve um apagão na zona.” A finalizar, e referindo-se à prova em si, aquele responsável adiantou que “tivemos o agradável número de 307 inscritos, embora alguns faltassem à chamada. Mas os aventureiros que desafiaram a intempérie saíram satisfeitos, tanto com o mapa como com os percursos. Apesar da idade, o mapa é bem desafiante o que, aliado à dureza dos percursos foi, na opinião de alguns participantes, um excelente teste à capacidade de recuperação física, na sua grande maioria vindos de dois eventos bem durinhos, o Portugal O’ Meeting e o Norte Alentejano O’ Meeting”.

A Taça FPO Continente prossegue já no próximo sábado com a realização, na Tocha (Cantanhede), do XVIII Troféu Ori-Estarreja [saiba mais AQUI
].

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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6 comentários:

David Sayanda disse...

fim de semana bastante marcado, não pela qualidade, mas pelo fracasso da prova em si...
infraestruturas quase inexistentes, atraso nas partidas, funil de chegada que nem se percebia que era uma chegada, ouvir um elemento da organização dizer que ainda faltam marcar dois pontos quando as partidas estão para começar, mas o pior de tudo foi no final perguntar-se a um atleta estrangeiro o que ele achou e ele dizer QUE NÃO GOSTOU...
Foi a segunda prova em quase 6 anos em que eu fui arrependido pra casa por ter participado...

Incrivel, uma dita prova regional, vamos a ver o que sai dos campeonatos nacionais!

David Sayanda disse...

quero ver tambem a nota que o supervisor dará a esta prova, se alguns fazem, é porque outros deixam!

Cromo di Caderneta disse...

Boa noite!

Antes demais gostaria de felicitar o Joaquim Margarido pelo excelente blog e pela qualidade de informação que disponibiliza.

Vou aproveitar também para divulgar o novo blog de orientação que dá a conhecer os atletas.

oricromos.blogspot.com

Obrigado

Saudações Orientistas
Cromo di Caderneta

Nuno Rebelo disse...

Não queria comentar o que se passou na prova para evitar as polémicas que já existem.
É verdade, houve alguns problemas que se que podiam ter evitado mas aconteceu que eu também fiquei triste.
Mas uma coisa Sayanda que tu não sabes é que o supervisor não dá pontuação á prova mas existe uma comissão de atletas que faz essa pontuação.

José disse...

Calma David, terás as tuas razões, mas a intempérie não facilitou a organização...
Melhor será avaliar a sua capacidade organizativa numa próxima oportunidade com condições atmosféricas normais.

David Sayanda disse...

qd s chega a uma regional e so se ve uma tenda de partidas, uma mesa para descarregar o SI e outra para tirar o alimento dps da prova...
que imagem vamos dar do nosso desporto?! aquilo n era uma local, era uma regional meus senhores!
claro que o bom portugues como de costume se delicia com pouco, por estas e por outras não havemos de chegar a lugar nenhum.
ah e tal, uma intemperie, a culpa no final e do tempo.
fiquei esclarecido