quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

PORTUGAL O'MEETING 2010: O BALANÇO DE DUARTE SANTO E VÍTOR RODRIGUES

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Terminado o Portugal O’ Meeting 2010, é tempo de balanço. Muito cansaço acumulado a transparecer nos rostos de Duarte Santo (Clube de Orientação do Centro) e Vítor Rodrigues (Secção de Orientação do Ginásio Clube Figueirense) mas, ainda e sempre, a falar mais alto a simpatia e a disponibilidade com que receberam e acarinharam todos os presentes ao longo destes quatro dias do POM. Foram eles os naturais interlocutores duma última conversa, fazendo o balanço daquilo que o evento representou para ambos, enquanto Directores de Prova.


Orientovar – Que balanço deste Portugal O’ Meeting?

Duarte Santo – Conseguimos fazer um evento de categoria internacional, um bocado na linha daquilo que foi realizado no WMOC [Campeonato do Mundo de Veteranos]. Estou certo que o sucesso que tivemos não foi cem por cento perfeito mas, nas actuais condições, acho que melhor era impossível.

Orientovar – Que significado teve esta parceria organizativa entre o Clube de Orientação do Centro e a Secção de Orientação do Ginásio Clube Figueirense?

Vítor Rodrigues – Quando se mistura uma Secção de Orientação como a do Ginásio, com apenas cinco anos de existência, com muito querer mas também, obviamente, com muita juventude, e um clube como o Clube de Orientação do Centro, naturalmente já com uma tradição e com um saber fazer de muitos anos, é óbvio que há condições para que as coisas possam dar certo. E aqui, foi exactamente isso que aconteceu. O resultado traduz-se no reforço da amizade, nos laços que aqui se criaram, numa organização fantástica de gente fantástica, de gente de entrega total, que mesmo exausta manteve sempre um sorriso no rosto e soube tocar a barca para a frente.

Orientovar – Quando falamos de quatro dias do POM, estamos a esquecer os muitos outros dias e noites que ficaram para trás nos necessários preparativos. Onde é que se vai buscar energias para isto?

Duarte Santo – De facto o que se vê são quatro dias mas estamos a falar de quase dois anos de trabalho, de dia e de noite. Todos nós temos a nossa vida profissional, todos nós temos a nossa vida familiar e, durante estes dois anos, abdicámos de muito desse privilégio que é ter uma vida profissional e uma família para desfrutar. Mas isto vem tudo do gosto pela natureza, pelo convívio, pelo desporto, pela Orientação… É tudo isso que nos move. No fim disto tudo, ver a satisfação com que as pessoas saem daqui é o justo prémio do nosso trabalho e do nosso esforço e aquilo que nos dá a motivação necessária para continuarmos a dar o nosso melhor.

Orientovar – Quando começaram a chover as inscrições e a chegarem nomes com tanta qualidade, isso assustou-vos?

Vítor Rodrigues – Agora que o evento terminou, podemos falar abertamente. Há dois anos atrás, quase por brincadeira, colocámos a fasquia nos 2010 atletas, porque este era o POM do ano 2010. De brincadeira em brincadeira, mas sempre com os pés bem assentes na terra, estávamos à espera de mil quinhentos atletas ou coisa assim. Quando começam a chegar as inscrições, na quantidade e depois na qualidade, eu, como provavelmente o mais inexperiente, a dado passo, não digo que tenha tido medo porque medo é um sentimento que muito poucas vezes me assalta, mas tive alguma preocupação, efectivamente. Depois, à medida que o tempo foi passando, que o trabalho se foi desenvolvendo, que as coisas se foram desenrolando e olhando para esta malta toda, eu fui dizendo de mim para mim: “Se calhar isto vai correr bem.” E não é que correu?

Orientovar – Além da vertente competitiva destes quatro dias de provas, tivemos ainda alguns eventos paralelos com muito interesse. Refiro-me, naturalmente, ao Sprint Nocturno, à Estafeta da Amizade e à Orientação de Precisão. Que mais-valias é que isto acrescentou ao Portugal O’ Meeting 2010?

Duarte Santo – Mais do que ao POM em si, são iniciativas que trazem mais-valias à própria Orientação, julgo eu. Primeiro, porque demonstram claramente que a Orientação é um desporto para todos e não apenas para alguns. E depois, porque até mesmo os mais pequenininhos a conseguem praticar, a conseguem viver, a conseguem sentir. Gostaria de abrir um parêntesis para destacar a importância do trabalho e do envolvimento do Tiago Romão, sobretudo na prova de Orientação de Precisão, e também do Hélder Ferreira, que teve a brilhante ideia de fazer pela primeira vez a Estafeta da Amizade, uma forma de educar as crianças para o desporto e de as motivar para a prática da Orientação.

Orientovar – Mesmo com dois clubes a assumir os encargos organizativos, há num evento com esta dimensão toda uma logística demasiado pesada. As coisas estão bem como estão ou está na altura de repensar o modelo organizativo do Portugal O’ Meeting?

Vítor Rodrigues – Parece-me sinceramente que sim. Cada vez mais é difícil organizar, mas é destas organizações que os clubes tiram, de algum modo, o seu sustento. Sustento na medida em que é com estes valores realizados que se conseguem depois pôr os atletas a treinar e a competir e, com isso, os clubes conseguem cumprir a sua missão cívica. Se os apoios começam a escassear, se as organizações começam a ter cada vez mais dificuldades, cada vez mais difícil se torna cumprir essa missão cívica que é pôr os jovens a praticar desporto. No que à Figueira da Foz diz respeito, entre outras coisas, este Portugal O’ Meeting foi importante para a sensibilização das autoridades para uma modalidade que não é uma brincadeira. Estas organizações não são brincadeira. Tivemos aqui o ‘top’ do Mundo. É claro que não é futebol, é claro que não é Cristiano Ronaldo, mas tivemos aqui 1800 atletas a competir e a movimentar 2600 pessoas. Isto é significativo. Então quando organizações destas não têm apoios, começa a ser complicado. Começam a sobrar dificuldades e a escassear vontades. Queria registar uma coisa que aconteceu hoje e que, para mim, foi fantástica. Dois homens do Ginásio perderam hoje um ente muito querido e continuaram aqui a trabalhar…

Orientovar – Uma última questão a ambos, na certeza de que vão daqui conscientes do dever cumprido: O que de melhor fica deste Portugal O’ Meeting 2010?

Duarte Santo – A satisfação com que os atletas saíram daqui.

Vítor Rodrigues – A união e o espírito.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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